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25.6.17

Zorba versão flashmob




Em Bristol, por estudantes gregos e cipriotas.
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31.5.15

Mosaicos e mais mosaicos



«Regresso» a Paphos, antiga capital de Chipre, que tem muitos motivos para ser visitada, entre os quais um impressionante conjunto de mosaicos da era romana, datado dos séculos II ao IV d.c. e que só foi descoberto, no início da década de 60 do século XX, por escavações mais ou menos fortuitas. Representam cenas mitológicas e a vida quotidiana dos proprietários de quatro grande casas: de Dionísio, Teseu, Orfeu e Aeon.

Ficam aqui algumas fotos que não conseguem, de modo algum, dar uma ideia da riqueza e da dimensão do que está em causa.






15.5.15

Chipre ortodoxo



Hoje foi dia de trepar até ao ponto mais elevado de Troodos (quase 2.000 metros), a cordilheira mais alta de Chipre, por uma estrada com dois sentidos em que por vezes mal cabe um autocarro. Mas correu tudo bem e valeu a pena para ver uns tantos mosteiros e igrejas ortodoxos por lá semeados.

Destaque para o Mosteiro de Kikkos, o mais importante do país, belíssimo sobretudo por dentro (mas com proibição de fotografar, razão pela qual a imagem que está no cimo deste post não é minha…). O conjunto de ícones, um dos quais atribuído a S. Lucas, é realmente magnífico! Nele vivem actualmente cerca de 20 monges, de vários países, mas são amplas as instalações e abertas mesmo a turistas (com intuitos religiosos, assume-se), que aí podem permanecer algum tempo… gratuitamente.

Este e outros mosteiros dedicam-se à produção de vinho e aguardentes várias e as lojas para compra de souvenirs têm mais garrafas do que ícones. Aliás, a Igreja Ortodoxa cipriota, tal como a grega, parece dar-se bem com o vil metal: é proprietária de uma grande quantidade de terras, tem muitas acções em bancos, a marca mais popular de cerveja pertence-lhe, etc., etc.

Amanhã deixo este país que não cheguei a entender minimamente, mas vou muito curiosa e seguir-lhe-ei as pisadas nos próximos tempos. Tudo isto é bastante confuso, a começar pelo facto de a actual Constituição ratificar o uso de três bandeiras: a cipriota, a grega e a turca! E, de facto, é mais do que corrente ver edifícios apenas com a da Grécia (ou lado a lado com a de Chipre). Um pouco como se se quisesse deixar todo o futuro em aberto. E vou mesmo convencida de que é essa a realidade: isto não fica assim durante muito tempo.



13.5.15

Chipre vinícola



Nem que estivesse a escrever até amanhã conseguiria resumir o que vi nos dois últimos dias em termos de camadas de ruínas, umas reconstruídas e outras nem por isso, pegadas de todas as gentes que por aqui foram passando, em guerras e impérios, desde muitos séculos antes de Cristo. Basta olhar para a situação do Chipre no mapa e pensar nas histórias do Mediterrâneo para ser fácil imaginar, e andar por aqui uns dias para prever que a movimentação não vai ficar pelo presente estado de coisas. Mas adiante, deixo de lado as «pedras» e os oráculos para falar… de vinho.

Estive hoje em Kolossi, perto de Limassol, um vale extraordinariamente fértil onde outrora foram cultivadas vinhas, cana-de-açúcar, oliveiras, algodão, etc., etc. Tem um belo castelo construído no século XV (para substituir um outro anterior, entretanto destruído), e produz-se ainda hoje, nesta região – a Comandaria – um dos mais antigos vinhos de que há memória. Adocicado, parecido com o que se produz na Madeira, com a particularidade de se datar o início da sua produção em 3.500 anos a.c. Aliás, o lindíssimo recipiente que se vê na imagem, destinado a guardar vinho, vem precisamente dessa época e foram encontrados por aqui muitos exemplares semelhantes. Para grande orgulho dos cipriotas, continua-se a produzir e a exportar Comandaria.

Deixando os vinhos e passado para o açúcar: junto do castelo, vêem-se as ruínas de uma antiga fábrica onde um rego de água fazia girar uma pesada pedra circular que esmagava as canas para obter açúcar – depois exportado por essa Europa fora, enquanto os nossos navegadores descobriam mundos.

Amanhã é outro dia. E o fim da estadia aproxima-se.
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11.5.15

E a Turquia aqui tão perto



Não é preciso percorrer muitos quilómetros para Nordeste de Lárnaca para chegar à parte turca de Chipre, não sem antes ter atravessado uma base militar inglesa, avistado uns barracões da ONU e várias guaritas com soldados turcos encavalitados, com a missão de vigiarem sabe-se lá quem ou o quê.

Paragem na «fronteira», entrada de uma funcionária a bordo para simples contagem de cabeças (mas parece que nem sempre é assim e há que não deixar em casa passaporte e cartão de cidadão), visita às importantes ruínas de Salamina e chegada a Famagusta. Podia referir muitas coisas, falar da «cidade fantasma», por exemplo, mas o tempo é pouco e limito-me a mostrar o que, até agora, mais me marcou como símbolo desta terra dividida e ocupada: a catedral gótica de S. Nicolau, construída entre 1298 e 1400 e convertida para mesquita quando os otomanos invadiram Famagusta em 1571. Como tal permaneceu até hoje, com os seus minaretes e agora com duas bandeiras hasteadas na fachada: a da Turquia e a do Estado cipriota turco.

Muito haveria a dizer sobre este Chipre dividido em dois, que ainda não «entranhei». Embora o mundo em geral, e a União Europeia em particular, não reconheçam esta anexação, que tem tantos anos como a nossa democracia, uma coisa é certa: do lado de lá da «linha verde», há uma moeda própria (sem euros, portanto), os bancos são turcos e não obedecem a quaisquer directivas nacionais ou europeias, etc, etc, etc.. Tudo previsto, certamente, e o mundo continua a girar. 


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Mas Lárnaca também é isto


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10.5.15

Chipre – primeiros passos



Aterrei em Lárnaca, na costa sudoeste do país, hoje sobretudo virada para o turismo, no passado ocupada por muitas e variadas gentes, com relevo para os otomanos que por cá ficaram 300 anos.

Cidade orgulhosa de alguns dos seus antepassados, com especial relevo para dois: Zenão, o filósofo grego que aqui nasceu e se mudou para Atenas de onde nos legou o estoicismo; e São Lázaro, o propriamente dito, amigo de Cristo, que terá deixado a Galileia, vindo a tornar-se o primeiro bispo de Cítio (antigo nome de Lárnaca).

Veracidade história mais contestada neste segundo caso (parece que Lázaros havia muitos por estas paragens), o que não impediu que tenha sido construída uma bela igreja bizantina sobre… o seu túmulo. (É dela as imagens que aqui deixo.) Tenho à minha frente um livrinho que explica os detalhes de toda esta história e prometo lê-lo…

Amanhã há mais, irei a «território ocupado» (sic) – a parte turca da ilha, claro. País complicado! 





9.5.15

Até já



Daqui a umas horas rumo a Chipre, não para ver como vai por lá o euro e a banca, mas para uma semanita de férias. Não sem antes dormir uma noite em Frankfurt, em acto de vassalagem a sua realeza Angela. Irei dando algumas (poucas) notícias. 
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28.3.13

E não houve nenhum Robim dos Bosques que intersectasse a operação pelo caminho?



... para distribuir o bolo por todos os países «troikados»?


«El BCE ha planificado en un festivo la reapertura y ha fletado un barco con dinero fresco que atracó anoche en el puerto chipriota de Larnaca y que ha realizado el resto del camino en camiones hasta instalaciones expresamente preparadas por el Banco Central de Chipre». 
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26.3.13

Chipre – três notas



«Os que têm mais deixarão de poder investir, o que vai matar a economia. Resultado: os que têm menos vão sofrer as consequências.»

«Al mirar a Chipre, la sensación de los ahorradores italianos, portugueses y españoles es la misma que la del cochinillo cuando ve la fecha de San Martín acercarse pasito a paso por el calendario. Tanto jamón y ya no nos quedan piernas. Tantos billetes y tan poca gasolina.»

«A ideia da União Europeia morreu em Chipre. As ruínas da Europa como a conhecemos estão à nossa frente. É apenas uma questão de tempo. Este é o assunto político que temos de discutir em Portugal, se não quisermos um dia corar perante o cadáver do nosso próprio futuro como nação digna e independente.»

25.3.13

Chipre, Alemanha e o resto



«La decisión llegó con nocturnidad y alevosía, la noche del viernes de la semana pasada, con los ministros del euro pensando tal vez que nadie se fijaría mucho en ese rescate que ha derivado en el primer corralito del euro. Europa, aún la principal potencia comercial del mundo, cada día más tutelada por Alemania, el BCE y el FMI, y cada día más pendiente de las necesidades de los grandes bancos alemanes, traspasaba una frontera inviolable: la sacralidad de los depósitos bancarios. Cuando el euro parecía salvado y los mercados habían dejado de jugar a la montaña rusa, los socios del euro se metieron un autogol por toda la escuadra. (...)

A partir de esas llamadas a las cancillerías, los socios del euro trataron de deshacer el lío. Pero el daño ya estaba hecho: ahora se trata de limitar las consecuencias. El error Chipre “es la constatación de que el euro está en manos de aficionados que apenas entienden lo que significa una unión monetaria. Es un desastre. Porque además la decisión está contaminada por ese calvinismo que presume de la virtud en el Norte, sobre todo en Alemania, y quiere un castigo ejemplar para el Sur corrompido. (...)

De repente, media isla —la otra media es turca— con dos bases militares británicas, prácticamente colonizada por Rusia revela al mundo el fracaso de la gobernanza de la UE, y saca a la luz la ausencia de liderazgo moral y político, y ese espíritu punitivo que mueve a Alemania. (...)

Bruselas apunta que no hay margen de maniobra: los ajustes seguirán; la única duda es si se mantiene el ritmo o se suaviza. ¿Hay salida? “En el primer trimestre de 2014, el crecimiento volverá y el paro empezará a bajar”, dice un portavoz del ministro alemán Wolfgang Schäuble. Hace solo un mes, tanto Berlín como Bruselas aseguraban que los brotes verdes llegarían en verano. Tras el error de Chipre, la mejoría se retrasa. En cambio, la receta no varía: sigan esperando, confíen en nosotros, y en caso de duda hagan como hicimos los alemanes.

Na íntegra aqui.


Ler também: IT'S OFFICIAL: Banks In Europe May Now Seize Deposits To Cover Their Gambling Losses
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19.3.13

Chipre: como se chegou até aqui



Um texto de hoje num blogue do Público.esLa tramoya: Qué pasa en Chipre y por qué – explica, sinteticamente e com clareza, como se chegou à actual situação explosiva.

Una brevísima historia 

Chipre mantuvo desde los años noventa una economía modesta y relativamente saneada gracias a su oferta de turismo tradicional. Sin embargo, entre 2001 y 2008 su PIB creció un 3,7% de media, bastante más que el de la mayoría de los países de la Unión, mientras que su deuda pública se mantuvo baja, sin ni siquiera llegar, cuando estalló la crisis, al 60% exigido por la UE.

Pero a partir de 2010-2011 las cosas se pusieron mal para la banca chipriota, las agencias de calificación rebajaron la nota a Chipre y el 26 de junio de 2012 el gobierno solicitó formalmente una ayuda a la Unión Europea. Lo que había pasado en esos años de crecimiento y las razones de la caída son muy parecidas a lo ocurrido en otros lugares de Europa.

Chipre entró a formar parte del euro en 2007 pero había vinculado su moneda con la europea desde antes. Eso le permitió tener tipos de interés reales muy bajos y como al mismo tiempo ofrecía impuestos muy ventajosos (en realidad, actuaba como un auténtico paraíso fiscal) registró grandes entradas de capital que le permitían crecer mucho. Muchas de ellas (algunas estimaciones dicen que entre el 30 y el 40% del total de los depósitos) procedentes de los oligarcas rusos que blanqueaban allí su dinero, y también del Reino Unido e incluso (cuando estalló la crisis) de Grecia.

Los bancos canalizaron la entrada de esa gran cantidad de liquidez y la dedicaron en su mayor parte a financiar una burbuja inmobiliaria muy parecida a la de España. Y a partir de 2008-2009 a comprar grandes volúmenes de deuda griega que era muy rentable por la presión que los mercados ejercían sobre el país heleno (los bancos chipriotas dedicaron a ello el equivalente al 25% del PIB de Chipre).

Los economistas neoliberales, y entre ellos las autoridades europeas, habían estado considerando en los años de bonanza que un sector bancario super desarrollado y los impuestos muy bajos eran una gran virtud de la economía de Chipre (lo mismo que decían de Irlanda). La realidad se encargó de poner su sabiduría en su sitio: cuando en 2011 se realizó una quita de la deuda griega (como será inevitable que vaya ocurriendo en otros países), los bancos chipriotas quebraron. Y los bajos impuestos solo se tradujeron en un mayor incremento de deuda y en casi una nula capacidad de maniobra cuando la dinámica se torció y los gastos públicos tuvieron que elevarse (entre otras cosas, porque el desempleo se disparó). Y en medio de todo eso, no se puede olvidar que también hubo (como en otros países europeos y también aquí en España) un banco central dirigido por cómplices de los banqueros que no dijeron nada cuando se estaba larvando el desastre.

E assim se chegou à intervenção da troika. 
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Resgate que mata



«Aprendemos que, perante a grosseria de Schäuble (o ministro alemão das Finanças, que agora se diz inocente...) no Eurogrupo, toda a gente se calou, e que o pormenor deste roubo aos aforristas no Chipre foi detalhado com a cumplicidade de P. Moscovici, o seu homólogo francês. Aprendemos que Berlim está definitivamente possuída pela desmesura que conduz ao abismo. Aprendemos que nos outros 16 países da Eurozona parece não existir um único governante com coragem para dizer "basta!". A juntar ao défice de liderança política e à estupidez económica, somam-se a apatia moral e níveis patologicamente baixos de testosterona.»

Viriato Soromenho-Marques

(Não esquecer que o nosso inefável Vítor Gaspar também esteve na reunião do Eurogrupo.)
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18.3.13

Angela – igual a si própria



Comentando a recente decisão dos líderes da zona euro quanto à aplicação de taxas aos depósitos bancários em Chipre, Angela Merkel afirmou, num evento político alemão, que «desse modo, os responsáveis irão fazer parte desse acordo e não apenas os contribuintes de outros países». (Sublinhe-se a palavra «responsáveis» que não está no texto por erro de tradução: há quem o tenha confirmado na fonte).

Ou seja, para a pessoa com maior poder nesta triste Europa, todos os cipriotas, mesmo os que até podem ter conta bancária apenas para receber um baixo salário, devem ser atingidos por uma sobretaxa nos seus depósitos, porque são «responsáveis» pelo estoiro do superdimensionado e desmedidamente ambicioso sistema bancário do país, devido em parte à crise na Grécia, e também por Chipre se ter transformado num paraíso fiscal para oligarcas russos. Expressão apenas infeliz? Pela boca morre o peixe e é mesmo isso que ela pensa destes povos miseráveis do Sul: que eles são irresponsáveis.

Entretanto, multiplicam-se notícias e contranotícias sobre possíveis alterações ao que foi aprovsdo em Bruxelas na passada sexta-feira, o que só demonstra a ligeireza com que decisões desta importância são tomadas, aparentemente em cima do joelho.

Independentemente das taxas que vierem a ser fixadas, é esta medida muito diferente, quanto aos efeitos práticos no bolso de cada um, de aumentos de impostos ou de cortes de salários? Não, mas é mais um tabu que cai e que abala a confiança de todos os europeus: o seguro das contas bancárias, a (agora ignorada) garantia de que eram invioláveis até um determinado tecto. E isto é muito mais grave do que possa parecer. Porque fica-se sm saber o que poderá vir a seguir.

Para além de tudo isto, no caso concreto, os líderes europeus parecem não desistir de entregar a Grécia e Chipre à Rússia (*), mais tarde ou mais cedo.

A Europa, tal como a conhecemos, já acabou. Quantos dias terá o que resta? Só isso é que não sabemos.

(*) Gazprom oferece-se para resgatar Chipre.

17.3.13

Invista no seu novo banco



Enquanto é tempo!

«Os lideres da eurozona falarão do negócio como algo que reflete as circunstâncias únicas que rodeiam Chipre, exatamente como fizeram com a reestruturação da dívida Grega no ano passado. Mas se o leitor for um depositante num país periférico que parece precisar de mais dinheiro da eurozona, qual seria o seu cálculo? Que nunca seria tratado como as pessoas em Chipre, ou que havia sido estabelecido um precedente refletindo a exigência consistente dos países credores de uma repartição do peso do fardo? A probabilidade de grandes e desestabilizadores movimentos de dinheiro (para notas e moedas, senão para outros bancos) foi desencadeada.» 

Daniel Bessa: «Estamos todos a evitar anunciar a bancarrota»
«Estamos todos no país a tentar evitar o momento final do anúncio ao mundo da bancarrota e do incumprimento. Não estou a dizer que estamos em cima desse momento, mas, infelizmente, estamos hoje mais perto do que estávamos há dois meses, estamos mais perto do que estávamos há dois anos. E, portanto, é isso que estamos a tentar evitar.»

Luís Menezes Leitão: O "corralito" europeu
«Torna-se cada vez mais evidente que o euro foi um colossal embuste e que a União Europeia é neste momento uma ditadura sem qualquer suporte democrático. Quando os países decidiram aderir julgavam que se estava perante um espaço de segurança e liberdade, em que a propriedade das pessoas fosse respeitada. Se neste momento é possível na Europa confiscar os bens das pessoas e decretar um "corralito" como em qualquer república sul-americana, é manifesto que a União Europeia já não está em condições de resolver os problemas dos cidadãos europeus. E se é assim mais vale que a mesma acabe depressa.»
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Chipre: o impossível acontece



Este texto de José Maria Castro Caldas, publicado pela IAC, fica aqui na íntegra – por motivos que julgo serem absolutamente óbvios...

O Chipre está falido porque a sua banca sobre-dimensionada estoirou, em parte devido ao impacto da reestruturação grega no seu sistema bancário.

Reunidos na sexta-feira, os ministros das finanças da zona euro esperaram pelo encerramento dos mercados para aprovar o plano de resgate ao Chipre (ver nota do Ecofin).

Esse plano contém uma cláusula inesperada e sem precedentes na UE: uma taxa de 6,75% sobre o valor dos depósitos até 100 000 euros (supostamente garantidos pelo Estado em todas as eventualidades, incluindo a falência do banco) e de 9,9% para depósitos acima de 100 000 euros. Em troca os depositantes «confiscados» receberiam ações dos bancos. Os bancos estarão fechados pelo menos no fim-de-semana e na segunda-feira. Nesse período as contas serão purgadas do valor da taxa.

Os depósitos acima de 100 000 incluem muitas contas de cidadãos russos habituados a recorrer Chipre como lavandaria. Diz-se que o parlamento alemão jamais aprovaria um «resgate» à banca cipriota que deixasse incólumes os seus clientes russos.

O que há de extraordinário aqui não é o confisco das contas gordas, russas ou não, nem a relutância alemã em salvar bancos-lavandaria. Extraordinário é o confisco aos pequenos aforradores cipriotas. Neste ponto a responsabilidade parece ser do novo governo conservador cipriota. Este governo teria preferido distribuir o mal pelas aldeias, em vez de o situar acima do limite garantido de 100 000, para preservar o «prestígio» de Chipre como porto de abrigo de piratas financeiros. Mesmo assim será interessante saber até que ponto os credores dos bancos cipriotas, inclusive os credores alemães, irão também sofrer perdas. É cedo para ter certezas quanto à perigosidade dos demónios que esta decisão da EU libertou. Fico-me por citações de duas notícias de jornal. A primeira do grego Ekathimerini, a segunda do britânico The Economist.

Lê-se no Ekathimerini:

«A notícia do acordo foi recebida com choque em Chipre, já que o recém-eleito Presidente Nikos Anastasiades e os seus conselheiros económicos haviam dito ser contra a ideia de uma taxa sobre os depósitos.

Anastasiades reunirá o governo e encontrar-se-á com lideres políticos rivais no Sábado à tarde e dirigir-se-á à nação no domingo.

O candidato presidencial Giorgos Lillikas apelou a um referendo acerca da aceitação ou rejeição pelos cipriotas da taxa sobre os depósitos. À falta do referendo exigiu a convocação imediata de nova eleição presidencial.

Lillikas disse também que estava em conversações com economistas acerca da criação de um plano para o abandono do euro por parte de Chipre e o regresso à libra cipriota.

O secretário geral do Partido Comunista de Chipre (AKEL), Andros Kyprianou, disse que o seu partido está a considerar aconselhar Anastasiades a convocar um referendo ou retirar Chipre da zona euro.

Desde a manhã de sábado, os cipriotas formaram filas nos bancos para retirar dinheiro e algumas caixas multibanco ficaram sem notas para entregar aos clientes.»

Lê-se em The Economist:

«Os lideres da eurozona falarão do negócio como algo que reflete as circunstâncias únicas que rodeiam Chipre, exatamente como fizeram com a reestruturação da dívida Grega no ano passado. Mas se o leitor for um depositante num país periférico que parece precisar de mais dinheiro da eurozona, qual seria o seu cálculo? Que nunca seria tratado como as pessoas em Chipre, ou que havia sido estabelecido um precedente refletindo a exigência consistente dos países credores de uma repartição do peso do fardo? A probabilidade de grandes e desestabilizadores movimentos de dinheiro (para notas e moedas, senão para outros bancos) foi desencadeada.» 
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