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18.11.19

Mujica e a Bolívia




«"Quiero por este medio ocupar unos minutos de su tiempo en llegarle a su corazón con estas pocas letras que encierran el clamor de muchos. No es mi intención juzgar lo que no me corresponde, ni laudar lo que es deber de otros. Vengo a expresar ese clamor, respetuosamente, con la esperanza de que llegue a su oído", comenzó Mujica.»
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20.10.19

Boas recordações



Há quatro anos, andava eu pela Colónia do Sacramento, no Uruguai, bem mais divertida do que hoje nesta cinzenta Lisboa. 

Algumas notas e imagens AQUI.
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20.7.17

Casas «deles» (12)



Casa de Nacarello. Colónia do Sacramento, Uruguai (2015).

Nacarello foi o morador mais antigo desta casa do período português, hoje transformada num pequeno museu que mostra como vivia uma família em meados do século XVIII. Nas imagens mais abaixo, o interior do museu e outras casas e ruas tipicamente portuguesas. Estas «pegadas» dos portugueses são muito interessantes.

A Colónia do Santíssimo Sacramento foi fundada em Janeiro de 1680 por Manuel Lobo, governador da Capitania Real do Rio de Janeiro, a mando da coroa portuguesa, desejosa de estender o seu domínio, através do Brasil, até ao Rio da Prata. Foram depois muitas as lutas e vicissitudes por que passou até à independência do Uruguai em 1828.




15.7.17

Casas «deles» (6)



Carlos Páez Vilar, Casa - Museo Taller Casapueblo, Puta Ballena (perto de Punta del Este), Uruguai (2015).

CPV, uma das glórias do povo uruguaio, nasceu em Montevideu e morreu em 2014, com 90 anos. Viajou pelos quatro cantos do mundo, foi amigo de Picasso, Dali, Calder, Vinícius de Moraes e muitos outros. Homem de sete ofícios, dedicou-se não só à pintura, escultura e cerâmica, mas também ao cinema e à literatura. Em 1958, decidiu construir uma casa por cima das falésias de Punta Ballena e levou 40 anos a concretizar o projecto. A casa é hoje um Museu (mais um hotel e uma outra parte onde a família continua a viver).

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20.10.15

Isto vem de muito longe


(Colónia do Sacramento, Museu de Portugal)

Não existia sobretaxa de IRS, mas havia salários em atraso e o pagamento dos mesmos estava ligado ao desenvolvimento da cidade. 
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19.10.15

A «Colónia» portuguesa


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Confesso que não sou especialmente sensível às pegadas de portugueses, que tenho visto por esse mundo fora. Mas Colónia do Sacramento, aqui no Uruguai, é mesmo diferente e muito especial.

A quantidade de casas que por cá deixámos, algumas muito bem reconstruídas e cuidadas, outras à espera de melhores dias, enche os olhos e transporta-nos «para aí» a séculos e milhares de quilómetros de distância. Distinguem-se imediatamente das espanholas e muitas albergam hoje museus que me preencheram grande parte do dia.

Amanhã? Buenos Aires chama por mim.





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Colónia do Sacramento e rastos dos portugueses



Só tive ainda tempo de dar uma primeira e rápida vista de olhos a esta terra magnífica e pacífica, separada de Buenos Aires pelo Rio da Prata e 45 quilómetros. Hoje verei tudo o que puder na Cidade Velha, ontem só deu para reconhecer meia dúzia de rastos dos portugueses.

A Colónia do Santíssimo Sacramento foi fundada em Janeiro de 1680 por Manuel Lobo, governador da Capitania Real do Rio de Janeiro, a mando da coroa portuguesa, desejosa de estender o seu domínio, através do Brasil, até ao Rio da Prata. Foram depois muitas as lutas e vicissitudes por que passou até à independência do Uruguai em 1828.

Situada numa Península, tem praias e mais praias (de água doce, claro), à espera do Verão que teima em não chegar. Mas chegará. Eu é que já estarei por aí – com Inverno… 



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18.10.15

Amores e cadeados



Não foi só em Paris que os amantes penduravam «cadeados de amor» na Ponte das Artes, tantos que o peso se tornou mais do que excessivo e que foi necessário alterar a tradição.

Em Montevideu também há uma versão semelhante, mais modesta mas nem por isso com menos sucesso. Numa das avenidas mais importantes da cidade, existe uma fonte onde milhares de cadeados prometem amor eterno aos pares que lá os colocarem. Mas dizem as más-línguas que guardam a chave para o que der e vier… 

17.10.15

Montevideu, a cidade que nasceu para resistir aos portugueses



O Uruguai é um país simpático, muito pouco povoado (3 milhões e 400 mil habitantes, dos quais 1 milhão e 800 mil na capital e arredores), sem herdeiros dos índios porque foram praticamente todos eliminados e apenas com 10% de negros.

Montevideu é também uma cidade agradável, com avenidas largas, parques e jardins, vários grandes mercados com boas zonas de alimentação, mas sem poder competir com outras capitais da América Latina, sobretudo porque alguns (infelizmente muitos…) dos seus belíssimos edifícios estão em tão mau estado de conservação que quase passam despercebidos. Mas as pessoas são extremamente amáveis e esforçam-se – com êxito – por falar «portinhol», tantos são os milhares de brasileiros, imigrantes e turistas, que por aqui andam.

A capital do actual Uruguai foi fundada pelos espanhóis em 1724, com um porto especialmente apetrechado para se defender das investidas dos portugueses que haviam fundado Colónia do Sacramento em 1680. Porto não de mar, mas sim do Rio da Prata, tão largo que nos faz esquecer o seu estatuto…

Como habitualmente, ficam algumas fotos.




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16.10.15

Em terras de Galeano, este já cá canta



Estou em Montevideu, terra de Eduardo Galeano, que a terá definido como «a cidade onde as pessoas se amam sem dizer e se abraçam sem se tocar». Com esta frase bem presente, uma das primeiras coisas que fiz foi precipitar-me para uma livraria e trazer debaixo do braço este magnífico livro, um tesouro há muito desejado.

Sem tempo, hoje, para grandes narrativas, ficam por aqui estas duas páginas.


Mais vida para além do caos que por aí se vive



Quadro de autor desconhecido (hall do hotel onde estou em Punta del Este).
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15.10.15

Casa del Pueblo



Nunca vi nada que se parecesse com Punta del Este: uma cidade fantasmagórica com 20.000 habitantes, que se enche com 500.000 por mês durante o Verão. Como este ainda não chegou, há milhares e milhares de apartamentos e de moradias vazios, totalmente às escuras quando a noite cai, lojas fechadas ou que abrem umas horas por semana, transportes que não funcionam. 

Talvez ainda venha a dizer algo sobre habitações faraónicas por que passei hoje, mas prefiro falar do Museo Taller Casapueblo que funciona num conjunto arquitectónico extraordinário da autoria de Carlos Páez Vilaró, uma das glórias do povo uruguaio. 

CPV nasceu em Montevideu e morreu em 2014, com 90 anos. Viajou pelos quatro cantos do mundo, foi amigo de Picasso, Dali, Calder, Vinícius de Moraes e muitos outros. Homem de sete ofícios, dedicou-se não só à pintura, escultura e cerâmica, mas também ao cinema e à literatura. 

Em 1958, decidiu construir uma casa por cima das falésias de Punta Ballena e levou 40 anos a concretizar o projecto. Por mais que o próprio tenha sempre negado qualquer influência de Gaudi, é neste que se pensa assim que se avista a fachada, as torres, os terraços. Seja como for, nenhum mérito é por isso abalado ao percorrer o conjunto labiríntico de salas, hoje transformado em museu, e ao ver por fora uma parte hoje transformado em hotel e outra que é a casa onde a família continua a viver. 

Ficam algumas fotos que mais não fazem do que sugerir uma pálida imagem da realidade.



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14.10.15

Punta del Este aqui tão longe



Por razões puramente logísticas, iniciei a minha digressão pelo Uruguai por Punta del Este – talvez o menos interessante do que espero ver. Mas ainda assim…

Um dos destinos turísticos mais conhecidos do mundo enche-se de gente rica dos países vizinhos, dos Estados Unidos e não só, marca o limite marítimo entre o Rio da Prata e o Oceano Atlântico e está neste momento praticamente deserto porque a Primavera tarda a chegar e as temperaturas convidam a tudo menos a mergulhar num dos lados da Punta – a Praia Brava com fortes ondas – ou no outro – a pacífica Praia Mansa.

Na cidade, torres e torres de beleza mais do que duvidosa, lojas de luxo e tudo o que é de esperar em sítios como este. Mas verei mais logo realidades diferentes.

Para já, confirmo a extraordinária simpatia dos uruguaios e, sim, já comi chivito.

12.10.15

Mais uma volta



Daqui a poucas horas parto para um dos locais do mundo em que melhor me sinto – a América Latina. Mais concretamente, passarei uns dias no Uruguai e chegarei a Buenos Aires mesmo no fim da campanha para as eleições presidenciais onde, pelo que me dizem, o ambiente está mais do que tórrido já há algum tempo. Não espero ver Mujica, mas tenho a sensação de que vou esbarrar com Eduardo Galeano ao virar de uma qualquer esquina de Montevideu.

Irei dando algumas notícias e tentarei passar para segundo plano os episódios da telenovela política dos dias que por aqui passam. 
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