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3.12.20

Quando o «normal» era assim

 

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17.4.19

Ai "Notre Dame"!... o trabalho está a matar-nos?



«Ao longo de mais de um século um grande estaleiro juntou, seis vezes por semana, uma média diária de 300 homens. Alguns começaram, ainda crianças, a trabalhar ali. Muitos deles também morreram naquele local, sem conhecerem mais nada deste mundo.

Eles eram artífices especializados num ofício, ensinado em segredo por um mestre. Eles foram exclusivos toda a vida, dedicada, apenas, a um monumento ao segredo da conceção divina do filho de Deus.

Lentamente, penosamente, ergueram pedra a pedra, fundiram ferro a ferro, juntaram tábua a tábua, chumbaram vidro a vidro, "toc toc!", "tac tac!", "tic tic!" e construíram, penosamente, sabiamente, à mão, com ferramentas de artesão, os gigantescos corpos principais da Catedral de Notre Dame de Paris.

Há 850 anos trabalhava-se enquanto houvesse luz, do nascer ao pôr-do-sol. Tal como a catequese cristã afirma ter sido um direito do Criador do mundo, os criadores da Catedral de Notre Dame descansaram aos domingos. E, ao longo de cada ano, aproveitaram uma quarentena de feriados para honrar santos, reverenciar Jesus ou Maria e armazenar no coração algum descanso retemperador.

Durante um dia de trabalho cada homem tinha direito a parar uma hora para almoçar e, a meio da tarde, a outros 15 minutos para beber... de preferência vinho, a bebida da falsa força.

O pagamento do salário, para quem tinha direito a ele, era diário e ninguém concebia remunerações por feriados, folgas ou férias.

A vida de um construtor de Notre Dame, no século XII ou no século XIII, era, para qualquer um de nós, cidadãos ocidentais deste mundo do século XXI, insuportável.

Mas ser trabalhador na construção de Notre Dame nos séculos XII ou XIII era, simultaneamente, uma das melhores vidas possíveis dos homens que Deus teve a graça de não fazer nascer como filhos das classes superiores da sociedade feudal e cristã.

Foram milhares os trabalhadores que ergueram a Catedral de Notre Dame de Paris. Um incêndio, talvez atiçado por um fósforo, um cigarro, uma faísca, algo milésimo, mínimo, minúsculo, arriscou esta segunda-feira destruir uma enorme obra da Humanidade.

A vitória dos bombeiros que salvaram a estrutura principal de Notre Dame salvou a memória de um enorme sacrifício de vidas, que a ignorância sobre o real número de mortos sucumbidos às falhas da construção ou a ausência de contagem de almas condenadas a uma existência confinada à pequena Île de la Cité, nos anos de 1163 a 1267, escamoteia da maior parte dos livros de História.

Todos os grandes edifícios construídos pela Humanidade, das pirâmides do Antigo Egipto aos arranha-céus de Nova Iorque, do Mosteiro dos Jerónimos ao Convento de Mafra, resultaram da imposição do sacrifício, da dedicação da vida, da inaceitável morte, do glorioso compromisso de milhões e milhões de trabalhadores.

Sempre que uma grande obra da humanidade desaparece, não morre apenas a memória da arte ou da engenharia que a germinaram. Sempre que uma grande obra da humanidade desaparece, falece também a memória do trabalho e desvanece um registo das etapas de progresso social que nos trouxeram até aqui.

E o que é o trabalho, hoje, aqui? É o trabalho com direitos, com horários, com pausas, com folgas, com salários, com férias pagas? Ou é um tempo em que as coisas parecem andar séculos para trás, até à época do trabalho quase escravo que ergueu Notre Dame?

Que tempo é este, que leva os jornais do século XXI a alertar: "O trabalho está a matar pessoas e ninguém se importa"?»

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3.5.16

03.05.1968 e a Sorbonne ao rubro



Foi numa 6ª feira da primeira semana de Maio que o mítico movimento estudantil francês, que arrancara em 22 de Março com a ocupação da Universidade de Nanterre e chegara ao Quartier Latin na véspera (2 de Maio), tomou maiores proporções. Depois de reuniões várias e de confrontos entre grupos de estudantes rivais, o reitor da Sorbonne ordenou a evacuação desta pela polícia e seguiram-se horas de verdadeira batalha campal, com barricadas, cocktails Molotov, pedradas, matracas e gases lacrimogéneos. Tudo resultou em dezenas de feridos e mais de 500 prisões e os distúrbios continuaram nos dias que se seguiram.

Depois, o movimento extravasou para o mundo do trabalho, a nível de operários, de camponeses e do sector terciário, reuniu-se numa gigantesca manifestação em 13 de Maio e esteve na origem de uma longa greve geral incontrolada.

Foram-se acalmando as hostes, foi dissolvida a Assembleia Nacional em 30 de Maio e realizaram-se eleições legislativas (que os gaulistas ganharam por larga maioria) no mês de Junho. Mas nada ficaria na mesma e não só em França.

A recordar, a célebre intervenção de Daniel Cohn-Bendit no pátio da Sorbonne e a evacuação pela polícia:



Há 48 anos. Para mim foi anteontem.
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29.11.15

Paris, hoje



Place de la République, a propósito da conferência sobre o Clima e porque estão proibidas manifestações. 
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19.11.15

A morte da morte



Excertos de um excelente texto de Jacinto Godinho no Público de hoje (19.11.2015):

«Numa amena noite de sexta-feira (por acaso ou talvez não, uma sexta-feira 13, que é 13 e de azar por causa da prisão, também em massa, dos cavaleiros da ordem dos templários em 13 Setembro de 1307), aos locais agradáveis do descanso do modo de vida ocidentalizado, chegam grupos de homens armados e disparam indiscriminadamente sobre cidadãos anónimos. Como interpretar este teatro do absurdo? O terror de que um desconhecido passe por nós e sem motivo comece a disparar? A primeira ponta solta que se oferece à interpretação é que seis dos assassinos fizeram-se explodir. Iam preparados para o martírio. O que é o mártir? É alguém para quem a morte não é um limite, apenas uma passagem para uma outra condição de existência que acredita ser mais forte que a vida actual. (...)

Sabemos que os mártires acreditam em algo, numa utopia. Mas como pensar que a crença seja mais forte que o medo da morte? Nós os racionalistas temos dificuldade em entender e aceitar isto. Mas a crença numa utopia também é uma forma de medo. O medo de não serem merecedores da sociedade perfeita ou do reino dos céus. (...)

Os vilões, apesar de demonizados pelo estigma, preservam a imortalidade através de fascinantes lendas negras. Salazar, Hitler e Estaline ainda por aí estão para o testemunhar. Os jihadistas suicidas também buscam a sua utopia e trocam a vida pelo feito da visibilidade mediática. Sabem que o crime só se consumará definitivamente quando as mortes em massa encherem as páginas dos jornais de imagens de terror cénico. É inevitável os media caírem nesta armadilha. (...)

O Estado Islâmico está a roubar o palco da produção do visível a Hollywood com espectáculos que retiram o real da ficção e dos efeitos especiais e o devolve com violência aos corpos reais, à dor à carne e ao sangue. As páginas dos jornais são os pósteres das suas produções, os novos cartazes do espectáculo do real onde a morte morre deixando de contar como fronteira limite da razão e da humanidade.

Não tenho resposta, mas a questão é: quem consegue parar esta destruidora máquina do espectáculo?»

Na íntegra AQUI
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16.11.15

O discurso «marcial» de François Hollande



Atenção especial a partir do minuto 19.27 e, sobretudo, de 28:50.



A reter (minuto 32:05) : «Nestas circunstâncias, o Pacto de Segurança prevalece sobre o Pacto de Estabilidade». 
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26.5.15

«Aqui jaz»... mais uma livraria



Uma das melhores livrarias, que conheci, onde passei algumas horas ainda há 5 ou 6 anos e que agora vai desaparecer: La Hune, no nº170 do Boulevard Sanit-Germain de Paris, situada entre os míticos cafés Les Deux Magots e Café de Flore, fechará portas dentro de alguns dias. 


Comentários para quê.
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30.7.11

Sonhar é fácil e ainda não paga imposto


Se vai a Paris este Verão, e se tem seguido os conselhos de poupança dos nossos governantes, pode ser um dos muitos turistas que ali investem em «imobiliário de prestígio». Em 2010, foram quase 3.000 os que desembolsaram mais de um milhão de euros por um apartamento considerado «excepcional» pela arquitectura, idade ou localização.

Pode também optar por Deauville ou pela Côte d’Azur, mas eu não me importava de ficar pela Rue de Rivoli.

(Daqui.)


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