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3.11.13

A atracção de Belém



Não deixa de ser curioso que as próximas eleições presidenciais – mais exctamente a lista dos putativos candidatos às mesmas – pareçam preocupar os comentadores pelo menos tanto como as legislativas e a anos-luz das esquecidíssimas europeias, e isto apesar de serem as últimas a ter lugar se tudo correr como os calendários prevêem. Duas razões possíveis: está toda a gente desejosa de desalojar o actual inquilino de Belém, na esperança de que o próximo seja uma pessoa «decente», e / ou o cargo é muito apetecível, é um excelente job for one boy.

Na Revista do Expresso de ontem, Clara Ferreira Alves vai pela segunda hipótese:

«As presidenciais são as melhores eleições de todas. Não sendo tão importantes como as eleições legislativas, as presidenciais arrastam uma divisão entre direitas e esquerdas que desperta o país do seu torpor miserável. As presidenciais são eleições de uma personalidade, um homem providencial (mulheres não são consideradas para a corrida, não têm estaleca), um salvador da pátria. Foi esta ideia luminosa que elegeu Cavaco, e todos nos sentimos muito confortáveis com a virtude salvífica. As presidenciais têm ainda o mérito de serem eleições para um cargo simpático, que não dá muito trabalho se não se fizerem ondas, que dá direito a umas viagens de Estado a países exóticos e civilizados que correm sempre muito bem, na companhia prestigiada de empresários e intelectuais. E dá direito a morar numa das melhores residências do país, na zona de Belém. Com um staff, umas dezenas de assessores e conselheiros, uns sofríveis redatores de discursos e uns competentes produtores de fatos políticos, a Presidência é dos melhores empregos deste país. Para um reformado é o ideal. (...)

E bem melhor que ser chefe do Governo. Não admira que haja mais candidatos a Belém do que a São Bento.

O inefável Marcelo, pela ala direita já soltou o pensamento mágico que acaba derrama-do num título de jornal: "Marcelo não se exclui de ser candidato a Belém". E não é só ele que não se exclui. De uma assentada e na vertiginosa gramática marcelista, ficamos a saber que também Pedro Santana Lopes e Durão Barroso não se excluem. E que Guterres não se exclui. António Costa já está incluído nos não excluídos, segundo o enunciado do segurista Assis, preocupado com o tema das presidenciais 24 horas depois das autárquicas (o PS faz bem em eleger uma prioridade).» 
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30.10.13

2016 é depois de amanhã



«Há muito mais portugueses que querem ser milionários do que os que desejam ser presidentes. É uma legítima questão de opção, mas que diz muito sobre a sociedade de hoje: a salvação está no dinheiro e não no cargo, por muito mais honroso do que ele seja. Nada que admire: é preferível ser uma celebridade do que culto.

Os valores mudaram e a ideologia que está a nascer deste mundo de austeridade e de fim de mobilidade social apenas reforça isso. Todos desejam ser Tio Patinhas ou Lady Gaga. Poucos pretendem ser Alexandre, o Grande ou Winston Churchill. Menos ainda querem ser Leonardo da Vinci.»

E, no entanto, com as presidenciais de 2016 no horizonte:

«Quem quer que pretenda ser o próximo PR terá de ser alguém que restitua o sonho e a confiança aos portugueses. Descrentes do Estado, desconfiados dos políticos, pobres como nos anos 60, os portugueses vão procurar alguém que lhes ofereça a fé que a actual situação lhes retirou em forma de impostos e desemprego. A questão é que, do nada, poderá surgir um candidato que tenha como bandeira o populismo.»

Fernando Sobral