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8.10.13

Teatro às escuras



Esta segunda-feira, um grupo de teatro de Coimbra estreou um espectáculo às escuras. Perante uma plateia cheia, seis actores fizeram o seu trabalho sem poder ser vistos e, portanto, o teatro não se cumpriu.

O episódio é insignificante perante o estado do Mundo e a tragédia é outra coisa, como eu sempre digo.

Ou então não.

O grupo é o TEUC e faz parte da Universidade de Coimbra. A estreia às escuras foi uma acção de resistência perante o desinteresse de todos pela actividade que desenvolve, significativamente, há 75 anos. Para o seu espectáculo, precisava de corrente trifásica. Que não teve porque o quadro da Associação Académica está velho e sobrecarregado pelas máquinas do bar; porque os Serviços de Acção Social da UC passaram a entender que o apoio às actividades culturais está fora da sua alçada; porque a Reitoria acha que o assunto não é com ela.

Não duvido que todas estas entidades sejam capazes de argumentar em sua defesa, atirando para as restantes as responsabilidades pelo sucedido. Mas é isso que irrita.

Perante um país em ruptura, mesmo as instituições com tradições e responsabilidades na contestação, no apoio aos mais fracos e no progresso das ideias sucumbem ao conformismo, convertem-se à lógica da rentabilidade e anulam-se a si mesmas.

Diz o TEUC, no comunicado em que explica a situação, que a redução dos apoios de que tem sido vítima vai acabar com o teatro universitário. Peca por defeito. As políticas que impediram a corrente trifásica de chegar à sua sala-estúdio e a cumplicidade de todos aqueles que se comportam como se isto fosse necessário e inevitável são as que conduzem o país inteiro para as trevas e que, pelos vistos, são tão eficazes a cortar-nos a energia vital.

Com ou sem consciência disso, os seis bravos actores que representaram às escuras ofereceram a quem os (não) viu uma extraordinária metáfora do estado em que estamos.

O teatro cumpriu-se, afinal. E nós?

(Via Pedro Rodrigues no Facebook)
.

20.3.09

Pelo Choupal

Amanhã, 21 de Março, pelas 21:30
No TAGV, em Coimbra

Espectáculo musical/protesto contra
a construção do IC2
sobre a Mata Nacional do Choupal.





Estará por lá o Miguel Cardina (na bateria), dos Diabo a Sete.

14.2.09

Coimbrãs
















Sonhando com os amores de Salazar, bem antes das lisboetas – sem nenhum cordão humano para proteger o Choupal.

1.8.08

Oclusão de Postura?












Uma pessoa está fora do país duas semanas, percorre a blogosfera e não encontra qualquer referência a esta notícia fundamental: Cristiano Ronaldo esteve numa clínica de Pombal, na passada 3ª feira, onde foi consultado durante mais de duas horas sobre «oclusão de postura».

O Diário de Coimbra de 30/7 afirma que o jogador tentou passar despercebido (fácil, como se pode ver pela fotografia...), descreve ao minuto horas de chegada e de partida, sublinha que ele tocou no telemóvel de um jovem.

Explica, sobretudo, que se a placa dentária não estiver correcta podem surgir problemas noutras partes do corpo, mas que o médico declarou que a consulta nada teve a ver com a intervenção cirúrgica da qual Cristiano Ronaldo está a recuperar. (Péssima teria de ser a dita oclusão de postura para ter já tão graves efeitos nos pés - digo eu...)

Mas vale a pena ler o texto na íntegra.

P.S. - Quem já tem o Mário Nunes deveria ser dispensado de ler esta imprensa, não?!

2.7.08

Tem mais encanto


















Fixem o nome – Mário Nunes – e vão ver o blogue que lhe é dedicado (que até tem loja on line e Jukebox).

Parece que o dito senhor é Vereador da Cultura da C.M. de Coimbra e merece ser conhecido.

E atenção porque ele pretende que, «de uma vez por todas, Lisboa saiba que é em Coimbra que estão os [túmulos dos] primeiros reis de Portugal, que Coimbra foi a capital do reino até D. Afonso III» e que «se não fosse Coimbra Lisboa não existia».

Ora bem...

P.S. - Também quer «divulgar ao público de Coimbra, ao nacional e internacional, um conjunto de valores surrealistas que vão demonstrar a autenticidade e grandeza deste movimento nascido em França na década de 20 do século XX, e que se derramou, gradualmente, pelo Mundo».

22.2.08

Movimentos estudantis em Coimbra






















Foi publicado, em Dezembro de 2007, este livro da autoria de Elísio Estanque e Rui Bebiano onde é feita uma análise «...dos impactos e possíveis ligações entre as experiências do movimento estudantil de períodos passados – em especial “os longos anos 60” – e as novas modalidades de acção associativa da juventude universitária emergentes nos últimos anos» (*).

Apenas um brevíssimo apontamento.

Li este estudo com o maior interesse. A primeira parte trata do período que abrange a década de 60 e se prolonga até ao 25 de Abril, enquanto que a segunda se centra na geração actual, tendo como base principal um inquérito realizado em 2005-2006. Conclui-se que, apesar de todas as diferenças e rupturas, parecem existir linhas de continuidade entre os estudantes actuais e os «épicos» combatentes da década de 1960-1970 – cuja memória histórica continua presente, até porque muitos deles ocupam, ainda, cargos importantes na universidade e na cidade.

Jugo que nada de semelhante foi alguma vez feito para Lisboa ou para o Porto. E, se o fosse, as conclusões seriam certamente muito diferentes, pelas características únicas de Coimbra. Para quem, como é o meu caso, só conhece a realidade universitária em Lisboa, trata-se de uma total novidade que estudantes «normais» (ou seja, fora de uma pequena elite de estudiosos), deste início do século XXI, saibam que houve lutas estudantis nos anos 60 e, sobretudo, que lhes confiram uma qualquer influência na actualidade (**). Estarei, talvez, a ser demasiado pessimista...



Ainda sobre uma problemática afim: chegará muito em breve às livrarias uma outra obra, esta da autoria de Miguel Cardina, A Tradição da Contestação, sobre a politização do movimento estudantil, em Coimbra, durante o marcelismo.

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(*) Elísio Estanque e Rui Bebiano, Do Activismo à Indiferença. Movimentos estudantis em Coimbra, ICS, Lisboa 2007, 196 p.

(**) Não tivesse Jorge Sampaio sido Presidente da República (o que fez com que, regularmente, se referisse o seu papel no Dia do Estudante de 1962 e se mostrassem algumas imagens as televisões) e a ignorância seria ainda maior.

25.1.08

Solidariedade com Coimbra - obviamente

botão amigos

Foi publicado anteontem em Coimbra um Manifesto intitulado Pelo direito à cultura e pelo dever da cultura!, onde se afirma, entre outras coisas, que a Câmara Municipal daquela cidade «já não se limita a não apoiar devidamente a actividade cultural que (...) é feita; assume-se, pelo contrário, como um elemento dificultador e tendencialmente destruidor do potencial de criação artística que a cidade possui e que é uma das suas principais mais-valias».

Tudo sobre este assunto no blogue Amigos da Cultura.