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6.2.12

Economia social e solidária


(Contributo de Jorge Pires da Conceição.)

Embora constatemos que maioritariamente as pessoas, individual ou colectivamente, só acreditam que as mudanças sociais se produzam por vias institucionais macro-organizadas, como as dos governos, dos partidos, das autarquias megalòpolitas, etc., verificamos também que, felizmente, não é esse o sentir de muita gente que minoritariamente se vai organizando em pequenos grupos de iniciativas locais, regionais, nacionais e mundiais, ensaiando práticas mais ou menos estruturadas que vão de algum modo influenciando mudanças do comportamento e do viver sociais. Muitos de nós temos observado - e mesmo participado - em iniciativas dessas. São exemplos, mesmo que escassos, da cidadania activa e participada, sempre possível e perfeitamente ao nosso alcance.

Um dos exemplos que nos vem de França, está no artigo de 2 de Fevereiro de Mickaël de Draï na Rue89, com o título «Une monnaie solidaire à Lyon».

É uma experiência de economia social e solidária, alternativa à economia de mercado e especulativa. Não é uma experiência pioneira, nem sequer em Portugal. É algo, aliás, que tem laços de parentesco próximo com a linha global e alternativa de comércio justo, como aquela que é seguida pelo Espaço por um Comércio Justo, rede de comércio justo formada por perto de trinta organizações de Portugal e de Espanha.

Convém recordar que o conceito e a prática, com várias nuances, da moeda local solidária ou complementar tem na Europa mais de um século e que a ela se recorreu em tempos sociais e políticos de crise como complemento à moeda institucional, embora quase sempre localmente ou em pequenas regiões.

Assinale-se que o artigo citado surge cerca de uma ano depois do Colóquio internacional em Lyon sobre as moedas locais (ver vídeo) ), e depois do inquérito popular efectuado em Dezembro de 2011 para lançamento da moeda local em Lyon (ver aqui e aqui). Registe-se ainda que em França presentemente existem, ou estão em vias de se constituirem, pelo menos cerca de duas dezenas de moedas locais.

Este é um artigo-debate que, sinteticamente, expõe esse modelo alternativo e complementar de economia, bem como as suas limitações, hipóteses de sucesso e implicações no relacionamento social, ao qual o público acrescentou vários comentários, com as suas dúvidas, achegas e contestações.

E pode também abrir um frutuoso debate entre nós!...

Alguns sítios na net sobre esta temática em França:
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27.10.11

O «Comércio Justo»


Contributo de Jorge Pires da Conceição.

O Comércio justo (Fair Trade em inglês) é um dos pilares da sustentabilidade económica e ecológica (ou econológica, como vem sendo chamada no Brasil).

Trata-se de um movimento social e uma modalidade de comércio internacional (sobretudo nas relações Norte-Sul, mas também em apoio dos produtores marginalizados nos países do Norte) que busca o estabelecimento de preços justos, bem como padrões sociais e ambientais equilibrados, nas produtivas.

Ou, como é definido pela News! (a rede europeia de lojas de comércio justo) "é uma parceria entre produtores e consumidores que trabalham para ultrapassar as dificuldades enfrentadas pelos primeiros, para aumentar seu acesso ao mercado e para promover o processo de desenvolvimento sustentável. O comércio justo procura criar os meios e oportunidades para melhorar as condições de vida e de trabalho dos produtores, especialmente os pequenos produtores desfavorecidos. Sua missão é promover a equidade social, a protecção do ambiente e a segurança económica através do comércio e da promoção de campanhas de consciencialização".

Informação mais ampla e detalhada pode ser lida aqui e no sítio do CIDAC (Centro de Intervenção para o Desenvolvimento Amílcar Cabral), nos textos das páginas "Comércio e Desenvolvimento" e "Comércio e Desenvolvimento/Comércio Justo".

O CIDAC, pioneiro da introdução em Portugal do conceito de comércio justo (em 1998) e actividades decorrentes, irá criar em Lisboa a título experimental a sua primeira loja antes do final do corrente ano de 2011. Localizar-se-á perto do Fórum Picoas e prevê-se que esteja aberta ao público de 2ª feira a Sábado, previsivelmente em período vespertino. Serão necessários voluntários que possam preencher pelo menos um turno de funcionamento de três horas, que se identifiquem com o conceito de "comércio justo" e que estejam sensibilizados a referências como desenvolvimento, sustentabilidade, ecologia, agricultura biológica, ambiente, etc. Era importante ter-se uma lista de pessoas interessadas em participar voluntariamente neste projecto, até ao final do corrente mês de Outubro. Podem ser enviados os contactos dos interessados para o endereço de email deste blogue ou directamente para o CIDAC.

O Comércio Justo (CJ) rege-se por um conjunto de princípios, reconhecidos de forma geral por todas as entidades envolvidas no movimento mas com algumas diferenças na sua formulação. Estes princípios, que se podem dividir em 12 pontos, são: