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14.12.20

Alô, José Gomes Ferreira

 


Por causa DISTO.
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30.6.20

Nacionalização da TAP?



45 anos, 2 meses e meio depois da primeira, discute-se a hipótese da segunda. Em francês, há uma boa expressão para isto: «tourner en rond ».
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2.4.20

Se é para enfiar dinheiro na TAP, que desta vez se renacionalize mesmo



«Mal tudo isto começou, a TAP mandou encerrar o seu call center. Fez bem, em nome da segurança dos trabalhadores. Mas não tratou de fazer, como tantas empresas e serviços com muito menos meios, a migração imediata para teletrabalho. Em plena crise, com milhares de passageiros a tentar regressar a casa e outros milhares a tentarem recuperar o dinheiro ou vouchers de viagens perdidas, a TAP ficou sem ligação telefónica para clientes.

A TAP vai colocar 90% dos seus trabalhadores em lay-off simplificado, um mecanismo criado para garantir o emprego e impedir despedimentos. Mas foi das primeiras empresas a dispensar pessoal, em plena crise, não renovando contratos e contrariando o espírito das medidas apresentadas pelo Estado. Ou seja, o abuso vem logo de uma empresa que tem o Estado como acionista. A administração preparava-se para distribuir prémios por administradores e trabalhadores de topo em ano de prejuízos colossais. Pelo menos isso teve a decência de suspender.

Não há forma de dizer isto com carinho: a Comissão Executiva liderada por Antonoaldo Neves e escolhida por David Neeleman é provavelmente a mais incompetente da história da companhia aérea. E se ela teve administrações incompetentes... Isso verifica-se na degradação da qualidade dos serviços, nos resultados comerciais e nos sucessivos danos reputacionais que os gestores foram provocando à empresa.

Um dia alguém contará a verdadeira história da privatização da companhia aérea portuguesa, feita na 25ª hora do governo de Passos Coelho a gente com má reputação no mercado. Assim como um dia se fará a história da tentativa de concessão dos transportes urbanos de Lisboa e do Porto. Não estamos a falar apenas de erros estratégicos por puro preconceito ideológico, como a privatização dos CTT, feita em bolsa e impedindo a existência de um acionista de referência. Nem o crime contra a soberania nacional, como as privatizações da REN e da ANA. Estamos a falar de histórias muito mal contadas que o jornalismo português ainda não se encarregou de vasculhar.

Mas não é apenas o governo de Passos Coelho que tem de nos dar explicações. A renacionalização parcial da TAP, feita pelo governo de António Costa, também foi uma farsa que ficou evidente aos primeiros desentendimentos entre o Estado e estes inenarráveis acionistas: o Estado mete dinheiro e não manda nada. Nem sequer é consultado. A renacionalização parcial da companhia aérea portuguesa nunca aconteceu. É uma fantasia. E confesso que cheguei, por uns dias, a acreditar nessa mentira.

Estou certo que, depois de todas as ajudas que dará como está a dar a outras empresas, o acionista Estado vai ser chamado a salvar a empresa nesta hora de crise profunda para todo o negócio aeroportuário. Todos os Estados vão, porque o discurso contra o Estado paternalista só serve para quando tudo está bem. É o discurso do adolescente, que quer uma liberdade radical para ir à festa mas dispensa-a na doença. Ainda vamos ver muitas coisas estranhas depois desta crise.

Todas as crises, mesmo as mais dramáticas, são uma oportunidade. E não têm de ser uma oportunidade apenas para os oportunistas. Podem ser para o Estado. Quando for chamado a injetar dinheiro na empresa, onde suspeito que o senhor Neeleman e os seus parceiros não vão querer enfiar um cêntimo, o Estado deve aproveitar para recuperar a maioria ou totalidade do capital e o controlo real da empresa. Gastando o mesmíssimo dinheiro que, de qualquer das formas, vai ter de desembolsar. Até porque, nos próximos anos de chumbo, vamos precisar de algumas empresas estratégicas. E podem esquecer as sacrossantas interdições europeias ao apoio público a empresas nacionais. Com o que aí vem, nenhum dos gigantes europeus o vai dispensar. Isto, se não formos todos suicidas. Ou se não voltar a vigorar a regra comunitária de que todos os Estados são iguais mas uns são mais iguais do que outros.»

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6.6.19

12.7.18

12.07.1973 – O dia em que a polícia invadiu a TAP



Ia agitado a ambiente entre os activistas da TAP, quando a polícia carregou em todos os que se dirigiam para uma assembleia na Voz do Operário, em 11.07.1973, na qual devia continuar a ser discutido um novo acordo colectivo na empresa. Os trabalhadores decidiram então concentrar-se no aeroporto, onde, no dia seguinte, as oficinas pararam e uma concentração ainda maior, calculada em 5.000 trabalhadores, exigiu explicações à administração da empresa pelos factos da véspera.

A polícia de choque entrou então nas instalações, abriu fogo e fez vários feridos. No entanto, a resistência dos trabalhadores, em terreno conhecido, rapidamente se tornou insustentável para a própria polícia. Esta tentou ainda entrar num dos hangares, mas renunciou à ideia ao notar que podia ser alvo do dispositivo anti-incêndios. Alvejada por fisgas e com esferas de rolamentos, decidiu retirar-se. Mas teve de o fazer sob uma chuva de projécteis, que a atingiam a partir dos edifícios de escritórios.

Nos dias seguintes, o conflito intensificou-se com a extensão da greve das oficinas à pista e aos escritórios. Só em 17 de julho se registou o regresso ao trabalho, após conclusão de um acordo em sede de comissão arbitral em que o advogado sindical (Jorge Sampaio) votou vencido, por não ver nele satisfeita a reivindicação de se realizar a assembleia impedida em 11 de julho.

No entanto, o acordo representava para os trabalhadores uma meia vitória ou mais: garantia que não houvesse prisões ou outras represálias; que seriam libertados os presos na noite de 11 de julho; e que haveria informação sobre o estado dos feridos e tratamento dos mesmos por conta da TAP.

Texto resumido a partir daqui.
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20.9.17

A TAP perdeu o brio



É bom que se saiba em que estado se encontra o serviço da TAP, a vários níveis, como eu própria experimentei há poucos dias: a caminho de se tornar uma low cost com high costs. Este texto resume-o bem.

«A TAP, na sua nova fase pós-privatização, já não é o que era. Perdeu o brio e, com isso, deixou que a imagem do nosso país ficasse a perder. Aquela companhia de que todos nos orgulhávamos, que tendenciosamente dizíamos ser uma das melhores do mundo, que era um símbolo para as comunidades portuguesas, está irreconhecível.

O pior é que, hoje, já não conseguimos perceber o que é a Transportadora Aérea Nacional, que leva estampada as cores da bandeira. Transformou-se numa espécie de marca branca da aviação comercial, numa low cost com preços absurdos. Esta já não é a minha TAP, por mais que isso me custe a admitir. Até à privatização, fazia mais de 90% das minhas viagens com a companhia nacional. Atualmente, os preços subiram tanto que se fizer 30% já é muito.

O pior é que, tendo aumentado os preços, o serviço não melhorou e a imagem também não. Bem pelo contrário, principalmente porque nivelou por baixo, mesmo que a companhia esteja sempre a publicitar que ganhou este ou aquele prémio. Ou seja, a TAP adotou nesta sua nova fase o pior das companhias low cost, como a limitação de malas, bagagens debaixo do assento a causar desconforto, refeições de má qualidade, falta de espaço para arrumos, assédio constante para fazer o upgrade do bilhete pagando mais.

A juntar a este downgrade, há uma prática muito constrangedora, que é a criação das várias classes de passageiros. As low cost só têm uma classe de passageiros. As companhias de bandeira têm a classe executiva e a económica, e a TAP, além da executiva, tem pelo menos quatro categorias em económica. Quanto mais rígidas forem as condições da tarifa, mais baixos os preços, pelo menos na teoria. E, assim, temos os passageiros de primeira classe, de segunda, de terceira e de quarta classe, que são os que vão no fim do avião, mais apertados e sem regalias, a fazer lembrar os tempos em que os emigrantes eram enfiados na última das classes de passageiros quando faziam as viagens transatlânticas de barco para o Brasil. (…)

Acresce outro aspeto algo surreal, que é a possibilidade de, em qualquer voo, a tripulação poder decidir se fornece ou não as refeições se não houver membros suficientes, seja em económica ou executiva, situação igualmente inacreditável que não abona nada a favor da imagem e qualidade do serviço prestado.

É nisto que dão as privatizações. Piora o serviço e aumenta a indiferença perante a bandeira que representam. Pede-se à TAP que cuide, como é sua obrigação, da imagem do país e, sobretudo, que aplique o bom senso nas suas políticas comerciais para podermos ter de volta aquela TAP de que todos nos orgulhávamos.»

18.12.14

TAP. E quanto a protestos?


O PS, como maior partido da oposição, já convocou alguma manifestação, para hoje ou amanhã, contra as recentes decisões do governo? E contactou os outros partidos e associações cívicas, bem como os cidadãos em geral, para o efeito? Um bom local de concentração seria a Fonte Luminosa. 
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17.12.14

O que nos aconteceu?



Há dois anos, o governo recuou na decisão de aumentar a TSU por imposição da rua, na maior manifestação desde 1974. 

Agora, não há nenhuma vaga de fundo, pequena ou grande, para que o mesmo governo recue na decisão de privatizar a TAP nos termos em que decidiu fazê-lo – tem campo livre, a rua é dele. O que nos aconteceu? (E quem diz TAP, diz outro tema qualquer.) 
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15.12.14

Máquinas voadoras



«Leonardo da Vinci sonhou, um dia, criar uma máquina que permitisse aos homens voar como os pássaros. Na TAP parece existir a vontade de uma companhia aterrar para sempre.

Ícaro chegou à transportadora aérea nacional: o sonho da liberdade através da privatização está a fazer com que a cera das asas derreta. Porque todos querem voar junto do seu sol. E este é inclemente para quem desafia as leis da sensatez. Há anos que a privatização da TAP é uma obsessão. Agora também, a acreditar na semântica quadrada do ministro Pires de Lima, ela tem de se fazer "por convicção". Ou seja, a lenda cria o facto, a ficção cria a realidade. (...)

O Governo, "por convicção" esquece bondosamente, como aconteceu com o corte da ligação para a Guiné-Bissau, que pressionou politicamente para que a operação fosse retomada. Mostrando que ter uma voz na TAP faz parte do poder político e estratégico do país. Se deixar de o ter, tal como na PT, perderá mais um braço armado. E já não restam muitos. É aqui que a "convicção" e o interesse nacional divergem. E a questão nem sequer é ser a favor do estatismo ou da economia privada. É de sensatez.»  

Fernando Sobral

14.12.14

Para memória passada


Bagão Félix, ontem:

«Em Março de 2010, no PEC 2 (2010–2013) o governo socialista de então estabeleceu o plano de privatização ou reprivatização de algumas empresas públicas, na sua página 15: “Privatizações nos sectores de energia (Galp Energia, EDP, REN, Hidroeléctrica Cahora Bassa), construção naval e defesa (Estaleiros Navais de Viana de Castelo, Edisoft, Eid, Empordef IT), transporte aéreo (ANA e TAP) e ferroviário (CP Carga e EMEF), financeiro (BPN e Caixa Seguros), comunicações (CTT), distribuição de papel (INAPA), mineiro (Sociedade Portuguesa de Empreendimentos) e concessão de exploração de linhas da CP”.

Quanto à TAP, ficou prevista a alienação de 100% do capital, conforme quadro da página 36.

O PS, então, achou bem. Não se ouviram sequer uns suaves reparos. O PS de agora acha mal. Está no seu direito, mas bom seria que esta alteração de posição fosse melhor explicada, sob pena de a vermos tão-só como a quase compulsiva obrigação de, na oposição, se dizer o oposto de quando se é governo e vice-versa.» 

P.S. – Correcção: no PEC 2, previa-se a privatização parcial, e não total, da TAP.
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12.12.14

Sobre a greve da TAP



Os sindicatos da TAP anunciaram uma greve para quatro dos dias que separam o Natal do fim do ano, greve essa que tem como objectivo «sensibilizar o Governo para a necessidade de travar o processo de privatização».

Ainda decorrem negociações para que a paralisação seja evitada, mas não cessam condenações da mesma, vindas dos mais variados sectores, sobretudo pela «crueldade» na escolha da data. Mas não será útil pôr num dos pratos da balança a terrível gravidade que representa para o futuro do país a perda de uma das poucas e mais importantes bandeiras que lhe restam e, no outro, os prejuízos pessoais dos que planearam viajar nessa época (e, como em toda e qualquer greve, os danos materiais dela resultantes)? Há alguma verdadeira tragédia, alguma vida em risco, uma hecatombe para a pátria, se uns milhares de pessoas não puderem, eventualmente, passar o chamado período festivo com a família ou o réveillon em Copacabana?

Todas as greves têm impacto, material e não só, desde que existem, e muitos homens e mulheres pagaram com a vida a sua defesa. E é óbvio que esse impacto é tanto maior quanto mais incómodo provoca.

Quanto a nós, talvez se pudesse esperar, 40 anos depois de readquirirmos um direito que nos foi negado tão brutalmente durante décadas, que nos solidarizássemos, em massa, contra a perda da TAP. Mas não se sente qualquer vaga de fundo nesse sentido. Essa vaga de fundo está toda canalizada para os centros comerciais, onde mal se consegue circular tão grande é a multidão que os invade. 
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23.9.14

TAP: mal vai uma das nossas bandeiras...



Teve lugar mais um incidente com aviões da TAP, neste caso num voo que saiu de Lisboa com 260 pessoas a bordo e que devia ter aterrado em Luanda mais ao menos à mesma hora que o fez... em Lisboa, quase 8 horas depois de ter partido. Porquê? Porque foi detectada uma avaria num dos quatro reactores, que exigia reparação mas que não impedia que a viagem prosseguisse até à capital angolana.

Isso não aconteceu, e passo a citar o responsável máximo da companhia, Fernando Pinto, «porque se o avião tivesse aterrado em Luanda teria de aguardar pelo menos três dias até concluir a reparação».

Ou seja: por limitações técnicas em termos de manutenção (de pessoas ou peças, é indiferente), 260 pessoas foram altamente incomodadas e não consta que tenham sequer recebido qualquer indemnização pelo facto. E acabaram por chegar ao seu destino, num outro avião, 14 horas depois do previsto.

Eu ainda sou do tempo em que se dizia que os clientes estavam sempre primeiro. Há alguns anos que não oiço essa frase. Foi-se com o vento da pequena história.
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28.7.14

TAP: um pouco mais de imaginação



Ouvi hoje Fernando Pinto, CEO da TAP, dizer que aquela companhia se encontra, «na situação actual, em plena normalidade». 50 voos cancelados na última semana? Que ideia! Foram apenas «reestruturados»!

Fica uma proposta: uma nova reestruturação em que as asas dos aviões sejam aproveitadas pata instalar passageiros com desejo de aventura e de chegar ao destino na hora devida. Lá chegaremos!

(Na foto: Centenas de pessoas instalaram-se em cima dos comboios que ligam as aldeias ao aeroporto Railway Station na capital do Bangladesh, Dhaka. Os passageiros viajam para as celebrações do Eid Al- Firt, festival de fim do jejum, que marcam o término do mês de Ramadão na religião muçulmana. Expresso diário de hoje) 
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