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15.2.11

Obviamente, demitam-se...


,,, os computadores, é claro.


Há 40 anos que ando a ouvir coisas destas!
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30.1.11

Coisas que me intrigam


Mais ou menos a brincar, a minha neta de três anos não queria hoje calçar os sapatos porque me dizia que eles tinham aranhas. Respondi-lhe que já tinham ido todas para dentro da cabeça dela e que eu até estava a vê-las debaixo dos cabelos.

Pois em verdade vos digo: pouco depois, imaginei os mesmos aracnídeos na cabeça do porta-voz do PS, ao ler as afirmações que terá feito à saída da reunião da Comissão Nacional. Só isso pode explicar o que é relatado em vários jornais.

«Reunido em comissão nacional, o PS viu na vitória de Cavaco "a leitura de que há um forte sentimento de estabilidade política na sociedade portuguesa", que é também um desejo de "estabilidade política ao nível do Governo".
José Sócrates já o tinha dito na noite eleitoral, mas hoje o porta-voz Fernando Medina foi mais longe e afirmou que a vitória do actual Presidente da República em detrimento do candidato apoiado pelo PS Manuel Alegre significa que foram "frustradas as perspectivas dos que viam nestas eleições uma mudança de ciclo político na governação".» (sublinhado meu)

Aliás, Silva Pereira já fizera declarações em tudo semelhantes. Ou seja: temos primeiro Sócrates, depois o seu braço direito, e hoje Fernando Medina, a insistirem na mesma tecla.

Assim sendo, impõem-se perguntar: se tivesse sido Manuel Alegre o vencedor, e não Cavaco Silva, o PS concluiria agora

- Que «há um forte sentimento de estabilidade instabilidade política na sociedade portuguesa» e um desejo de «estabilidade instabilidade política ao nível do Governo»?

- Que saíram «frustradas fortalecidas as perspectivas dos que viam nestas eleições uma mudança de ciclo político na governação»?

Só para tentar perceber...
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28.1.11

Importa-se de explicar?


Ministro Silva Pereira em entrevista ao DN:

«Manuel Alegre não era a sua escolha mas já disse que não havia alternativa. O que se passa no PS?

Em se tratando da reeleição de um Presidente, é sempre mais difícil encontrar disponibilidade. O PS fez o que devia e fez a melhor opção. A mais importante leitura política do resultado é a de que a eleição presidencial não fomentou um movimento de centro-direita que pudesse propiciar a abertura de um novo ciclo político.» (sublinhado meu)

Ou seja: «Viva a abstenção!»? e / ou «Cavaco é porreiro, pá!» ???
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27.1.11

Eu bem queria deixar de pensar no dr. Cavaco…


… mas o Manuel António Pina não me deixa:

O mistério dos juros

É sabido que Cavaco Silva nunca se engana e raramente tem dúvidas. Por isso não se enganou decerto quando anunciou aos portugueses (e também decerto sem ter qualquer dúvida sobre isso) que, se houvesse segunda volta nas eleições presidenciais, uma apocalíptica "subida das taxas de juros" iria desabar sobre "empresas e famílias".

É certo que Cavaco não disse preto no branco que, não havendo segunda volta, os juros desceriam ou se manteriam. Mas deu-o a entender (preto no branco), e como qualquer pessoa tem que nascer duas vezes para ser tão sério quanto Cavaco, Cavaco não o daria a entender se não fosse verdade. Por isso, e para lhe agradecerem o aviso, é que "empresas e famílias" o elegeram no domingo uma absolutíssima maioria de 23% do total de eleitores.

Daí que agora não compreendam como é que, três dias depois de, como Cavaco pediu, o terem eleito à primeira volta, os juros da dívida pública continuam a ir olimpicamente por aí acima, "citius, altius, fortius", tendo ontem chegado no mercado secundário à bonita taxa de 7,119%.

Talvez Cavaco se tenha esquecido de dizer aos mercados que podem regressar aos quartéis porque não haverá segunda volta. Ou talvez ande ocupado a tentar saber os "nomes daqueles que estão por detrás" da "campanha de calúnias, mentiras e insinuações" contra si e ainda não tenha tido tempo de telefonar aos mercados.

Mas que urge que Cavaco faça alguma coisa, urge.

P.S. - Já agora, ler: Un economista arrogante que abraza el neoliberalismo
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26.1.11

Que Cavaco agradeça a vitória ao Largo do Rato


Entre culpas e desculpas pelos resultados de Domingo passado, ainda não vi ninguém dizer o que para mim é uma evidência: o maior responsável pelo prolongamento da estadia do dr. Cavaco em Belém é o Partido Socialista. E não porque se atrasou no apoio a Alegre, ou por não se ter empenhado suficientemente durante a campanha eleitoral, ainda menos por ter apoiado a mesma pessoa que o Bloco já tinha escolhido. O PS só se pode queixar de si próprio por ter desprezado a questão presidencial nos últimos dez anos: nos primeiros cinco por não ter pensado na substituição de Sampaio durante o seu último mandato, nos segundos por não se preocupar com o que viria a ser esta mais do que facilitada vitória de Cavaco.

Em 2006, inventou uma solução coxa e requentada com Soares – e foi o que se viu… -, este ano acabou por apoiar alguém que manifestamente não queria e está agora a tentar colar os cacos de uma rotunda derrota. É sabido que estratégias a longo prazo não fazem parte da religião praticada no Largo do Rato, mas não parece desculpável que um partido com o peso do PS cometa duas vezes o mesmo erro.

Teria sido certamente possível identificar um português com mais de 35 anos (e menos de 70, se possível…), dentro ou fora do partido, que desde há dois ou três anos fosse «aparecendo» como o candidato incontornável. É o que se faz em todo o mundo e, mesmo que não se vendam presidentes como sabonetes, propõem-se e impõem-se. No caso concreto, até podia ser alguém com um posicionamento ideológico semelhante ao de Manuel Alegre (mas sem um passado partidário tão complicado), e nem teria sido extraordinariamente difícil, julgo, chegar a um consenso que fizesse com que Alegre não insistisse uma segunda vez. E certamente que ninguém tinha inventado Fernando Nobre…

Teria esse hipotético candidato vencido Cavaco, apesar do desgaste actual do PS? Nunca se saberá (é o encanto da História Virtual ou a tal hipótese de a minha avó poder ter sido uma trotinete se tivesse tido rodas…), mas a fraquíssima figura que tinha pela frente, a relativa pouca consideração de que esta goza mesmo à direita e os resultados de Domingo passado fazem crer que, pelo menos, passaria certamente à segunda volta onde muito provavelmente venceria.

Last but not the least: no panorama existente, Manuel Alegre fez mal em avançar, o Bloco devia ter ficado na sombra, etc., etc., etc.? Não, de modo algum. «Valeu a pena lutar», como muito bem diz Rui Tavares no Público de hoje. Apesar do PS. Não foi desta, mas um dia a esquerda convergirá e não há nenhuma razão que a impeça de sair vencedora.

P.S. – Só para que não se pense que isto é justificação a posteriori de derrota mal digerida. Escrevi há um ano (29/1/2010): «Como se o PS não fosse o único culpado da situação que criou: desde 2006, teve mais do que tempo para preparar o caminho a um outro candidato, se não queria ver-se «obrigado» a apoiar hoje Manuel Alegre. Talvez não o tenha feito porque, até há meia dúzia de meses, se sentisse confortável com Cavaco. Mas agora que a situação parece ter mudado e que Alegre se adiantou – e bem, do seu ponto de vista – decidam-se: ou partem para uma campanha pela positiva, sem "mas" nem "apesares de", ou fazem uma triste figura, provocam provavelmente uma monumental abstenção e dão talvez uma preciosa ajuda ao que dizem querer evitar: que o doutor Cavaco fique mais cinco anos em Belém.»
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24.1.11

Catarses


Não, João Tunes, (aqui e aqui) não esqueço que «nestas eleições, a esquerda perdeu muito e em quase todos os tabuleiros e valências». Só um cego não o veria, embora possa discordar, num ponto ou outro, da análise detalhada que fazes da derrota.

E daí ou, mais exactamente, e a partir daqui?

Eu não falei de «formar partido» ou «frente», pela simples razão que tal ideia nem me passa pela cabeça. Mas, ao contrário do que dizes, e pela minha experiência das últimas semanas, identifico potencialidades de «capitalização» (foi a experiência que usei), com base no que ficou do esforço honesto de muitas pessoas que meteram mãos à obra em tentativas que fracassaram, como tantas coisas em cada um das nossas vidas, sem que por isso nos atiremos necessariamente ao Tejo ou nos fechemos num quarto escuro com as persianas corridas. Também, e talvez sobretudo, pelo choque de realismo que tive em dezenas de conversas com pessoas da idade dos nossos filhos, que se abstiveram, votaram nulo, Nobre, Coelho ou Defensor Moura.

A escolha do dia seguinte – hoje – faz-se, não só mas principalmente, entre o desânimo e o protesto, tão enérgico quanto possível, contra a situação a que chegámos. Chama-lhe voluntarismo, se quiseres, mas eu fico então sem perceber o que é para ti «dar a volta, ir à luta e tem que ser para já». Porque de catarse em catarse, para reflexão, andamos nós há muito tempo. Para chegarmos ao nada inesperado desfecho de 23 de Janeiro de 2011.
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Rescaldo


Não vou citar percentagens. Não contabilizarei vencedores ou vencidos porque está quase tudo dito.

Às 20 h de ontem, o meu primeiro sentimento foi uma enorme compaixão por todos nós, o povo deste país, como se uma fatalidade continuasse a perseguir-nos e a castigar-nos por malfeitorias de que não somos responsáveis. Demasiado trágico e também falso: cinco anos não são uma eternidade e fomos nós que decidimos o que se passou.

Confirmados os péssimos resultados de Alegre, um outro sentimento igualmente incorrecto - «fiz o que pude e a mais não sou obrigada» - ou, em bom vernáculo, «que se lixem!».

E, no entanto:

- Se ainda fossem necessárias provas, o desfecho desta campanha veio confirmar o estado calamitoso a que chegámos, bem reflectido na gigantesca abstenção, no número significativo de brancos e de nulos, no peso do voto de protesto (difícil de identificar mas mais do que real) e na escolha de alguém que ficou simbólica e definitivamente retratado em dois vergonhosos «discursos de vitória».

- 23 de Janeiro de 2011 só pode ser um estímulo e uma porta escancarada para uma nova fase de luta, agora mais a sério e com carácter de urgência. É hoje – e não amanhã, muito menos daqui a cinco anos – que o descontentamento e a tristeza estão à espera de ser capitalizados. Para sairmos da crise que atravessamos sem servilismos ou espírito de martírio, para que não sejam permitidos silêncios quando há muitas explicações por dar, para impormos que os inquilinos de Belém e de S. Bento nos respeitem. Pura e simplesmente, porque queremos viver num país decente.

(Publicado também aqui.)
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23.1.11

Uma má estrela domina



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Eleições - «Post» em actualização


O blogue do Parlamento Global está em funcionamento desde as 16h, como já disse estou a participar como convidada juntamente com outros bloggers do «Alegro Pianissimo», e vou actualizar este post com alguns comentários publicados no PG, que me pareçam de interesse. Sem grandes preocupações de edição…


20:17 - João Semedo (deputado do BE):
Ainda os resultados não estão apurados e já aparecem alguns dirigentes da direita a reclamar a factura do apoio que deram a Cavaco: um presidente, uma maioria e um governo.

19:47 - SIC - José Caldas:
Abordado pelos apoiantes, José Manuel Coelho diz que "Cavaco Silva é o candidato da abstenção".

18:53 - Ana Gomes, eurodeputada:
O cartao do cidadão é um grande avanço. Não o culpemos pelos problemas de hoje. Esses resultam da falta de conhecimento pelos cidadaos de que o cartao do cidadao poderia implicar mudanças no seu registo eleitoral, em virtude de mudanças de residencia etc. E claro, a Comissao Nacional de Eleicoes ou o Ministerio da Administracao Interna deveriam ter previsto os problemas e tomado medidas para os evitar.

18:37 - Luis Tito (Manuel Alegre):
Eu só gostava de ter acesso aos comentários que foram feitos há cinco anos. É que, segundo me lembro, já nessa altura era recorrente a argumentação de que nada se tinha elucidado no decurso da campanha. Esta campanha teve muitos momentos em que foram apresentados argumentos. A questão é que as pessoas se recusaram a ouvi-los e a CS só passou o lixo. Quiseram desvalorizar esta eleição. Fizeram tudo para que ela se fizesse sem ser notada e agora vêm os comentadores do regime com a conversa do costume. Só lhes interessou passar a imagem que Cavaco já tinha ganho as eleições à primeira volta. Foi repetido à exaustão, inclusive por jornalistas dito independentes e por políticos que teoricamente estavam em apoio de outras candidaturas.

Última oportunidade


(Gui Castro Felga)
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Noite eleitoral

O Alegro Pianissimo foi convidado a participar na emissão especial do Parlamento Global, ligado à SIC Notícias, onde estará presente através de parte dos seus bloggers. Serei um deles.
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Motive-se!

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22.1.11

Aníbal e Maria, em dia de reflexão (2)

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Nota oficiosa da Comissão Nacional de Eleições - Voto em branco


Tem circulado de forma generalizada na Internet e através de correio electrónico uma mensagem de apelo ao voto em branco. Esta mensagem induz os cidadãos em erro, na medida em que afirma que se for obtida uma percentagem maioritária de votos em branco a eleição do Presidente da República, do próximo dia 23 de Janeiro de 2011, será anulada.

Por essa razão, um número significativo de cidadãos tem vindo a solicitar à Comissão Nacional de Eleições esclarecimentos sobre a veracidade da informação divulgada.

No sentido de promover o esclarecimento objectivo dos cidadãos a este respeito, a Comissão Nacional de Eleições vem informar o seguinte:

- Os votos em branco e os votos nulos não têm influência no apuramento dos resultados;
- Será sempre eleito, à primeira ou segunda volta, o candidato que tiver mais de metade dos votos expressos, qualquer que seja o número de votos brancos ou nulos.

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Aníbal e Maria, em dia de reflexão (1)

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Reflectir em quê, exactamente?


E pronto: regressou o sossego e um silêncio agradável mas incompreensível.

Entendia-se que a propaganda eleitoral fosse proibida no dia das eleições para impedir que bandeiras e fanfarras se instalassem à porta das secções de voto (como no Brasil), mas sempre me escapou a razão de ser desta pausa sabática, no sentido etimológico da palavra.

Favorece a abstenção dos menos empenhados – tantos, cada vez mais – que ligam à terra na sexta-feira à noite e fazem por esquecer que têm uma tarefa desinteressante a cumprir daí a dois dias.

Uma ideia peregrina e paternalista como tantas outras e que perdeu todo o sentido, se é que o tinha, com a generalização da internet, das redes sociais e dos sms’s. Seria interessante ver a CNE interceder junto dos senhores do Facebook, tão misteriosos como os mercados, para eles suspenderem utilizadores ou apagarem posts. Lá chegaremos?

Inércia, conservadorismo bacoco, saudades da máquina a vapor.

P.S. - Ler: Ferreira Fernandes, O irreflectido dia de reflexão
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Até Domingo?


Isso é que era bom! Eu já reflecti e vou andar por aqui.


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21.1.11

Analfalbetismos

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Conselhos de (antepen)última hora


Quem pensava votar em Cavaco no Domingo está dispensado de o fazer, já que todas as sondagens lhe dão vitória logo à primeira volta.

Aos outros, vale a pena recordar que, nas vésperas das eleições de 2006, as mesmas sondagens lhe davam percentagens mais elevadas do que aquelas que prevêem este ano e que só não existiu segunda volta por uma curta margem de 30.000 votos. Para bom entendedor…
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«O Quinto Cavaleiro»


«Quem o garante é economista e professor de Economia, ex-catedrático e tudo e, se ele o garante, quem é o povo para duvidar?

Ora o que ele garante é que, se o povo não o eleger já no domingo, como é "essencial", abrir-se-ão os mares e desabará o céu. E pior acontecerá em terra: a sua não eleição à primeira volta provocará imediatamente, avisa ele, "uma contracção do crédito e uma subida das taxas de juros", com consequências apocalípticas para "empresas e famílias".

"Imaginem o que seria de Portugal, na situação económica e financeira complexa em que se encontra, se prolongássemos por mais algumas semanas esta campanha eleitoral", avisa de novo. O povo imagina e o que vê deixa-o petrificado de terror: ao lado da Morte, da Fome, da Peste e da Guerra, cavalga agora o Quinto Cavaleiro, o terrífico Mercado, e todos juntos precipitam-se a galope sobre "empresas e famílias".

Por isso o povo correrá a eleger o ex-catedrático no domingo. Ou no sábado, se lhe permitirem. Elegê-lo-ia até sem eleições (por exemplo, suspendendo-se a democracia por seis meses, assim se poupando milhões porque a democracia é cara). Só o ex-catedrático pouparia os 2,1 milhões de euros (um recorde absoluto) que gastou na campanha. E se, depois, na Presidência, poupasse ainda aos contribuintes uma parte dos 17,4 milhões que gastou em 2010 (outro recorde absoluto), talvez, quem sabe?, o crédito se descontraísse um poucochinho.»

Manuel António Pina, no JN