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18.10.20

Paulo Portas - Sempre, sempre, com vichyssoise à vista

 


Entrevista a Paulo Portas no Público. Sempre, sempre, com vichyssoise à vista.

(AQUI, só para assinantes)
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2.7.19

Paulo Portas



Para quem gosta de efemérides. Esta assinala um sexto aniversário: o do dia do pedido de «demissão irrevogável».

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4.1.16

O adeus de Portas



«O maior desafio que se coloca a um político é sobreviver ao seu próprio êxito. Paulo Portas, ao dizer adeus, quer sair galardoado pelas suas maiores vitórias: ter conseguido delimitar a linha ideológica do Governo durante quatro anos e ter vendido ao PSD uma coligação onde o PP conseguiu mais deputados do que teria se voasse sozinho. Portas afasta-se como vencedor num teatro de derrota. O PS ocupa o poder e parece difícil removê-lo de lá nos próximos tempos. Assim Portas sabe que, na bancada parlamentar, poderia fazer brilhantes discursos sobre a "geringonça", mas que esta continuaria a rodar, arriscando-se a ser atropelado por ela. É uma batalha que não lhe interessa ter, deixando-a, como cicuta, para Passos Coelho, político que sempre viu como uma criatura dos verdadeiros criadores: Portas e os núcleos ideológicos académicos que definiram a nova direita portuguesa e o modelo de país criado pela austeridade.

Pragmático e astuto, Portas retira-se para poder voltar depois. Promove uma luta de variantes de Iznogoud, que desejam ser o sultão no lugar do sultão Portas. Nada contra: ele continuará a ser a fonte ideológica do PP onde todos irão buscar a água. Portas não quer ser Kerensky e ficar como a figura mais importante da oposição ao czar, no caso António Costa. Para depois acabar como um débil aliado de um futuro PSD que renascerá das cinzas da oposição com outro líder e, talvez, uma vocação mais social-democrata. Portas não quer o PSD no centro: quere-o acorrentado à nova ideologia de direita com que o contaminou. Portas vai agora viver no território dos negócios, onde deixou as suas bandeiras ao longo destes anos. Talvez queira ser como Napoleão, para um dia poder fugir de Elba para regressar ao trono. Mas aí, muito provavelmente, já não será S. Bento que quererá ocupar. Sabe que o PP poderá ser hegemónico ideologicamente na sociedade portuguesa, mas nunca será um partido de massas. Mas ele, criador de criaturas, tem um sonho que acredita possível: Belém. Daqui a uns anos.»

Fernando Sobral

30.12.15

16 anos de enjoos



«O ano termina com uma boa notícia. 16 anos depois, Portas sai da liderança do CDS. Foi a sua resolução de ano novo e um dos meus desejos quando mordi uma das velas no meu aniversário.

O anúncio foi feito segunda-feira na comissão política, mas claro que ninguém acreditou e toda a comissão política pensou que na terça já ia ser diferente. Mas não. Tudo indica que agora é mesmo verdade, o PP vai perder as iniciais. O partido com o ferro de Paulo Portas vai perder o ganadeiro. Poucos políticos conseguiram ter um partido com as mesmas iniciais que tinham nas cuecas ou nas meias em crianças. Um partido botão de punho. (…)

Recordar que Paulo Portas começa carreira no jornalismo com nojo da política e que termina a carreira de político sem enjoos. Muitas vezes nos questionámos, aqui no café ao pé de casa, o que diria o Independente dos submarinos. Ou do Irrevogável. Portas seria o Cavaco de Portas do Independente.

Portas, qual Luís Filipe Vieira, quer apostar nas novas gerações, na formação das escolas do PP. Nuno Melo pode ser aposta. Entra na categoria nova geração pois, apesar do cabelo branco, quando abre a boca fala como um miúdo de quinze alcoolizado. Para Nuno Melo, a política é uma viagem de finalistas.

Outra potencial candidata das oficinas do PP é Assunção Cristas. Representa um lado mais beato do PP já a roçar o CDS. Só o nome – Assunção Cristas – deve valer votos dos mais crentes. Há igrejas e cultos com nomes menos capazes. Dizem alguns fãs do ex-Governo que Assunção pode ter o voto dos agricultores, ou seja, para aí umas setenta pessoas. Assunção ficou famosa, enquanto ministra da Agricultura, por ter rezado a Deus para acabar com a seca e por ter ficado grávida. E uma coisa não teve nada a ver com a outra.

Pedro Mota Soares é outro candidato jovem. Ou melhor, uma daquelas pessoas de idade indefinida, como o actor Manuel Marques. Tanto pode parecer ter dezoito anos como cinquenta e dois. De moto é um puto, no Audi do Governo parece um velhinho marreco. Pedro Mota Soares é, provavelmente, o candidato mais queimado na opinião pública. A sua passagem pela Segurança Social faz com que muita gente pense que ele nem mota devia guiar. (…)

Vamos ver quem irá para o lugar de Portas. Aceitam-se apostas. Pelo meu lado, começo este ano com muita fé. Um 2016 sem Paulo Portas e Aníbal Cavaco Silva, seja o que lá vem, a coisa promete. Bom ano.»

João Quadros

22.11.14

Bloco de Esquerda ou Remax?




«Esta pergunta foi feita por Paulo Portas, quando no Parlamento se explicava sobre os vistos gold, política de que é o principal patrocinador.

Esta frase merece ficar na memória destes anos de lixo, juntamente com o “irrevogável” do mesmo autor, e de algumas outras de Passos Coelho sobre os “piegas” versus os empreendedores, ou o “ir para além da troika”, ou a “austeridade criadora”, ou o fabuloso conceito de “justiça geracional”, ou os saltos no palco do “jovem” comissário do Impulso Jovem que nunca deve ter percebido como é que acabou a sua nobre missão de explicar a inutilidade de saber história ou sequer de estudar. Hoje tudo isto nos parece ridículo e perigoso, uma combinação sinistra, até porque tudo ainda está no activo. Vamos um dia olhar para estas frases, com a distanciação possível da história, e perceber melhor o retrato de um período negro da história portuguesa, em que o país foi estragado por uma mistura de ideias erradas e muita incompetência. (...)

E a pergunta das mais certas que há: quem destruiu mais postos de trabalho? Portas ou o BE? Portas ou a Remax? Resposta: Portas e o CDS. E Sócrates – dirão as vozes? Sim, é verdade, Sócrates, Passos Coelho e Portas estão bem uns para os outros. Repito de novo a pergunta que seria aquela que de imediato lhe faria, se ele a fizesse à minha frente: quem destruiu mais postos de trabalho? Portas ou o BE? Portas ou a Remax?

Aplicada aos vistos gold, a frase de Portas tem um significado unívoco: se dá dinheiro, vale tudo. Todo o resto da argumentação é paisagem – os outros também fazem, o dinheiro entra pela banca em cheque, comprar casas de luxo ajuda à nossa economia, etc., etc. Mas a essência é: se dá dinheiro, pode comprar tudo, mesmo esse intangível valor que é a residência em Portugal e depois a nacionalidade. É este sentido que torna a frase muito simbólica dos nossos dias, em que o “estado de emergência” se faz em primeiro lugar sentir no domínio da ética pública. (...)

A frase de Portas pode também ser formulada de outras maneiras: o que cria mais emprego? A prostituição ou Portas? A prostituição. O que cria mais emprego? O crime ou Portas? O crime. O que cria mais emprego? A corrupção ou Portas? A corrupção. O que cria mais emprego? A “economia paralela” ou Portas e a maioria? A economia paralela. O que cria mais empregos? A guerra ou Portas? A guerra. E por aí adiante. Há dez mil coisas más que criam mais emprego do que Portas e a maioria, e isso não as justifica.» 
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4.5.14

Veiga Simão, Paulo Portas e a Revolução



Era fatal como o destino que a morte de Veiga Simão iria desencadear um sem número de reacções, de todas as cores e para todos os paladares. Paulo Portas escolhe destacar uma «derrota» do último ministro da educação de Marcelo Caetano:

«Veiga Simão faz parte de uma geração que procurou que Portugal fizesse uma transição de um regime autoritário para um regime de liberdade, suavemente, serenamente, e ter-se-ia evitado um processo revolucionário. Infelizmente, não foi possível», «tivemos um processo revolucionário com todas as suas sequelas».

Primeiro, pode ser ignorância ou falta de memória da minha parte, mas não me lembro de qualquer proximidade entre VS e a Ala Liberal, ou algo de parecido, durante o marcelismo.

Segundo e principalmente, para o dr. Portas, a Revolução foi mesmo uma maçada «com todas as suas sequelas»! Só falta dizer que, tivesse VS atingido o seu fito de uma evolução suave e serena da ditadura para a democracia, de uma passagem directa e sem cravos de 24 de Abril de 74 para 26 de Novembro de 75, e não teria havido por cá troikas, correria mel pelas nossas vidas e ele seria (sei lá?!), primeiro-ministro ou presidente da República de um Portugal, ele também suave e sereno.
Infelizmente, tivemos um processo revolucionário.

(Fonte)

16.3.14

1640 à vista



«Aproxima-se, entretanto, o 1640 de Paulo Portas e ele anda nervoso com as cerimónias inerentes à "Restauração" (terá de atirar algum Miguel de Vasconcelos pela janela, alguém que simbolize a colaboração com o ocupante estrangeiro, e não vejo ninguém mais apropriado do que Passos Coelho). Deve ser por isso, porque o seu timing não pode ser perturbado, que ele se embrenhou num caminho sem honra nem coragem, na questão da co-adopção.»

Miguel Sousa Tavares, no Expresso de ontem.
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19.12.13

O destino marca a hora e futuro não tem nome



«Não há segredos que o tempo não revele, escreveu o dramaturgo francês Racine, e por isso estou convencido de que vamos ter de esperar seis meses, alguns dias, várias horas e ainda uns tantos minutos para sabermos onde vai estar Paulo Portas quando o relógio que marca a contagem decrescente para a saída da troika chegar ao zero.

Por essa altura, o mais provável é que o tal relógio, caso ainda exista, assinale a entrada de Portugal na hora Mario Draghi. Ou seja, o momento em que entrarmos no programa cautelar, que ainda é a melhor hipótese de nos safarmos do enorme bico-de-obra em que estamos metidos. (...)

O tempo é uma ilusão, lembrava ainda Einstein, e por isso quem quiser que cultive as suas. Basta não ter um pingo de vergonha na cara. O relógio da contagem decrescente é uma brincadeira de mau gosto e uma desconsideração para com os sacrifícios dos portugueses que Paulo Portas elogia, no seu nacionalismo de loja chinesa. Porque transforma a crise num espectáculo e cria a ilusão de uma saída que não existe.

O destino marca a hora e o futuro não tem dono, cantava Tony de Matos quando a televisão era a preto e branco e já havia relógios digitais, mas só nos foguetões que iam para a Lua que víamos partir na televisão quando chegava ao fim a contagem decrescente em inglês.»  

(O link pode funcionar ou não. Com o Público online, agora, isso depende de várias circunstâncias...) 

P.S. - E por falar em Tony de Matos...
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16.12.13

O relógio de Portas e o nosso



Parece que Paulo Portas inaugurou ontem, na Largo do Caldas, um relógio com contagem decrescente para a saída da troika do país. Mais um show off e umas ideias apatetadas.


Antes assim:

«2014 é o primeiro ano em que vamos poder falar de Portugal sem troika Portas. É este caminho, com uma contagem descendente para o final do programa governo com a troika, que dá sentido e dá valor a todos os sacrifícios esforços para o deitar abaixo.» 
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30.11.13

O Paulinho das exportações



«Portas tem um novo amor: as exportações. Temos mais uma versão do líder do PP. Agora, é o Paulinho das Feiras Internacionais. Esta semana, questionado sobre as "invasões dos Ministérios" disse: "Uns dedicam-se às exportações e outros a manifestarem-se". Acho que uma coisa não exclui a a outra. A verdade é que, no governo, Portas dedicou-se a ambas e com conhecido sucesso.

Portas tem um novo discurso. Depois da epopeia que foi parir a "reforma do estado", o vice-PM continua a usar metáforas e compara os Exportadores Portugueses aos Navegadores dos Descobrimentos. - "Costumo dizer que o Portugal exportador é uma boa continuação do Portugal navegador - diz (a reportagem da TSF) que "no passado eram as caravelas e na actualidade levam apenas os passaportes, os tablets, a competência e o know how" - e problemas de próstata em vez de escorbuto, acrescentaria eu, que adoro metáforas com os Descobrimentos. (...)

Portas quer escrever Os Lusíadas das Exportações. Espero que não seja no mesmo tamanho de letra que o guião da reforma do Estado, senão não cabe na Torre do Tombo. Para nosso bem, esperemos que ele não esteja a contar com Passos Coelho para o "Cantando espalharei por toda a parte, Se a tanto me ajudar o engenho e arte." Digo, para nosso bem, e nem é pelo "engenho e arte". »

João Quadros