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2.5.25

Montenegro organizou um arraial em São Bento

 


«Após ter adiado as celebrações do 25 de abril devido ao luto pelo Papa Francisco, o Governo promoveu um mashup, que juntou 25 de abril e 1.º de maio sob o mote “São Bento em família, celebração da cultura portuguesa”. De acordo com o programa, terá sido possível assistir nos jardins do Palacete de São Bento a cante alentejano e a um grupo de Pauliteiros de Miranda, culminando com um concerto do cantor romântico Tony Carreira. As referências à liberdade e aos trabalhadores foram substituídas por um dia dedicado à família.

As palavras importam, têm um significado e uma história. Depois de uma gestão trôpega das implicações do luto para os festejos da revolução, a impressão deste dia da cultura portuguesa celebrado em família é de um saudosismo bacoco. É revelador que quando se assinalam as duas efemérides que inauguraram o Portugal democrático – o 25 de abril e o 1.º de maio – se recupere uma linguagem passadista, com reminiscências das conversas televisionadas do derradeiro Presidente do Conselho. Talvez não passe de uma chico-espertice eleitoral, na qual sobressai também um evento no qual se juntam duas manifestações da cultura etnográfica com um artista popular.»


1.5.25

Lisboa 1911

 


Operários da panificação, em greve, pelo descanso semanal.

(Fotografia de Joshua Benoliel)

01.05.1973 - Uma «despedida» do 1º de Maio em ditadura



Às 2:50 minutos do 1º de Maio de 1973, as Brigadas Revolucionárias executaram uma das suas acções mais espectaculares, da qual resultou a destruição de dois andares do Ministério das Corporações (actual Ministério do Trabalho e da Segurança Social), na Praça de Londres em Lisboa.

Explicaram mais tarde em comunicado (que pode ser lido AQUI, na íntegra): «O Ministério das Corporações é, por um lado, o instrumento mais directo dos patrões portugueses e estrangeiros, que através dele fixam as condições de trabalho do proletariado – salários, horários – enfim, exploração e repressão (…); e, por outro, um instrumento de exploração directa dos trabalhadores, através da Previdência (…) que fornece serviços de Saúde e Previdência miseráveis.»

Durante a tarde, foram recebidos telefonemas com falsos alertas de bomba em várias grandes empresas de Lisboa. Veio a saber-se depois que se tratara também de uma iniciativa ligada às Brigadas Revolucionárias, cujo objectivo era «libertar» mais cedo os trabalhadores para que pudessem participar na manifestação.

Facto demasiado grave e espectacular para que a censura o silenciasse, foi noticiado nos meios de comunicação social e objecto de todas as conversas, num dia em que se preparavam manifestações proibidíssimas, precedidas por largas dezenas de detenções, como a CNSPP (Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos), de 09.05.1973 veio a relatar:

«Tem-se verificado, nas últimas semanas, um acentuado agravamento da repressão política no nosso país: com o pretexto de impedir quaisquer manifestações públicas por ocasião do 1.º de Maio, procedeu a Direcção-Geral de Segurança à prisão indiscriminada de um elevado número de pessoas, em várias localidades e pertencendo aos mais diversos sectores de actividade profissional. Só durante o período que decorreu de 7 de Abril a 7 de Maio tem a CNSPP conhecimento de terem sido presas 91 pessoas, cujos elementos de identificação se possuem já. Sabe-se, no entanto, que muitas outras dezenas de pessoas foram detidas (...)
As forças policiais desencadearam, nos primeiros dias deste mês, uma desusada onda de violência. No 1.° de Maio, as zonas centrais da cidade de Lisboa e Porto foram teatro de grandes concentrações por parte das forças das diversas corporações policias e parapoliciais (com agentes fardados e à paisana). No Rossio e em toda a área circundante essa presença não se limitou ao papel de intimidação ou de repressão, mas adquiriu características de verdadeira agressão: espancamentos brutais e indiscriminados, grande número de feridos, dezenas de prisões. Dessa agressão, foram vítimas muitos trabalhadores, assim como estudantes e outras pessoas que se limitavam a passar pelo local».
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Deixem o Luís trabalhar

 


01.05.1974 – Quando o futuro não tinha impossíveis

 



Trabalhar, sim, mas menos

 


«Feliz dia internacional dos trabalhadores!

Caso não aguente mais uma cábula sobre o 1.º de Maio e a maneira triunfal como se reduziram para oito as horas diárias de trabalho, pense nisto: foi há mais de 100 anos.

Ganha-se mais em pensar no 1.º de Maio como o dia em que os trabalhadores lutam para trabalhar menos do que no ano – ou, vá lá, a década – anterior.

Só ficaram pelas oito horas por dia porque até aí trabalhavam 10 e 12 horas.

Não é o número 8 que é mágico: é o ser menos do que 9, 10, 11, 12 e por aí afora.

O progresso está na redução progressiva da carga horária. Daqui a 100 anos, se tudo correr bem, a semana laboral terá 15 horas, mas a luta será por uma semana de 12 horas.

Doze horas já é muito: o acordar, o viajar, o aturar, o aborrecer, o cansar, o ter de voltar. Todas estas coisas são fixas e não há maneira de as contornar.

A conquista não é a semana de 40 horas. A conquista é obrigar os patrões a pagar-nos o mesmo por menos horas de trabalho. Já que não nos aumentam os ordenados, ao menos que nos paguem mais por hora.

Não são as conquistas que satisfazem: são as recompensas da luta.

Os trabalhadores vão exigindo e os patrões vão cedendo: é este processo contínuo que deve ser celebrado.

A luta não pode parar, não pode congratular-se, não pode satisfazer-se. Pelo menos publicamente.

A reacção ao "eles comem tudo" é "nós queremos mais". Ou mais dinheiro ou mais tempo. E assim já não será tudo o que comem, mas um bocadinho menos.

Cuidado com os patrões que dão os parabéns aos trabalhadores pelas conquistas de Maio.

Não seriam conquistas se os patrões cedessem logo de bom grado.

A inflação é um facto da vida. Mas a desinflação das horas de trabalho também deveria ser: se os preços estão mais caros, seria profundamente injusto se eu tivesse de trabalhar mais tempo para os pagar.»


30.4.25

Isto estava a pedir um apagão

 


«𝐐𝐮𝐚𝐧𝐝𝐨 𝐚𝐦𝐚𝐧𝐡ã à 𝐭𝐚𝐫𝐝𝐞 𝐚𝐬 𝐜𝐞𝐧𝐭𝐫𝐚𝐢𝐬 𝐬𝐢𝐧𝐝𝐢𝐜𝐚𝐢𝐬 𝐟𝐞𝐬𝐭𝐞𝐣𝐚𝐫𝐞𝐦 𝐨 𝐃𝐢𝐚 𝐝𝐨 𝐓𝐫𝐚𝐛𝐚𝐥𝐡𝐚𝐝𝐨𝐫, 𝐓𝐨𝐧𝐲 𝐂𝐚𝐫𝐫𝐞𝐢𝐫𝐚 𝐞𝐬𝐭𝐚𝐫á 𝐚 𝐜𝐚𝐧𝐭𝐚𝐫 𝐧𝐨𝐬 𝐣𝐚𝐫𝐝𝐢𝐧𝐬 𝐝𝐨 𝐏𝐚𝐥á𝐜𝐢𝐨 𝐝𝐞 𝐒. 𝐁𝐞𝐧𝐭𝐨, 𝐫𝐞𝐬𝐢𝐝ê𝐧𝐜𝐢𝐚 𝐨𝐟𝐢𝐜𝐢𝐚𝐥 𝐝𝐨 𝐩𝐫𝐢𝐦𝐞𝐢𝐫𝐨-𝐦𝐢𝐧𝐢𝐬𝐭𝐫𝐨. 𝐄𝐫𝐚 𝐝𝐢𝐟í𝐜𝐢𝐥 𝐚𝐫𝐫𝐚𝐧𝐣𝐚𝐫 𝐦𝐞𝐥𝐡𝐨𝐫 𝐦𝐞𝐭á𝐟𝐨𝐫𝐚 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐢𝐥𝐮𝐬𝐭𝐫𝐚𝐫 𝐨 𝐞𝐬𝐭𝐚𝐝𝐨 𝐚 𝐪𝐮𝐞 𝐢𝐬𝐭𝐨 𝐜𝐡𝐞𝐠𝐨𝐮. 𝐒𝐞𝐧𝐝𝐨 𝐞𝐬𝐭ú𝐩𝐢𝐝𝐨 𝐚𝐜𝐡𝐚𝐫 𝐪𝐮𝐞 𝐬ó 𝐨 𝐙𝐞𝐜𝐚, 𝐨 𝐅𝐚𝐮𝐬𝐭𝐨, 𝐨 𝐕𝐢𝐭𝐨𝐫𝐢𝐧𝐨 𝐨𝐮 𝐚 𝐆𝐚𝐫𝐨𝐭𝐚 𝐍ã𝐨 𝐜𝐨𝐥𝐚𝐦 𝐜𝐨𝐦 𝐚 𝐟𝐞𝐬𝐭𝐚 𝐝𝐚 𝐋𝐢𝐛𝐞𝐫𝐝𝐚𝐝𝐞, 𝐞 𝐬𝐞𝐧𝐝𝐨 𝐢𝐠𝐮𝐚𝐥𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐞𝐬𝐭ú𝐩𝐢𝐝𝐨 𝐚𝐜𝐡𝐚𝐫 𝐪𝐮𝐞 𝐨 𝐟𝐚𝐝𝐨 é 𝐟𝐚𝐬𝐜𝐢𝐬𝐭𝐚, 𝐜𝐡𝐚𝐦𝐚𝐫 𝐮𝐦 𝐜𝐚𝐧𝐭𝐨𝐫 𝐫𝐨𝐦â𝐧𝐭𝐢𝐜𝐨 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐝𝐚𝐫 𝐯𝐨𝐳 𝐚𝐨 𝟐𝟓 𝐝𝐞 𝐀𝐛𝐫𝐢𝐥 é 𝐚𝐬𝐬𝐮𝐦𝐢𝐝𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐦𝐞𝐱𝐞𝐫 𝐜𝐨𝐦 𝐨 𝐞𝐬𝐩í𝐫𝐢𝐭𝐨 𝐝𝐚 𝐜𝐨𝐢𝐬𝐚. 𝐀 𝐫𝐞𝐯𝐨𝐥𝐮çã𝐨 é 𝐦𝐨𝐯𝐢𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨 𝐞 𝐦𝐮𝐝𝐚𝐧ç𝐚, 𝐨 𝐫𝐨𝐦â𝐧𝐭𝐢𝐜𝐨 𝐭𝐞𝐧𝐝𝐞 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐨 𝐭𝐫ô𝐩𝐞𝐠𝐨.»

Â𝐧𝐠𝐞𝐥𝐚 𝐒𝐢𝐥𝐯𝐚 𝐧𝐚 𝐍𝐞𝐰𝐬𝐥𝐞𝐭𝐭𝐞𝐫 𝐝𝐨 𝐄𝐱𝐩𝐫𝐞𝐬𝐬𝐨, 𝟑𝟎.𝟎𝟒.𝟐𝟎𝟐𝟓.

1.5.24

01.05.1974 – A libertação do Tarrafal

 


Em 29 de Outubro de 2008, o Movimento «Não apaguem a memória!» organizou, em Lisboa, um colóquio internacional «Tarrafal, uma prisão, dois continentes», com a participação de muitos conferencistas entre os quais vários presos de Portugal e de África.

Joaquim Pinto de Andrade, antigo preso, fez uma longa intervenção, da qual é oportuno recordar hoje como descreveu a libertação, no dia 1 de Maio de 1974, de todos os que se encontravam no Tarrafal. É sempre importante ouvir quem viveu os factos.




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01.05.1974 – Quando o futuro não tinha impossíveis

 


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01.05.1973 - Uma «despedida» do 1º de Maio em ditadura



Às 2:50 minutos do 1º de Maio de 1973, as Brigadas Revolucionárias executaram uma das suas acções mais espectaculares, da qual resultou a destruição de dois andares do Ministério das Corporações (actual Ministério do Trabalho e da Segurança Social), na Praça de Londres em Lisboa.

Explicaram mais tarde em comunicado (que pode ser lido AQUI, na íntegra): «O Ministério das Corporações é, por um lado, o instrumento mais directo dos patrões portugueses e estrangeiros, que através dele fixam as condições de trabalho do proletariado – salários, horários – enfim, exploração e repressão (…); e, por outro, um instrumento de exploração directa dos trabalhadores, através da Previdência (…) que fornece serviços de Saúde e Previdência miseráveis.»

Durante a tarde, foram recebidos telefonemas com falsos alertas de bomba em várias grandes empresas de Lisboa. Veio a saber-se depois que se tratara também de uma iniciativa ligada às Brigadas Revolucionárias, cujo objectivo era «libertar» mais cedo os trabalhadores para que pudessem participar na manifestação.

Facto demasiado grave e espectacular para que a censura o silenciasse, foi noticiado nos meios de comunicação social e objecto de todas as conversas, num dia em que se preparavam manifestações proibidíssimas, precedidas por largas dezenas de detenções, como a CNSPP (Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos), de 09.05.1973 veio a relatar:

«Tem-se verificado, nas últimas semanas, um acentuado agravamento da repressão política no nosso país: com o pretexto de impedir quaisquer manifestações públicas por ocasião do 1.º de Maio, procedeu a Direcção-Geral de Segurança à prisão indiscriminada de um elevado número de pessoas, em várias localidades e pertencendo aos mais diversos sectores de actividade profissional. Só durante o período que decorreu de 7 de Abril a 7 de Maio tem a CNSPP conhecimento de terem sido presas 91 pessoas, cujos elementos de identificação se possuem já. Sabe-se, no entanto, que muitas outras dezenas de pessoas foram detidas (...)
As forças policiais desencadearam, nos primeiros dias deste mês, uma desusada onda de violência. No 1.° de Maio, as zonas centrais da cidade de Lisboa e Porto foram teatro de grandes concentrações por parte das forças das diversas corporações policias e parapoliciais (com agentes fardados e à paisana). No Rossio e em toda a área circundante essa presença não se limitou ao papel de intimidação ou de repressão, mas adquiriu características de verdadeira agressão: espancamentos brutais e indiscriminados, grande número de feridos, dezenas de prisões. Dessa agressão, foram vítimas muitos trabalhadores, assim como estudantes e outras pessoas que se limitavam a passar pelo local».
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1.5.23

Lisboa, 1911

 


Operários da panificação, em greve, pelo descanso semanal.

Fotografia de Joshua Benoliel.
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01.05.1973 - Uma «despedida» do 1º de Maio em ditadura



Às 2:50 minutos do 1º de Maio de 1973, as Brigadas Revolucionárias executaram uma das suas acções mais espectaculares, da qual resultou a destruição de dois andares do Ministério das Corporações (actual Ministério do Trabalho e da Segurança Social), na Praça de Londres em Lisboa.

Explicaram mais tarde em comunicado (que pode ser lido AQUI, na íntegra): «O Ministério das Corporações é, por um lado, o instrumento mais directo dos patrões portugueses e estrangeiros, que através dele fixam as condições de trabalho do proletariado – salários, horários – enfim, exploração e repressão (…); e, por outro, um instrumento de exploração directa dos trabalhadores, através da Previdência (…) que fornece serviços de Saúde e Previdência miseráveis.»

Durante a tarde, foram recebidos telefonemas com falsos alertas de bomba em várias grandes empresas de Lisboa. Veio a saber-se depois que se tratara também de uma iniciativa ligada às Brigadas Revolucionárias, cujo objectivo era «libertar» mais cedo os trabalhadores para que pudessem participar na manifestação.

Facto demasiado grave e espectacular para que a censura o silenciasse, foi noticiado nos meios de comunicação social e objecto de todas as conversas, num dia em que se preparavam manifestações proibidíssimas, precedidas por largas dezenas de detenções, como a CNSPP (Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos), de 09.05.1973 veio a relatar:

«Tem-se verificado, nas últimas semanas, um acentuado agravamento da repressão política no nosso país: com o pretexto de impedir quaisquer manifestações públicas por ocasião do 1.º de Maio, procedeu a Direcção-Geral de Segurança à prisão indiscriminada de um elevado número de pessoas, em várias localidades e pertencendo aos mais diversos sectores de actividade profissional. Só durante o período que decorreu de 7 de Abril a 7 de Maio tem a CNSPP conhecimento de terem sido presas 91 pessoas, cujos elementos de identificação se possuem já. Sabe-se, no entanto, que muitas outras dezenas de pessoas foram detidas (...)
As forças policiais desencadearam, nos primeiros dias deste mês, uma desusada onda de violência. No 1.° de Maio, as zonas centrais da cidade de Lisboa e Porto foram teatro de grandes concentrações por parte das forças das diversas corporações policias e parapoliciais (com agentes fardados e à paisana). No Rossio e em toda a área circundante essa presença não se limitou ao papel de intimidação ou de repressão, mas adquiriu características de verdadeira agressão: espancamentos brutais e indiscriminados, grande número de feridos, dezenas de prisões. Dessa agressão, foram vítimas muitos trabalhadores, assim como estudantes e outras pessoas que se limitavam a passar pelo local».
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Isto

 


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Pelo dia em que se festeje o fim do Dia do Trabalhador!

 


«O primeiro dia de Maio é, praticamente desde o 25 de Abril de 1974, em Portugal, uma data de festa e um dia marcado pela “luta dos trabalhadores”, através do exercício da manifestação, associação e reunião.

Este dia teve origem nas lutas operárias norte-americanas, nomeadamente, na cidade extremamente industrial de Chicago em 1886, onde se iniciou um movimento contínuo de reconhecimento de direitos laborais e onde se reconheceu a importância de um sistema universal de educação básica.

Uma das mais notórias conquistas deste movimento foi a redução da jornada de trabalho. A conquista das oito horas diárias como regra adveio deste movimento. Onde existia uma exploração superior, talvez, a metade do dia, como dia de trabalho.

Claramente que esta conquista é hoje, praticamente, transversal. Mas, no sector primário, essa conquista veio depois — e mais pela sofisticação de processos do que, propriamente, pela conquista operária.

Em Portugal, transitaram desde 1974 até 2022, de 35% para 3% dos trabalhadores no sector primário, 34% para 25% no sector secundário e de 31% para 71% no sector terciário. Isto significa que, de uma força de trabalho equilibrada entre sectores, adveio uma terciarização decorrente de vários factores, destacando a globalização e europeização e o desenvolvimento tecnológico.

Com os últimos tempos marcados quer pela crescente desafectação ao actual modelo socioeconómico ocidental, quer pelo reaparecimento de movimentos de extrema-direita, movimentos sociais e profissionais em manifestação e greve, quer em Portugal como na Europa (ex: França) e, simultaneamente, marcados pela maravilha tecnológica das vacinas RNA, das fabricas robotizadas e da Inteligência Artificial (IA), como o Chat GPT 4, será de rever a lição que nos ensinaram os corajosos grevistas e manifestantes de Chicago.

Ora, esta sociedade que trabalha cerca de oito horas por dia, cinco dias por semana, maioritariamente no sector dos serviços, está extremamente insatisfeita. O que chocaria qualquer um dos presentes no primeiro 1.º de Maio.

Mas ainda bem que o está! Estas insatisfações, tal como o eram as do final do século XIX, são resultado de vermos que é possível termos mais e melhor. A desumanidade da procura do lucro fez com que a exploração humana do período industrial resultasse no início da ponderação do trabalhador como essência da sociedade moderna. Ora, já passou mais do que tempo para passar ao próximo avanço.

Existem já ideias, consideradas utópicas, algumas compiladas num livro chamado até Utopia para Realistas, que parecem vir para fazer, por este momento, o que o movimento operário do 1.º de Maio veio fazer na sua altura.

Este livro, e outros, concordam que este status social não nos serve e que podemos utilizar da nossa tecnologia, como a robótica e, principalmente, a IA para conseguir algo mais compatível com a nossa existência, arguindo em muitos casos que é a única alternativa sustentável pois o crescimento infinito económico num planeta finito é (ou só pode ser) catastrófico.

As ideias como a semana de quatro dias de trabalho e um rendimento básico incondicional já têm muito estudo e evidências de serem possíveis soluções para libertar as pessoas. Deixamos de associar quem somos ao nosso emprego, passando a poder ser indivíduos que vivem, complementando a sua existência básica com um rendimento do trabalho que nos destaca economicamente pelo esforço realmente útil à sociedade.

Por outro lado, enquanto não largarmos a bitola do pleno emprego não poderemos impulsionar a robótica e IA porque leva ao aumento do desemprego e, consequentemente, à pobreza de grandes camadas sociais.

Assim, há que ansiar pelo dia em que rendidos pelas evidências e sobre a nossa tacanha forma de não aceitar nada contra intuitivo, como a ideia de que podemos produzir o mesmo em quatro dias que produzimos em cinco, ou que se dermos todos um rendimento para sobreviver, ainda assim, vamos ter mais gente a ser produtiva do que a não o fazer, e resultados económicos, relativa e absolutamente, melhores. Eliminando, directamente, a pobreza.

Há que sonhar. Sonhar pelo dia em que se festeje o fim do Dia do Trabalhador.»

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Em 74 foi assim

 

No dia em que o futuro não tinha impossíveis.
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1.5.22

No dia em que o futuro não tinha impossíveis

 


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01.05.1973 - Uma «despedida» do 1º de Maio em ditadura

 


Às 2:50 minutos do 1º de Maio de 1973, as Brigadas Revolucionárias executaram uma das suas acções mais espectaculares, da qual resultou a destruição de dois andares do Ministério das Corporações (actual Ministério do Trabalho e da Segurança Social), na Praça de Londres em Lisboa.

Explicaram mais tarde em comunicado: «O Ministério das Corporações é, por um lado, o instrumento mais directo dos patrões portugueses e estrangeiros, que através dele fixam as condições de trabalho do proletariado – salários, horários – enfim, exploração e repressão (…); e, por outro, um instrumento de exploração directa dos trabalhadores, através da Previdência (…) que fornece serviços de Saúde e Previdência miseráveis.»

Facto demasiado grave e espectacular para que a censura o silenciasse, foi noticiado nos meios de comunicação social num dia que se preparavam manifestações proibidíssimas, precedidas por largas dezenas de detenções, como a CNSPP (Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos) veio a relatar. Ler esse relato e mais informação AQUI.
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