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14.1.19

Vão «parar Portugal»?



Movimento «Vamos parar Portugal»
Porto 13.01.2019

Via Ephemera no Facebook
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28.12.18

O medo e o Estado de vigilância


«Durante mais de uma semana, escutámos as palavras sábias da expertise que nos anunciava uma catástrofe amarela para sexta-feira e, dominando a matemática dos riscos, instalou-nos no real da urgência e do perigo. (…) O Presidente da República “engatou” um camionista e apelou à indulgência dessa classe tão sexy on the road, mas tão empata quando pára. De todos os lados chegou a exigência securitária. (…)

No final, chegámos à conclusão de que não foi respeitada uma presunção tão importante como a presunção de inocência: a presunção de inocuidade. A ameaça amarela era inócua, mas houve muita gente a servir-se dela para alimentar uma cosmopolítica do medo. Já todos deveríamos ter percebido que o diagnóstico de perigosidade é um prognóstico que privilegia sempre o cenário mais catastrófico; e que as verdadeiras catástrofes ocorrem em situações que não foram previstas. Felizmente, as catástrofes ficam quase sempre aquém das previsões. Mas gostam de se exceder quando estamos distraídos e nada tinha sido previsto.»

António Guerreiro
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22.12.18

Coletes Amarelos, ainda



Um dos detido no Marquês é guarda prisional, um dos organizadores do protesto é do PS, isto tudo é muito cansativo e creio que vou ali ao Youtube ouvir o Jingle Bells.
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O festival de irresponsabilidade



José Pacheco Pereira no Público:

«A manifestação “Vamos parar Portugal” é o primeiro sinal exterior de um populismo larvar que medra pelas redes sociais fora e que era só uma questão de tempo até querer sair delas para a rua. Saiu agora e mostrou a enorme diferença entre os apoios mais ou menos incendiários “dentro” e a escassez de apoios “fora”.

O que se passou com a manifestação dos chamados “coletes amarelos” portugueses é disso um verdadeiro exemplo. Deixemos a parte de leão que têm as malfeitorias dos deputados, dos governantes, dos políticos activos, desde o pequeno truque para ganhar mais uns tostões no fim do mês até à corrupção da pesada. É grave, mas o seu papel não é único, nem tão decisivo como parece.

Há também uma indústria da denúncia da corrupção, verdadeira ou falsa, exagerada quase sempre, que vai desde políticos propriamente ditos que fazem da “luta contra a corrupção” um instrumento de existência e de vantagem eleitoral, muitas vezes com enorme duplicidade entre os “nossos” que são desculpados e os “deles” que são atacados por sistema, até à imprensa e televisão tablóide que é hoje predominante. Os mecanismos de cobertura dos eventos são cada vez menos jornalísticos, “notícias” inverificadas, obsessão pela “culpa”, muitas vezes antes de se saber se ela existe, menosprezo pela descrição dos eventos a favor do comentário conspirativo, tudo isso acentua o discurso populista.

Voltemos ao “Vamos parar Portugal”. Esta manifestação teve excepcionais condições de propaganda para sair de fora do casulo das redes sociais. A ideia de que estas manifestações vivem essencialmente dos apelos nas redes sociais é, para não dizer mais, enganadora. E é claramente um dos mitos actuais, subsidiário do deslumbramento tecnológico, que se repete sem escrutínio desde a “Primavera árabe”, como atestam todos os estudos, mostrando que as redes sociais estão longe de ter o papel que se lhes atribui. Não adianta, é um mito urbano, logo tem pernas para andar.

Esse mito oculta que as manifestações com algum sucesso que nasceram nas redes sociais só ganham dimensão quando passam para as páginas dos jornais e os noticiários da televisão, ou seja, para os media convencionais. Esta é a segunda manifestação em Portugal que tudo deve ao modo como a comunicação social resolveu tratar este tipo de protestos. A primeira foi a manifestação do “Que se lixe a troika”, que beneficiou de uma grande simpatia dos jornalistas (correlativa da antipatia no tratamento das manifestações sindicais), e a segunda foi esta, que suscitou sentimentos contraditórios entre o desejo de que houvesse pancadaria, porque isso dá boa televisão, anima a política e “chateia o Costa”, até à exploração do medo.

Aliás, é interessante ver como foi evoluindo o contínuo media-redes sociais e alguns sectores políticos da direita que não disfarçavam a expectativa da contestação para contrariar a “ditadura” de Costa e da “geringonça”, até à extrema-direita (o PNR teve uma presença importante entre os manifestantes) e a fina alt-right do Observador, que passou do alarmismo para o “fiasco”. Mas faça-se justiça ao Observador, que não esteve sozinho: a cobertura mediática anterior à manifestação foi de muito má qualidade, exagerada, alarmista, desproporcionada e mostrando muito pouco conhecimento sobre o que se passava, sugerindo muitas vezes que da passividade sonâmbula e hipnótica da “geringonça” se iria passar para um país a ferro e fogo.

Esta atitude foi também a do Presidente da República e do Governo, ambos alimentando um alarmismo exagerado, com gestos que seriam completamente contraproducentes, caso existisse mesmo o perigo de as coisas descambarem. O que eles fizeram com passeios “apaziguadores” com camionistas, que pelos vistos não tiveram nenhuma presença destacada no “Vamos parar Portugal”, ou com avisos de que se estava num “alerta vermelho”, foi a melhor propaganda que se poderia fazer para um movimento que nunca deixou de ser débil. O “Vamos parar Portugal” não falhou por falta de propaganda, falhou por falta de pessoas.

O alarmismo irresponsável das autoridades mostra também que não há “inteligência” sobre estes grupos, ou que, se existe, é de muito má qualidade – ou seja, ou não sabiam de nada do que se ia passar, ou então resolveram fazer uma actuação exemplar com antecedência para dissuadir o que se possa vir a passar um dia futuro. Seja como for, é brincar com o fogo.

Eu ouvi um dos “organizadores” dizer que iriam para a rua um milhão de pessoas, o que nos dá a medida da ilusão. Mas seria uma ilusão ainda maior ignorar que há muita gente zangada, há cada vez mais gente que já não pensa em termos democráticos, mas em termos de “nós” (o povo) e “eles” (os políticos) – a essência do populismo, para simplificar – e que o combustível para a zanga e para as ideias que nascem da zanga é cada vez mais abundante. Como é igualmente abundante a completa irresponsabilidade com que se alimenta essa fogueira escondida, como se viu a pretexto destes protestos que nunca pararam Portugal, mas parecem ter parado a cabeça a muita gente.»
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21.12.18

E se hoje é dia de amarelos, venha este




Ainda por cima no dia em que Carlos do Carmo faz 79 anos.
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A derrota dos coletes



Era previsível que uma revolta inorgância de direita, que pedia tudo e mais o céu, neste jardim à beira-mar descansado, não teria grande sucesso. Mas confesso que não esperava tão magérrimo número de participantes. E isso apesar da enorme ajuda dos órgãos de comunicação social, com especial relevo para as TVs (e entre estas para a SIC N) que, sobretudo deste ontem e durante toda a manhã de hoje (e ainda agora, quase às 14h) , não se pouparam a esforços para dar imagem e megafone pelo país fora, a uns tantos gato pingados, que lhes enchessem o tempo de antena e dessem audiências. E não só, e não só...



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12.8.18

Grupos fascistas em Portugal? Obviamente




«Nos últimos três anos, cinco novas organizações surgiram ou ressurgiram nos radares das autoridades: Misanthropic Division - Portugal; Portugueses Primeiro; Trebaruna (esta replicada noutra, a Lisboa Nossa); Escudo Identitário e o Movimento Social Nacionalista. O "que mais preocupa é que existe um novo perfil nos seus militantes, com potencial para atrair mais gente, principalmente jovens nas escolas secundárias e universidades, através das redes sociais. Já não são os boneheads (cabeças-ocas) dos skinheads, estamos perante jovens universitários, licenciados com capacidade de retórica capaz de grande influência em determinados contextos socioeconómicos", explica uma outra fonte policial. (…) .
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Ponto em comum entre as três formas de afirmação: "são alimentados pela mesma raiva anti-establishment que está a beneficiar os partidos populistas em toda a Europa. Também se aproveitam da preocupação pública da ameaça jihadista, da crise migratória e do aparente falhanço das políticas multiculturais. Estão envolvidos num hiperconservadorismo social e num etnonacionalismo identitário/supremacia branca. Têm em comum ideias e símbolos fascistas, nazis e antissemitas, assim como o desdém pela democracia". Em Portugal, confirma, "há vontade de expansão".»

19.6.18

Manifestação contra a separação de crianças migrantes nos EUA



21.06.2018, 19h
Praça Luís de Camões, Lisboa

«A existência de campos de detenção junto à fronteira entre os Estados Unidos e o México, onde pelo menos duas mil crianças imigrantes estariam encarceradas sem contacto com os seus pais e famílias, desde maio deste ano, ofende os mais elementares princípios de humanidade.

As crianças, algumas apenas com seis anos de idade, terão sido propositadamente separadas dos seus pais pelas autoridades norte-americanas como forma de dissuadir os fluxos migratórios para os Estados Unidos. O próprio Presidente Donald Trump confirmou publicamente que é assim. O conhecimento dos detalhes de toda esta prática só aumenta a nossa convicção de que estamos perante um ato cruel e de flagrante violação de direitos humanos.

As imagens publicadas pela comunicação social norte-americana mostram centros de detenção formados por jaulas onde as crianças são colocadas a dormir no chão com um cobertor térmico. Os centros estão iluminados 24 horas por dia, igualando condições próximas da tortura.

Segundo a informação pública, após a separação, não existe qualquer hipótese de reunião das crianças com as suas famílias, nem de contacto ou sequer de informação sobre o paradeiro de cada membro da família.

Manifestamos a nossa indignação e protesto veementes contra esta política desumana e indigna de qualquer sociedade civilizada e democrática, e exigimos que estas famílias sejam reunidas e livres de prosseguirem a sua vida. Certos de que esta reação é largamente partilhada, convocamos uma concentração contra a separação de crianças migrantes nos EUA, a realizar esta quinta-feira, às 19h, no Largo de Camões, em Lisboa.»
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29.10.17

«Essa Mulher Somos Nós»




Pode ser que «um melhor do mundo» comova hierarquias aparentemente fechadas numa bolha.

Junte.se a ele e subscreva AQUI a Carta Aberta que, no momento em que escrevo, tem já mais de 19.000 assinaturas. 
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27.10.17

Com jeito, até o Marcelo assina




«A petição, uma carta aberta ao Conselho Superior de Magistratura, pede à Procuradora-Geral da República que dê instruções ao Ministério Público (MP) no sentido de recorrer do acórdão do Tribunal da Relação do Porto para o Tribunal Constitucional (TC). O pedido é baseado no entendimento de que o acórdão "viola os mais básicos princípios constitucionais".» 
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HOJE, 18:00, Machismo NÃO é justiça, é crime



Lisboa | Praça da Figueira 
Porto | Praça Amor de Perdição (Cordoaria) 
Coimbra | Largo 8 de Maio 
Évora | Tribunal da Relação 
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23.10.17

Machismo NÃO é justiça, é crime



Convocatória do POR TODAS NÓS - Movimento Feminista e da UMAR.

Lisboa, 6ªf, 27.10, 18:00 – Praça da Figueira 
Porto, 6ªf, 27.10, 18:00 – Praça Amor De Perdição (jardins Da Cordoaria, Em Frente À Antiga Cadeia Da Relação) 

«O juíz José Maria Queirós, titular do 1.º juízo criminal do Porto, condenou Camilo Castelo Branco por ter copulado com mulher casada e Ana Plácido por adultério. Ana Plácido foi encarcerada na Cadeia da Relação a 6 de junho de... 1860.

Se na antiga Cadeia da Relação havia homens e mulheres condenados por comportamentos sexuais pouco consentâneos com a moralidade da época transposta na lei, ali ao lado, no Tribunal da Relação do Porto, 157 anos depois, lavram-se acórdãos que têm como pano de fundo apreciações pessoais sobre a moralidade das mulheres. Pode ler-se no acórdão assinado pelo juiz Neto de Moura e pela juíza Maria Luísa Arantes: «O adultério da mulher é um gravíssimo atentado à honra e dignidade do homem. Sociedades existem em que a mulher adúltera é alvo de lapidação até à morte. Na Bíblia, podemos ler que a mulher adúltera deve ser punida com a morte».

Situemo-nos: estamos em 2017, num país que reconhece a igualdade de género e onde a violência doméstica é crime público. Estes discursos proferidos por membros de órgãos de soberania, ao arrepio da decência e dos valores da imparcialidade e laicidade da justiça, pretendem não só legitimar e/ou desculpabilizar a violência contra as mulheres como reforçar a ideia da dupla moral sexual, uma para homens, outra para mulheres.

Em 2016, segundo dados da APAV, todos os dias 14 mulheres foram agredidas, o que perfaz um total de quase 5200 nesse ano. Mais de 450 mulheres foram assassinadas pelos seus companheiros ou ex-companheiros nos últimos 12 anos. A violência contra as mulheres é crime, assim como o é o machismo.

Esta sexta-feira, às 18 horas, marcaremos presença na rua num ato de repúdio pelas considerações morais machistas que alguns representantes da justiça no exercício das suas funções continuam a proferir, ancorando nelas decisões judiciais. A Bíblia e a moralidade misógina não são para aqui chamadas.

Mantenham os vossos rosários longe da aplicação da lei. Mantenham os vossos rosários longe dos nossos ovários.

Mexeu com uma, mexeu com todas!» 
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21.9.17

21.09.2012 – O dia em que o aumento da TSU foi enterrado



Para refrescar as memórias: Seis dias depois da manifestação de 15 de Setembro, fomos milhares os que estivemos em frente ao Palácio de Belém, à espera das conclusões de uma reunião do Conselho de Estado.

Durante muitas horas, milhares de pessoas em Lisboa, e muitas outras espalhadas pelo país, deram ao conclave e aos seus membros a importância suficiente para esperarem, de pé, e lançarem gritos de protesto, de apelo e de raiva. Continuaram o que várias centenas de milhares de portugueses tinham começado alguns dias antes.

A reunião do dito Conselho durou oito horas e emitiu um comunicado, inócuo, incolor e inodoro, mas que incluía o único parágrafo que interessava: «O Conselho de Estado foi informado da disponibilidade do Governo para, no quadro da concertação social, estudar alternativas à alteração da Taxa Social Única». Era de esperar outra coisa? Não, de modo algum. A batalha tinha sido ganha antes disso. Na rua. 
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2.12.16

Ana Nicolau



Conheço-a bem, calcorreei com ela muitas ruas desta cidade de Lisboa, em manifestações várias, voltarei a fazê-lo se e quando necessário. Oiçam-na.