O Memorial, inaugurado no passado 25 de Abril, continua na Estação Baixa-Chiado do metro de Lisboa, mas agora na entrada da Rua do Crucifixo. O vídeo que nele pode ser visto foi entretanto actualizado.
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20.10.19
19.12.18
Natais em exílios e clandestinidades
Nuno Ramos de Almeida resume a sua experiência. Era assim.
«Tive a sorte de nascer num tempo em que pude ver o escuro e a madrugada. Mesmo quando anoitece, sei que é possível ver o sol nascer com uma claridade que varre tudo ao seu redor, nem que se tenha de fixar a cara de alguns e escolher uma pedra.»
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29.6.18
José Tengarrinha – um grande resistente que hoje desaparece
José Manuel Tengarrinha morreu hoje, 29 de Junho, às 14h30, em Lisboa, vítima de doença prolongada. Tinha 86 anos.
O corpo vai estar em câmara ardente na Basílica da Estrela a partir das 18h de Domingo, de onde sairá no dia seguinte, para ser cremado em cerimónia reservada à família e amigos próximos.
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27.2.18
João Varela Gomes e o Presidente que temos
Já fui duas vezes à página da Presidência da República e nada encontro sobre a morte de João Varela Gomes, um dos nossos grandes lutadores e resistentes contra o fascismo.
Tivesse um português vencido um campeonato de matraquilhos na Cochinchina e lá estaria um louvor, morresse um ministro de Salazar, com um cheirinho mínimo a democrata depois do 25 de Abril, e haveria elogios de toda a espécie e presença garantida no funeral.
Por desconhecimento não é: para organizar as comemorações de 5 de outubro de 1974, foi criada uma comissão, presidida por Varela Gomes. Dessa comissão, como representante do PPD, estava Marcelo Rebelo de Sousa.
Registe-se. Não há almoços grátis.
.26.6.17
Quando a cantiga era uma arma
«Em 1970, se muitos portugueses partiam do seu país à procura de trabalho ou melhores condições de vida, outros faziam o mesmo por razões políticas. Este é o registo áudio do espetáculo realizado no dia 10 de novembro desse ano, no auditório da Maison de la Mutualité em Paris, um concerto que recebeu a designação de "Chanson de Combat Portugaise". Nele participaram os cantores de intervenção Sérgio Godinho, José Mário Branco, Tino Flores e Luís Cília, na altura todos exilados em França, e ainda José Afonso. Já perto do final, a atuação deste último é interrompida por um grupo de extrema esquerda, acusando o cantor de pactuar com o sistema, permanecendo em Portugal em vez de preferir o exílio.»
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27.6.16
Aeroporto: memórias de uma varanda
Já aterrei dezenas de vezes em Lisboa, o aeroporto é hoje um verdadeiro labirinto, cada vez maior, sempre diferente. Mas quando percorro os infindáveis corredores e as amplas zonas de chegada de pessoas e de malas (quando chegam…), não é raro lembrar-me dele como era nos idos de 60-70. Tinha acabado de regressar à pátria há dois dias quando o Facebook me recordou que, já há alguns anos, tinha publicado um texto que agora repesco.
A varanda que a imagem mostra existiu no aeroporto de Lisboa, durante muitos tempo, e veio acordar algumas das memórias mais nítidas que guardo de certas actividades de resistência, em tempos de Salazar e de Caetano. Ao vê-la, recordo imediatamente um esquema de vigilância que utilizei muitas vezes.
É sabido que quem chegava via frequentemente as malas vasculhadas, não só nem tanto pela alfândega normal, em busca de perfumes ou de jóias, mas pelos agentes da PIDE, que procuravam livros proibidos e, sobretudo, cartas ou outros documentos politicamente suspeitos. Como estes não podiam ser enviados por correio normal porque não passavam nas malhas dos censores instalados nos CTT da época, eram levados e trazidos por quem viajava. E porque eu o fazia frequentemente por razões profissionais, fui «pombo-correio» activíssimo sobretudo nos últimos anos da ditadura, de e para o estrangeiro.
O mais seguro era transportar a informação em microfilmes (esses grandes percursores das nossas pens…), facilmente alojáveis em frascos de medicamentos e tão pouco usados que a PIDE não os procurava. Mas nem sempre era fácil. Mais difícil era a papelada…
O meu esquema mais seguro, mas do qual não podia abusar exageradamente e a que só recorria em casos mais perigosos, era pedir a um amigo, alto funcionário da TAP com livre-trânsito permanente, que me fosse esperar à saída do avião. No percurso de autocarro para a aerogare, no meio de uma galhofa improvisada, passava-lhe os papeis para os bolsos do casaco.
Para o resto, era arriscar. E é aí que entra a varanda. Era importante não só por minha causa mas pela segurança dos destinatários da minha «mercadoria», que se soubesse rapidamente se eu tinha chegado a bom porto, ou seja, se não tinha sido presa por me terem apreendido algo. (E seria mesmo presa porque não trazia propriamente histórias de encantar, nem planos para festas infantis…) Pedia por isso quase sempre a alguém que me fosse esperar e visse, da varanda, se eu tinha passado. Ninguém pedia nem dava explicações sobre motivos nem conteúdos, nem era necessário – era grande a rede de cumplicidades. Passei sempre. Tive sorte.
O mundo mudou. Hoje, quase só se vasculham malas a gente de pele escura. Também passo sempre.
. 10.5.16
27.12.15
Alípio de Freitas – RTP2, hoje, pelas 21:30
Documentário sobre Alípio de Freitas
Para lá da personagem que lutou, o filme é um espaço de encontro e diálogo com a pessoa de Alípio que continua ainda hoje a combater, porventura usando ferramentas diferentes, mas movido pela mesma perseverança.Em Portugal era padre, no Brasil foi revolucionário. Alípio de Freitas mudou-se de Bragança para São Luís do Maranhão em 1957. Deixou a pobreza para viver no meio da miséria. O golpe militar de 1964, que depôs João Goulart, afastou o padre português da igreja e aproximou-o dos comunistas. Zeca Afonso dedicou-lhe uma canção, depois de ele ter sido preso e torturado em 1970. O realizador Tiago Afonso ouviu as suas memórias e os seus ideais. Alípio continua a combater, mas agora usa outras armas.
(Daqui)
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14.12.15
Argel, «esta é a Voz da Liberdade»
Por razões de memória histórica e não só, há anos que procurava gravações da Rádio Voz da Liberdade durante os anos do fascismo, rasto das emissões que tantas vezes procurava ouvir, umas vezes com sucesso outras sem ele, com som mais ou menos roufenho mas sempre acolhido com emoção. Mais: há bem pouco tempo tentei mesmo encontrar algumas, a pedido de alguém que instalava o Museu do Aljube onde até à data não existem nenhumas.
Eis senão quando, numa conversa acidental, descobri há dois dias que um amigo tem muitas, feitas por ele e em excelente estado, com acabei de comprovar pela primeira que me enviou: uma verdadeira pérola que data certamente do dia em que Salazar morreu (era segunda-feira, nesse 27 de Julho de 1970, um dos dias da semana em que a Rádio emitia) e onde se dá conta também, entre outras notícias, do acidente aéreo em que morreram quatro deputados da ala liberal, ocorrido dois dias antes.
(Já vai a caminho do Museu do Aljube, com todos os agradecimentos e créditos atribuídos ao meu amigo Alexandre Romeiras.)
. 26.1.14
12.7.13
De uma época que foi
Baptista Bastos, hoje, no Negócios (*):
«A minha geração raramente traiu o testamento. "Entre os portugueses / traidores houve às vezes", falou Camões. Mas a generalidade (tomando as generalizações com todas as precauções devidas) manteve-se-lhe leal. Digo "leal" e não "fiel" porque fidelidade é coisa de cão, e lealdade tem a ver com carácter. A fidelidade pode conduzir ao apoio das maiores perversões e das mais torpes ignomínias. A lealdade, pelo contrário, tem a ver com convicções de natureza ética, e não pactua com a infâmia ou se torna conivente com a perfídia. (...)
Reconheço que os nossos impulsos ideológicos e intelectuais conduziram, acaso, a injustiças e a arrogâncias tão desnecessárias quanto cruéis. Mas a grandeza do que íamos aprendendo talvez explicasse o propósito. E este consistia no seguinte: amigo não trai amigo; não se denuncia nunca; a amizade é um posto.
Estes padrões de comportamento podem, nos sombrios tempos de agora, suscitar algum desdém e zombaria, mas eram exigências da razão antifascista. E o antifascismo, não esqueçamos e não admitamos que o deformem, foi uma admirável frente moral, que congregou comunistas e socialistas, monárquicos e católicos, democratas e simples cidadãos, movidos pelo singelo desejo de ser livres e felizes. (...)
Alguma coisa se perdeu, nesta caminhada desventurada para o pior dos abismos: o que resta do que fomos. E que resta é tão escassa e selectiva como a memória delida de uma antiga juventude.»
(*) O link pode só funcionar mais tarde.
. 23.7.12
Pedro Ramos de Almeida
Ana Sá Lopes, no jornal «i»:
Foi-se mais um daqueles a quem tiravam o sono
Pedro Ramos de Almeida morreu ontem em Lisboa, aos 80 anos. A doença respiratória não o deixou acabar de escrever a história do MUD Juvenil, um dos movimentos mais populares de combate à ditadura, a que se juntou quando tinha 18 anos.
Militante e antigo dirigente do PCP, Ramos de Almeida faz parte do (ínfimo) grupo de portugueses que combateram, com poucas armas e bagagens, a grande crise nacional dos últimos 50 anos – a ditadura.
Uma ditadura que tinha uma biografia para escrever. Pedro Ramos de Almeida é autor, entre muitos outros livros e ensaios, de “Salazar: biografia de uma ditadura”.
Se os revolucionários de Abril ficaram simbolicamente homenageados como “os homens sem sono”, os da linhagem de Pedro Ramos de Almeida têm sido insuficientemente reconhecidos como os homens a quem tiravam o sono.
Veja-se o depoimento de Virgínia de Moura sobre a prisão em 1954 de dezenas de jovens do MUD: “Usou-se e abusou-se da violência, batendo em alguns, obrigando outros a fazer estátua durante dias consecutivos, longos períodos de incomunicabilidade, enclausuramento em segredos, internamentos no Conde Ferreira (hospital psiquiátrico de então, no Porto), transferência de jovens para Caxias, e muito concretamente, entre outros, foram vítimas de violência os arguidos Pedro Ramos de Almeida (22 anos, estudante de Direito de Lisboa), sete dias e sete noites sem dormir e dois (leia-se quatro) meses de segredo”.
Aos poucos, a maioria dos jovens é libertada até ao julgamento, mas Pedro Ramos de Almeida fica preso. É o próprio que contou, em texto no jornal comunista “O Militante”: “À maioria dos presos é fixada caução e admitida a sua libertação condicional até ao julgamento. Entretanto, a excepção é constituída por seis réus, acusados de serem membros da Comissão Central do MUD Juvenil – Maria Cecília Alves, Agostinho Neto [futuro presidente de Angola], Ângelo Veloso, Hernâni Silva, Hermínio Marvão e Pedro Ramos de Almeida”.
Condenado a quatro anos de prisão, Pedro Ramos de Almeida fugirá do Forte de Peniche em 1961 (*). Partiu depois para o exílio. Em 1962 viveu em Praga, como dirigente do PCP, representando o partido junto de revistas internacionais dos partidos comunistas. Muda-se, depois, para Argel, ao serviço do PCP, onde ficará cinco anos, na qualidade de membro do comité central do Partido Comunista, a Junta Revolucionária Portuguesa, o órgão dirigente da Frente Patriótica de Libertação Nacional. Dirige na altura a rádio Voz da Liberdade, uma emissora de combate à ditadura que emitia para Lisboa a partir de Argel.
Entre 1969 e 1971 esteve na clandestinidade em Portugal – uma altura em que pintava os seus prematuros cabelos brancos com tinta castanha comprada na drogaria. Regressa a Portugal em 1971 depois de ter obtido a garantia, através do seu padrasto Fernando Abranches Ferrão, de que não haveria processos contra ele. Começa a militar na CDE e quando chegou o 25 de Abril tornou-se militante do MDP-CDE, de que foi dirigente. Entre os muitos livros que escreveu, destacam-se a História do Colonialismo Português e o Dicionário Político de Mário Soares. O dirigente histórico do PCP Domingos Abrantes recordou ontem o “intelectual de grande craveira”, que “teve sempre uma actividade empenhada, não só na juventude, mas em toda a luta da unidade antifascista”. Para Carlos Brito, ex-militante e ex-dirigente do PCP é a perda de “um grande amigo” e uma perda “para a esquerda”. “Foi um grande combatente, com muito mérito”. Pedro Ramos de Almeida era pai do nosso camarada de redacção Nuno Ramos de Almeida e de João Ramos de Almeida, jornalista do Público.
(*) Uma correcção: PRA já não estava preso em Peniche quando se deu a célebre fuga de um grupo de presos (e portanto não o integrou) e a fuga em questão não aconteceu em 1961, mas sim em 3 de Janeiro de 1960.
. 21.6.12
Uma simples varanda
Esta varanda existiu no aeroporto de Lisboa, durante muitos anos, e esta fotografia veio ilustrar algumas das memórias mais nítidas que guardo de algumas actividades de resistência, em tempos de Salazar e de Caetano. Ao vê-la, não identifico com precisão os antigos locais de chegadas e de partidas, mas recordo imediatamente um esquema de vigilância que utilizei muitas vezes.
É sabido que, quem chegava, via frequentemente as malas vasculhadas, não só nem tanto pela alfândega normal, em busca de perfumes ou de jóias, mas mais pelos agentes da PIDE, que procuravam livros proibidos e, sobretudo, cartas ou outros documentos politicamente suspeitos. Como estes não podiam ser enviados por correio normal porque não passavam nas malhas dos censores instalados nos CTT da época, eram levados e trazidos por quem viajava. E porque eu o fazia frequentemente por razões profissionais, fui «pombo-correio» activíssimo sobretudo nos últimos anos da ditadura, de e para o estrangeiro.
O mais seguro era transportar a informação em microfilmes (esses grandes percursores das nossas pens…), facilmente alojáveis em frascos de medicamentos e tão pouco usados que a PIDE não os procurava. Mais difícil era a papelada…
O meu esquema mais seguro, mas do qual não podia abusar exageradamente e a que só recorria em casos mais perigosos, era pedir a um amigo, alto funcionário da TAP com livre-trânsito permanente, que me fosse esperar à saída do avião. No percurso de autocarro para a aerogare, no meio de uma galhofa improvisada, passava-lhe os papeis para os bolsos do casaco.
Para o resto, era arriscar. E é aí que entra a varanda. Era importante, não só por minha causa mas pela segurança dos destinatários da minha «mercadoria», que se soubesse rapidamente se eu tinha chegado a bom porto, ou seja, se não tinha sido presa por me terem apreendido algo. (E seria mesmo presa porque não trazia propriamente histórias de encantar, nem planos para festas infantis…) Pedia portanto quase sempre a alguém que me fosse esperar e visse… da varanda, se eu tinha passado.
Ninguém pedia nem dava explicações, nem era necessário. Era grande a rede de cumplicidades.
Ninguém pedia nem dava explicações, nem era necessário. Era grande a rede de cumplicidades.
Passei sempre. Tive sorte.
(A imagem vem daqui, claro.)
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20.9.07
Plenários na clandestinidade
Nuno Teotónio Pereira enviou-me hoje um texto de Carlos Esperança, que foi publicado no Jornal do Fundão, em 6/9/2007.
Descreve um evento com algum significado do último ano do fascismo em Portugal, que teve lugar em Odivelas, em 14 de Janeiro de 1973. Recordo-me bem da sala, de muitas caras, de algumas intervenções. (Lembro-me mesmo de, no fim, ter dado boleia a Maria Barroso...)
Foi o arranque de uma tentativa, por parte da oposição, para se apresentar unida numa candidatura às eleições legislativas que iriam realizar-se em Outubro do mesmo ano.
«Clicando» na imagem, lê-se facilmente o artigo na sua totalidade.
Descreve um evento com algum significado do último ano do fascismo em Portugal, que teve lugar em Odivelas, em 14 de Janeiro de 1973. Recordo-me bem da sala, de muitas caras, de algumas intervenções. (Lembro-me mesmo de, no fim, ter dado boleia a Maria Barroso...)
Foi o arranque de uma tentativa, por parte da oposição, para se apresentar unida numa candidatura às eleições legislativas que iriam realizar-se em Outubro do mesmo ano.
«Clicando» na imagem, lê-se facilmente o artigo na sua totalidade.
Algumas correcções e adendas:
- Nuno T. Pereira não estava então sujeito a medidas de segurança (nem nunca esteve). O que acontece é que tinha saído muito recentemente de Caxias, onde estivera preso durante alguns dias na sequência da célebre vigília na Capela do Rato, que teve lugar na passagem do ano de 1972 para o de 1973 – e não podia, ou não devia, assumir grande protagonismo.
- O grupo que esteve na base das divergências e da disputa apontadas por Carlos Esperança não era composto apenas por futuros membros do MES, mas por vários outros «futuros», nomeadamente do PRP, que, desde há algum tempo, se tinham organizado numa plataforma clandestina (*), e em torno do qual se movimentavam muitas outras pessoas que não se identificavam nem com o PCP nem com o (também futuro) PS.
Alguns meses mais tarde, já durante o verão, realizou-se um outro plenário com o mesmo objectivo, algures num pinhal perto da Praia de Santa Cruz. Regressaram as divergências entre os mesmos protagonistas e, dessa vez, coube-me a mim ser porta-voz de uma moção que apresentei à mesa do plenário, presidida de novo por Gilberto Lindim Ramos (que, algum tempo depois, viria a tornar-se meu cunhado...). Bem gostaria de ter uma cópia dessa moção ou de me recordar com exactidão do seu conteúdo, mas não é o caso (**). Mas tudo girava, como sempre, à volta de questões de representatividade e de resistência ao que era interpretado como imposição de hegemonia por parte do PCP e suas franjas. Rejeitada a moção, consumou-se a cisão por parte da facção vencida – e lá abandonámos o pinhal, em longa fila indiana, numa cena bastante cinematográfica.
Ensinaram-se a acreditar que a História é, também, feita de pequenas histórias. Aqui ficam mais estas.
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(*) Os leitores deste blogue que fizeram o favor de ler Entre as Brumas da Memória, terão encontrado uma referência a este grupo na p. 174. (Por erro, tinha indicado 274.)
(**) Será que alguém pode ajudar? José Dias? Fernando Redondo?
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