14.5.13

Governo em tenda de circo



«O Governo vê-se de fora como uma tenda de circo. Adivinhamos o que lá se vai passando pelos gritos, pelas sombras de uma batalha, pelos artistas e pelos animais que entram, ursos em cima de bolas, focas que aplaudem, serpentes que engolem elefantes, cães atrás da cauda, atiradores de facas, homens-bala, contorcionistas. Portas nunca se engana. Ou enganou ou foi enganado. Mas mantém-se o prognóstico: ou cai a taxa sobre as pensões ou cai o Governo. Portas não aguenta este desaire, nem dentro do seu partido. Precisa de alternativas. E talvez queira vingar o sangue que derramou com o sangue de outros. Veremos. O Governo é outro desde domingo. (...)

O Governo brinda bebendo ácido até se extinguir. Corrompeu a sua relação e corroeu a coligação. Mas enquanto olham para as costas com medo das facas não vêem quem lhes está à frente. O pior não é deixar de acreditar num Governo, é deixar de acreditar no Estado. Descrer no sistema de pensões também é isso. Quem, hoje, crê?»


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