1.10.11

«Quem cavalga um tigre dificilmente se apeia»


… ou da arma de dois gumes que as redes sociais são para o governo chinês.

«Dentro de Internet, ocupan un lugar crucial en China las redes sociales, especialmente los servicios de mensajes cortos como Weibo, el más popular del país. (…)

Las autoridades están tan preocupadas por la fuerza de los microblogs que han movilizado a investigadores y departamentos para que analicen su impacto y las posibles medidas para contrarrestarlo. Los analistas creen que hay en el horizonte nuevas regulaciones; aunque ven poco probable que Pekín decida clausurarlos totalmente, ya que la medida podría desencadenar una ola de descontento popular entre los blogueros mayor que la que pretende evitar con los controles. (…)

El auge de los microblogs tiene su lado positivo para el Gobierno, ya que constituyen no solo un termómetro sobre el estado de la opinión pública sino también una fuente preciada de información para los responsables de seguridad pública sobre potenciales movilizaciones.»

Daqui.
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Era uma vez também na América


Ver mais.



A ler isto e também isto.
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Insisto


Se as ruas não se encherem de gente logo à tarde é muito, é mesmo muito, mau sinal.
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30.9.11

Alternância


É mais ou menos isto, certo?
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Sugestão para o fim de tarde

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… de hoje, num cinema perto de si, de preferência à hora em que Vítor Gaspar vai falar ao país.


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Perfilados de medo


Nem mais: «O único argumento que os chanceleres europeus e os nossos governantes têm, para impor uma política que vai destruir a economia de todos para dar mais riqueza a muito poucos, é o medo.» Só isso explica o aparente fatalismo e a insuportável passividade que paralisa as grandes maiorias.

A crónica de Nuno Ramos de Almeida, publicado no «i» de hoje.

«É sabido, Portugal é um país de bons poetas e maus ministros. Pior do que os habituais estadistas, apenas os poetas quando se tornam políticos. No século XIX, resolvia-se a coisa dando aos bardos do regime a pasta do Mar. A Cavaco Silva a poesia é coisa que não lhe assiste, como se diz agora, mesmo tirando algumas tiradas dignas de um surrealismo tardio sobre o “sorriso das vacas”. Em entrevista à TVI, o Presidente-economista deu como adquirido que Portugal necessita fazer esta política de cortes cegos e que está condenado a perder a sua soberania económica. Alexandre O’Neill era poeta e as sua palavras fizeram a autópsia de um país de governantes medíocres e pessoas cujo silêncio cobarde sustentava qualquer ditadura. “Ah o medo vai ter tudo. Tudo (penso que o medo vai ter tudo e tenho medo que é justamente o que o medo quer). O medo vai ter tudo, que se tudo e cada um por seu caminho havemos todos de chegar quase todos a ratos. Sim, a ratos”, escreveu.

O único argumento que os chanceleres europeus e os nossos governantes têm, para impor uma política que vai destruir a economia de todos para dar mais riqueza a muito poucos, é o medo. Depois do estado de choque, da negação, virá a raiva. E algumas pessoas terão a coragem de dizer que preferem ser livres a ser submissas, mesmo que isso seja um caminho mais difícil. A caminhada começa amanhã com as manifestações de 1 de Outubro. Nem toda a gente acha normal ser governada pela Alemanha devido a dívidas que não contraiu e a lucros especulativos que não teve.»
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Amanhã

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29.9.11

Tu não podes comprar o vento

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(Via Nuno Ramos de Almeida no Facebook)
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Morto mas não infectado


A propósito da recente execução de Troy Davis, na Georgia, Rui Tavares referiu no Público de ontem que o braço do condenado é desinfectado antes de receber a injecção letal para evitar o risco de poder vir a ser contaminado.

Achei a ideia tão rocambolesca que fui averiguar e encontrei muitos documentos, com detalhes absolutamente macabros a respeito de tudo o que precede e rodeia a «cerimónia», mas que dizem todos mais ou menos o mesmo sobre o tema em questão: «Em 36 estados, os carrascos mantêm o ritual em que se começa por esfregar o braço do condenado com álcool, uma precaução mórbida contra uma possível infecção provocada pela agulha que, daí a um momento, provocará a morte.»

Mas será que ninguém parou para pensar no absurdo e na irracionalidade de um regulamento como este? Morto mas desinfectado? Matamos mas não contagiamos?

«Só na América!», dirão alguns. Só num mundo totalmente ensandecido, digo eu.
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Tea Party, Merkel-Sarkozy & outros


«É importante que os cidadãos saibam que as propostas económicas e fiscais que o binómio Merkel-Sarkozy e uma grande parte da equipa dirigente da União Europeia, da Eurozona e do Banco Central Europeu estão a apresentar são semelhantes às do Tea Party nos EUA. Na realidade, algumas delas são mesmo mais radicais.»

Daqui.
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Um país ocupado


Este texto de José Vítor Malheiros foi publicado anteontem no Público, mas transcrevo-o para quem não tenha tido a oportunidade de o ler.

«É espantoso como, no espaço de poucos meses tanta coisa mudou. Não só nas nossas expectativas mas principalmente nas nossas atitudes. Apesar de algum debate nos media, de algumas declarações politicas mais fogosas, de alguma indignação mais localizada, de alguns dirigentes sindicais mais aguerridos, aceitamos como inevitável esta crise e parecemos resignados a sofrê-la. Na esperança ténue, de que um dia passe. Enchemos bem o peito de ar, fechamos a boca com força e aceitamos que, durante os próximos anos, nos devemos resumir a tentar manter o nariz de fora de água, apenas o nariz, sem fazer ondas, sem fazer barulho, sem gritar, sem protestar, sem dar nas vistas, sem viver, ondulando ligeiramente os braços para nos mantermos à tona, sem olhar para o que está à nossa volta. A palavra de ordem é apenas respirar. Respirar e esperar. Até que passe. Ou até que nos habituemos. Respirar assim só é difícil nos primeiros tempos. Depois habituamo-nos. É uma questão de ritmo.

Não é que não queiramos, não é que não gostemos, mas sabemos que fomos vencidos. Não sabemos quando, nem como, nem por quem, mas sabemos que fomos vencidos. É verdade que sonhámos que não íamos ser vencidos mas hoje é evidente que esse sonho não fazia sentido. A derrota era inevitável. Toda a gente diz.

Mas isto não é uma crise. Nem é uma simples derrota. Nem sequer é uma guerra. Isto é uma ocupação. Isto é uma ocupação.

Portugal é um país ocupado e não é o único. A presença do ocupante sente-se em cada rua, em cada esquina, em cada casa, em cada olhar. Os cartazes da propaganda do ocupante estão por todo o lado. O ocupante diz nos que estávamos enganados e que temos de pensar de uma outra forma. Que agimos mal e que temos de pensar de uma outra forma. Que estávamos enganados em pensar que tínhamos direitos e temos de abdicar deles porque esses direitos destroem a economia. Que estávamos enganados em pensar que os nossos filhos podiam viver numa sociedade de bem-estar e que temos de os desenganar. Que estávamos enganados em pensar que as desigualdades se iriam reduzindo e que a justiça social era o mais belo dos objectivos. Que estávamos enganados em pensar que a solidariedade era fonte de progresso, quando só a competição entre as pessoas garante o progresso. Que estávamos enganados em defender soluções colectivas, quando a vitória é sempre individual. Quando acreditámos que a saúde podia ser para todos. Quando pensámos que a democracia se exprime pelo voto e no espaço público quando na realidade o poder está no euro , no dólar e nas bolsas. Quando pensámos que as pessoas são mais importantes que o dinheiro. Quando pensámos que havia sempre alternativas.

Isto não é uma crise porque não estamos a corrigir nada do que nos trouxe até aqui. Isto não é uma crise porque não estamos a fazer um sacrifício em nome do futuro. Isto é algo que estamos a ser obrigados a reviver em nome do passado. Isto é apenas o regresso do passado, a vitória que julgávamos ter vencido mas que regressou da tumba. Esta é uma vingança do passado, por nos termos preocupado tanto com o presente que nos esquecemos do futuro. Isto é uma ocupação. Uma ocupação com mais colaboracionistas que resistentes, como todas as ocupações. Colaboracionistas maravilhados com a pujança do ocupante, com a sua filosofia hegemonista, com a sua musculada e sadia visão do mundo, com um mundo de eficiência e sem parasitas. Sem sindicatos e sem esquerdistas. Sem solidariedade e com total obediência aos chefes e ao serviço dos mais ricos.

Só que não é possível viver assim. E apesar de tudo há alternativas. A alternativa é procurar sempre e incansavelmente a alternativa, sem sacrificar nada do que nos é caro.»
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28.9.11

Atenas, onde se ri de desespero


«Ela ri-se. Ainda se encontram pessoas que riem nos cafés. Muitos cafés estão cheios. Ir ao café é um acto de rebelião, contra estes dias que nos enlouquecem, contra estas manhãs em que sabemos, mal abrimos os olhos, que estamos um pouco mais enterrados no buraco em que sentimos aumentar o pânico. Estão sentados à frente de uma chávena de café ou de um copo de água, muitas vezes durante horas, o olhar preso a esta cidade que lhes é cada vez mais estranha e a este país que lhes escapa. “Vocês, os alemães, vão apanhar cogumelos para a floresta”, diz Ersi Georgiadou, “Nós vamos ao café. É a única coisa que nos resta”.»

(De uma reportagem publicada em Presseurop)
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