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3.2.21

Há 68 anos, o massacre de Batepá

 


Estive em S.Tomé há dois anos, passei por Batepá, e sobretudo por Fernão Dias onde se recorda um dos momentos mais trágicos da História desse magnífico país.


Quem quiser saber mais detalhes sobre este massacre, pode também ouvir UM PODCAST hoje divulgado.
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15.8.20

Grandes árvores deste mundo (6)



São Tomé, 2019.

Esta bela árvore de grande porte é uma OCÁ que pode chegar a ter 130 metros de altura e que é utilizada para fabricar embarcações de pesca – as canoas.

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13.7.20

Vidas antes desta Covida (10)



Um almoço inesperadamente gourmet no restaurante do simpático CHEFE SILVA que faz questão de vir conversar com todos os comensais. Roça S.João dos Angolares, S. Tomé, 2019.
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7.7.20

Vidas antes desta Covida (4)



São-tomenses à porta da casa onde nasceu Almada Negreiros, na Roça Saudade, hoje transformada em restaurante-museu, S. Tomé, 2019.
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8.3.20

São Tomé e Princípe, a crónica da morte anunciada da Catarina



«São Tomé e Príncipe tem sido um país mergulhado na miséria crescente, sem futuro e com o crescimento descontrolado da natalidade, infelizmente pelas piores razões: a poligamia masculina e o abandono das crianças e das mães e pela ausência do planeamento familiar. A organização não-governamental que “mais” actua por lá, mais parece governamental que não-governamental.

O risco aumenta. O consumo de álcool aumenta. A pobreza é gritante. No meio disto, a criminalidade dispara. O desemprego também e a saúde é uma catástrofe. O que pensa desta tragédia um primeiro-ministro caído do céu, e o que faz pelo povo que diz ser seu, se não garante nada aos nacionais? A credibilidade morreu. E nem o petróleo que as petrolíferas querem explorar lhes garante segurança ou sustentabilidade financeira. A miséria é cada vez maior. O naufrágio do Anfrititi mostrou um Governo que abandona o seu povo. Foi a mim que o Governo regional do Príncipe pediu para confortar famílias dizimadas. Lavadas em lágrimas. Determinado jornal português assediava-me pelo sensacionalismo, para lhe “confirmar a morte de uma portuguesa”. Tinham morrido afogadas cerce de 60 pessoas, santomenses como eu. Não havia portugueses como eu sou também. Nada foi feito pelo Governo central. Cada um decide em causa própria. Não promovem a saúde nem garantem a segurança.

Turismo? Não me esqueço da turista alemã brutalmente violada no sul, por três santomenses. A morte da Anabela com 17 anos. Sem diagnóstico. Morreu nos braços da minha filha Francisca. Agora, a morte da Catarina. Não podemos continuar a ignorar a gravidade desta miserável situação!

O alarme instalou-se com um ensaio de pré-ditadura em 2016. Apelei à intervenção do primeiro-ministro de Portugal, pessoalmente e depois através de um artigo no PÚBLICO. Sou preta. Daquele tipo que nasceu imperfeita. E não tenho culpa. Mas visto com orgulho a pele que tenho, a raça e o sangue das minhas veias e da terra em que nasci. Mas não compreendo, 45 anos depois da independência, como se assassina cruelmente uma mulher, portuguesa, indefesa, à catanada, que não é preta como eu. Portugal nada diz. E São Tomé e Príncipe em silêncio de sepulcral. A morte da Catarina, indefesa, não pode ser silenciada. Exijo um ponto final no projecto da corrupção e das miseráveis condições de saúde, socioeconómicas e de criminalidade violenta, associada ao consumo de álcool, a disparar.

Durante as eleições, em 2018, defendi o regresso à democracia. Apoiei Bom Jesus, sem carisma. Acreditava que era um bom homem. Honesto. Carregado de sonhos para o país que me viu nascer. Coloquei-me à frente dos ninjas que se preparavam para abater jovens manifestantes. Hoje, olho para um povo desesperado que me envergonha e coloca nas redes sociais um corpo de uma mulher esquartejada no seu local de trabalho. E pergunto: o senhor primeiro-ministro não se envergonha da pasta que lidera? Acha que este é um país melhor do que aquele que herdou?

Caro António Costa, estive com o ministro Augusto Santos Silva. Elogiou o estudo que liderei em São Tomé e Príncipe quando da visita do Presidente da República de Portugal. Esses resultados acabaram com ameaças de morte e contra a minha integridade física. Acima da minha nacionalidade, sou mãe de três filhos. Gostava de morrer quando Deus quiser. Posso? A Catarina, da minha idade, foi brutalmente assassinada no seu local de trabalho. Liguei ao Tiziano e à Mari, seus patrões, italianos. E vocês, grande Governo de um democrático Portugal, o que fazem para defender a Catarina? E a Embaixada de Portugal? Além de estrangulada e invadida, Portugal não vai defender um conceito que a justiça de São Tomé engoliu? Tenho a morte prometida. Talvez seja um aviso à vossa navegação. Está tudo bem. Enquanto discutem a covid-19 com muita propaganda à mistura, convinha abrir os olhos. E ver.»

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3.2.20

03.02.1953 – O massacre de Batepá



Estive em S.Tomé no ano passado, passei por Batepá, e sobretudo por Fernão Dias, onde se recorda um dos momentos mais trágicos da História desse magnífico país.

Na fotografia que está no topo deste «post» figuram os nomes de uma parte das vítimas, cujo número  nunca foi possível apurar exactamente mas que S.Tomé quantifica oficialmente em 1.032.

O novo memorial inaugurado em Fernão Dias, em 2015:


Este texto é um bom resumo do que é indispensável saber.

«Os acontecimentos que tiveram início a 3 de fevereiro de 1953, hoje feriado nacional em São Tomé e Príncipe, vitimaram, a mando do governador português Carlos de Sousa Gorgulho, um número indeterminado de forros, o grupo etnocultural dominante nas ilhas e que também designa os naturais ou ‘filhos-da-terra’, por, não estando abrangidos pelo Estatuto do Indigenato, recusarem o trabalho a contrato nas roças de cacau e café.

Quando, em inícios dos anos 1950, se torna evidente a crescente escassez de mão-de-obra nas ilhas, associada aos constrangimentos que dificultavam a importação de trabalhadores contratados de Angola, o clima de tensão na hierarquizada sociedade são-tomense intensifica-se. Nos meses que precedem o massacre desencadeiam-se medidas repressivas contra os forros e reforça-se a difusão de rumores de que seriam despromovidos à condição de indígenas, estatuto legal que não se lhes aplicava. Essa tentativa de forçar ou convencer os forros ao trabalho a contrato nas roças é rapidamente desmentida pela administração colonial, que se apressa a negá-la em notas oficiosas afixadas em algumas zonas da ilha de São Tomé.

É neste contexto que alguns forros decidem protestar, arrancando as declarações oficiais do Governo nas ruas de Trindade e Batepá, localidades tidas como bases geográficas privilegiadas da elite forra. A reação das autoridades portuguesas é imediata e rapidamente escala em termos de violência. No período mais intenso de uma semana, embora se tenha prolongado durante vários meses, regista-se um conjunto de procedimentos que tem como alvo preferencial a população forra: verificam-se rusgas constantes e casas incendiadas; há prisioneiros encarcerados numa rapidamente sobrelotada prisão central ou enviados para um campo de trabalhos forçados, localizado em Fernão Dias, com o intuito de ali se construir um cais acostável; ocorrem violações; torturas com uma cadeira elétrica improvisada e dá-se a transferência para o exílio, no Príncipe, de alguns dos membros mais destacados da elite local, como assinalado, entre outros, nos testemunhos recolhidos por Lima (2002).»

Um vídeo com informação histórica importante e não só sobre o massacre de 1953:


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27.11.19

Regresso



S. Tomé lá ficou, e o calor também, já dei uma volta silenciosa por jornais e por redes socais e confesso que me apeteceu voltar para o aeroporto. 
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25.11.19

S. Tomé (6)



Dia passado na capital que pouco me impressionou. Restam edifícios da época colonial, hoje ocupados por organismos oficiais e embaixadas, algumas igrejas e o resto é pouco agradável, nada cuidado nem bonito.

Vale a pena visitar o Forte de S. Sebastião, transformado em museu que guarda objectos trazidos das velhas roças e igrejas, e pouco mais. Mas foi bom ver a preocupação em defender a cultura em duas instituições onde estive: «Cacau», um belo espaço mantido pelo mestre João Silva (sim, o cozinheiro de que falei há dias), onde há exposições, colóquios e painéis com um resumo simples e bem feito da História do país e a «União Nacional dos Escritores e Artistas, fundada por Alda Espírito Santo, e que se mantém viva e activa.

Fora da cidade, na praia de Fernão Dias, um novo monumento assinala o Massacre de Batepá em 03.02.1953 e num impressionante memorial estão agora inscritos os nomes de todas as vítimas.

E como vir aqui e não ir à fábrica e loja de chocolates Cláudio Corallo é como ir a Roma sem ver o papa, foi lá que acabei o dia…

Amanhã ainda estarei por cá mas pouco: um avião da TAP espera-me ao fim da tarde…









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24.11.19

S. Tomé (5)



Dia dedicado a explorar o centro da Ilha, onde se iniciou a plantação do café um pouco ao Norte de Trindade (800 metros de altitude e 10.000 habitantes), onde estive, uma cidade feiosa como todas as que vi até agora. Pelo caminho, mais roças e algumas pequenas cascatas, mas o ponto mais interessante do dia foi sem dúvida a visita e o almoço na casa onde nasceu Almada Negreiros, na Roça Saudade, a 1.500 metros de altitude, da qual o pai era Administrador. Com dois anos, Almada Negreiros foi para Cascais e passou a viver com a família da mãe que morreu pouco depois em S. Tomé. (São dessa casa a maior parte das imagens postas hoje aqui.)

Além disso, continuo a «entranhar» o que vejo. Há crianças por tudo quanto é sítio, neste país em que a média de filhos por família é cinco, e as pessoas são de uma simpatia impressionante, sempre prontas para um sorriso. A comida é excelente, pelo menos para meu gosto, a fruta um disparate em termos de variedade e de sabores!

Lentamente, o fim aproxima-se…







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23.11.19

S. Tomé (4)



Dia longuíssimo do Ilhéu das Rolas à cidade de S. Tomé, com passagem por belíssimas praias no Sudoeste da Ilha (Jalé, Piscina, Inhame, Cabana, etc., etc.), umas desertas, outras já com pequenas casas isoladas onde apetece ficar (e há quem fique…), um almoço inesperadamente gourmet na Roça S. João dos Angolares, onde o simpático chefe Silva (o de cá) se esmerou no serviço a turistas, sobretudo portugueses, e a tripulações da TAP.

Pelo caminho, paragens em mais roças onde no passado se cultivava cacau e que estão hoje desactivadas, com destaque, já ao anoitecer, na primeira a fazê-lo e que funcionou até há dois anos: o Barão de Água Izé (nome da Roça) trouxe do Príncipe o que se julgava ser uma planta ornamental e que veio a provar ser muito mais. Conta a lenda que o dito Barão mergulhava montado no seu cavalo branco aqui na Boca do Inferno (última fotografia de hoje) e saía na daí, para os lados do Guincho…

Eu por cá continuo mais uns dias - «Leve, leve».






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22.11.19

S. Tomé (3)



Do interior do ilhéu onde estou nada tenho para contar: embora reconheça que «finou-se no Ilhéu das Rolas» seria uma bela frase para o meu epitáfio, preferi não arriscar e não acompanhar quem comigo viaja numa caminhada de quase quatro horas, sob um Sol abrasador, e de onde alguns não regressaram em muito bom estado. Fiquei, e muito bem, à beira do mar, de uma piscina e de um chuveiro, neste local lindíssimo de onde deixo algumas imagens.

Continuo a não perceber o grau de subdesenvolvimento em que se encontra este país com pouco mais de 200.000 habitantes, paradisíaco como é e com a ajuda internacional de que dispõe (dizem-me que mais de 85% do que gasta, não conferi o valor). Quase tudo se importa, até a água que bebemos é Carvalhelhos… Temo que o futuro não seja brilhante, com uma pedreira situada numa área protegida já na mão dos chineses (que também pretendem o aeroporto e o porto, obviamente) e com o anunciado reforço externo para o desenvolvimento do turismo que será, ou não, gerido da melhor forma. Em resumo, que se estrague o paraíso e que a vida da grande maioria das pessoas não melhore ou as obrigue a emigrarem. Já vimos esse filme, não?

Amanhã? Regresso à Ilha e visita à zona Sul.







21.11.19

S. Tomé (2)



São necessárias horas para ir da cidade de S. Tomé a Ponta Baleia, de onde se parte para o Ilhéu das Rolas, até porque a estrada não ajuda muito. Mas tem-se a vantagem de se ver sempre verde e mais verde durante todo o caminho nesta parte Sul da ilha, árvores e mais árvores, com destaque para um grande conjunto de palmeiras, especialmente bem tratadas e que são (obviamente…) exploradas por empresas estrangeiras para extracção de óleo. Alguma bicharada errante à beira da estrada, a já clássica imagem de mulheres a lavarem roupa no rio e, finalmente, uma viagem numa lancha bastante rudimentar, que me proporcionou um belo duche do Atlântico durante a viagem. A chegada e a água de coco que nos esperava.

Amanhã falarei do dito Ilhéu, embora não esteja disposta a andar muito para pôr um pé de cada lado da hipotética linha do Equador… Até porque já tenho um diploma que atesta que já fiz essa apaixonante façanha, algures nas redondezas de Quito. Não chove!







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