Ao ler este título do DN, lembrei-me imediatamente de uma velha história.
Quando estudei em Lovaina, os exames orais passavam-se com uma grande informalidade, só entre aluno e professor, por vezes mesmo em casa deste.
Famoso pela sua extrema delicadeza, Jean Ladrière, o meu queridíssimo orientador de doutoramento, iniciava sempre a prova dizendo ao aluno que escolhesse um tema e que o desenvolvesse. O que não esperava é que lhe aparecesse um tontinho que, na cadeira de «Teoria da Matemática», lhe perguntasse se podia então falar sobre… o dogma da Imaculada Conceição (se o tema era à escolha…). Sem coragem para recusar, Ladrière ouviu-o durante não sei quanto tempo, nem lhe perguntou mais nada e despediu-se, calorosamente como sempre. Teve de o chumbar, mas tenho a certeza de que lhe custou fazê-lo.
Ora bem: será que Lagarde, hoje, no Conselho de Estado, falou sobre griffes, por exemplo? Sei lá! Porque não? Se era para falar sobre o que quisesse...
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