O Sindicato dos Jornalistas publicou há dois dias uma exposição sobre o processo de despedimento colectivo de que são alvo 36 trabalhadores do Rádio Clube Português, enviada pelos visados aos diferentes grupos parlamentares.
Deixando de lado as questões de índole laboral, importa sublinhar que se calou uma insituição que, para além de toda a sua história (que começou nos anos 30 do século XX), iniciou um projecto de grande qualidade em Janeiro de 2007, sob a direcção de Luís Osório. Pretendeu-se então fazer uma «rádio de palavra», com forte conteúdo informativo, ao arrepio de todas as tendências de populismo e de facilidade. A subsituação do director, em Julho de 2009, foi um primeiro alerta, o anúncio do encerramento, um ano mais tarde, a má notícia que já se esperava.
Como muito bem sublinha Daniel Sampaio, em texto publicado na revista Pública e que reproduzo do fim deste post, «O RCP morreu às mãos da estratégia economicista, que esmaga tudo o que não é depressa rentável, ou que destrói o que não dá lucro fácil e, sem esforço, se pode substituir por algo descartável: resta saber se deste modo se vai corrompendo o que deveria ficar para o futuro, porque é de memórias tranquilas e pensadas que garantimos a nossa sobrevivência.»
Este facto não me toca apenas como cidadã e como ouvinte. Conheci um pouco a casa por dentro, a simpatia e o profissionalismo de quem mantinha a «chama viva», porque fui várias vezes convidada para emissões do RCP - em três delas para falar de blogues e nunca esquecerei a primeira, em Março de 2008, quando a Shyznogud e eu fomos entrevistadas por Ana Sousa Dias. Havia muita qualidade por aqueles estúdios, que a pouco e pouco foi minguando até se calar. Será a vida. Mas não devia ser.










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