11.10.25

Diane Keaton – (1946-2025)

 



Cansadíssimo, já reflecti tudo

 


Até amanhã.

Talvez assim reflicta melhor

 


A reflectir, a reflectir

 


Porquê? Para quê? Acham que eu sou parvo?

Quando votos das autárquicas chegaram a Lisboa… a cavalo




Eu já contei esta história há uns anos, mas nunca a esqueço em véspera de eleições autárquicas. Amanhã votar-se-á uma vez mais, mas confesso que recordo sobretudo as duas primeiras: 1976 pela novidade e porque foi a única em que me candidatei ao que quer que seja (pelos GDUP, à CML, com enorme probabilidade de ser eleita, como se imagina...) e a seguinte, em 1979, por uma historieta deliciosa.

Por razões profissionais, estive durante alguns anos ligada ao processamento dos resultados eleitorais, então efectuado no Centro de Informática do Ministério da Justiça. Viviam-se semanas épicas na preparação de todos os processos, noites ainda mais épicas quando a data chegava e é quase surreal recordar hoje a dificuldade, o pioneirismo e o stress com que tudo se passava.

O apuramento era especialmente longo no caso das autárquicas pelo número de candidatos e lugares envolvidos e, em 1979, estive mais de 24 horas na Gulbenkian sem abandonar o meu posto. Muitíssimo tempo depois do fecho das urnas ainda faltavam os dados de quatro freguesias e, às 16:00 do dia seguinte, nada se conseguia saber acerca de uma delas, localizada bem a Norte do país, salvo erro em Trás-os-Montes. Primeiro faxes, depois telefonemas para o respectivo Governo Civil... tudo inútil, ninguém encontrava o rasto do presidente da única mesa onde se tinha votado. Até que, bem mais tarde, o inesperado aconteceu: o homem acabou por chegar, em pessoa, ao Ministério da Justiça em Lisboa. Tinham-lhe dito que era ali que os dados eram processados e ele pôs-se a caminho. Trazia a urna ainda fechada e tinha deixado à porta… o cavalo que o transportara desde casa!
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10.10.25

Viver Lisboa

 


Vamos. Moedas nunca mais!

Nobel da Paz - Afinal...

 


Nobel da Paz – já está e não é «dele»

 


«O Comitê Nobel norueguês decidiu atribuir o Prêmio Nobel da Paz 2025 a Maria Corina Machado pelo seu trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos para o povo da Venezuela e pela sua luta para alcançar uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia.

Como líder do movimento democracia na Venezuela, Maria Corina Machado é um dos mais extraordinários exemplos de coragem civil na América Latina nos últimos tempos.

A Sra. Machado tem sido uma figura chave e unificadora numa oposição política que outrora foi profundamente dividida - uma oposição que encontrou um terreno comum na exigência de eleições livres e de governo representativo. É precisamente isto que está no centro da democracia: a nossa vontade partilhada de defender os princípios do domínio popular, embora discordemos. Numa altura em que a democracia está ameaçada, é mais importante do que nunca defender este terreno comum.

A Venezuela evoluiu de um país relativamente democrático e próspero para um estado brutal e autoritário que agora sofre uma crise humanitária e econômica. A maioria dos venezuelanos vive em profunda pobreza, mesmo quando os poucos no topo se enriquecem. A maquinaria violenta do estado é dirigida contra os cidadãos do país. Quase 8 milhões de pessoas deixaram o país. A oposição tem sido sistematicamente suprimida através de fraude eleitoral, processo judicial e prisão.

O regime autoritário da Venezuela torna o trabalho político extremamente difícil. Como fundadora da Súmate, organização dedicada ao desenvolvimento democrático, a Sra. Machado levantou-se para eleições livres e justas há mais de 20 anos. Como ela disse: "Foi uma escolha de cédulas em vez de balas. ” No cargo político e ao serviço das organizações desde então, a Sra. Machado tem manifestado a favor da independência judicial, dos direitos humanos e da representação popular. Ela passou anos trabalhando pela liberdade do povo venezuelano.

Antes da eleição de 2024, Ms Machado era a candidata presidencial da oposição, mas o regime bloqueou a candidatura dela. Ela então apoiou o representante de um partido diferente, Edmundo Gonzalez Urrutia, na eleição. Centenas de milhares de voluntários mobilizados através de divisões políticas. Eles foram treinados como observadores eleitorais para garantir uma eleição transparente e justa. Apesar do risco de assédio, prisão e tortura, os cidadãos de todo o país mantiveram vigia das mesas de voto. Eles certificaram-se de que os contatos finais fossem documentados antes que o regime pudesse destruir as cédulas e mentir sobre o resultado.

Os esforços da oposição coletiva, tanto antes como durante as eleições, foram inovadores e corajosos, pacíficos e democráticos. A oposição recebeu apoio internacional quando os seus líderes divulgaram as contagens de votos recolhidas dos distritos eleitorais do país, mostrando que a oposição tinha vencido por uma margem clara. Mas o regime recusou-se a aceitar o resultado das eleições e agarrou-se ao poder.

A democracia é uma condição prévia para uma paz duradoura. No entanto, vivemos num mundo onde a democracia está em retirada, onde cada vez mais regimes autoritários estão a desafiar as normas e a recorrer à violência. O poder rígido do regime venezuelano e a sua repressão contra a população não são únicos no mundo. Vemos as mesmas tendências globalmente: Estado de direito abusado por aqueles que controlam, meios de comunicação livres silenciados, críticos presos e sociedades empurradas para o domínio autoritário e a militarização. Em 2024, mais eleições foram realizadas do que nunca, mas cada vez menos são livres e justas.

Em sua longa história, o Comitê Nobel norueguês homenageou mulheres e homens corajosos que enfrentaram a repressão, que carregaram a esperança da liberdade nas celas de prisões, nas ruas e em praças públicas, e que mostraram através das suas ações que a resistência pacífica pode mudar a mundo. No último ano, a Sra. Machado foi obrigada a viver escondida. Apesar das sérias ameaças contra a sua vida, ela permaneceu no país, uma escolha que inspirou milhões de pessoas.

Quando os autoritários tomam o poder, é crucial reconhecer os corajosos defensores da liberdade que se levantam e resistem. A democracia depende de pessoas que se recusam a ficar em silêncio, que se atrevem a dar um passo em frente apesar dos graves riscos, e que nos lembram que a liberdade nunca deve ser tomada como garantida, mas deve ser sempre defendida – com palavras, com coragem e determinação.

Maria Corina Machado cumpre os três critérios indicados no testamento de Alfred Nobel para a seleção de um prémio da Paz. Ela reuniu a oposição do seu país. Ela nunca vacilou em resistir à militarização da sociedade venezuelana. Ela tem sido firme no seu apoio a uma transição pacífica para a democracia.

Maria Corina Machado mostrou que as ferramentas da democracia são também as ferramentas da paz. Ela encarna a esperança de um futuro diferente, onde os direitos fundamentais dos cidadãos são protegidos e as suas vozes são ouvidas. Neste futuro, as pessoas finalmente serão livres para viver em paz.»


19.12.1915 – 10.10.1963: Édith Piaf

 


Uns dizem que morreu em 10 de Outubro de 1963, outros que foi no dia seguinte, poucas horas antes do seu grande amigo Jean Cocteau.

Piaf colou-se para sempre à pele da minha geração, como tantos outros cantores sobretudo franceses, quando este país era quase tão sombrio como os vestidos pretos que ela nunca largou. Mas acrescento uma nota pessoal: acabada de regressar de Portugal, onde tinha vivido a primeira parte da crise académica de 1962, eu vi-a e ouvi-a, em Lovaina, no mesmo dia (vim a sabê-lo algumas horas mais tarde) em que muitas centenas de estudantes foram presos na Cantina da Cidade Universitária de Lisboa. «L'hymne à l'amour» ficou para sempre associado, em mim, ao Dia do Estudante.








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Eça

 


Que Passos não se apoquente, não haverá linhas vermelhas nas autarquias

 


«Se Montenegro dizia “não é não” e acabou a cozinhar uma lei da imigração com Ventura, imaginem o que quer dizer a recusa em esclarecer entendimentos pós-eleitorais com o Chega. Já estão feitos. E não, falar disso não é, como disse Montenegro, “politiquês”. É o direito de os eleitores saberem se, no dia seguinte às eleições, vão ter um vereador do Chega a gerir bairros sociais, apoios sociais e polícias municipais. Até podem querer. Mas os que recusam essa ideia exigem clareza.

A palavra do líder não determina o que acontecerá em cada câmara. Mas se é líder, dá indicações gerais. Foi o que José Luís Carneiro, com uma clareza que até me surpreendeu, fez: não há entendimentos com a extrema-direita. Luís Montenegro, ao chutar para canto, também passou uma mensagem: pode haver, cada autarca decidirá. O apelo de Passos(que criou Ventura numas eleições autárquicas), para pôr de lado as linhas vermelhas, vem tarde. Já não há motivo para se preocupar. Elas já não existem. Há algum tempo. E nestas autárquicas isso deixará de ser tema. É “politiquês”.

Há autarcas que já decidiram. Em Sintra, um concelho especialmente sensível pela sua enorme diversidade cultural e étnica, Marco Almeida, o eterno candidato derrotado do PSD, já deixou claro que essas linhas vermelhas não existem.

Pelo mediatismo da jovem candidata do Chega, Rita Matias, pelo facto de este ser concelho do líder e pela importância demográfica e política de Sintra, é de esperar que o partido queira fazer desta aliança um laboratório de entendimentos e políticas discriminatórias. Talvez Marco Almeida lhe possa dar o pelouro da educação, para que leve à prática o bonito espetáculo que nos ofereceu quando leu os nomes das crianças malandras que, sendo filhas de estrangeiros, se atrevem a frequentar o pré-escolar.

Em Lisboa, não é provável que, caso Carlos Moedas consiga travar a caminhada descendente da sua campanha e vencer as eleições, queira continuar a governar em minoria. Assim como Alexandra Leitão se vai entender com o PCP (como Medina fez no passado com o Bloco, que, apesar dos avisos de Moedas, já teve vereadores com pelouro), Moedas terá dificuldade em não se entender com o partido que até teve a amabilidade de escolher, para a capital, um candidato de 20ª linha.

Não se trata de voltar a fazer os debates do passado. Debates que, como se viu nos posteriores entendimentos quanto a tudo em que seria de esperar distância, foram inconsequentes. Nessa matéria, as coisas estão claras e decididas. Trata-se de recordar que o Chega não vai apenas ganhar autarquias. Vai poder aplicar as suas políticas discriminatórias e desumanas em autarquias em que não vença. Do processo de normalização do discurso, passaremos para a normalização da prática.»


9.10.25

O Polígrafo explica

 


“Dois anos após os brutais massacres sobre civis inocentes, há quem organize uma manifestação para glorificar terroristas. O BE e o Livre andaram a apoiar manifestações ilegais e desordeiras. Se não se demarcarem desta é porque são coniventes”, denunciou Mário Amorim Lopes através das redes sociais.

Na publicação, o deputado do Iniciativa Liberal (IL) anexou a imagem de um cartaz uma suposta manifestação, agendada para as 19h00 de hoje, em Lisboa, para a “glória aos mártires da resistência palestiniana”, entre os quais se destacam: as brigadas Al-Qassam (braço militar do Hamas), a Jihad Islâmica e o Hezbollahª

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