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26.10.18

Cavaco: o único dia em que me pôs feliz


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7.5.16

Durão, Sampaio e a cimeira nas Lajes



Quando Durão Barroso se escuda em Jorge Sampaio a propósito da cimeira noa Açores, e as TV o repetem 100 vezes/dia, é importante ler esta reacção do ex-Presidente da República.


«Sobre a Cimeira em si, e o processo que levou à sua realização nas Lajes – e não em Washington, Londres, Barbados e Bermudas, como terá sido ventilado –, a verdade é que a literatura internacional lhe dá pouca ou nenhuma importância e não tendo eu tido conhecimento dos preparativos, pouco posso dizer. No entanto, quero recordar aqui o telefonema que, pelas 7 da manhã de 14 de Março, recebi do primeiro-ministro, solicitando-me uma reunião de urgência. Para minha estupefacção, tratava-se de me informar que havia sido consultado sobre a realização de uma cimeira nos Açores, essa mesma que, nesse mesmo dia, a Casa Branca viria a anunciar para 16 de Março, daí a pouco mais de 48 horas… Não é preciso ser-se perito em relações internacionais para se perceber que eventos deste tipo não se organizam num abrir e fechar de olhos; e também não é necessário ser-se constitucionalista, para se perceber que não cabe ao Presidente autorizar ou deixar de autorizar actos de política externa. (…)

À laia de conclusão, quero sublinhar três pontos: o presidente tem o direito constitucional a mostrar a sua discordância perante a condução da política externa e não está obrigado a acatar, sem intervenção e passivamente, decisões assumidas pelo Governo; no caso que aqui nos ocupa, entendo ter conseguido uma posição equilibrada pois, por um lado, evitei de facto abrir um conflito institucional que em nada serviria o país, mas, por outro, ao me opor ao envio de tropas para o Iraque, afirmei decisivamente o papel efectivo do presidente como comandante supremo das Forças Armadas» 
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24.5.13

Jorge Sampaio na Antena 1



Anda aí muita gente a mandar bocas sobre excertos da entrevista que Jorge Sampaio deu ontem à Antena 1, mas talvez seja melhor ouvi-la aqui
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10.10.12

A austeridade excessiva pode prejudicar terrivelmente a democracia



Só para francófonos (hélas!...): vale a pena ler o relato do diálogo que Jorge Sampaio manteve ontem, na internet, com leitores de Le Monde, sobre a democracia no mundo e em especial na Europa. 
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Três ex-presidentes da República e um outro



Num mesmo dia, o de ontem, os três ex-presidentes da República eleitos em democracia pronunciaram-se, directa ou indirectamente, em registos diferentes mas todos especialmente preocupados e críticos, sobre o estado actual do país e da sua democracia. Goste-se, ou nem por isso, de todos ou de nenhum deles, trata-se de um facto importante pelo seu significado. 

Ramalho Eanes deu uma entrevista à Rádio Renascença, Mário Soares publicou um extenso artigo no Diário de Notícias, Jorge Sampaio respondeu a perguntas de internautas, numa iniciativa de Le Monde.

Três citações que ilustram o tom e o estilo de cada um: 

Ramalho Eanes: «O Estado não pode gastar muito menos do que aquilo que gasta, em áreas consideradas fundamentais num estado social.» 

Mário Soares: «Quando os governantes manifestam medo do Povo - e fogem dele - algo vai muito mal. (...) É próprio de uma Ditadura.». 

Jorge Sampaio: «Devo dizer que a austeridade pela austeridade, a austeridade excessiva, pode prejudicar terrivelmente a democracia. Porquê? Porque a democracia precisa de esperança. E se não se vê a luz ao fundo do túnel, a esperança vai-se.»

Ontem, o pior presidente português eleito em democracia, o actual, não disse nada. É verdade que já tem feito algumas declarações dispersas sobre excessos de austeridade. Mas ainda ecoam nas nossas cabeças os ecos do discurso inócuo, incolor e inodoro que fez no dia 5 de Outubro. Podia ter sido feito por algum dos seus três predecessores? Não creio. 
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7.7.10

De remendo em remendo


Não leio pela cartilha de Baptista Bastos, nem sou especial admiradora do que escreve, mas uma parte da sua crónica de hoje, no DN, serve-me de mote.
«O PS promoveu as suas Jornadas Parlamentares. Os seus notáveis, assim como os menos notáveis, identificaram as raízes dos nossos problemas contemporâneos com a maldade do sistema financeiro. Nenhum dos oradores que me foi dado ouvir analisou o fundo da questão. (…)
Nos discursos de mera circunstância, somente Ferro Rodrigues, pelo qual desejo manifestar consideração, se aproximou da génese da crise, denunciando, timidamente, o carácter predador do capitalismo e da fase de domínio sobre todas as formas sociais em que se encontra. Mas ficou-se pela superfície. É pena.»
Note-se que eu não esperava nada de significativo ou importante do que fui sabendo das ditas jornadas parlamentares do PS e nem vale a pena voltar a falar de socialismos e de gavetas.

Mas julgo, sim, que personalidades, com alguma distância e muitas obrigações, podiam – e deviam – situar-se num plano diferente. Estou a pensar no que Mário Soares tem escrito e tem dito nos últimos tempos e, sobretudo, na entrevista que Jorge Sampaio deu ontem à SIC N (pode ser vista aqui).

Remendos, mais remendos e… toda a esperança na convergência e em consensos entre o PS e tudo o que está à sua direita. Nenhuma análise das razões teóricas da crise, nenhuma referência, mesmo que passageira, a uma esperança, ainda que muito ténue (não consigo pesar mais as palavras…), de um sistema menos injusto, mais equitativo do que o capitalismo que nos trouxe à situação em que nos encontramos. Nada no «horizonte»!

Estamos em fase de imediatismo e não é tempo para grandes reflexões teóricas e ideológicas? É assim em toda a parte, dada a gravidade da situação e a urgência de encontrar soluções «para ontem»? Não é verdade. Basta percorrer a imprensa estrangeira, mesmo só a que é acessível em linha, para verificar o contrário. Por cá, ficamos ao nível dos analgésicos. Também aprecio não ter dores de cabeça nas quatro horas que se seguem, mas espero que o meu médico procure a raiz do problema e me explique minimamente o diagnóstico.

Opinadores? Temos às centenas. Pensadores?
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21.3.08

O que preferia não ter lido


Jorge Sampaio, em entrevista concedida ao jornal Sexta de ontem:

«No nosso século XXI, esquerda e direita tornaram-se conceitos ambíguos. Por isso, sempre que ouço esse género de comentários, interrogo-me, “mas o que significa mais à esquerda ou mais à direita em termos de políticas concretas e sustentáveis?”. A meu ver não podemos ficar reféns de debates ideológicos, cujo conteúdo deixou de ser claro. Importa, sim, contribuir para a renovação da prática governativa e para lhe dar novos conteúdos.»