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15.4.21

Sócrates e a canalhice que acaba por ajudar o PS

 


«Acho normal que a TVI tenha decidido entrevistar José Sócrates. Acho que o próprio tem todo o direito a defender-se no espaço público, já que no espaço público tem sido acusado. Mas, como devem imaginar, não pretendo analisar a sua defesa. Já a fez na fase de instrução e, neste momento, em que todo o processo é público, é para aí que se remetem todos os factos. E para a decisão do juiz Ivo Rosa, bombo da festa da última semana, mas que, na minha opinião, até deixou José Sócrates mais próximo de uma condenação do que o trabalho do Ministério Público prometia.

O Sócrates que ontem vimos foi o Sócrates de sempre. E isso é, por si só, surpreendente. A mesma arrogância, a mesma agressividade, o mesmo animal feroz. Tendo em conta tudo o que lhe aconteceu, esta constância inquebrantável recorda o perfil narcísico de Sócrates. Isso e a ideia que continua a alimentar em torno de uma cabala política, especialmente difícil quando hoje somos liderados por um primeiro-ministro do seu antigo partido, com uma agenda política não muito diferente da sua.

É verdade que a defesa de José Sócrates fica mais fácil perante a insustentável leveza das acusações de corrupção concretas que o Ministério Público foi acumulando no processo. Mas é perante a sua relação com Carlos Santos Silva que fica evidente que estamos perante um mitómano. O mitómano não se limita a acreditar nas suas mentiras. Está absolutamente convicto que todos vão acreditar nelas. Faz, aliás, um exercício interessante: quando o juiz lhe dá razão na falta de indícios trata isso como um julgamento sobre os factos e não o que é: falta de indícios que cheguem para um julgamento. Quando o juiz decide que há indícios para ir a julgamento é só isso mesmo. A vitimização agressiva é uma arma típica dos manipuladores mais destemidos (veja-se André Ventura, por exemplo). Mas também ela foi facilitada pela Justiça. A sua prisão à chegada de Paris e transmitida pelas televisões, feita para investigar e não porque alguma coisa investigada fosse suficientemente sólida para o prender, ou todas as dúvidas sobre a escolha de Carlos Alexandre como juiz da fase de inquérito, facilitam-lhe a vida. E, independentemente de quem esteja a ser julgado, devem deixar-nos preocupados.

Mas a parte que me interessa da entrevista é outra. É a final. É a política, que não tem lugar nas salas de tribunal. É aquela em que falou do Partido Socialista. Essa, usando os seus próprios termos, é a canalhice suprema. Aqueles a quem omitiu as suas relações de dependência financeira são traidores. Aqueles a quem mentiu vezes sem conta, em pormenores da sua vida e dos seus negócios, são canalhas. O partido que usou para beneficiar com o poder quase lhe deve um pedido de desculpas. Sócrates é, na sua mitomania e megalomania, no seu narcisismo e amoralidade, incapaz de distinguir a vítima do agressor, o abusado do abusador. Ele é a vítima de todos aqueles de quem abusou. É credor de todos a quem deve um pedido de desculpas.

José Sócrates instrumentaliza todos os que dele se aproximam. Não hesita em recorrer à memória de Mário Soares, assim como não hesitou em usá-lo no fim da sua vida, colando um dos fundadores da democracia à sua vileza. Não hesita em atravessar o Atlântico para enganar mais uns, quando deste lado já não engana quase ninguém, pondo uma política honesta como Dilma Rousseff a dar caução a megalómana comparação com Lula da Silva, um homem que mudou radicalmente o Brasil. E a comparar a Operação Marquês, que irá a julgamento com as garantias que hoje se veem, com a Lava-Jato, que levou o juiz que julgou o ex-Presidente a ministro. Devia perguntar-se porque quase metade do Brasil apoia Lula e só meia dúzia de portugueses o apoiam a ele. Saberá disso?

José Sócrates não compreende, porque não tem consciência do que é aos olhos de quase todos, mas prestou ontem um grande serviço ao PS. E de todos, o que mais ganha, porque vai a votos brevemente e foi o especial visado, é Fernando Medina. Bem aborrecido terá ficado Carlos Moedas com este momento de campanha eleitoral. Sócrates não o sabe porque, sendo megalómano, acredita que os seus ataques ainda podem fazer estragos. Não faz ideia que é um ativo tóxico, o que não deixa de ser perturbante.

Nota: Maria Antónia Palla escreveu esta quinta-feira, no “Público”, um texto sobre José Sócrates que considero absurdo. Talvez seja inconveniente para António Costa, sobretudo num momento em que Sócrates lhe deu este bónus, e não acredito que a jornalista não tenha consciência desse risco. Mas Maria Antónia Palla é e sempre foi uma mulher livre, que nunca subalternizaria a sua posição aos interesses de homem nenhum, fosse pai, marido ou filho. Diz bem dela.» 

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12.4.21

Operação Sócrates



 

O MP e Ivo Rosa têm poucas horas para ocuparem as preocupações dos cidadãos na escolha do lado da barricada em que se situam.

Muito, muito em breve, será Sócrates que ocupará todos os palcos e provocará gritos de horror ou rasgar de vestes nas redes sociais. A festa já começou nos jornais, as TVs já anunciam entrevistas, será lançado um livro dentro de dias. Será que vamos finalmente discutir tudo isto no plano da POLÍTICA? Tenho esperança que sim, mas temo estar a ser optimista.
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10.4.21

Sócrates: liberto de mais de 20 crimes, sim. Mas corrompido, apesar de tudo

 


Ouvi as mais de três horas das declarações de Ivo Rosa, até às 2h da madrugada li e ouvi dezenas (sim, dezenas) de analistas / comentadores com opiniões para todos os gostos e paladares, vejo as redes sociais cheias de convicções sem dúvidas, sendo que as «moralistas» me irritam especialmente.
Como é meu hábito, deixo aqui um texto, não porque me identifique necessariamente com tudo o que está escrito, mas porque me parece um resumo razoável de factos e algumas conclusões tão óbvias como dizer que o rei vai nu.

«O juiz de instrução Ivo Rosa destruiu quase por completo quatro anos de investigação do Ministério Público e, pelo caminho, também o trabalho feito pelo seu colega de tribunal Carlos Alexandre, que foi o magistrado que ao longo desses anos foi validando e promovendo buscas, escutas e outras diligências. Mas Ivo Rosa destruiu também a tese do ex-primeiro-ministro de que não foi corrompido. Ironicamente, a hipótese de vir a ser condenado em julgamento parece ter-se tornado muito mais forte depois desta sexta-feira.

No longo resumo da decisão de mais de seis mil páginas que tomou sobre quem vai e quem não vai a julgamento na Operação Marquês, Ivo Rosa não poupou nos rótulos com que classificou a acusação construída por sete procuradores contra o ex-primeiro-ministro José Sócrates, o seu amigo Carlos Santos Silva, o antigo banqueiro Ricardo Salgado e os outros arguidos do processo. De forma cirúrgica, o juiz de instrução percorreu os principais factos que suportavam os crimes de que o ex-primeiro-ministro e o ex-presidente do BES vinham acusados — “especulação”, “fantasia”, “falta de lógica”.

Os três pilares do processo, que diziam respeito aos três crimes de corrupção imputados pela equipa do procurador Rosário Teixeira a Sócrates, caíram por terra. De acordo com o juiz, nenhum desses três crimes estão sustentados em prova sólida. Segundo Ivo Rosa, não existem indícios de que o ex-primeiro-ministro tenha influenciado o chumbo da OPA da Sonae sobre a Portugal Telecom em 2007, a favor do Grupo Espírito Santo (GES); tenha interferido na atribuição de qualquer obra pública ao Grupo Lena; ou tenha sido cúmplice de Armando Vara, quando este era administrador da CGD, na concessão de um empréstimo para a compra do resort de luxo Vale do Lobo, no Algarve.

Em qualquer dos três enredos, a prova foi considerada inconsistente, vaga ou mesmo inexistente porque foram outros decisores — e não ele, Sócrates — que tiveram influência nessas matérias e não há testemunhos a corroborar a tese do Ministério Público sobre o papel decisivo do ex-primeiro-ministro. Inclusive, foi desconsiderada a forma como Paulo Azevedo, do grupo Sonae, contou como tudo aconteceu nos bastidores da OPA da PT, em que o empresário descreveu a forma como o governo boicotou a tentativa de tomada de controlo daquela empresa de telecomunicações, quando o Estado era ainda um dos seus acionistas de referência, detentor de uma golden share.

SEM DÚVIDAS DE QUE O DINHEIRO NÃO FOI EMPRESTADO

No entanto, embora tenha feito essa espécie de terraplanagem à espinha dorsal do despacho de acusação que o Ministério Público proferiu em outubro de 2017, Ivo Rosa acabou por contrabalançar isso com outra conclusão: com base na análise que fez a todo o processo ao longo de mais de dois anos para poder chegar à decisão instrutória que deu a conhecer esta sexta-feira, Sócrates foi efetivamente corrompido, ainda que não seja possível provar por que razão isso aconteceu.

O juiz não acreditou nas explicações dadas pela defesa sobre o dinheiro que ao longo dos anos Sócrates recebeu do seu amigo Carlos Santos Silva, empresário que foi administrador do Grupo Lena, um conglomerado de empresas de construção e obras públicas.

Embora os arguidos tenham dito que Santos Silva emprestou 567 mil euros a Sócrates e que o ex-primeiro-ministro já devolveu 250 mil euros, o magistrado afirmou serem sólidos os indícios de que foram entregues a Sócrates um total de 1,7 milhões de euros. E que nada justifica tantos levantamentos e entregas em numerário. Se o que estivesse em causa fosse simplesmente um empréstimo entre amigos, “nada impedia que tivessem sido feitos por transferência bancária”. Ivo Rosa também considerou como relevante o modo como Sócrates e Santos Silva usavam uma linguagem codificada, mostrando uma preocupação em esconder a circulação de dinheiro.

“Houve um mercadejar do cargo do primeiro-ministro”, admitiu o juiz, assumindo que não tem dúvidas que todos aqueles pagamentos de Santos Silva a Sócrates significam que houve, efetivamente, um crime de corrupção passiva cometido pelo ex-primeiro-ministro enquanto foi titular desse cargo político, ainda que não haja indícios sobre os actos concretos que tenham estado na sua origem — ou seja, que possam identificar as contrapartidas do dinheiro recebido e levados a julgamento como prova.

No entendimento do juiz, esse crime de corrupção já prescreveu, mas não os esquemas usados para fazer chegar os subornos ao corrompido. Isso explica dois dos três crimes de branqueamento de capitais com que Sócrates foi pronunciado (o terceiro diz respeito ao modo como pagou ao professor Domingos Farinha para que este o ajudasse a fazer a sua tese de mestrado em Paris) e um dos três crimes de falsificação de documentos (um contrato de arrendamento para o apartamento de Paris, propriedade do amigo Carlos Santos, onde chegou a viver) pelos quais terá também de responder em julgamento (sendo que os outros dois têm, mais uma vez, a ver com a tese de mestrado e Domingos Farinha).

Ivo Rosa não teve contemplações com o Ministério Público, mas ao não deixar Sócrates sair totalmente impune, o sinal fica dado: se um juiz de instrução como ele — visto por muitos como decidindo normalmente a favor dos arguidos — ficou convicto de que o ex-primeiro-ministro foi corrompido, que dúvidas disso terá o tribunal coletivo que agora o irá julgar?»

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11.5.18

Sócrates sem Rato



«Na passada semana, o Partido Socialista recebeu uma carta de José Sócrates, juntamente com o seu cartão de militante, e a justificação foi: "chegou o momento de pôr fim ao embaraço mútuo". Houve algum espanto na sede do PS, mas também algum descanso por ser uma carta normal e não um postal enviado das Bahamas.

Obviamente, o espanto do PS é um manifesto exagero. Depois de vários socialistas e defensores do ex-PM virem a público falar da "vergonha" para o PS por aquilo de que é acusado Sócrates, e conhecendo bem o partido a forma de reagir do engenheiro, custa-me acreditar que tenha havido espanto. Pelo contrário, acredito que a carta tenha sido aberta em ambiente protegido e com António Costa vestido com o fato "anti-antraz".

É uma carta que, de certa forma, dá jeito ao PS, uns dias do congresso do partido. Assim, o engenheiro Pinto Monteiro já nem pertence ao PS. Melhor só se, entretanto, Sócrates se inscrevesse no PSD. Isso era ouro sobre azul. Não nos podemos esquecer que Sócrates veio da JSD. Talvez fosse possível, durante o congresso, António Costa atribuir todo este comportamento de Sócrates a uma passagem pela Universidade de Verão do PSD.

Chego à conclusão de que, nisto das amizades, Sócrates devia estar no Guinness Book - tão depressa tem um super-amigo que o ama tanto que dedica uma vida a ganhar dinheiro para ele, como tem hiper-amigos que aproveitaram bem a amizade na altura que lhes deu mais jeito e desmarcaram-se quando já só servia para dar chutos no morto.

Sinto-me dividido com esta queima do Sócrates. Sinto tanta vergonha de alguns que agora levam isto ao Parlamento, dizendo "toda a gente já tinha topado, porque só agora falam", como dos que só agora deram por isso e se escandalizam. Muitos dos tais que só agora dizem "que vergonha", ainda não deram por nada no BPN, nos Submarinos, Macedos e Vistos, no Banif, na PT, na mercearia da esquina do Capelo Leite. Em todos os casos, são pessoas que vêem bem ao longe mas mal ao perto.

O meu receio é que isto faça de Sócrates aquilo que ele sempre quis ser. Não, não é ser sexy platina do Correio da Manhã, é ser uma vítima. Se ele quiser, até os Verdes ficam mal vistos por deixarem o PS tratar assim um animal político como o Sócrates, e nem um protesto. Peço desculpa pelo trocadilho, mas deixei-me levar pela maré, e até eu me sinto capaz de esquecer os meus princípios.

Claro que, como mete Sócrates, este movimento político tinha de dar em almoço. A cinco dias do congresso do PS, foi agendado um almoço de solidariedade organizado pelo Movimento Cívico "José Sócrates, Sempre". Se é Sempre, ou seja, até à eternidade, não é um movimento cívico, é uma religião.

Segundo entendi, a razão principal deste almoço de homenagem tem que ver com o facto de o ex-PM estar agora a ser maltratado e traído pelo seus colegas no PS. Acho bonito, mas se é para organizar uma festa a quem foi maltratado pelo próprio partido, relembro que nem um brunch de solidariedade pelo Tó Zé Seguro foi organizado.»

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26.10.16

A «lata» de Sócrates


José Sócrates foi hoje entrevistado na TVI, a propósito do livro que vai agora lançar. A páginas tantas, acontece este diálogo:

- Judite de Sousa: António Costa é um líder carismático?
- José Sócrates: António Costa é um líder em formação.

Só me ocorre uma expressão popular quanto à resposta dada por JS: é preciso ter lata! E falta de vergonha na cara, também.
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19.12.15

Um activo tóxico



Excertos de um texto de José Pacheco Pereira no Público de hoje, no qual leio, finalmente, o que eu própria penso sobre o caso Sócrates depois da sua última prestação televisiva.

«Quando Sócrates passou para a mó de baixo e foi preso, os aduladores transformaram-se em acusadores e os mesmos, ou quase os mesmos, vão lá à trincheira funda onde ele está, e levam a pedra para o lapidar. Detesto isto e, depois de ter sido um dos mais duros críticos de Sócrates (quando, convém lembrar, os dirigentes do PSD de Passos e Relvas, o protegiam), fiquei bastante em silêncio quando bater-lhe se tornou “politicamente correcto”. Não gosto de bater em quem está vencido e perseguido. E Sócrates estava e está vencido (mesmo que ele e os seus fãs não acreditem) e era então perseguido. Penso que ele tem legítimas razões de queixa contra o modo como a Justiça o tratou, abusando dos seus poderes e actuando ad hominem, bem como contra a campanha na comunicação baseada em fugas de informação orientadas, misturando informação relevante com trivialidades interpretadas de modo persecutório.

Mas, atenção, quando José Sócrates liberto passa de novo ao “ataque” dando entrevistas de grande destaque, em que não só fala de política como dá continuidade e um alcance cada vez mais vasto à interpretação política do seu processo, assim como pretende responder a alguns factos de que é acusado, então deixa de ser o homem da mó de baixo, para se tornar um parceiro activo da vida política portuguesa, e, do meu ponto de vista, de forma tóxica e inaceitável na sua jactância e no insulto que faz nas suas “explicações” à inteligência de qualquer português. Isso significa que já não me sinto limitado pela minha reserva de ir bater num homem que estava coarctado de liberdade e com quem qualquer debate e crítica seria desigual e punitivo. Agora estamos de novo perante o “animal político” e esse “animal” quer morder-nos, pelo que penso ser necessário caçá-lo, sejam quais forem as conclusões do processo judicial —porque, do que ele diz, ele não está inocente. (...)

Há um enorme conjunto de factos que não são controversos, e que ele mesmo admite que são verdadeiros, que o acusam do ponto de vista do comportamento cívico que é exigível para quem pretende ter uma vida política sem limitações, que levantam legítimas suspeitas de práticas inaceitáveis num antigo primeiro-ministro, de infracções fiscais e, se se vier a provar em tribunal, de crimes. E as “respostas” que ele dá não só não convencem ninguém, o que em si poderia não pôr em causa a sua veracidade, mas são completamente implausíveis e não são, na maioria dos casos, sequer respostas. (...)

Nem vale a pena perder tempo para refutar a implausibilidade de alguém que vive por conta de um “amigo de infância”, que é um “grande empresário”, e que em tempo de vacas magras para todos, a começar pela maioria das empresas, tem dinheiro a rodos para “emprestar” ao amigo sem sequer anotar o valor total, como quem recebe não sabe quanto lhe é emprestado, que, vivendo de dinheiro emprestado pela banca e pelo amigo, vive uma vida faustosa — e pode-se dizer que o conceito de “faustoso” é dúbio num país pobre, mas neste caso é tudo menos dúbio — e não se percebe como lhes vai pagar, que tem uns empregos de lobbyista internacional e de consultadoria, que infelizmente não são únicos no nosso sistema político, mas nem por isso deixam de ser tributários da influência e dos conhecimentos.

Eu não sei se Sócrates é corrupto ou não e, seja qual for a minha convicção, ela em si não vale nada, e o tribunal o dirá, mas sei que em toda a sua vida política, como já o escrevi há muitos anos, sempre que se tropeça numa pedra, sai de lá José Sócrates. Foi assim com a licenciatura, com as marquises feitas sempre na terra do lado, com múltiplas decisões como ministro do Ambiente e depois primeiro-ministro, com a tentativa bem real de controlar a comunicação social usando os meios e a influência do Governo, com mil e uma coisas não explicadas e ou suportadas em mentiras. (...)

O que é tóxico em Sócrates é que a sua postura pública, e as cumplicidades que a suportam, representa objectivamente a indiferença nos partidos face a condutas reprováveis no sistema político português e explicam o crescente divórcio entre os portugueses e os partidos e a democracia, e isolam e estigmatizam a mais que necessária luta que é preciso ter contra a corrupção.» 
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30.11.14

Circo mediático?



«Uma das principais queixas dos defensores não oficiais de José Sócrates é a de que a detenção deste – e o que sucedeu em seguida – foi um "circo mediático". A sério? Do que vi, e acreditem que vi muito, o "circo mediático" consistiu nas imagens recorrentes de dois ou três carros em ruas pouco iluminadas e de uma dúzia de repórteres plantados, género moita, nas imediações do TIC. Em matéria de espectáculo, há filmes romenos mais conseguidos. Se o objectivo fosse capturar, interrogar e prender José Sócrates em segredo a diferença não teria sido grande. Aliás, é difícil imaginarmos outra democracia em que notícia semelhante suscitasse tratamento tão discreto. A menos, como de resto é provável, que não sejam democráticos os exemplos que ocorram a essa gente.»

Pedro Marques Lopes