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3.4.21

Tempo de missas - saia esta

 


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30.9.19

Sem Educação Moral e Religiosa Católica não vale pena ir para a escola



«Sinto-me no dever de dizimar a ideia abjecta do Livre de querer acabar com a disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) na escola pública. É escusado terminar com uma disciplina que é facultativa. Estamos num Estado laico e, por isso, temos de disfarçar que já não somos um Estado católico nominal. Até aqui funcionava muito bem. A religião católica tornou-se facultativa na escola para que os pais pudessem escolher entre frequentar EMRC ou ir à catequese. É o preço a pagar pela liberdade — as pessoas escolherem alternativas onde praticam a religião católica. Com o recrudescimento da esquerda, agora querem implementar o que está consagrado na Constituição. Não podemos permitir. Já não basta terem limitado a escolha de disciplinas católicas na escola, que se reduziram a uma, quando antigamente havia Álgebra Santa, História dos Três Pastorinhos e mesmo Gramática dos Milagres.

É esta a agenda da esquerda, querem salvar o planeta não sem antes eliminarem totalmente as emissões ideológicas de direita. Se querem eliminar a disciplina de EMRC podiam, ao menos, retribuir e eliminar disciplinas de esquerda, como Português. Todas as pessoas sabem que os professores ensinam poesia aos alunos. Ensinar poesia a pessoas pode levar a que as pessoas possam gostar de poesia. Ultraje! Os leitores de poesia ficam com sentimentos dentro delas que as fazem ficar muito sensíveis. Muitas delas acham que podem, elas mesmas, tornar-se poetas.

Não há nada mais fácil do que escrever poesia, é só colocar palavras ao calha no papel, em que a responsabilidade das palavras fica do lado do leitor, da interpretação que faz, dos sentimentos que lhe transmite. Daí que muitos leitores de poesia queiram ser escritores de poesia: passam a cerrar as sobrancelhas, porque estão em introspecção, compram um caderno Moleskine e passam a sentir que compreendem o mundo quando olham pela janela do metro. Se na esquerda há ódio à religião, saibam que a direita não suporta poetas, a pior espécie de pessoas que existe no éter da existência. Que porcaria de expressão! Falei em poetas e comecei logo a usar palavras de senhoras. Peço desculpa. Se é verdade que há religiões que têm fanáticos e matam pessoas, pelo menos fazem-no de uma forma eficaz, rapidamente. Já um poeta, quando começa a declamar, consegue torturar pessoas durante horas até as matarem de tédio. Agora decidam vocês quem é pior.

Esta proposta do Livre é desumana, sobretudo numa altura em que a disciplina de EMRC foi alargada aos cursos profissionais. Se já é difícil andar numa escola pública, onde pululam as crianças da pior espécie, imaginem o que é serem os maiores falhados dentro de um universo de falhados — os alunos dos cursos profissionais. Retirar o ensino de EMRC a estes seres, a única réstia de esperança para serem salvos pelo Dr. Jesus, é o mesmo que lhes oferecer uma corda, um tamborete e uma trave mestra.

Acabar com uma das últimas disciplinas que ainda confere alguma legitimidade ao ensino público, logo após programação em C++ para recém-nascidos, é em última instância afundar ainda mais o ensino público. É um ter/não ter.

Ter a disciplina de EMRC aproxima o ensino público dos colégios privados ligados à Igreja Católica, estando a maior parte no topo dos rankings de notas escolares. Ter o Dr. Jesus do lado dos alunos implica uma maior probabilidade de haver bom aproveitamento escolar, até porque foi ele que disse: “É mais fácil um menino do Colégio Jesuíta entrar num MBA do que um sociólogo descontar em sede de IRS.” Ter o Dr. Jesus presente nas escolas oferece menores probabilidades de termos alunos a quererem frequentar cursos de Letras.

Não ter o Dr. Jesus curricula implica deixarmos as nossas crianças inocentes de poderem sofrer uma lavagem cerebral por parte do professor de filosofia, que tenta ensinar o sentido da vida através de metafísica, quando deveríamos ter professores de filosofia licenciados em Recursos Humanos; professores que diriam: “O sentido da vida é pensar menos e produzir mais. Só o mercado livre dá sentido à vida.”

Não ter o Dr. Jesus faz com que os professores de História continuem a dizer que o crash da bolsa de 1929 e o 11 de Setembro foram negativos. É verdade que tiveram alguns efeitos menos bons, mas, se há coisa que o Dr. Jesus nos ensina, é que devemos “olhar sempre para o copo meio cheio” (Dr. Jesus dixit in A Bíblia), olharmos para o lado positivo de eventos eventualmente menos bons. No caso do crash da bolsa de 1929, aprendemos que houve consequências negativas, como o nascimento do Estado-Providência, que passou a meter-se no mercado livre — em último caso, se quisermos, no próprio conceito de liberdade. Mas, por outro lado, percebemos que a melhor forma de combater um debacle financeiro é criar entidades financeiras ainda maiores, de modo a que quando essas entidades financeiras voltarem a provocar crises económicas, haverá menos falências de bancos porque o Estado tem a obrigação de salvar o mercado livre. No caso do 11 de Setembro aprendemos que o terrorismo pode ser mau mas, por outro lado, permitiu a ascensão de um dos maiores políticos que o planeta Terra viu nascer: o Dr. Durão Barroso.

Ter o Dr. Jesus na escola é ter a mão direita de Deus na escola que é, como se sabe, um eufemismo para a mão invisível do capitalismo. Não ter o Dr. Jesus é deixar de ter o segurança que ainda conseguia barrar o socialismo à porta e ainda encaminhava algumas crianças para cursos de gestão. Não ter o Dr. Jesus é acabar com a escola pública. O que é triste, não por terminar, mas por ter sido o Livre a reiniciar um processo que o Dr. Pedro Passos Coelho iniciou.

Se pensarmos a fundo, acabar com disciplinas facultativas é cingir os alunos à obrigatoriedade, é impor um percurso único que oprime a liberdade de poder escolher. Impedir alternativas é impor a ditadura da escola pública. Primeiro, a esquerda começou por abater colégios privados, agora está a tentar assassinar a religião na escola, qualquer dia defenestra meninos que vão para a escola vestidos com pólos Lacoste.

Em vez de estarem a propor a proibição de disciplinas facultativas, devíamos todos, enquanto sociedade, oferecer mais alternativas à escola pública, dar maior liberdade ao ensino e referendar novas disciplinas junto dos alunos. Por exemplo, Tourada como alternativa a Educação Física, Rap como alternativa a Português, Excel como alternativa a Matemática, Vídeos de Youtubers como alternativa a Ciências da Natureza, hiperligações da Wikipédia como alternativa a tentar enganar os professores em trabalhos de grupo. E, por que não, referendar se preferem ir para a escola ou não? A liberdade está no poder de escolha, nunca na opressão da escola pública.»

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28.6.19

60.000 Testemunhas de Jeová



Para quem vive perto do Estádio do Benfica, hoje e os dois que se seguem não se parecem com nada já visto, mesmo em dias dos mais gloriosos jogos de futebol!

Mais de 60.000 Testemunhas de Jeová, de 46 nacionalidades, reunidas em congresso no Estádio e transportadas em cerca de 400 autocarros que, desde manhã, encheram parte da Avenida Lusíada e agora, às 19h, participam num verdadeiro êxodo com cambiantes bíblicos, tal é a massa humana que se desloca ordeiramente para ser transportada nem sonho para onde!

Ficam uma imagem e um vídeo.


2.2.19

O percurso estonteante de Marcelo até ao céu



«Um homem é sempre um homem, seja na sua mais simples cidadania ou no exercício da mais alta magistratura. Tem sempre atrás dele um percurso que marca a sua personalidade. A coerência é uma qualidade que distingue aquele que apresenta uma marca indelével daqueloutro que se apresenta aos concidadãos girando em função dos interesses circunstanciais.

Trump, por exemplo, adverte que as suas declarações não são para ser levadas à letra, o seu significado é diferente daquilo que semanticamente se encontra na declaração.

Quando um homem diz, na sua qualidade de mais alto magistrado da nação, que se recandidatará ao cargo que exerce por ser aquele que está em melhores condições para receber o Papa, entra no caminho, tantas vezes condenado nos Evangelhos, da mais pura hipocrisia.

Na verdade, como se pode saber que homem estará em melhores condições para receber o Papa?

O Papa é chefe de Estado e é, segundo o catolicismo, o representante de Deus na Terra.

Vindo como chefe de Estado, o que importa é o que as relações entre os dois Estados saiam reforçadas. Ninguém acreditará que o Presidente da República portuguesa não receba da melhor maneira o chefe de Estado do Vaticano.

Se fosse possível imaginar o Papa em Portugal apenas como mais um católico, quem poderia dizer, sem soberba, quem seria o melhor para receber Francisco? Aquele que mais pudesse oferecer ou quem desse o que tinha, como a viúva referida nos Evangelhos que depositou na caixa das esmolas as duas moedas menos valiosas, mas que eram as únicas que tinha?

Em 2022 realizar-se-ão em Portugal as Jornadas Mundiais da Juventude Católica com a presença do Papa, que serão seguramente enquadradas nas excelentes relações existentes entre Portugal e o Vaticano. Serão um enorme evento, mas não deixarão de ser para o Estado português um acontecimento de caráter religioso. No entanto, a presença de tantas centenas de milhares de jovens e do próprio Papa terá um elevadíssimo significado e, como tal, será devidamente encarado.

A afirmação de Marcelo quanto à sua recandidatura, no momento do anúncio do país escolhido para acolher as Jornadas de 2022, constitui uma argumentação rasteira que exigiria, face à importância do evento, uma outra elevação de espírito.

É algo, em termos de honestidade intelectual, que raia a pouca vergonha, pois o que Marcelo está a querer dar a entender é que ele é o único capaz de receber o Papa... Marcelo confunde o seu beatismo católico com o cargo de PR, o que é muito grave. Habituou os portugueses, ao longo da sua vida política, aos mais estonteantes ziguezagues, ao sim e ao não sobre a mesma realidade, chegando, o ano passado, a fazer depender a sua recandidatura do modo como o Governo resolveria as falhas do Estado... O que lhe chega ao toutiço, às vezes, sai cá para fora.

O facto de Marcelo ser católico não lhe dá nem lhe retira qualquer vantagem quando reunir enquanto chefe de Estado com outro chefe de Estado, neste caso o do Vaticano, e o PR de Portugal deverá pautar a sua conduta nos exatos termos de artigo 41.º da CRP, designadamente o n.º 4: ”(...) As igrejas e outras comunidades religiosas estão separadas do Estado e são livres na sua organização”...

Para receber como deve ser recebido o Papa, não é preciso que venha ao de cima a confissão religiosa do chefe de Estado português, basta atentar no modo como Mário Soares, Jorge Sampaio e Cavaco Silva os receberam.

Proclamar ser candidato a PR pelas razões expostas é algo muito feio, que convoca o que de mais primário pode haver em quem professa a religião católica e disso quer tirar vantagem.

Só a perda da noção da realidade material do mundo em que vive, substituindo-o por outro mundo virtual, onde o que se passa na cabeça de Marcelo é apenas realidade populista, capaz de o lançar num mergulho no Tejo ou numa viagem de camião, explica o destempero beático de sua Excelência o Sr. Presidente da República.

Um homem capaz das mais variadas artimanhas para continuar a ser o que sempre foi é a marca indelével de Marcelo.»

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31.1.19

Venham beatos e geeks, mas deixem a religião fora da política



«Sou ateu, laico, republicano e socialista. Mas nada me move contra a Igreja Católica. Nem contra as outras, desde que tenham mais de 500 anos para lhes conhecermos bem as manhas. Os meus amigos até se divertem com o que acham ser a minha lenta caminhada para Roma. Sou de uma família ateia, parte de ascendência judia, e isso dá-me o desprendimento de quem nada tem para resolver com o seu passado.

Como anda o mundo até tenho uma certa simpatia pela existência de comunidades de fé que não permitam que as pessoas com menor formação moral se entreguem ao individualismo sem norte. E como o que vejo crescer, como alternativa, são igrejas de autoajuda, lideradas por semianalfabetos que fazem da fé um mero negócio – pelo menos de forma mais desbragada do que as igrejas tradicionais –, prefiro a velha Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR). Segura e previsível. Ainda mais agora que tem um Papa admirável. Não fosse acreditarem em Deus e terem uma certa tendência para se meterem na vida das pessoas, até me convertia. Ou seja, quando deixarem de ser uma igreja e católicos contem comigo.

Deve ser por esta minha atual bonomia com a ICAR que não me choca nada que Marcelo tenha ido ao Panamá para ficar com os louros das Jornadas Mundiais da Juventude de 2022. Se a fé nas startups traz miúdos imberbes para gastarem dinheiro em Lisboa, contribuindo para a economia nacional, não vejo porque uma fé mais antiga não possa dar o seu contributo. Um milhão de jovens beatos não é pior do que milhares de jovens geeks. Religião por religião, sempre prefiro as do livro às do tablet.

A única coisa que realmente me incomoda é Marcelo Rebelo de Sousa ter decidido associar a sua recandidatura a um momento religioso, através de um intimista “saio daqui com uma grande vontade de, se Deus me der saúde e se eu achar que sou a melhor hipótese para Portugal, me recandidatar”. Uma coisa é ir em peregrinação ao Panamá para sacar mais um evento para a nação – é a nossa especialidade. Outra, um pouco diferente, é associar uma decisão política a um ato de fé e uma recandidatura a um momento religioso.

Agora que todo o país se converteu ao politicamente correto, propondo extradições e despedimentos por causa do uso do vernáculo, não quero parecer excessivamente picuinhas. Mas, parecendo que não, anda por cá uma malta que não é católica. E diz que somos cidadãos. Quando Marcelo disse que ia ser o Presidente de todos os portugueses pensávamos estar incluídos. Não estou propriamente zangado. Mas se desse para separar a política da religião, os não católicos, que ainda são uma boa parte da população, agradeciam.»

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24.11.17

Desculpem lá, mas não há pachorra



Church of Sweden to stop referring to God as 'he' or 'Lord'.

«The Church of Sweden is urging its clergy to use gender-neutral language when referring to the supreme deity, refraining from using terms such as “Lord” and “he” in favour of the less specific “God.”»
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8.12.15

Quando eu perdi uma Nossa Senhora



Lembro-me sempre disto quando chega o 8 de Dezembro. Revejo a cena, algures não muito longe da praia da Polana, num pavilhão ao ar livre que servia de sala de aula ao que hoje seria a pré-primária, com um calor absolutamente abrasador de um Verão moçambicano.

Foi aí que tive o primeiro choque religioso de que guardo lembrança, quando percebi, já nem sei bem como, que só havia uma Nossa Senhora e não duas, tão diferentes que me habituara a vê-las! A da Conceição sempre me tinha parecido mais bonita do que a outra porque tinha aos pés muitos anjinhos e não umas pobres alpercatas, pairava nas nuvens e não em cima de uma árvore mais ou menos raquítica, marcava no calendário o dia da mãe (e a minha até se chamava Conceição…) e devia ser mais importante porque dava direito a um dia com praia e sem escola.

Mais ou menos inconscientemente, julgo que achava mais do que normal que uma criança que tinha dois pais, não ficasse atrás no que às mães dizia respeito. Crenças em bicefalismos antes de tempo... 
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30.8.14

Da desesperança



«Desde 2001 que muito se tem falado sobre fundamentalismo religioso. Mais que saber e compreender os fenómenos fundamentalistas, criou-se o hábito de para aí tudo remeter, de nesse grande invólucro dar guarita a tudo o que, tendo algum aspecto religioso no seu facies, criava incómodo ou afrontava o "Ocidente". (...)

É na "desesperança" que radica o centro do problema, não só dos fundamentalismos no seu todo, mas especificamente na capacidade de certos movimentos arregimentarem jovens para acções de terror com uma violência extrema. (...)

Em ambos os casos [Ocidente e Médio Oriente], os fundamentalismos, sejam os vindos de ideologias políticas, sejam os supostamente religiosos, alimentam-se desta desesperança, desta incapacidade de gerar valores e de criar perspectivas e horizontes. Incapazes de gerar utopias que alimentem vontades positivas e gerem futuro, o "Ocidente" esvai-se em protestos internos e guerras externas.

Até onde irá correr esta sangria, é mistério para o qual nem os mais doutos especialistas dão previsões. Os desafios que se colocam nas políticas internas e externas são de natureza completamente diferente dos paradigmas anteriores.

Se até agora os radicalismos se alimentavam da fome para acenar com um futuro, um modelo, agora alimentam-se da falta de modelos e de futuros. Combater a desesperança com "mais do mesmo" apenas vai fazer alastrar o Iraque a muitos outros iraques, uns fora de portas, outros bem cá dentro.»

28.6.14

Peregrinemos – o arco da governação gosta



Por iniciativa do PSD e do CDS, foi proposta e aprovada ontem, pela Assembleia da República, uma Resolução que institui o Dia Nacional do Peregrino. O texto começa assim e o resto pode ser lido no site da AR.

1 - Desde tempos imemoriais que os peregrinos – vocábulo de origem latina, per agrum, que significa ‘pelos campos’ –, realizam, no âmbito histórico e religioso, individualmente ou em grupo, jornadas em direcção a um determinado lugar sagrado.
2 - Em Portugal, existe uma forte tradição na realização de peregrinações cristãs direccionadas para os mais variados locais de culto, com destaque para aquelas que se decorrem no Santuário de Fátima, que envolve inúmeras pessoas.
3 - É de referir que a condição de peregrino não se esgota na intenção de caminhar em direcção de um lugar sagrado; importa também valorizar o motivo que o levou a fazer essa jornada, determinante para a sua vida, onde muitas vezes se procura o sentido da própria existência, como um percurso interior.

Toda a gente deve ser livre para peregrinar, peregrine-se a pé, de carroça ou de avião, nada contra quem decide fazê-lo pelos mais variados motivos. Tenho um amigo que foi a Fátima a pé para festejar a vitória do Sporting num campeonato e desejei-lhe, com sinceridade, boa sorte.

Outra coisa é ver os deputados que representam o conjunto de um povo com iniciativas como esta. Primeiro porque estamos num estado laico, segundo porque se escolhe, uma vez mais, uma das religiões existentes quando ela é ainda maioritária mas cada vez menos. Para «amanhã», um Dia do Ramadão??? Além disso: pretende-se exactamente o quê: incentivar a venda de velas e de imagens da Virgem?

Last but not the least: pelo Público fico a saber que a Resolução foi aprovada por PSD+CDS+PS. Deste último partido, é certo que 26 deputados se abstiveram (porquê, terá havido declarações de voto?) e que 4, apenas 4, votaram contra: Pedro Delgado Alves e Marcos Perestrello, Isabel Moreira e Sérgio Sousa Pinto. Como são 74 (julgo...), e mesmo que um ou outro já estivesse em modo fim-de-semana, a maioria votou a favor. Registe-se. 
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28.1.13

Opus Dei, ainda



Continuando a percorrer o dossier do DN sobre a Opus Dei, leio uma entrevista a José Rafael Espírito Santo, líder da OD em Portugal. A propósito do Índex de livros proibidos, que referi esta tarde:


P: – Nesse guia, José Saramago é muito castigado.
R:- – Acha que Saramago é um autor cristão?

P: – Quando Saramago ganhou o Nobel, não sentiu orgulho por ser um português?
R: – Por ser português, sim. Mas o Egas Moniz também recebeu um prémio Nobel por uma coisa que depois se viu que fazia muito mal à saúde.

Grandes argumentos!!!
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Tema do dia: a Opus Dei e o seu Índex



O Diário de Notícias iniciou ontem, e termina amanhã, a publicação do resultado de uma investigação jornalística sobre a Opus Dei. Dedica-lhe hoje 12 páginas sobre várias vertentes da instituição, mas as mais badaladas estão a ser as que dizem respeito à «lista negra» de livros que figuram num Índex que, segundo o DN, contém 33.573 entradas. Este não é uma relíquia do passado, terá sido actualizado em 2007.

Estarão incluídas 84 obras de autores portugueses nos quatro «piores» de seis «níveis de interdição», sendo Eça de Queirós e José Saramago os mais castigados, mas sem que escapem Fernando Pessoa, Aquilino Ribeiro, Torga, Cardoso Pires e muitos outros.

O Nível 6 é o mais grave: «Leitura absolutamente proibida (só com autorização do prelado)», seguido pelo Nível 5: «Livros que não é possível ler (só com a autorização da Cúria), Nível 4: «Podem ser lidos apenas por quem tem formação ou profissão relacionada» e Nível 3:«Livros que contêm cenas ou excertos inconvenientes».

Se clicar nesta imagem, verá a lista dos 84 livros portugueses.


Que os membros da Opus Dei interditem uns aos outros o que quer que seja é lá com eles, não me aquece nem arrefece que não conheçam Os Maias e só leiam o Borda d'Água. Mas já me faz mais confusão que sejam responsáveis por vários estabelecimentos de ensino, entre os quais quatro reputados colégios, dois em Lisboa e dois no Porto, por onde passam milhares de adolescentes portugueses que se arriscam a ser educados, em pleno século XXI, num terrível obscurantismo.

Mais: um número razoável destas obras figura no Plano Nacional de Leitura (fui ver) e «saem» nos exames nacionais. Para não ir mais longe, numa das provas de Português do 12º ano, em 2012, havia um grupo de perguntas sobre o perigosíssimo Memorial do Convento, de Saramago, que está inscrito no nível mais interdito deste Índex. Como procedem os professores do Planalto ou do Mira Rio? Mandam ao «prelado» uma lista dos seus alunos para que ele autorize uma «leitura absolutamente proibida»? Ou vivem no mundo do faz de conta?

Há realidades tão absurdas que parecem pura ficção.

(Notícia parcial aqui.)
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18.12.12

Ateus, agnósticos ou nem por isso



Um recenseamento online – Contemo-nos.

(Às 21:17 de hoje, havia 792 respostas de Portugal com a distribuição representada na figura.)
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12.10.11

Liberdade, religião e jasmins


Mesmo quem não viu Persepolis, um filme francês de animação da iraniana Marjane Ebihamis, estreado em 2007, conhece certamente excertos, tantos são os pequenos vídeos que circulam no Youtube.

Volta agora a ser notícia na Tunísia, desde que uma cadeia de televisão o exibiu na íntegra, traduzido para árabe tunisino. A sede da referida cadeia foi atacada no passado Domingo mas bem antes era já acesa a polémica, mesmo em meios considerados pouco extremistas, nas redes sociais e não só. Porquê? Porque a heroína «consome droga, bebe álcool, vive experiências sexuais e, sobretudo, se dirige a um Deus representado por um velho barbudo - um ataque à moral e à proibição de representar Deus no Islão».

Vale a pena ler um texto publicado em Rue 89, que resume bem a complexidade das muitas questões que estão em causa, no «mal-entendido das revoluções árabes», com «um fosso de incompreensão que vai revelar-se rapidamente entre os sonhos europeus de um mundo árabe liberto dos seus pesos tradicionalistas, aberto à pluralidade, e a realidade de uma sociedade maioritariamente conservadora».

A revolução foi feita contra a ditadura, não contra a religião, «falar hoje em nome de valores universais é um suicídio político», lembram algumas vozes insuspeitas, «foi a esquerda laicista que, ao organizar uma manifestação pela laicidade, em Fevereiro, desencadeou o reforço identitário», afirmam outras. Nas redes sociais, lêem-se comentários como estes: «a nossa liberdade não é como a deles, planificada e mediatizada por franco-maçons e judeus», «já não estamos no domínio da liberdade expressão, este filme é blasfematório».

Nessma TV, a cadeia que difundiu o filme, é considerada suspeita de «ter uma agenda estrangeira, ditada pelo sionismo e pelo imperialismo». Defende-se afirmando que, bem pelo contrário, é este o momento oportuno para debater o problema da liberdade de expressão, quando grupos extremistas muçulmanos tentam controlar a cultura» e porque «muitos tunisinos recusam que o debate sobre a identidade, a liberdade e o papel da religião no espaço social se encerre antes mesmo de ter começado». Mas não vai ser fácil!

As cenas continuarão nos próximos capítulos, tentarei segui-las, mas devo dizer que com pouco optimismo. Não só mas também por ter vindo recentemente de três países esmagadoramente muçulmanos, cada vez tenho mais enraizada a convicção de que democracia (com liberdade de expressão, como é óbvio...) e verdadeira laicidade são absolutamente indissociáveis e que não vale a pena adiar este problema nem escondê-lo debaixo de tapetes. Abater ditadores é condição necessária, mas não suficiente, para que não murchem rapidamente todos os jasmins do universo.


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20.12.10

Isto anda tudo ligado


César das Neves, Deus e as dívidas à banca, num Conto de Natal que se faz favor…

«Tudo o que tu tens, do teu cérebro à tua mulher, passando pelo sistema solar e o teu emprego, não é, nem nunca foi, teu. É do seu verdadeiro dono e foi-te confiado durante um bocadinho de tempo. Mais: como sabes bem, não se trata de um único empréstimo feito ao nascer que se paga na morte, porque estás permanentemente a receber novos benefícios. Mesmo que vás pagando os juros pontualmente, a tua dívida vital aumenta todos os dias exponencialmente. (…)

Por isso, a questão central da vida não é cumprir regras, ser bonzinho, preocupar-se com os outros. É ser realista e compreender que devemos tudo. Tudo o que somos e temos, devemo-lo a Outrem. A única forma verdadeira de viver é numa total e profunda dependência deste Deus que nos dá tudo. (…)

O problema central da vida é a dívida absoluta, esmagadora, totalitária que temos perante o banco divino. Que, felizmente, nos ama mais a nós que nós próprios.»

Tal como os outros bancos?

Na íntegra.
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10.10.10

Anjos, arcanjos e querubins


Cá está um tema fundamental em tempos de crise e de que se fala muito pouco: os anjos, esses seres que «têm alguns elementos comuns com Deus e outros com os homens: com estes porque são criados, com Deus porque não morrem».

Isto e muitíssimo mais deve explicar Marcello Stanzione, um padre italiano que já escreveu mais de quarenta livros sobre o assunto e que acaba de publicar Os Anjos. Um Guia Essencial.

Eu já devo ter sabido isto tudo, mas juro que tinha esquecido. Há três categorias: na primeira, cabem Serafins, Querubins e Tronos; na segunda, Dominações, Virtudes e Potestades; na terceira, Principados, Arcanjos e Anjos (propriamente ditos).

Não sei onde entram os Anjos da Guarda, mas desses lembro-me eu: cada um de nós tem o seu como companhia protectora, do nascimento até à morte. Também há os que se ocupam de países, leio que «o Anjo de Portugal é, até hoje, o único Anjo da Guarda de um país com culto público oficializado e foi o único Anjo da Guarda de uma nação que apareceu aos homens» (em Fátima, claro), mas uma coisa parece certa: deve andar desaparecido em combate…

E nem quero pensar na azáfama em que vivem certamente aqueles a quem calhou o nosso PM e o seu principal interlocutor!!! Serão amigos? Falarão de PEC's?

(Fonte), Via Diário Ateísta.
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