Mostrar mensagens com a etiqueta televisão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta televisão. Mostrar todas as mensagens

2.3.21

Hoje é dia de festa?

 

Os canais de TV, de informação e não só, estão quase todos a comemorar o primeiro ano de Covid em Portugal. É para animar os cidadãos confinados? Será que isto vai durar todo o dia? Não saberei porque o comando já exerceu a sua função.
.

14.2.21

Isto não é fake

 


Sempre é mais original ser absolvido por incitar à Ressurreição do que a uma Insurreição.
.

5.2.21

A mentira no pequeno ecrã

 


«A quem se dispõe a ver e ouvir os principais noticiários televisivos, à noite, pelas 20h, em qualquer um dos principais canais (RTP1 — salva-se a RTP2 — SIC e TVI) é-lhe infligida uma dose superlativa e alongada de notícias e reportagens sobre o Covid-19 que são exactamente iguais às notícias e reportagens do dia anterior, quase iguais às da semana anterior e horizontalmente encadeadas, sem picos nem descontinuidades, nas do mês anterior. A única coisa que difere é o teor de dramatismo, a acentuação, a mímica dos jornalistas (categoria na qual o vencedor absoluto é o clown José Rodrigues dos Santos). Todos os dias, o empenho destes jornalistas em nos fazer imergir na peça que eles interpretam em vários andamentos (perigo, desastre, tragédia apocalipse) deixa-nos obtusos, anestesiados, irritados ou aterrorizados, conforme o nosso grau de permeabilidade e de “literacia mediática”, como se diz hoje. Sem negar a gravidade da pandemia, devemos perceber que quanto mais este jornalismo obeso e com a cegueira da enumeração se aplica a mostrar menos dá a ver, quanto mais imagens nos fornece mais visão nos confisca, quanto mais nos quer convencer de que toca a realidade e a verdade mais produz ficção e mentira. Este jornalismo da mesmice — dos mesmos factos, das mesmas pessoas e do mesmo tom — que encena pela redundância uma ilusão de totalidade (e que, por isso, precisa sempre de muito tempo, é uma espécie de roman-fleuve diário) coloca-nos perante um enigma: os jornalistas fazem-no por genuína convicção, por convicção induzida através de um mecanismo coercivo, ou sem nenhuma convicção, mas enquanto funcionários pragmáticos? Ficaríamos a saber alguma coisa de útil e mais aprofundada se eles se dispusessem a falar da sua profissão e das circunstâncias em que trabalham sem ser para cantar hinos e celebrar os sucessos da instituição que lhes dá emprego. John Maynard Keynes disse uma vez dos seus pares: “Os economistas estão ao volante da nossa sociedade, mas deviam estar no banco de trás”. É justo e razoável achar que Keynes tinha razão em 1946, quando fez essa afirmação, e continua a tê-la hoje. Vão para ele os créditos se dissermos mais ou menos o mesmo de quem vai ao volante deste jornalismo que nos é servido diariamente na televisão (não falo agora dos jornais porque aí, apesar de tudo, a paisagem é menos monótona e mais plural).

Atentemos no seguinte: o canal de televisão que à segunda-feira, num programa de fact-checking chamado Polígrafo, traça “uma linha em nome dos factos”, dizendo-nos “onde acaba a verdade e começa a mentira”, é o mesmo que levou uma hora e meia a mentir-nos no Jornal da Noite que antecede esse programa. Não mente por dizer mentiras ou falsear imagens, não é a actual questão das fake news e da pós-verdade que aqui surge como pertinente ou a solicitar análise. Mente pelo encadeamento de palavras e de imagens, pela poluição discursiva e visual que produz, pelo tom adoptado (a dimensão prosódica do discurso, digamos assim), arrastando-nos para uma das regiões mais poluídas do planeta. Ai, nem palavras nem imagens são zonas a defender. Cumpre-se um formulário que encontrou uma representação eloquente no mais repetido estribilho dos últimos meses: “Hoje há X mortes a lamentar”. Temos à nossa disposição outras maneiras de dizer, de fazer, de dar a ver (mesmo na televisão em Portugal: é preciso dizer que nem tudo se equivale, não há apenas os jornais televisivos das 20h, nem todos praticam o mesmo tipo de jornalismo) que, sem a pretensão de um polígrafo, nos facultam elementos suficientes para percebermos onde está a mentira. Há uma cena do filme Palombella Rossa em que o protagonista, um deputado comunista interpretado pelo próprio realizador, Nanni Moretti, entrevistado por uma jornalista, começa a fazer um relato de lutas ecológicas e políticas travadas por comunidades indígenas do Peru. A entrevistadora, achando o assunto pouco interessante, interrompe-o e faz-lhe perguntas sobre o seu divórcio e o seu estilo de vida. Atingindo o extremo da impaciência, o entrevistado dá uma bofetada à jornalista e grita-lhe: “Ma come parla? Come parla?”, como quem diz: “Como é possível falar dessa maneira? Como posso eu continuar a falar consigo?”»

.

2.12.20

Eduardo Lourenço e a santa ignorância

 


As televisões passaram o dia de ontem a falar de Eduardo Lourenço, como seria de esperar. A páginas tantas, a SIC Notícias chamou Reinaldo Serrano, jornalista da casa desde a sua fundação e ligado ao comentário no domínio da cultura. E foi então que surgiu a «pérola» inesperada: 

«O grande legado dele [Eduardo Lourenço] é obrigar as pessoas à reflexão e é uma reflexão contínua. É curioso que ele em muitos textos, sobretudo em crónicas, utilizava uma expressão também lindíssima da literatura e que já ninguém usa: depois da crónica dizia "Vence em...." 2000, por exemplo. Ou seja aquela crónica tinha uma data de validade porque a própria realidade e a sua dinâmica faz com que nada seja definitivo.... » 
O comentário pode ser visto e ouvido AQUI

Ninguém é obrigado a saber que Eduardo Lourenço fixou residência em Vence, no Sul da França, desde 1965, mas todos os que se deram ao trabalho de acompanhar o seu percurso o sabem, pela importância que isso representou na sua vida. O que não devia acontecer era que uma TV chamasse, num dia tão especial, um comentador que desconhece a vida do comentado.
.

29.9.20

Catarina Martins no Polígrafo





Independentemente do conteúdo, vale a pena avaliar a agressividade do entrevistador e a firmeza da entrevistada.
.

25.2.20

Prós & Contras



«O que valia a pena, e desde há muito, era um Prós & Contras sobre o Prós & Contras»

(André Barata no Facebook)

O de ontem, sobre racismo, foi um horror! Tudo tem limites.
.

Vírus à portuguesa



O que as TVs continuam a emitir a propósito do único português atingido é absolutamente vergonhoso! Se se percebe o stress do próprio e da família, já é absolutamente inadmissível que o dito stress seja alimentado (sim, alimentado) por reportagens de telemóvel em punho, onde os próprios exigem outras terapias sem saberem do que falam e pretendem que diplomatas portugueses estejam presentes «à cabeça do doente»

Tudo isto se passa sem qualquer moderação ou filtro e as ditas TVs pretendem apenas espalhar o pânico em Portugal e aumentarem audiências. Devia existir uma qualquer forma de as punir, pelo menos no que diz respeito à RTP, ou ainda veremos José Rodrigues dos Santos apresentar o telejornal com uma máscara atada às orelhas.
.

17.2.20

Dar ou não palco a um racista



Embora Miguel Sousa Tavares tenha rebatido sistematicamente as afirmações de André Ventura, é mais do que discutível, na minha opinião, que a TVI lhe tenha dado hoje palco, numa longa entrevista durante o telejornal. É isso que ele quer: estar sozinho de um dos lados da barricada, ser o único contra tudo e contra todos.
.

Isto, sim, é bom jornalismo



Bento Rodrigues na SIC Notícias.
.

10.2.20

Notícias?


Decidi ouvir hoje o telejornal da TVI das 20h para variar. Os primeiros 20 minutos foram dedicados a um drama do Sporting, que deve ser o que de mais importante acontece no país e no mundo. E eu que não sabia! (E que continuo a não saber porque estive só à espera que passassem a outro tema.) 

Isto não vai acabar bem.
.

13.9.19

Circulatura do Quadrado



Estive a ouvir, em diferido, o programa de há dois dias. Vejam lá se o próximo governo do PS nomeia Jorge Coelho ministro de qualquer coisa para alguém o substituir no painel. É que não se aguenta tanto servilismo político e tanta falta de liberdade intelectual.
.

3.9.19

Boas notícias



Fátima Campos Ferreira está em Moçambique para receber o papa. A rentrée do «Prós e Contras» deve estar atrasada.
 .

12.6.19

SIC? Cristina Ferreira?



- Alô, Cristina? Eu queria muito, já estou em Belém, mas para já não devo pronunciar-me.
.

14.3.19

Ser intelectualmente chiquérrimo



… é, nas redes sociais, dizer-se que raramente se vê canais portugueses de TV. O pior é que se é apanhado numa curva: percebe-se facilmente que muitos dos que o afirmam vêem mesmo e que não é pouco. Pobre país!
.

6.3.19

António e Cristina



Por um erro de zapping, fui ter ontem ao «Programa da Cristina», quando esperava chegar a um telejornal.

Vi António Costa a perorar sobre máscaras em carnavais de infância, ainda ouvi uns minutos, mas a chegada da famíla, a cataplana e o que certamente se seguiria pôs-me a milhas.

Mas a SIC e a SIC N exploraram a mina de ouro durante o resto do dia e foram dando excertos do cozinhado e do resto. Quando, num telejornal das 24h, vi o PM, de avental, a comentar o drama dos fogos de 2017 enquanto punha bocados de peixe na cataplana e os salpicava com sal, senti vergonha alheia. Não tenho estômago para tal espectáculo.

Como comentava alguém, nestes domínios «não é Marcelo quem quer».
.