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12.10.20

12.10.1960 - O sapato de Nikita

 


Quem já era gente há 60 anos lembra-se certamente deste episódio cujas imagens deram volta ao mundo, quando este era muito mais sorumbático e politicamente respeitador do que hoje: durante uma agitadíssima Assembleia Geral da ONU, Nikita Kruschev tirou um sapato e bateu furiosamente com ele na sua bancada. 

O incidente produziu-se num momento de grande tensão na Guerra Fria, cinco meses depois de um avião-espia americano ter sido abatido em território soviético e quando o recentíssimo governo de Fidel Castro se aproximava cada vez mais da URSS. 

Na origem do gesto de Kruschev esteve uma intervenção do representante das Filipinas, em que este acusou a União Soviética de «colonizar» os países da Europa de Leste e os privar de direitos civis e políticos. 

Seguiu-se uma sequência rocambolesca: Nikita protestou com o sapato, o presidente da Assembleia tentou controlá-lo batendo na mesa com um martelo, partiu-o, apagou a comunicação das traduções simultâneas e interrompeu a sessão. 



(Fonte)

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10.9.20

Disto não temos por cá (10)



Metro de Moscovo, Rússia, 2012

Com um luxo decorativo único no género, inaugurado em 15 de Maio de 1935, o metropolitano de Moscovo merece, sem dúvida, que se lhe dedique o tempo necessário para ver uma parte das mais de 200 estações de que dispõe actualmente. Algumas são fabulosas arquitectonicamente, todas as que vi são lindíssimas em termos de decoração. Relevo especial para a «Praça da Revolução», com as suas dezenas de estátuas em bronze, sendo a de um homem com um cão a mais popular: os moscovitas passam e afagam o nariz do animal, ao mesmo tempo que exprimem um desejo.




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22.8.18

Putin no seu labirinto



Presta-se a muitas reflexões, mas a primeira que me veio à cabeça foi esta: o jeito que isto me dava cá em casa para ser obrigada a fazer exercício físico antes de chegar à rua!
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19.8.18

Les beaux esprits se rencontrent




A ministra dos Negócios Estrangeiros da Áustria casa-se e dança com o convidado e amigo Putin.

(Mais aqui.)
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17.7.17

Casas «deles» (9)



Pedro, O Grande, Peterhof (Jardim de Pedro). Peterhof (a 30 KM de S. Petersburgo), Rússia (2012).

Na primeira metade do século XVIII, a cidade de S. Petersburgo viu-se rodeada de palácios e parques sumptuosos, onde os czares e os seus próximos passavam os meses de Verão. O mais célebre é sem dúvida Peterhof, um extraordinário conjunto de edifícios e de jardins, mandado construir por Pedro, o Grande (entre 1714 e 1725). Inspirado em Versailles, embora mais pequeno, mas com fontes e cascatas em maior número e mais espectaculares – o seu verdadeiro cartão-de-visita. Um canal liga o Grande Palácio ao Mar Báltico, mais concretamente ao Golfo da Finlândia. Os jardins são lindíssimos. (É proibido tirar fotografias no interior do Palácio…)


31.5.17

Transportes «fora da caixa» (10)



A lindíssima estação de metro Komsomolskaya. Moscovo, Rússia (2012).

O metro de Moscovo – «O Palácio do Povo» – é considerado o mais luxuoso do mundo, foi inaugurado em 15 de Maio de 1935 e merece que se dedique tempo para ver algumas das mais de 200 estações, que tem actualmente. Mais algumas fotografias e texto aqui
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23.4.17

Cúpulas, muitas cúpulas (1)



Catedral da Assunção, Kremlin, Moscovo (Rússia, 2012)

(Série que já teve alguma vida no «Brumas», agora selecionada e actualizada.)
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9.1.17

A culpa não é da Rússia



«Obama decidiu expulsar 35 diplomatas russos por alegada interferência nas eleições presidenciais norte-americanas. Ao não aplicar o clássico princípio da reciprocidade, que levaria à expulsão de 35 diplomatas norte-americanos, Putin agiu como se estivesse num combate de karaté, fazendo que o ainda presidente americano se estatelasse no chão, desequilibrado pelo facto de o seu próprio impulso não ter encontrado resistência. (…)

Putin, olhando no espelho dos czares, representa os interesses permanentes de uma Rússia determinada a quebrar um longo ciclo de declínio. Mas a Rússia, além do seu arsenal nuclear, só vale 10% do PIB da UE e tem pouco mais de um quarto da população dos 28! A Rússia só mete medo a uma Europa à deriva, governada por líderes imaturos, que não sabem quem são, quem representam, nem para onde devem ir.»  

Viriato Soromenho Marques

24.12.16

A doutrina Trump-Putin



Pacheco Pereira no Público de hoje:

«Está-se a definir, embora ainda de forma muito embrionária e imprecisa, uma doutrina Trump-Putin, sem precedente na geopolítica depois da Segunda Guerra Mundial. (…)

Trump, mesmo que seja difícil encontrar uma linha coerente na sua actuação, tem nesta matéria mantido uma constância de posições que podem variar no alcance e na urgência, mas que marcam uma ruptura com toda a política externa americana desde a Guerra Fria e mesmo no pós-Guerra Fria. Estas posições são alicerçadas nas opiniões pessoais de Trump, e na migração para o campo de Estado e da política, nacional e internacional, da única experiência que ele tem, a dos negócios e das empresas. (…)

De que é que Trump está convencido? De que a política externa americana face à Rússia tem sido desnecessariamente hostil, e que deve haver uma inversão significativa dessa hostilidade. De que os EUA arcam sob os seus ombros os custos de proteger múltiplas nações e áreas do mundo que bem podiam cuidar da sua defesa, mesmo que isso implique adquirir uma capacidade nuclear. De que a NATO é uma organização caduca e, no limite, desnecessária. De que as sucessivas intervenções americanas e europeias no Iraque, na Líbia, na Síria foram monumentais desastres, pouco preparados e pensados, sem medir as consequências, eliminando personagens como Khadafi, ou Saddam, e tentando eliminar Assad, que, mesmo que sejam bad boys, garantiam e garantem uma estabilidade regional cuja perturbação deu origem ao ISIS e ao caos no Iraque, na Líbia e na Síria. De que o único verdadeiro inimigo dos EUA nos dias de hoje é o ISIS, e, em menor grau, o Irão e a China, enquanto a Coreia do Norte devia ser posta na ordem pela China, com os EUA a fazer enormes pressões para que isso aconteça. Há alguns subprodutos destas “opiniões” e algumas contradições, como, por exemplo, a posição face a Cuba, mas é o que Trump pensa, e o que ele pensa é o que vai tentar fazer. (…)

Na prática, o que Trump fez, com aquela mistura de genuinidade, inexperiência e ignorância, a que se soma alguma intuição, foi interiorizar como suas todas as reservas e críticas russas à política americana da Administração Obama e do Departamento de Estado Clinton, e, ao fazê-lo, num contexto de clara vontade de aproximação a Putin, muda de facto a visão do mundo.

Para os russos, e para Putin, é uma oportunidade de ouro na sua política externa mais agressiva, que já tinha tido resultados na Ucrânia e na Crimeia, e no passado na Geórgia e na Tchetchénia, embora neste último caso dentro do território da Federação Russa. Os objectivos geopolíticos russos não são novos, em bom rigor datam do império czarista, foram adaptados pelos bolcheviques, em particular por Staline, e sofreram consideráveis recuos com o fim da URSS, e a aparição de um mundo unipolar. (…)

Putin tem uma política externa, Trump não tem, nem quer ter, e quando a tiver será pactuada com Putin.

As vítimas desta doutrina Trump-Putin, se se materializar como tudo indica, são os aliados dos EUA, a começar pelos europeus que fazem parte da NATO, mas também os asiáticos e árabes. (…)

Trump tem todos os defeitos que já apontámos e aparece agora a brincar com as armas nucleares no Twitter, a doença infantil dos homens maduros, mas sabe o que quer e, acima de tudo, o que não quer. Mesmo que não faça um décimo do que ameaça fazer, basta isso para consolidar um ponto sem retorno da política mundial, e se há homem que é capaz de explorar isso, é Putin. Num certo sentido são parecidos: Putin retratado como macho russo a andar a cavalo, em cima do gelo, a mergulhar, a caçar ursos; Trump apanhando-as pela “pussy”, vivendo entre ornatos de falso ouro, e aquelas cadeiras e móveis que a gente jurava que ninguém comprava, mas compra. Só que há uma enorme diferença, Trump é habilidoso e esperto, Putin é inteligente e frio. E Putin tem um mapa por detrás, com muita história dentro.»
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