Mostrar mensagens com a etiqueta arménia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta arménia. Mostrar todas as mensagens

7.12.16

A Arménia, antes e depois de um 7 de Dezembro



Em 7 de Dezembro de 1988, às 11:41, a terra tremeu na Arménia, causando dezenas de milhares de mortos e centenas de milhares de sem abrigo.

Estive em Gyumri, segunda cidade do país, onde a temperatura chega a atingir 45º negativos, e que foi a região mais atingida. A data é um ponto de referência permanente, quer na descrição dos edifícios entretanto restaurados, quer naqueles que ainda não o foram. Há um antes e um depois daquele terrível 7 de Dezembro.



Charles Aznavour é um ícone nacional para os arménios, não só pelo seu êxito como cantor, mas também e talvez sobretudo, pela sua acção após este terrível sismo. Percorreu o país pouco depois, criou uma Fundação específica para o efeito, que reuniu mais de 150 milhões de dólares, e o governo doou-lhe uma casa, em Yerevan, onde funciona a referida Fundação. Os arménios não esquecem. Neste vídeo, a sua célebre canção «Pour toi, Arménie», interpretada por numerosos artistas:


.

24.4.15

Recordar a Arménia, no centenário do início do genocídio



Do primeiro genocídio do século XX, resultou quase um milhão e meio de mortos, deportações e milhares e milhares de fugitivos. Na noite de 24 de Abril de 1915, foram detidas e deportadas para a parte Leste do país mais de 200 personalidades («políticos» e «intelectuais»), acontecimento que passou a ser simbolicamente considerado como o início do massacre.

O processo foi aqui diferente do adoptado mais tarde pelos nazis, já que a limpeza étnica não se baseou em teorias raciais. Por exemplo, dezenas de milhares de mulheres e crianças foram raptadas e adoptadas por famílias muçulmanas e depois convertidas.

Famílias inteiras fugiram, dispersando-se primeiro pelas terras mais próximas e depois um pouco por
todo o mundo. O país tem ainda hoje uma vastíssima diáspora que sonha, maioritariamente, em regressar a casa e reconstruir a «Grande Arménia». Registo um caso particular com que lidei quando passei uns dias nessas magníficas e sofridas paragens: a guia que acompanhou o grupo em que me integrei, muito jovem, era iraniana / arménia e os avós escaparam por um fio ao Genocídio. Fugiram com a família, andaram pela Rússia e acabaram por se instalar no Irão. Multiplicaram e os descendentes por lá se mantêm, sonhando com a possibilidade de regressarem à terra dos antepassados, que querem ajudar a reconstruir. Não é fácil para todos, mas foi o que esta neta já fez: guia e intérprete de espanhol em Teerão, foi deixando de ter trabalho por diminuição de visitantes àquelas paragens (por razões óbvias) e aproveitou o movimento inverso de desenvolvimento do turismo na Arménia. Uma irmã já se lhe juntou e espera que mais possam «regressar» a uma espécie de terra prometida – é assim que a sentem.

Charles Aznavour, nascido em França mas filhos de emigrantes arménios, verdadeiro herói nacional, canta em honra dos que «caíram» nesta terrível fase histórica de barbárie:



P.S. – A foto que está a meio do post é do monumento comemorativo do 50º aniversário do Genocídio, que vi em Echmiazin.
.

7.12.14

Efeméride verdadeiramente importante



Em 7 de Dezembro de 1988, às 11:41, a terra tremeu na Arménia, causando dezenas de milhares de mortos e centenas de milhares de sem abrigo.

Estive há dois anos em Gyumri, segunda cidade do país, onde a temperatura chega a atingir 45º negativos, e que foi a região mais atingida. A data é um ponto de referência permanente, quer na descrição dos edifícios entretanto restaurados, quer naqueles que ainda não o foram. Há um antes e um depois daquele terrível 7 de Dezembro.



Charles Aznavour é um ícone nacional para os arménios, não só pelo seu êxito como cantor, mas também e talvez sobretudo, pela sua acção após deste terrível sismo. Percorreu o país pouco depois, criou uma Fundação específica para o efeito, que reuniu mais de 150 milhões de dólares, e o governo doou-lhe uma casa, em Yerevan, onde funciona a referida Fundação. Os arménios não esquecem. Neste vídeo, a célebre canção «Pour toi, Arménie», interpretada por ele e por mais 88 artistas:


.

28.7.13

As Cidades e as Praças (51)



Praça Charles Aznavour, (Yerevan, 2012)




(Para ver toda a série «As Cidades e as Praças», clicar na etiqueta «PRAÇAS».)
.

9.8.12

5.8.12

Aznavour, ainda



Um pouco confuso mas é assim mesmo: Charles Aznavour nasceu em Paris e é francês, os antepassados eram arménios mas o pai nasceu em Akhaltsikhe, no Sul da Geórgia. Será nesta cidade que Aznavour dará um concerto, no próximo dia 16, para assinalar a abertura, naquela cidade, de uma fortaleza totalmente renovada. Aos 88 anos, será acompanhado por 25 músicos e interpretará alguns dos seus maiores sucessos. Talvez este, um dos meus preferidos:



E eu, que andei por lá perto, mesmo muito perto, não assistirei ao concerto porque já regressei à base... (Sem ter falhado, uma vez mais, aquela misteriosa e inexplicável experiência de confirmar que o aeroporto da Portela, em Lisboa, deve bater todos os recordes mundiais de tempo de espera na entrega da bagagem. Porquê, mas porquê???) 

 (Fonte)

4.8.12

Está a acabar…



Deixo esta noite dois países que associo porque os visitei numa mesma viagem e porque têm fronteiras (e muita história) em comum, mas que são − e estão – profundamente diferentes. A uni-los, também, o facto de lidarem, actualmente, com barris de vários tipos de pólvora. 

Ambos esperam vir a entrar na União Europeia (se ainda chegarem a tempo, digo eu…), a Geórgia está bem «encostada» aos dólares de Obama, a Arménia aos amigos russos e às remessas da sua rica diáspora. Mas falta-lhes muito do que precisariam para se reerguerem do colapso económico que se seguiu ao desmoronar da URSS. 

Do ponto de vista monumental, a primeira está longe do nível de interesse da segunda e Tbilisi não é Yerevan. Mas a capital georgiana está a tal ponto transformada em estaleiro de (boa) recuperação de belos edifícios e avenidas que, dentro de poucos anos, estará excelente. O turismo ainda é relativamente incipiente em ambos os países, mas será uma aposta ganha se algumas infraestruturas (sobretudo estradas) forem melhoradas. Em breve, aterrarão por aqui paletes de ocidentais e de chineses… 

Tudo isto, obviamente, se os conflitos dos arménios com turcos e azeris não piorarem e se não se agudizarem ainda mais as relações entre georgianos e russos. E se… e se… e se. 

Este ano há eleições legislativas na Geórgia e pode ser que a potente maioria do Partido Nacionalista no Parlamento seja abalada. E, sobretudo, há presidenciais em 2013 e dizem-me que a oposição tem um candidato forte (e muitíssimo rico…), pró-russo, cuja eventual vitória pode vir a mudar o rumo de muitas realidades, nomeadamente tudo o que se relaciona com a Abecásia e a Ossétia do Sul. 

Uma coisa é certa: seguirei com redobrado interesse o que for acontecendo nestes países, agora que eles têm, para mim, imagens, cheiros, sons e pessoas. Este é sempre, aliás, um subproduto das viagens que vou fazendo.

Imagens de Tbilisi:




.

2.8.12

1.8.12

Uma bela cidade num país complicado



Capital da Arménia desde 1918, Yerevan tem actualmente cerca de um milhão e cem mil habitantes, em Dezembro de 1920 viu-se transformada em capital de uma das quinze repúblicas que incorporaram a União Soviética (até à independência do país em Setembro de 1991). Dentro desta, foi a primeira cidade para a qual foi desenvolvido um plano urbanístico geral, pelo arquitecto Alexander Tamanyan.

O resultado ainda hoje é bem visível no centro de Yerevan. Sem entrar em detalhes, realce-se a magnífica Praça da República, de onde as principais ruas irradiam, e que é lindíssima quando o Sol incide nos repuxos e nas fachadas de um tipo de pedra muito característica desta terra e talvez ainda mais quando os mesmos estão esplendorosamente iluminados.

Ruas cheias de lojas, esplanadas animadas e outras vivências típicas de qualquer capital poderiam fazer crer que tudo vai mais ou menos bem, mas parece não ser o caso. Ouvi hoje o que pode ser um bom resumo do que eu própria fui observando (mais do que superficialmente, como é óbvio) numa semana:

«Nos tempos da URSS tudo era muito mais fácil, [mas] agora temos a liberdade.» No contexto em que foi dito também podia ter sido: «Agora temos a liberdade, [mas] nos tempos da URSS tudo era muito mais fácil.» Tema que daria pano para mangas de uma muito longa discussão…



.

31.7.12

Da beleza



Estive hoje no Mosteiro de Gerard, do século XIII, com uma arquitectura única no género, riquíssima tanto exterior como interiormente. Muitas das igrejas que compõem o complexo foram cavadas na rocha, são por vezes extremamente elaboradas e com frescos escondidos na escuridão, que só se tornam visíveis com o flash das máquinas que os fotografam.

Ficam as imagens que dificilmente sugerirão a realidade (as duas últimas são de frescos que referi).






.

O «arménio» Charles Aznavour – para além do cantor



Charles Aznavour − ou, mais exactamente, Shahnour Vaghinagh Aznavourian (Շահնուր Վաղինակ Ազնավուրյան) − nasceu em Paris e é francês, mas de origem arménia e, neste país em que estou, terá sempre a nacionalidade dos seus pais emigrantes.

É um ícone nacional, não só pelo seu êxito como cantor, mas também e talvez sobretudo, pela sua acção após o terramoto de 1988. Percorreu o país pouco depois, criou uma Fundação específica para o efeito, que reuniu mais de 150 milhões de dólares, tem estátuas (vi uma em Gyumri, a cidade mais arrasada em 1988) e o governo doou-lhe uma casa que avistei hoje em Yerevan (imagem no topo deste post), onde funciona a referida Fundação. Os arménios não esquecem.




,

30.7.12

Um povo sofrido



Estive desde ontem em Gyumri, segunda cidade da Arménia, onde a temperatura chega a atingir 45ºnegativos, e que foi a região mais atingida pelo terrível terramoto de 1988, que matou, só naquela cidade, cerca de 25.000 pessoas. A data é um ponto de referência permanente, quer na descrição dos edifícios entretanto restaurados, como nos que ainda não o foram. Algumas fotos de e um vídeo ajudam imaginar o local, mas não vou entrar em explicações detalhadas.

Prefiro registar um outro ponto de referência (entre vários possíveis…), também sempre presente − o Genocídio dos arménios −, a partir de um caso concreto. Como se sabe, a Arménia tem uma vastíssima diáspora, pelo mundo inteiro, aumentada ao longo dos séculos por muitas e variadas vicissitudes. A guia, muito jovem, que me acompanha desde ontem, é iraniana / arménia e os avós escaparam por um fio ao Genocídio: fugiram com a família, andaram pela Rússia e acabaram por se instalar no Irão. Por lá se multiplicaram e os descendentes por lá se mantêm, sonhando com a possibilidade de regressarem à terra dos antepassados, que querem ajudar a reconstruir. Não é fácil para todos, mas foi o que esta neta já fez: guia e intérprete de espanhol em Teerão, foi deixando de ter trabalho por diminuição, por razões óbvias, de visitantes àquelas paragens e aproveitou o movimento inverso de desenvolvimento do turismo na Arménia. Uma irmã já se lhe juntou e espera que mais possam «regressar» − a uma espécie de terra prometida.

Apesar de tudo isto, e das péssimas relações que tem com quase todos os vizinhos, a Arménia parece muito melhor, ou muito «menos mal», como se preferir, do que a Geórgia. Sem qualquer espécie de dúvida. Estou já na capital, Yerevan, feericamente iluminada e, à primeira vista, extremamente agradável.

(Foto no topo: monumento comemorativo do 50º aniversário do Genocídio, em Echmiazin.)

Gyumri: igreja de S. Hrispime, Catedral e Museu Nacional:






.

25.7.12

Mais uma viagenzita



«A saudade de casa é uma sensação que muitos conhecem e de que muitos sofrem; eu, por outro lado, sinto uma dor menos conhecida e o seu nome é "saudade de estar fora".» (Hans Christian Andersen, 1856) 

Assim sendo comigo também, vou pôr-me de novo a caminho de terras desconhecidas, não tão longínquas como outras em que já estive mas nem por isso menos estranhas. 

Parto amanhã para uma volta pela Geórgia e pela Arménia, dois países cujos passados dizem muito a um grande número, mas talvez pouco mais sejam hoje, para outros, do que dois nomes que recordam participações e querelas no Festival Eurovisão da Canção... 

É difícil prever o papel que nações como estas, e outras que integravam a ex-União Soviética, terão num futuro próximo, mas tendo a crer que podemos vir a ter grandes surpresas. Foi a sensação que tive quando, em 2011, atravessei parte do Uzbequistão e estive dois ou três dias em Baku. A ver. 


.