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5.10.19

5 de Outubro



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5.10.16

No dia dela



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5 de Outubro, 25 de Abril



Retomo hoje um texto de Saldanha Sanches, publicado há oito anos num outro blogue:

«O centenário do 5 de Outubro está próximo e as comemorações do 5 de Outubro – e em especial o cinquentenário da comemoração da República, que coincidiu com a decadência do salazarismo – foram marcos na resistência. Todos sabemos isso. A contraposição do regime democrático do princípio do século ao regime autoritário vigente funcionava como um argumento chave na narrativa democrática.

O 25 de Abril teve essa componente ideológica e essa componente institucional. A comparação entre as liberdades republicanas e o autoritarismo salazarista era uma parte essencial do discurso oposicionista. Aquilo que sobrava dos políticos republicanos (alguns aderiram ao novo regime) teve uma importância idêntica na construção de uma alternativa: sempre que havia eleições e possibilidade de agitação, o PCP agia com a cobertura dos veteranos da República e dos republicanos pós-república.

Mas – e este mas não é uma mera restrição secundária – o 25 de Abril serviu também para demonstrar o vazio democrático da República.

Comecemos pelo 5 de Outubro que conhecemos da reconstituição histórica e façamos a comparação com o 25 de Abril: a revolta republicana teve o apoio dos republicanos e de uma parte do movimento operário. Nada que possa comparar-se ao extraordinário apoio popular, a mobilização total da rua a que assistimos no 25 de Abril.

Para não falar do sufrágio universal (só depois do 25 de Abril) ou do fim daquela tradição monárquica das eleições saírem dos governos em vez dos governos saírem das eleições. Outra novidade absoluta da política portuguesa. Na República como na monarquia imperava o caciquismo propriamente dito (com donos de votos) e as chapeladas eleitorais eram moeda corrente. O Morgado das Perdizes sobreviveu (com novas formas) à implantação da República e as consultas ao eleitorado continuaram a ser dominadas e predeterminadas pela manipulação dos governos.

Tudo isto deve ser recordado quando se comemora a criação de um regime republicano em Portugal: um regime democrático cujas fragilidades e fraquezas estiveram na origem do regime salazarista que foi o seu sucessor imediato.» 
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5.10.13

«Mutatis mutandis»



9 de Outubro de 1910

Oh, meu Deus; nestas ocasiões é que eu queria ver por dentro estes homens lívidos e com um sorriso estampado na cara, que sobem as escadas dos ministérios para aderirem à República!

É este e aquele, os que estão ameaçados de perderem os seus lugares, as altas situações, o Poder. Os tipos não importam – o que importa é o fantasma que transparece atrás da figura; o que importa é o monólogo interior, as verdadeiras palavras que não se pronunciam, o debate que não tem fim, o que nestas ocasiões de crise ruge lá dentro sem cessar. Escutá-los a todos! Possuir o dom mágico de ouvir através das paredes e dos corpos!…Toda a noite, toda a noite de Cinco de Outubro, quantos perguntaram, ansiosos: quem vai vencer? Onde é o meu lugar? …Bem me importam a mim as tragédias e as mortes!… Interesses, ambição, medo, tantos fantasmas que nem eu supunha existirem e que levantam a cabeça!…

Não há nada que chegue a estes momentos históricos em que o fundo dos fundos se agita e remexe, para cada um se avaliar e saber o que vale uma alma…

E o desfile segue – o desfile dos tipos que sobem as escadarias dos ministérios, dos que descem as escadarias dos ministérios, uns já com o olhar de donos, mas vacilantes ainda, sem poderem acreditar na realidade, outros com um sorriso estampado que lhes dói. Estamos todos lívidos, por fora e por dentro…

Raul Brandão, Memórias (3º Volume)
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Hoje é o dia



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31.1.13

Foi preciso esperar quase 20 anos



... para a implantação da República, depois da revolta de 31 de Janeiro de 1891, no Porto.





«A Revolta de 31 de Janeiro de 1891 foi o primeiro movimento revolucionário que teve por objectivo a implantação do regime republicano em Portugal.

A revolta teve lugar na cidade do Porto, registando-se um levantamento militar contra as cedências do Governo (e da Coroa) ao Ultimatum inglês por causa do Mapa Cor-de-Rosa, que pretendia ligar, por terra, Angola a Moçambique. As figuras cimeiras da "Revolta do Porto" foram o capitão Leitão, o alferes Malheiro, o tenente Coelho, o dr. Alves da Veiga, o actor Verdial e Santos Cardoso, além de vultos eminentes da cultura como João Chagas, Aurélio da Paz dos Reis, Sampaio Bruno, Basílio Teles, entre outros.

Os revoltosos descem a Rua do Almada, até à Praça de D. Pedro, (hoje Praça da Liberdade), onde, em frente ao antigo edifício da Câmara Municipal do Porto, ouviram Alves da Veiga proclamar o governo provisório da República e hastear uma bandeira vermelho e verde. Com fanfarra, foguetes e vivas à República, a multidão decide subir a Rua de Santo António, em direcção à Praça da Batalha, com o objectivo de tomar a estação de Correios e Telégrafos.

No entanto, o festivo cortejo foi bruscamente interrompido por uma forte carga de artilharia e fuzilaria da Guarda Municipal, posicionada na escadaria da igreja de Santo Ildefonso, no topo da rua, vitimando indistintamente militares revoltosos e simpatizantes civis. Terão sido mortos 12 revoltosos e 40 feridos.

A reacção oficial seria implacável, tendo os revoltosos sido julgados por Conselhos de Guerra, a bordo de navios de guerra, ao largo de Leixões. Para além de civis, foram julgados 505 militares. Seriam condenados a penas entre 18 meses e 15 anos de prisão mais de duzentas pessoas.

Em memória desta revolta, logo que a República foi implantada em Portugal, a então designada Rua de Santo António foi rebaptizada para Rua de 31 de Janeiro.»

(Daqui)

5.10.12

A bandeira içada ao contrário – a foto do dia



Esta manhã, Cavaco içou Portugal de cabeça para baixo. Palavras para quê... Há símbolos tramados!  

O vídeo.

4.10.12

Não vale e pena chamar o Buíça



... porque o povo é sereno. Mas, pelo sim e pelo não, o Presidente da República decidiu que as comemorações do 5 de Outubro não terão lugar nos Paços do Concelho da Câmara de Lisboa, como sempre, mas sim num pátio interior reservado a convidados oficiais – o Pátio da Galé, palco habitual da Moda Lisboa (o que parece apropriado e dá para imaginar desfiles delirantes...)

Estou em crer que os serviços de segurança terão aconselhado o presidente a tomar esta decisão, desconfiados que estarão por se tratar do único dia e hora sem nenhuma manifestação marcada para Lisboa.

Entretanto, António Costa nega que a alteração se deva a receio de manifestações e diz que, no Pátio da Galé, «sai mais barato»...

Já se sabe que o primeiro-ministro (não) festejará em Bratislava, mas, em contrapartida, o nosso herdeiro ao trono, Duarte Pio de sua graça, fará uma comunicação ao país sobre o «actual momento político e económico».

Será que ainda temos alguma saúde mental por sermos mesmo um país de opereta? 
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16.11.11

Nem Salazar ousou


«O governo dos Álvaros quer eliminar o feriado do 5 de Outubro, o que nem o salazarismo ousou em mais de 40 anos.» (José Medeiros Ferreira)

Para além de esta questão de eliminar feriados ser um puro disparate para troika ver, podiam ter escolhido, por exemplo, o 10 de Junho, certo? Mas não seria a mesma coisa… E ainda lhes falta um grãozinho de coragem para acabar com o 25 de Abril e o 1º de Maio – lá chegarão.
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5.10.10

Ainda o dia não vai a meio


… e já ouvi dizes, nem sei quantas vezes, que a República festeja 100 anos. Não: hoje, comemora-se o centenário da proclamação da Primeira República. Quem cá estiver daqui a 48 anos que apague as 100 velas.




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4.10.10

5 de Outubro, 25 de Abril


Texto de José Luís Saldanha Sanches, publicado em Caminhos da Memória, 5/10/2008

O centenário do 5 de Outubro está próximo e as comemorações do 5 de Outubro – e em especial o cinquentenário da comemoração da República, que coincidiu com a decadência do salazarismo – foram marcos na resistência. Todos sabemos isso. A contraposição do regime democrático do princípio do século ao regime autoritário vigente funcionava como um argumento chave na narrativa democrática.

O 25 de Abril teve essa componente ideológica e essa componente institucional. A comparação entre as liberdades republicanas e o autoritarismo salazarista era uma parte essencial do discurso oposicionista. Aquilo que sobrava dos políticos republicanos (alguns aderiram ao novo regime) teve uma importância idêntica na construção de uma alternativa: sempre que havia eleições e possibilidade de agitação, o PCP agia com a cobertura dos veteranos da República e dos republicanos pós-república.

Mas – e este mas não é uma mera restrição secundária – o 25 de Abril serviu também para demonstrar o vazio democrático da República.

Comecemos pelo 5 de Outubro que conhecemos da reconstituição histórica e façamos a comparação com o 25 de Abril: a revolta republicana teve o apoio dos republicanos e de uma parte do movimento operário. Nada que possa comparar-se ao extraordinário apoio popular, a mobilização total da rua a que assistimos no 25 de Abril.

Para não falar do sufrágio universal (só depois do 25 de Abril) ou do fim daquela tradição monárquica das eleições saírem dos governos em vez dos governos saírem das eleições. Outra novidade absoluta da política portuguesa. Na República como na monarquia imperava o caciquismo propriamente dito (com donos de votos) e as chapeladas eleitorais eram moeda corrente. O Morgado das Perdizes sobreviveu (com novas formas) à implantação da República e as consultas ao eleitorado continuaram a ser dominadas e predeterminadas pela manipulação dos governos.

Tudo isto deve ser recordado quando se comemora a criação de um regime republicano em Portugal: um regime democrático cujas fragilidades e fraquezas estiveram na origem do regime salazarista que foi o seu sucessor imediato.
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12.2.10

Descubra as diferenças




9 de Outubro de 1910

Oh, meu Deus; nestas ocasiões é que eu queria ver por dentro estes homens lívidos e com um sorriso estampado na cara, que sobem as escadas dos ministérios para aderirem à República!
É este e aquele, os que estão ameaçados de perderem os seus lugares, as altas situações, o Poder. Os tipos não importam – o que importa é o fantasma que transparece atrás da figura; o que importa é o monólogo interior, as verdadeiras palavras que não se pronunciam, o debate que não tem fim, o que nestas ocasiões de crise ruge lá dentro sem cessar. Escutá-los a todos! Possuir o dom mágico de ouvir através das paredes e dos corpos!…Toda a noite, toda a noite de Cinco de Outubro, quantos perguntaram, ansiosos: quem vai vencer? Onde é o meu lugar? …Bem me importam a mim as tragédias e as mortes!… Interesses, ambição, medo, tantos fantasmas que nem eu supunha existirem e que levantam a cabeça!…
Não há nada que chegue a estes momentos históricos em que o fundo dos fundos se agita e remexe, para cada um se avaliar e saber o que vale uma alma…
E o desfile segue – o desfile dos tipos que sobem as escadarias dos ministérios, dos que descem as escadarias dos ministérios, uns já com o olhar de donos, mas vacilantes ainda, sem poderem acreditar na realidade, outros com um sorriso estampado que lhes dói. Estamos todos lívidos, por fora e por dentro…

Raul Brandão, Memórias (13º Volume)

(Texto divulgado por M. Manuela Cruzeiro nos Caminhos da Memória.)