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23.10.18

A PSP, a GNR e Bolsonaro



«O que denigre a imagem dos profissionais da PSP, ao contrário do que afirma o Sindicato Vertical de Carreiras da Polícia, não é a pronta e acertada reacção do ministro da Administração Interna. Eduardo Cabrita ordenou um inquérito às circunstâncias da fuga de três arguidos do Tribunal de Instrução Criminal do Porto, suspeitos de dezenas de roubos a idosos, e à divulgação das fotografias dos mesmos após as detenções em Gondomar. Os sindicatos não gostaram disso e acharam que o ministro estava a tomar o partido dos “delinquentes”. Se os sindicatos estão convencidos de que uma fuga patética daquele tipo e a exposição de detidos daquela forma não são suficientes para que um ministro e qualquer um de nós queira saber o que se passou, então é porque acham que os polícias estão acima de qualquer suspeita pelo simples facto de possuírem um crachá.

Os sindicatos e associações das forças de autoridade deveriam preocupar-se tanto com a presunção de inocência dos seus inscritos e associados (claro que a autoria das fotografias em causa será sempre uma especulação) como com a presunção de inocência dos detidos. Os suspeitos, é assim que juridicamente são, não foram ainda sujeitos a qualquer juízo. Percebe-se a solidariedade entre forças da autoridade, mas não é aceitável que a Associação Sócio-Profissional Independente da Guarda diga, sem qualquer prurido, que os criminosos “não são merecedores do mesmo respeito e consideração” que o cidadão comum.

O que denigre a imagem dos profissionais da polícia — generalizando o que não pode ser generalizado, porque há sempre polícias bons e polícias maus, como nos filmes — é um sindicato que recorre a montagens com imagens de idosos espancados noutros países europeus para nos fazer crer que estes foram vítimas daquele trio de “criminosos perigosos” e com isso atacarem nas redes sociais a tutela com que estão em conflito. A publicação consciente de fotografias fora do contexto, com o argumento de que se trata da defesa de colegas vilipendiados por um ministro, não é apenas um tique “Bolsonaro” de mau gosto. É pura manipulação. E manipulação é coisa séria, que não seria de esperar de um sindicato de polícia que se diz vertical.»

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2.2.13

O Guarda e o porco



No Expresso de hoje (sem link), Miguel Sousa Tavares regressa à história dos porcos tresmalhados na A1 e à «agressão» de um deles por um GNR, nesta deliciosa prosa:

«O célebre descarrilamento dos porcos na A1, que motivou atrasos nos autocarros que traziam professores para uma manifestação e a consequente desconfiança de Mário Nogueira, com legítimas suspeitas de que porcos à solta na auto-estrada fossem a nova arma do Governo contra a contestação, ainda não parou de ser fonte de notícias. Desta vez, a notícia foi a "agressão" a pontapé de um GNR a um dos porcos que não se deixava apanhar. O "bárbaro" acto (um ligeiro pontapé no traseiro do bicho, à passagem deste), foi, obviamente, filmado em telemóvel por um destes cidadãos-repórteres que agora estão em todas as esquinas da vida de cada um, descarregado a seguir no inevitável Youtube, causando aquilo a que os jornalistas gostam de chamar "um efeito viral" e de protesto na blogosfera. Impressionada, alarmada, borrada de medo, a GNR apressou-se (no Facebook, é claro) a condenar o acto do seu agente e a anunciar a abertura de um inquérito, "necessariamente moroso", para investigar "as circunstâncias em que o pontapé ocorreu". O GNR será ouvido em breve e, depois de ouvido também o porco, a investigação, necessariamente morosa como se compreende, concluirá aquilo que está à vista no filme em circulação no Youtube: um porco ia a fugir e o agente da ordem deu-lhe um suave pontapé no traseiro. Um crime sem explicação, sem móbil (visto não ser conhecida qualquer relação anterior entre vítima e agressor) e a justificar plenamente a exigência da Associação Animal de que o agressor sofra "uma punição razoável", talvez mesmo uma pena de "suspensão temporária". Quem sabe até, ser condenado a pagar ao porco uma indemnização por danos físicos e morais, nunca inferior a 50 doses de ração melhorada. Ou, em alternativa, ser condenado a trabalhar a favor da comunidade, limpando a pocilga do porco todos os dias, durante as suas férias de Verão. (...)

Quando estudei jornalismo, ensinaram-me que a notícia era se um porco agredisse um GNR. Agora, é o contrário. Não sei se é para rir ou para ficar assustado.» 
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8.1.13

Informadores da GNR: a ouvir com atenção



Será que este major Fonseca, da GNR, tem autoridade para o que está a dizer e consciência da gravidade das suas afirmações?

A GNR tem agentes civis no terreno, não só mas também, «para fornecerem às forças policiais informação privilegiada sobre o que se passa nas suas comunidades»? Quem autorizou exactamente o quê? Onde está o despacho, regulamento, ou seja lá o que for, que autoriza esta actividade e com que âmbito? Um novo serviço de informações de homens de boa vontade? Ora...Sabe-se como estas coisas começam e como habitualmente acabam!
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