Andava eu pelo Oriente, à procura de um outro texto, e esbarrei neste, de Santiago Zabala, cuja leitura recomendo vivamente.
Quando parece haver medo até de usar alguns termos (neste caso, «comunismo»), e tantos, insuspeitos, pretendem reduzir o horizonte à defesa de realidades bem menos estimulantes e que não regressarão a passados gloriosos (um capitalismo «melhorzinho», a «social-democracia»…), são textos como este que abrem novas avenidas para a esperança.
Alguns excertos:
«Ser comunista em 2012 não é uma escolha política, mas uma questão existencial. Os níveis globais de desigualdades políticas, económicas e sociais, que vamos atingir este ano por causa das lógicas de produção do capitalismo, não são apenas alarmantes mas ameaçam a nossa própria existência.
Embora alguns argumentem que não é necessário regressar ao comunismo para reconhecer estas emergências existenciais, pode ser que ele seja uma teoria prática útil, dado o significado que hoje adquiriu. É precisamente na sua grande fraqueza como força política que o comunismo pode ser recuperado como uma verdadeira alternativa ao capitalismo. O facto de ter virtualmente desaparecido da política ocidental, como programa eleitoral, não implica que não seja válido como motivação social ou alternativa. O que quero sublinhar é que ser hoje um comunista (ou um «protestor») não é necessário apenas pelas ameaças existenciais do capitalismo, mas tornou-se possível também pelo falhanço do comunismo soviético. (…)
O comunismo enfraquecido que temos em 2012 não aspira a construir uma outra União Soviética, mas propõe modelos democráticos de resistência social fora dos paradigmas intelectuais que dominaram o marxismo clássico.»
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