Esta central nuclear de Sarov tem bom aspecto, leio que há centenas de soldados a tentarem que o fogo não a atinja e, sobretudo, que uns simpáticos robots a protegem ainda melhor.
Só me incomoda («vagamente»…) que ela esteja situada muuuuito perto da minha primeira etapa no Transiberiano: de Moscovo a Kazan…
Mas, antes disso, será necessário aterrar em Moscovo e sobreviver ao fumo na Praça Vermelha. Se a viagem não for entretanto cancelada, claro...
A figura do terrível Genghis Khan sempre me fascinou, talvez por ter alguns membros na família com traços fisionómicos relativamente semelhantes aos seus - o que não é de admirar, já que se estima que 0,5% da população mundial pode ser seu descendente. É certo que em, princípio, esta influência se fará sentir na região ocupada pelo antigo império mongol, entre o Pacífico e o Mar Cáspio, mas terá certamente havido alguns que se meteram a caminho até esbarrarem no Atlântico.
Por leituras preparatórias de viagem, verifico que vou andar perto do local onde Genghis Khan terá nascido, no início da segunda metade do século XII (há discussões de especialistas quanto à data exacta), não muito longe do lago Baikal, numa região hoje pertencente à Rússia.
É lendária a dimensão do império que conseguiu criar e, especialmente, o longo e complicadíssimo cerco para tomar a cidade de Pequim, em 1214 (no vídeo).
Filmes não faltam, clips do Youtube são dezenas - uns péssimos, outros mais ou menos razoáveis. Na quarta de cinco partes de um Documentário da BBC, a conquista de Pequim. Terei certamente um pensamento para Mr. Genghis Khan quando voltar a entrar na Cidade Proibida, onde terminarei (conto terminar, se os fogos russos o permitirem…) a viagem no Transiberiano.
Em Maio apanhei com as cinzas daquela «coisa» islandesa em aeroportos, agora esperam-me fogos na Rússia.
Como sou optimista, espero ver Moscovo assim, daqui a dez dias, com uns 40 grauzitos de temperatura, e apanhar depois o Transiberiano. Se tivesse juízo, talvez anulasse a viagem, porque não deve ser muito agradável atravessar estepes e florestas, durante dez dias, sem saber se as labaredas andam por perto ou se nem tanto assim.
A CP russa, os ventos e o destino decidirão por mim.
Eu espero embarcar num comboio russo bem real, em Moscovo, dentro de duas semanas. Mas não há nada que o Google não proporcione a quem sonha com viagens, tem inveja de quem as faz, mas não se decide a sair do sofá. Vem tudo explicado aqui e o site a explorar é este.
Um pouco confuso à primeira vista, nem todas as opções funcionam, mas já explorei visitas a algumas cidades e diversas etapas do percurso.
Neste vídeo, 38 minutos do Lago Baikal, como o verei da minha janela.
Esta imagem de Moscovo tem algo a ver com o Estádio da Luz hoje de manhã. Deve cheirar a queimado, tal como aqui, e pairar no ar uma neblina de fumo.
Registou-se ontem a temperatura mais elevada desde 1920 (37,2º…) e mais de 1500 pessoas terão morrido afogadas em tanques e lagos, nos últimos dois meses, pela simples razão de quererem refrescar-se. Pelo que leio, muitas com um copito a mais de vodka…
Who cares? Eu que devo lá chegar daqui a uns quinze dias e que, talvez ao contrário de muitos, não gostaria de derreter gloriosamente a olhar para o Kremlin. Refresquem isso, пожалуйста…
23/8 - Última paragem antes de entrar na Mongólia: Ulan Ude, capital da República da Buriácia, fundada pelos cossacos em 1666. No limite entre o Ocidente e o Oriente, transformou-se rapidamente em importante centro comercial, dada a situação privilegiada entre a Rússia, a Mongólia e a China. Nela se encontra (ainda, ao que parece) uma estátua com a maior cabeça de Lenine jamais construída…
Para quem sabe «tanto» como eu sobre a dita República da Buriácia:
Dizem-me que 21 de Agosto corresponderá a um dos mais pontos altos da viagem, com a chegada a Listvyanka (foto), nas margens do Lago Baikal, o mais antigo (25 milhões de anos), o mais profundo (1.680 metros) e com maior volume de água doce no mundo (20% da totalidade).
Escondido atrás de montanhas, só foi descoberto com a construção do Transiberiano, em 1902, gela durante cinco meses por ano e chamam-lhe as Galápagos da Rússia pelo número de espécies animais e vegetais que por lá existem.
Atravessá-lo-ei de barco até Port Baikal, onde subirei de novo para o comboio – rumo à Mongólia.
Não tenho feito o trabalho de casa e sou obrigada a saltar alguns dias para «apanhar» o percurso previsto. De hoje a um mês estarei já na Sibéria oriental, mais concretamente em Irkutsk.
Leio que tem lindíssimas casas de madeira, como parece ser de facto o caso.
Já terei estado em Kazan, capital do Tartaristão, oitava maior cidade russa, onde se encontram o Volga e o Kazanka. Terá sido a primeira paragem do Transiberiano. A ver vamos…