No dia 10 de Junho de 1974, um grupo de quarenta e oito artistas plásticos pintou, em Lisboa, um mural que viria a desaparecer num incêndio, em 1981. Entre os pintores, muitas caras conhecidas : Júlio Pomar, João Abel Manta, Nikias Skapinakis, Menez, Vespeira, Costa Pinheiro, etc., etc.
O filme é um documento precioso, muito pouco conhecido. É da autoria de Manuel Costa e Silva e foi-me disponibilizado, já há uns anos, por Fernando Matos Silva. Foi hoje posto no Youtube por alguém que me consultou antecipadamente e que atribuiu os créditos a quem de direito. Aconselho a que passem 14 minutos a vê-lo.
Isto tem piada. Por causa de um mal-entendido, uma artista pintou uma série de mais de 50 quadros como Van Gogh o podia ter feito, se tivesse conhecido as realidades que retratam. Ficam três exemplos.
«A demissão surge depois de a administração ter limitado a maiores de 18 anos uma parte da exposição dedicada ao fotógrafo norte-americano Robert Mapplethorpe, comissariada por Ribas, e ter imposto a retirada de algumas obras com conteúdo sexualmente explícito.»
Só para maiores de 18 anos??? Para além de tudo o que já foi dito, isto só me faz lembrar a história de uma avozinha que explicava a dois netos que eles tinha sido trazidos de Paris por uma cegonha e que um disse ao outro, ao ouvido: «Deixa a velhinha morrer na inocência!». Mas em que século vivem? E censura de algumas obras, mesmo para adultos? Pobre país…
Tudo se sabe sobre este extraordinário pintor nascido na cinzenta Holanda, mas prefiro recordar a sua estadia em Arles por onde voltei a passar há poucos anos.
Foi em Arles que o pintor se exaltou com a luz do Sul e pintou muitos dos quadros que tão bem conhecemos, desde os famosos girassóis aos ciprestes, à casa amarela onde viveu, ao célebre quarto, ao autoretrato com a ligadura depois de ter cortado a orelha após uma forte zanga com Gauguin – 185 quadros entre Fevereiro de 1888 e Maio de 1889.
Depois do corte da orelha, a população considerou-o cada vez mais louco e exigiu o seu internamento definitivo no Hotel de Deus da cidade, misto de asilo e hospital. O claustro está hoje intacto (foto no topo deste post), tal como ele o pintou. Pediu depois para ser transferido para um hospital psiquiátrico perto de Saint-Rémy-de-Provence e regressou mais tarde aos arredores de Paris.
Se não o tratou bem em vida, Arles tira hoje todo o partido possível da estadia de Van Gogh nas suas terras.