Os resultados eleitorais de há poucos dias são muito difíceis de digerir, não só na Suécia que se manifesta na rua contra o que provocou nas urnas, mas para toda a Europa. Já muito foi escrito sobre o tema, mas
um artigo de Jorge Almeida Fernandes, no
Público de hoje, vai ao cerne da questão «da estranha morte da social-democracia sueca».
Nem é propriamente de «crise» que se trata, num país em que «o PIB deverá crescer 4,5 por cento este ano e o desemprego, na casa dos oito por cento, começa a diminuir», mas sim de um caso em que «o factor imigração parece jogar em estado puro. Os estrangeiros representam hoje 14 por cento da população total, número-recorde na Europa».
Situação limite, portanto, do «drama» deste envelhecido continente:
«A imigração toca o modelo de civilização e a segurança interna da Europa. O continente terá cada vez mais imigrantes e mais muçulmanos. Para manter o ratio activos/inactivos, a UE deverá acolher nas próximas duas décadas mais de cem milhões de imigrantes. O simples envelhecimento da população torna a imigração um imperativo de sobrevivência. É esta a dimensão do problema.
Os populismos xenófobos, ao contrário dos fascismos, não se apresentam como antidemocráticos. Cultivam certamente a "antipolítica", apelam ao "verdadeiro povo" contra as elites, procuram bodes expiatórios, mas jogam dentro das instituições. Serão antes "uma degenerescência da democracia representativa" (Yves Mény).»
(O realce é meu,)
A questão que envolve Sarkozy e os ciganos é certamente gravíssima em si mesma, mas é também, e talvez principalmente, a ponta de um iceberg cujas dimensões nem conseguimos ainda vislumbrar. Uma Europa que saiba acolher 100 milhões de imigrantes ou...?
...
...