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15.1.20

Luther King – Seriam 91



Não vos posso prometer que não vos batam,
Não vos posso prometer que não vos assaltem a casa,
Não vos posso prometer que não vos magoem um pouco.
Apesar disso, temos que continuar a lutar pelo que é justo.
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15.1.19

Luther King faria hoje 90



Não vos posso prometer que não vos batam,
Não vos posso prometer que não vos assaltem a casa,
Não vos posso prometer que não vos magoem um pouco.
Apesar disso, temos que continuar a lutar pelo que é justo.
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15.1.18

Faria hoje 89 anos



Não vos posso prometer que não vos batam,
Não vos posso prometer que não vos assaltem a casa,
Não vos posso prometer que não vos magoem um pouco.
Apesar disso, temos que continuar a lutar pelo que é justo.

Martin Luther King
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28.8.17

28.08.1963 – Luther King: «I have a dream»



Em 28 de Agosto de 1963, quando Martin Luther King pronunciou este seu célebre discurso durante a «March on Washignton for Jobs and Freedom», não podia ter imaginado que, depois de todo o progresso que se seguiu, o seu país viria a ter, mais de meio século depois, um presidente como Donald Trump. A História dos direitos adquiridos não será destruída. Mas não está a ser fácil.



(No fim deste post, o texto do discurso na íntegra.)


A propósito:








«I have a dream» – Texto:


14.10.16

14.10.1964 - Nobel da Paz para Luther King



O Nobel da Paz foi atribuído a Martin Luther King em 14 de Outubro de 1964.

«Aceito o Prémio Nobel da Paz num momento em que 22 milhões de negros nos Estados Unidos estão envolvidos numa batalha criativa para encerrar a longa noite da injustiça racial. Aceito este prémio em nome de um movimento de direitos civis que está avançando com determinação e um majestoso desprezo pelos riscos e perigos de estabelecer um reino de liberdade e um sistema de justiça. Estou ciente de que uma pobreza debilitante e asfixiante aflige o meu povo e o acorrenta ao degrau mais baixo da escala económica. Portanto, devo perguntar porque é que este prémio está a ser concedido a um movimento que é comprometido com uma luta incessante; a um movimento que não conquistou a própria paz e fraternidade que é a essência do Prémio Nobel. Depois de pensar a esse respeito, concluí que este prémio que recebo em nome desse movimento é um reconhecimento profundo de que a não-violência é a resposta à questão moral e política crucial de nosso tempo: a necessidade do homem superar a opressão e a violência sem recorrer à violência e à opressão (...).

Ainda creio que superaremos tudo isso. Essa fé dá-nos a coragem de enfrentar as incertezas do futuro. Dá forças aos nossos pés cansados enquanto continuamos a nossa marcha rumo à cidade da liberdade. Quando os nossos dias se tornarem lúgubres e cobertos por nuvens e as nossas noites se tornarem mais escuras que mil meias-noites, saberemos que estamos vivendo no tumulto criativo de uma civilização genuína que luta para nascer.»

(Excertos do discurso proferido em Oslo, em 10 de Dezembro de 1964) 
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28.8.15

28.08.1963: «I HAVE A DREAM !»



Em 28 de Agosto de 1963, Martin Luther King pronunciou este seu célebre discurso, durante a «March on Washignton for Jobs and Freedom» que pode ser recordada neste vídeo.




A propósito:






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28.8.14

Sempre neste dia – «I have a dream»



Em 28 de Agosto de 1963, Martin Luther King pronunciou este seu célebre discurso, durante a «March on Washignton for Jobs and Freedom» que pode ser recordada neste vídeo.



(No fim deste post, o texto do discurso na íntegra.)


A propósito:








«I have a dream» – Texto:



4.4.14

Luther King morreu num 4 de Abril e a PIDE proibiu uma homenagem



Martin Luther King foi assassinado em Memphis, em 4 de Abril de 1968.

Um mês depois, em 4 de Maio, devia ter tido lugar, no salão de uma igreja de Lisboa, uma sessão em sua homenagem. Estava planeada a projecção do filme «Marcha em Washington», seguida de um debate orientado, entre outros, por Luís Lindley Cintra e José Carlos Megre. 

Na véspera, a PIDE proibiu a sessão. Mas à hora marcada concentraram-se centenas de pessoas em frente da igreja de portas fechadas. Como em muitas outras ocasiões, tudo acabou com dispersão, à força, desta vez por agentes da polícia à paisana. 

Foi depois elaborado, e amplamente distribuído, um folheto intitulado «Porquê?» com um breve relato dos acontecimentos. Terminava com uma citação do próprio Luther King: 

Não vos posso prometer que não vos batam, 
Não vos posso prometer que não vos assaltem a casa, 
Não vos posso prometer que não vos magoem um pouco. 
Apesar disso, temos que continuar a lutar pelo que é justo.




Era assim que vivíamos / tentávamos viver os grandes acontecimentos da História.
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28.8.13

Ainda



... a propósito deste dia.







(Fonte)

Antes que o dia acabe



... ainda o 50º aniversário do discurso de Martin Luther King, em Washington, em 28 de Agosto de 1963. O vídeo está a ser hoje amplamente divulgado, mas verifico que poucas pessoas se dão ao trabalho de o ouvir na íntegra. Fica por isso aqui o texto – «Uma grande peça da oratória cívica democrática, e não marketing político». É essa a sua força.

I am happy to join with you today in what will go down in history as the greatest demonstration for freedom in the history of our nation.

Five score years ago, a great American, in whose symbolic shadow we stand today, signed the Emancipation Proclamation. This momentous decree came as a great beacon light of hope to millions of Negro slaves who had been seared in the flames of withering injustice. It came as a joyous daybreak to end the long night of captivity. .

But one hundred years later, the Negro still is not free. One hundred years later, the life of the Negro is still sadly crippled by the manacles of segregation and the chains of discrimination. One hundred years later, the Negro lives on a lonely island of poverty in the midst of a vast ocean of material prosperity. One hundred years later, the Negro is still languished in the corners of American society and finds himself in exile in his own land. So we have come here today to dramatize an shameful condition. .

In a sense we've come to our nation's Capital to cash a check. When the architects of our republic wrote the magnificent words of the Constitution and the Declaration of Independence, they were signing a promissory note to which every American was to fall heir. .

This note was a promise that all men, yes, black men as well as white men, would be guaranteed the unalienable rights of life, liberty, and the pursuit of happiness. .

It is obvious today that America has defaulted on this promissory note insofar as her citizens of color are concerned. Instead of honoring this sacred obligation, America has given the Negro people a bad check; a check which has come back marked "insufficient funds." .

But we refuse to believe that the bank of justice is bankrupt. We refuse to believe that there are insufficient funds in the great vaults of opportunity of this nation. So we have come to cash this check- a check that will give us upon demand the riches of freedom and the security of justice. .

We have also come to this hallowed spot to remind America of the fierce urgency of now. This is no time to engage in the luxury of cooling off or to take the tranquilizing drug of gradualism. .

Now is the time to make real the promises of democracy. Now is the time to rise from the dark and desolate valley of segregation to the sunlit path of racial justice. Now is the time to lift our nation from the quicksands of racial injustice to the solid rock of brotherhood. Now is the time to make justice a reality for all of God's children. .

It would be fatal for the nation to overlook the urgency of the moment. This sweltering summer of the Negro's legitimate discontent will not pass until there is an invigorating autumn of freedom and equality. Nineteen sixty-three is not an end, but a beginning. Those who hope that the Negro needed to blow off steam and will now be content will have a rude awakening if the nation returns to business as usual. There will be neither rest nor tranquility in America until the Negro is granted his citizenship rights. The whirlwinds of revolt will continue to shake the foundations of our nation until the bright day of justice emerges. .

But there is something that I must say to my people who stand on the warm threshold which leads into the palace of justice. In the process of gaining our rightful place we must not be guilty of wrongful deeds. Let us not seek to satisfy our thirst for freedom by drinking from the cup of bitterness and hatred. We must forever conduct our struggle on the high plane of dignity and discipline. We must not allow our creative protest to degenerate into physical violence. Again and again we must rise to the majestic heights of meeting physical force with soul force. .

The marvelous new militancy which has engulfed the Negro community must not lead us to a distrust of all white people, for many of our white brothers, as evidenced by their presence here today, have come to realize that their destiny is tied up with our destiny. And they have come to realize that their freedom is inextricably bound to our freedom. We cannot walk alone. .

And as we walk, we must make the pledge that we shall march ahead. We cannot turn back. There are those who are asking the devotees of civil rights, "When will you be satisfied?" .

We can never be satisfied as long as the Negro is the victim of the unspeakable horrors of police brutality. .

We can never be satisfied as long as our bodies, heavy with the fatigue of travel, cannot gain lodging in the motels of the highways and the hotels of the cities. .

We cannot be satisfied as long as the Negro's basic mobility is from a smaller ghetto to a larger one. .

We can never be satisfied as long as our chlidren are stripped of their selfhood and robbed of their dignity by signs stating "for whites only." .

We cannot be satisfied as long as a Negro in Mississippi cannot vote and a Negro in New York believes he has nothing for which to vote. .

No, no, we are not satisfied, and we will not be satisfied until justice rolls down like waters and righteousness like a mighty stream. .

I am not unmindful that some of you have come here out of great trials and tribulations. Some of you have come fresh from narrow jail cells. Some of you have come from areas where your quest for freedom left you battered by the storms of persecution and staggered by the winds of police brutality. You have been the veterans of creative suffering. Continue to work with the faith that unearned suffering is redemptive. .

Go back to Mississippi, go back to Alabama, go back to South Carolina, go back to Georgia, go back to Louisiana, go back to the slums and ghettos of our northern cities, knowing that somehow this situation can and will be changed. Let us not wallow in the valley of despair. .

I say to you today, my friends, so even though we face the difficulties of today and tomorrow, I still have a dream. It is a dream deeply rooted in the American dream. .

I have a dream that one day this nation will rise up and live out the true meaning of its creed: "We hold these truths to be self-evident; that all men are created equal." .

I have a dream that one day on the red hills of Georgia the sons of former slaves and the sons of former slave owners will be able to sit down together at the table of brotherhood. .

I have a dream that one day even the state of Mississippi, a state sweltering with the heat of injustice, sweltering with the heat of oppression, will be transformed into an oasis of freedom and justice. .

I have a dream that my four little children will one day live in a nation where they will not be judged by the color of their skin but by the content of their character. .

I have a dream today. .

I have a dream that one day down in Alabama, with its vicious racists, with its governor having his lips dripping with the words of interposition and nullification, that one day right down in Alabama little black boys and black girls will be able to join hands with little white boys and white girls as sisters and brothers. .

I have a dream today.

A ler, na imprensa portuguesa:  
 
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E se Luther King ainda fosse vivo?



Teria agora 94 anos e poderia participar nos festejos que assinalam o 50º aniversário do seu famoso discurso «I have a dream», proferido em 28 de Agosto de 1963, no fim da «March on Washignton for Jobs and Freedom».

Ver a América com um presidente negro, e ter Obama a seu lado, seria a prova viva de que o seu sonho se tinha realizado, pelo menos em parte. Foi sem dúvida longo e absolutamente decisivo o caminho percorrido nestes últimos 50 anos e a humanidade registou uma grande vitória nesse campo.

Mas estou certa de que olharia com amargura para o estado de um mundo onde ainda são tantas as descriminações, mesmo raciais, e que está em vésperas de mais uma guerra, praticamente garantida, com o seu presidente negro nela totalmente comprometido. Martin teria de repetir (ainda...) o que disse no fim do seu discurso de 1963: que continuava a sonhar com o dia em que «todos os filhos de Deus, homens negros e brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos [e não só...] poderão dar as mãos e cantar as palavras do velho espiritual negro: «Free at last! Free at last!»


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28.8.12

Há 49 anos



Em 28 de Agosto de 1963, Martin Luther King pronunciou este seu célebre discurso, durante a «March on Washignton for Jobs and Freedom»



Ver também o vídeo sobre a Marcha

«Um dos mais angustiosos problemas da nossa experiência humana é o de verificar como são poucos ─ se alguns houver ─ os que conseguem ver realizadas as suas esperanças mais queridas. As esperanças da nossa infância e as promessas da nossa maturidade são sinfonias incompletas. Um quadro célebre de Georges Frederic Watts representa a Esperança como uma tranquila figura de mulher, sentada sobre o nosso planeta, a cabeça inclinada tristemente, a tanger a única corda inteira duma harpa. Haverá algum de nós que tenha experimentado a agonia das esperanças perdidas ou dos sonhos desfeitos?»

Martin Luther King, jr, Força para amar.
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4.4.12

Luther King também morreu num 4 de Abril



Martin Luther King foi assassinado em Memphis, em 4 de Abril de 1968. Neste vídeo, o célebre discurso I have a dream, que proferiu em Washington, em 28 de Agosto de 1963, o qual, inexplicavelmente, deixou de estar disponível, na íntegra, no Youtube (ou, pelo menos, não o encontro). Mas tinha-o descarregado em tempos e aqui fica.


E, em jeito de ritual, recordo todos os anos o que se passou em Lisboa – uns meses antes de Salazar cair de uma cadeira. 

Um mês depois da morte de MLK, em 4 de Maio de 1968, devia ter tido lugar, no salão de uma igreja de Lisboa, uma sessão em sua homenagem. Estava planeada a projecção do filme «Marcha em Washington», com o discurso que o vídeo mostra, seguida de um debate orientado, entre outros, por Luís Lindley Cintra e José Carlos Megre. 

Na véspera, a PIDE proibiu a sessão, mas, à hora marcada, concentraram-se centenas de pessoas em frente da igreja de portas fechadas. Como em muitas outras ocasiões, tudo acabou com dispersão, à força, desta vez por agentes da polícia à paisana. 

Foi depois elaborado, e amplamente distribuído, um folheto intitulado «Porquê?» com um breve relato dos acontecimentos. Terminava com uma citação do próprio Luther King: 

Não vos posso prometer que não vos batam, 
Não vos posso prometer que não vos assaltem a casa, 
Não vos posso prometer que não vos magoem um pouco. 
Apesar disso, temos que continuar a lutar pelo que é justo.

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28.8.11

Luther King


Foi em 28 de Agosto de 1963 que teve lugar a célebre «March on Washignton for Jobs and Freedom» e hoje, 48 anos depois, Obama deveria inaugurar oficialmente o Memorial construído em honra de MLK, no National Mall, em Washington. A cerimónia foi cancelada devido às condições criadas pela aproximação do furacão Irene, mas o espaço já se encontra aberto ao público.

O discurso de MLK em 28/8/1963, aqui na íntegra (aparentemente, foi retirado do Youtube):




E uma visita virtual ao Memorial (de bom gosto duvidoso, mas...):



P.S. - A estátua foi esculpida por um artista chinês, a pedra também terá sido importada da China. Os americanos não apreciaram muito a escolha de operários também do «País do Meio» para a construção do Memorial (e estes não terão sido muito bem tratados)...
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4.4.11

Sempre no dia 4 de Abril


… porque Martin Luther King foi assassinado em 4/4/1968.



Um mês depois, em 4 de Maio de 1968, devia ter tido lugar, no salão de uma igreja de Lisboa, uma sessão de homenagem a MLK. Estava planeada a projecção do filme «Marcha em Washington»-, com o discurso que o vídeo mostra, seguida de um debate orientado, entre outros, por Luís Lindley Cintra e José Carlos Megre.

Na véspera, a PIDE proibiu a sessão, mas, à hora marcada, concentraram-se centenas de pessoas em frente da igreja de portas fechadas. Como em muitas outras ocasiões, tudo acabou com dispersão, à força, desta vez por agentes da polícia à paisana.

Foi depois elaborado, e amplamente distribuído, um folheto intitulado «Porquê?» com um breve relato dos acontecimentos. Terminava com uma citação do próprio Luther King:

"Não vos posso prometer que não vos batam,
Não vos posso prometer que não vos assaltem a casa,
Não vos posso prometer que não vos magoem um pouco.
Apesar disso, temos que continuar a lutar pelo que é justo".»
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14.10.09

Este grande senhor também ganhou um Prémio Nobel da Paz


Foi atribuído a Martin Luther King em 14 de Outubro de 1964.

«Aceito o Prémio Nobel da Paz num momento em que 22 milhões de negros nos Estados Unidos estão envolvidos numa batalha criativa para encerrar a longa noite da injustiça racial. Aceito este prémio em nome de um movimento de direitos civis que está avançando com determinação e um majestoso desprezo pelos riscos e perigos de estabelecer um reino de liberdade e um sistema de justiça. Estou ciente de que uma pobreza debilitante e asfixiante aflige o meu povo e o acorrenta ao degrau mais baixo da escala económica. Portanto, devo perguntar porque é que este prémio está a ser concedido a um movimento que é comprometido com uma luta incessante; a um movimento que não conquistou a própria paz e fraternidade que é a essência do Prémio Nobel. Depois de pensar a esse respeito, concluí que este prémio que recebo em nome desse movimento é um reconhecimento profundo de que a não-violência é a resposta à questão moral e política crucial de nosso tempo: a necessidade do homem superar a opressão e a violência sem recorrer à violência e à opressão (...).

Ainda creio que superaremos tudo isso. Essa fé dá-nos a coragem de enfrentar as incertezas do futuro. Dá forças aos nossos pés cansados enquanto continuamos a nossa marcha rumo à cidade da liberdade. Quando os nossos dias se tornarem lúgubres e cobertos por nuvens e as nossas noites se tornarem mais escuras que mil meias-noites, saberemos que estamos vivendo no tumulto criativo de uma civilização genuína que luta para nascer.»


(Excertos do discurso proferido em Oslo, em 10 de Dezembro de 1964)

28.8.09

4.4.08

«I have a dream»

Martin Luther King foi assassinado em Memphis, em 4 de Abril de 1968.

Neste vídeo, na íntegra, o célebre discurso I have a dream, que proferiu em Washington, em 28 de Agosto de 1963.




Muitas referências a este aniversário em todo o mundo, por exemplo, testemunhos de quatro sobreviventes que estiveram com MLK no dia em que foi assassinado.

E, também e inevitavelmente, comparações entre os tempos de L. King e os de Barack Obama.

4.5.07

4/5/1968 - Proibição de homenagem a Luther King


Entre as Brumas da Memória..., pp.116-118:

«Em 4 de Abril, foi assassinado Martin Luther King – com o seu sonho, foi um pouco do nosso que morreu também. Em Roma, Paulo VI comparou este assassinato à paixão de Cristo (...).

Pastor da Igreja Baptista, Luther King tornou­­­‑se, desde muito novo, líder dos movimentos não violentos contra a discriminação dos negros americanos. Tinha apenas trinta e nove anos quando foi assassinado.

Em jeito de homenagem, foi preparada e agendada uma sessão a ser realizada em Lisboa, no dia 4 de Maio, exactamente um mês após a sua morte. O local escolhido foi a Igreja de Santa Isabel – com grande empenho, o prior cedeu o anfiteatro anexo à igreja para a realização da iniciativa. Duas frases encabeçavam a convocatória: "Traz contigo uma flor" e "Por cada flor estrangulada, há milhões de sementes a florir".

Deveria ser projectado o filme
Marcha em Washington, que mostra uma concentração, em 28 de Agosto de 1963, em que mais de 250.000 pessoas exigiram emprego e liberdade. Falaram actores como Marlon Brando e Sidney Poitier, cantores como Joan Baez e Mahalia Jackson. Esta última interpelou Luther King gritando: "Fala­‑lhes do teu sonho!". Pondo de parte um curto texto mais ou menos formal preparado para o efeito, Luther King fez então um longo discurso em torno de uma frase que viria a ficar célebre: "I have a dream today!" – sonho de uma América de liberdade e democracia, de todas as raças, de todas as cores e culturas.
[No fim deste texto, verá como pode aceder a um video sobre esta Marcha, com o discurso de MLK na íntegra.]

Na sessão em Lisboa, o filme seria seguido de um debate orientado por Lindley Cintra, Fátima Pereira Bastos, José Carlos Megre e Frank Pereira. Na véspera da data prevista, a PIDE comunicou ao Pe. Armindo Duarte, então prior da paróquia de Santa Isabel, que a sessão estava proibida. Interrogou­‑o sobre os objectivos da mesma e sobre os responsáveis pela sua organização. Dois dos intervenientes previstos – Lindley Cintra e José Carlos Megre – foram também chamados para interrogatórios. Uma das preocupações da polícia foi averiguar se era a Pragma que estava por trás da organização. Deve ter continuado convencida de que sim, apesar das respostas negativas dos interrogados, já que arquivou toda a documentação sobre esta sessão no Processo sobre aquela Cooperativa. Mas não era: ela resultara da iniciativa de um pequeno grupo de amigos que, de passagem por Paris três semanas antes, tinham assistido a uma sessão semelhante e que resolveram reproduzi­­­‑la em Lisboa. Os principais organizadores foram os irmãos Maria da Conceição e Manuel Moita, Maria Antónia Pacheco e Joaquim Osório de Castro.

À hora marcada, concentraram­‑se centenas de pessoas em frente da igreja de portas fechadas. Como em muitas outras ocasiões, tudo acabou com dispersão, à força, desta vez por agentes da polícia à paisana.

Foi depois elaborado, e amplamente distribuído, um folheto intitulado Porquê? com um breve relato dos acontecimentos. Terminava com uma citação do próprio Luther King:

"Não vos posso prometer que não vos batam,
Não vos posso prometer que não vos assaltem a casa,
Não vos posso prometer que não vos magoem um pouco.
Apesar disso, temos que continuar a lutar pelo que é justo".»






Veja aqui o discurso de MLT na íntegra