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6.8.18

06.08.1966. Chamaram-lhe «Salazar»




E, no entanto, com a sagacidade que o caracterizava, o presidente do Conselho de Ministros previu o que viria a acontecer alguns anos mais tarde. Antes do início das cerimónias da inauguração, ao ver o seu nome num dos pilares, terá perguntado: «As letras estão fundidas no bronze ou simplesmente aparafusadas? É que, se estão fundidas no bloco de bronze, vão dar muito trabalho a arrancar.» Deram algum trabalho, sim, mas aconteceu:



No dia na inauguração, claro não se escapou a mais um discurso do inefável Américo Tomás:



Atravessei a Ponte alguns dias depois de ter sido inaugurada, no velho carocha de um amigo, com um bote em cima, a caminho da Arrábida. Começava uma nova vida, chegava-se muito mais rapidamente ao paraíso das nossas férias, sem cacilheiros dependentes de nevoeiros, nem longas filas de espera quando era preciso embarcar também um automóvel. Para quem vivia «do lado de lá», foi a facilidade quase inimaginável de alcançar Lisboa mais facilmente para chegar ao trabalho, ao liceu ou à faculdade ou simplesmente para passear.

Não deve ser fácil para quem nasceu mais tarde imaginar Lisboa sem «a Ponte». Mas nós, os seus antepassados, sobrevivemos. 
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6.8.16

06.08.1966. Chamaram-lhe «Salazar»



E, no entanto, com a sagacidade que o caracterizava, o presidente do Conselho de Ministros previu o que viria a acontecer alguns anos mais tarde. Antes do início das cerimónias da inauguração, ao ver o seu nome num dos pilares, terá perguntado: «As letras estão fundidas no bronze ou simplesmente aparafusadas? É que, se estão fundidas no bloco de bronze, vão dar muito trabalho a arrancar.» Deram algum trabalho, sim, mas aconteceu:



No dia na inauguração, claro não se escapou a mais um discurso do inefável Américo Tomás:



Atravessei a Ponte alguns dias depois de ter sido inaugurada, no velho carocha de um amigo, com um bote em cima, a caminho da Arrábida. Começava uma nova vida, chegava-se muito mais rapidamente ao paraíso das nossas férias, sem cacilheiros dependentes de nevoeiros, nem longas filas de espera quando era preciso embarcar também um automóvel. Para quem vivia «do lado de lá», foi a facilidade quase inimaginável de alcançar Lisboa mais facilmente para chegar ao trabalho, ao liceu ou à faculdade ou simplesmente para passear.

Não deve ser fácil para quem nasceu mais tarde imaginar Lisboa sem «a Ponte». Mas nós, os seus antepassados, sobrevivemos. E tivemos de nos habituar depois às longas filas para a atravessar…
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10.10.13

Quando tanto se fala da Ponte 25 de Abril



6 de Agosto de 1966 foi um dia importante para quem vivia nas duas margens do Tejo: acabava a dependência dos nevoeiros que impediam, tantas vezes, que os cacilheiros navegassem e, sobretudo, as longas filas de espera quando era preciso embarcar também um automóvel.

Mas é óbvio que não se escapou a mais um discurso do inefável Américo Tomás:



Antes do início das cerimónias da inauguração, ao ver o seu nome num dos pilares, Salazar perguntou: «As letras estão fundidas no bronze ou simplesmente aparafusadas? É que, se estão fundidas no bloco de bronze, vão dar muito trabalho a arrancar.»


Já não estava cá para ver que foi assim, em 1974:



40 e muitos anos depois, discute-se se pode ser atravessada a pé ou só a correr. Surrealismo também é isto. 
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19.6.13

Chico Buarque? Para mim, é 1966



Chico Buarque da Holanda faz hoje anos e eu sorri quando, no Facebook, se discutia esta manhã quem o tinha visto pela primeira vez, e se nos anos 80 ou só nos 90. «Jardim infantil!», comentei. Porque «revi», inevitável e imediatamente, a velha representação de «Morte e Vida Severina», com poema de João Cabral de Melo Neto e música de CBH, a que assisti, no Teatro Avenida em Lisboa, em 2 de Junho de 1966. (*)

Foi interpretada por um grupo de teatro universitário brasileiro e acompanhada por três músicos, um dos quais era precisamente o que foi apresentado como o compositor: CBH (que por cá terá ficado algumas semanas a arrasar muitos corações...).

Em 1966? Há 47 anos? Sim. E Chico tinha apenas 22, o que parece tão incrível como ter agora 69.



Filme de Zelito Viana (1977)


(*) Há sempre controvérsias sobre o local – Teatro Avenida ou cinema Império – mas já concluí, há uns anos, que houve duas representações em Lisboa. Para além de uma outra no Porto e julgo que também em Coimbra. 
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1.1.11

Discursos de Ano Novo


Enquanto esperamos pela alocução de Sua Excelência, Professor Doutor Presidente e Candidato, recordem-se outros tempos em que o inefável Américo Tomás filosofava para nosso deleite – era espectáculo que não perdíamos…

«Decorreu célere, como os que o precederam, o ano que acabou de sumir-se na voragem do tempo. Outro o substituiu, para uma vida igualmente efémera. Nesta mutação constante, afigura-se haver agora um fenómeno de visível incongruência, pois, quando tudo se processa a ritmo que se acelera constantemente, pareceria lógico que de tal circunstância resultasse um aparente alongamento no tempo e não precisamente o inverso. Se sempre o presente, mal o é, se torna logo em passado, nunca, como nos nossos dias, tão evidente verdade pareceu mais evidente.»

1 de Janeiro de 1966
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6.8.09

Um outro 6 de Agosto

Que ninguém me prive de voltar a ouvir a voz do inefável Américo Tomás, quando inaugurou a «Ponte Salazar», em 6 de Agosto de 1966.

27.12.08

Quando os PR’s filosofavam

















Na ânsia mal contida com que esperamos o discurso de Ano Novo de Cavaco Silva, sabe bem recordar o nunca assaz apreciado Américo Thomaz que, em cada 1 de Janeiro, nos brindava sempre com as suas mais profundas reflexões existenciais. Qual crise, qual economia! Filosofia pura e dura.

«Decorreu célere, como os que o precederam, o ano que acabou de sumir-se na voragem do tempo. Outro o substituiu, para uma vida igualmente efémera. Nesta mutação constante, afigura-se haver agora um fenómeno de visível incongruência, pois, quando tudo se processa a ritmo que se acelera constantemente, pareceria lógico que de tal circunstância resultasse um aparente alongamento no tempo e não precisamente o inverso.»
E explicou melhor: «Se sempre o presente, mal o é, se torna logo em passado, nunca, como nos nossos dias, tão evidente verdade pareceu mais evidente.»
1/1/66

Alguém diria melhor?

6.8.07

De «Salazar» a «25 de Abril»

Em 6 de Agosto de 1966, os lisboetas assistiram à inauguração da nova ponte sobre o Tejo.

«Ponte Salazar» foi o seu nome de baptismo. O de crisma viria oito anos mais tarde, pelas mãos do coronel Varela Gomes e de um grupo de populares que substituíram os dizeres iniciais pelos que agora conhecemos.

Numa das suas típicas tiradas irónicas, Salazar previu este acontecimento. Quando, antes do início das cerimónias em 1966, viu o seu nome num dos pilares, perguntou:

«As letras estão fundidas no bronze ou simplesmente aparafusadas? É que, se estão fundidas no bloco de bronze, vão dar muito trabalho a arrancar.»

Não sei se o trabalho foi duro. Mas deve ter sido feito talvez com alguma raiva e, seguramente, com muito prazer.

Para que não nos esqueçamos do cinzentismo inigualável de Américo Tomás, deixo aqui um excerto do discurso que então proferiu: