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12.3.12

O elo mais fraco



Para Sarkozy vale tudo na tentativa, aparentemente desesperada, de continuar no Eliseu. Esperemos que, dentro de alguns meses, a sinistra dupla Merkel-Sarkozy se desfaça mas nunca se sabe: no momento de meter o voto numa urna para eleger um presidente, a memória parece toldar-se (nós que o digamos…).

Agora, veio o piscar de olhos ao eurocentrismo egoísta dos eleitores, com ameaças à emigração e mesmo à abertura Schengen.

«Se eu constatasse que, nos próximos doze meses, não havia qualquer progresso sério nesta direcção, a França suspenderia a sua participação nos acordos de Schengen até que as negociações resultassem.»

Que não venham agora sossegar egoistamente portugueses e similares, dizendo que isto é para «os outros»: espaço Schengen, entendemos bem. E que não fosse. Esta ideia da França ou da Europa entrincheiradas contra aqueles de cujo trabalho sempre tiraram proveito, e sem os quais estão irremediavelmente destinadas a definhar, seria ridícula se não fosse trágica. Para além de estar inevitavelmente destinada a um estrondoso fracasso.

O mundo mudou (e de que maneira) e a Europa continua a comportar-se como se não fosse, actualmente, o elo mais fraco.

Excertos do discurso de Sarkozy:


..

2.12.11

Wanted


(Imagem via Ana Gomes)

A ler: Paul Krugman, Killing the Euro, no New York Times de ontem.
«Although Europe’s leaders continue to insist that the problem is too much spending in debtor nations, the real problem is too little spending in Europe as a whole.»
.

24.10.11

Agora os ursos?


O quarto da pequena Giulia deve estar cheia deles. E eu que julgava que já nem se ofereciam peluches a bebés por serem eventuais portadores de múltiplas razões para terríveis alergias, mas adiante.

Em França, uma associação protectora do urso nos Pirinéus ofereceu um simpático exemplar à filha de Sarkozy, para lembrar ao pai a promessa de largar mais um bicho na belíssima região de Béarn. Desejou tudo o que há de melhor para a criança, esperando que possa ter um dia «a felicidade de observar ursos livres nas montanhas de França».

Mais enigmática é a decisão de Angela Merkel comprar um Teddy Bear para Giulia. Onde é que a senhora quererá ver ursos?! Ainda se tivesse oferecido este porquinho de porcelana…
.

2.8.10

Entretanto, em França

A propósito do discurso de Sakozy em Genoble, a que já me referi, não cessam as reacções e os comentários. Um entre muitos:

«Les déclarations stigmatisantes du Président donnent une légitimité au racisme. Si, quand sa popularité ne fait que chuter, elles visent à lui attirer la sympathie de l'électorat d'extrême droite pour les prochaines échéances présidentielles, elles instaurent surtout un climat policier et xénophobe. (…)

La manifestation violente de la colère de quelques-uns, suite à la mort, causée par un gendarme, de l'un des leurs, a été instrumentalisée pour justifier la politique xénophobe et sécuritaire du gouvernement, visant en l'occurrence les gens du voyage, ces « barbares », dans leur globalité. (…)

Au lieu de concevoir des politiques de cohabitation des groupes de cultures différentes, on marginalise un peu plus. Ainsi établit-on différentes catégories de Français, les bons et les autres, ceux de seconde zone.
“Restons entre bons Français“ sera-t-il le slogan de demain ? Belle utopie en ces temps d'hybridité et de circulation que ce soit des hommes et des femmes ou de l'information et de la culture, tout simplement. Les théories raciales ont créé des sous-hommes, nous voilà maintenant en France avec des sous-Français. (…)

Certes, la loi prévoit des cas de dénaturalisation en cas d'espionnage ou de terrorisme dans les dix années qui suivent la naturalisation. Avait-on besoin d'élargir ce cadre et pour quoi faire?
Ainsi se représentera-t-on une France avec des Français pour toujours et une autre, avec des Français provisoires, favorisant ainsi une guerre de nationaux, dans un pays autoritaire, enfin net, sans mélange.
Chacun saura où il se place, les premiers, dépositaires d'une nationalité “immutable”, étant de toute évidence supérieurs aux seconds. En somme, une France enfin démocratique…»

(Fonte)

Entretanto, a ver o que está a deixar gelados muitos franceses - e não só.
...

23.2.09

Obama e Sarkozy

Vale a pena ver este vídeo sobre o papel dos cientistas e da investigação nesta fase da vida do mundo. Ele é o resultado de uma montagem, inevitavelmente subjectiva, de excertos de dois discursos, um de Obama em 20/12/2008, outro de Sarkozy no passado dia 20 de Janeiro.

O contraste é tão flagrante que quase dispensa comentários: o primeiro virado para o futuro, directo, com uma calma impressionante; o segundo defensivo, sinuoso, com uma certa dose de agressividade. Até a diferença na postura física fala por si.

Uma estranha sensação de que está ali retratada, também embora não só, toda a distância entre uma nova América e uma certa Europa.



(Encontrado aqui.)

14.3.08

Os franceses andam esquisitos

Depois de um popular recusar um aperto de mão a Sarkozy, é agora a vez de Simone Veil ignorar ostensivamente Carla Bruni, numa recepção no Eliseu.


carla bruni humiliée par simone veil!
Colocado por peuplededroite

27.2.08

«Requiem pour un con»

Música de Serge Gainsbourg



Referido em toda a imprensa francesa, como resposta a isto.

25.2.08

Sarkozy: gente fina é outra coisa

Nicolas Sarkozy visitou ontem, apressadamente, um Salão de Agricultura.

Foi distribuindo cumprimentos até que um dos presentes recusou apertar-lhe a mão. Eis o diálogo:

Visitante - "Ah non, touche-moi pas".
Sarkozy - "Casse-toi, alors" .
Visitante - "Tu me salis" .
Sarkozy - "Casse-toi alors, pauvre con".

O Jornal Le Parisien estava lá e filmou:



Notícia mais detalhada e vídeo também aqui.

16.1.08

«Laicidade positiva»

ACTUALIZADO (**)

Na sequência dos discursos proferidos por Sarkozy, no Vaticano em 20 de Dezembro e ontem na Arábia Saudita, e das reacções que os mesmos estão a provocar, o Libération publica hoje um conjunto de artigos relacionados com a questão da laicidade.

Num país como a França, onde a separação entre Igreja e Estado parecia intocável, Sarkozy está a abalá-la com os seus elogios à moral cristã e ao papel das religiões como fundamento das civilizações.

Não o faz à toa. Jean Baubérot, professor de história e sociologia da laicidade, explica, numa curta entrevista, que Sarkozy e os seus conselheiros conhecem bem as teorias pós-modernistas e tiram partido de incertezas, em tempo de declínio das ideologias e de confiança nos méritos do progresso. Fazem-no numa «tentativa neoclerical de re-ligação entre religioso e político, de instrumentalização do religioso pelo político» (*).

Alguns excertos dos discursos de Sarkozy parecem claros.
No Vaticano, a propósito da encíclica de Bento XVI sobre a esperança:
«Um homem que crê é um homem que espera. E é do interesse da República que haja muitos homens e muitas mulheres que esperem.»

E ainda:
«Se existe incontestavelmente uma moral humana independente da moral religiosa, a República tem interesse em que exista também uma reflexão moral inspirada em convicções religiosas.»

Uma outra afirmação provocou a fúria das associações de professores:
«Na transmissão dos valores e na aprendizagem da diferença entre o bem e o mal, o professor nunca poderá substituir o pároco ou o pastor, mesmo se é importante que se aproxime, porque lhe faltará sempre a radicalidade do sacrifício da sua vida e o carisma de um compromisso guiado pela esperança.»

«Laicidade positiva», chama-lhe ele. Perigosa e um retrocesso civilizacional, considero-a eu.

Estejamos atentos ao que aí vem dessa Europa onde, cada vez mais, mandarão os grandes - com este francês tão activo e tão admirado, com um papa muito inteligente em Roma, bispos aguerridos em Espanha, polacos de um catolicismo ultra-conservador e um Tony Blair, recém-convertido, à espreita da presidência do Conselho europeu.


(*) Jean Baubérot tem um blogue dedicado a esta problemática.

(**) Pode ouvir reacções aqui.

19.12.07

Carla e Nicolau


Em Womenagetrois:

«...A França poderá ser o primeiro país do mundo a ter uma primeira-dama que o mundo já viu nua. (..,)

Está mais que provado que, em política como no amor, os fins justificam os seios.»

22.10.07

A carta de Guy Moquet

Post actualizado (*)


Guy Moquet foi um jovem comunista francês, de 17 anos, executado em 22 de Outubro de 1941, num campo de reféns em Châteaubriand, juntamente com mais de duas dezenas de resistentes. Tratou-se de uma represália dos alemães depois do assassinato de um dos seus militares (Karl Hotz).

Para comemorar o 66º aniversário deste acontecimento, Nicolas Sarkozy determinou que uma carta que Guy Moquet escreveu à família na véspera da sua execução fosse hoje lida em todos os liceus, como «testemunho dos valores de sacrifício e de coragem, fundamentais para os jovens franceses». Em muitos casos, personalidades públicas, incluindo alguns ministros, deslocaram-se para o efeito aos estabelecimentos de ensino que tinham frequentado. (O mesmo deveria ter acontecido com Sarkozy que cancelou a sua visita à última hora.)

Política-espectáculo que soma e segue, lá como cá.

As reacções não se fizeram esperar por parte do PCF, de sindicatos e de muitos professores que recusaram seguir a determinação, acusando-a de oportunismo e de instrumentalização de um documento - descontextualizado e de cariz tipicamente pessoal.

Durante o dia, foram vários os comentadores que recomendaram a Sarkozy que não falasse de valores morais, quando ele próprio mostra uma total insensibilidade perante os mesmos, ao perseguir imigrantes clandestinos e pretender impor-lhes testes de ADN.


Deixo aqui o texto da carta em questão. Parece-me totalmente descabido mandar lê-la, sem mais, só para marcar uma efeméride - mesmo que se trate da morte de um jovem de 17 anos.

"Ma petite maman chérie, mon tout petit frère adoré, mon petit papa aimé,

Je vais mourir ! Ce que je vous demande, toi, en particulier ma petite maman, c'est d'être courageuse. Je le suis et je veux l'être autant que ceux qui sont passés avant moi. Certes, j'aurais voulu vivre. Mais ce que je souhaite de tout mon cœur, c'est que ma mort serve à quelque chose. Je n'ai pas eu le temps d'embrasser Jean. J'ai embrassé mes deux frères Roger et Rino. Quant au véritable je ne peux le faire hélas !

J'espère que toutes mes affaires te seront renvoyées elles pourront servir à Serge, qui, je l'escompte, sera fier de les porter un jour. A toi petit papa, si je t'ai fait ainsi qu'à ma petite maman, bien des peines, je te salue une dernière fois. Sache que j'ai fait de mon mieux pour suivre la voie que tu m'as tracée.

Un dernier adieu à tous mes amis, à mon frère que j'aime beaucoup. Qu'il étudie bien pour être plus tard un homme.

17 ans et demi, ma vie a été courte, je n'ai aucun regret, si ce n'est de vous quitter tous. Je vais mourir avec Tintin, Michels. Maman, ce que je te demande, ce que je veux que tu me promettes, c'est d'être courageuse et de surmonter ta peine.

Je ne peux pas en mettre davantage. Je vous quitte tous, toutes, toi maman, Serge, papa, je vous embrasse de tout mon cœur d'enfant. Courage!

Votre Guy qui vous aime"


Informação deixada por dois leitores na caixa de comentários: esta carta também foi utilizada pelo selecionador da equipa de rugby francesa para (?...) dar força aos jogadores(?). Haja Deus!
Podem ver
aqui as imagens.