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31.1.18

A comunicação social é que está a produzir a política



«Já há muito tempo que falo sobre o contínuo política-media, uma realidade já com vários anos, em que não se pode analisar a acção política sem incluir a sua componente mediática e comunicacional. Mas agora, na empobrecida política nacional, com actores muito medíocres, que vivem nas chamadas "redes sociais", começa a haver apenas uma agenda mediática na política, com total dependência das regras mediáticas e do contínuo passa-se à dependência.

Já repararam que cada vez menos a política produz política? Ou seja, são cada vez menos actos e actores políticos que geram controvérsia ou debate ou novidade ou atenção, a não ser pela mediação da comunicação social. É o que a comunicação decide colocar na agenda, seja importante ou trivial, que move politicamente partidos, políticos, o parlamento, o Governo e o Presidente da República e que dá amplitude às questões. Isso significa que o aspecto anedótico dos "casos" se sobrepõe a questões estruturais, e o efeito perverso é que, ao ser assim, ficam dependentes do ciclo de atenção dos media, que é como sabemos muito curto. Ou, se não é muito curto é artificialmente empolado, quando o assunto pode ganhar em ser tratado de forma populista ou tablóide, como foi o caso da Raríssimas ou das "adopções" da IURD. À falta de produtos próprios, ou seja de políticas próprias, os políticos acabam por ser porta-vozes do tabloidismo nacional e, mesmo que haja no meio deste lodo matérias genuinamente relevantes, o modo como são tratadas retira-lhe significado político, acentuando apenas o aspecto casuístico.» 

José Pacheco Pereira
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11.9.13

E o Nobel do jornalismo vai para a Lusa



... e para todos as dezenas de órgãos de comunicação social, que fizeram copy/paste da notícia sem parar para pensar:

Menos 800.000? Houve um tsunami que nos dizimou sem darmos por isso??? O Nuno Crato mandou-os raptar durante as férias?

No entanto, mais tarde, uma outra nota da Lusa refere um número total superior ao que tinha indicado antes para este ano lectivo (1.347 mil alunos), mas afirma que são só menos 2.724 do que em 2012-2013!

Tentar conciliar os dados das duas notícias é uma tarefa não só ciclópica como absolutamente inglória. Sairá ainda hoje uma terceira? É bem possível. 
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1.11.09

Obama, Fidel, a Gripe A e a Lusa

















Não é necessário deturpar a realidade para encontrar razões de crítica ao sistema cubano e a afirmações do seu líder apeado mas sempre activo.

Mas foi o que a Lusa fez: antes de mais, escolheu um título bombástico, depois divulgou a notícia, uma série de jornais e televisões seguiram, a blogosfera glosou:
Fidel Castro acusa Obama de introduzir a gripe em Cuba
Fidel Castro afirmou hoje que os turistas de países como o Canadá e a Espanha introduziram a gripe A em Cuba e que Barack Obama também contribuiu para uma situação ao aligeirar as visitas de cubanos residentes em Miami.

O que disse Fidel, num longo texto sobre o problema da gripe em Cuba:
Se produjo así el extraño caso de que Estados Unidos, por un lado, autorizo los viajes del mayor número de personas y portadores del vírus, por otro, prohibe la adquisición de medicamentos equipos y para combatir la epidemia. No pienso, desde luego, que esa haya sido la intención del gobierno de Estados Unidos, pero es que la realidad resulta absurdo vergonzoso y del bloqueo impuesto a nuestro pueblo.

Moral da história: ir às fontes sempre que não estejam escritas em cirílico ou japonês.

(Esclarecido pela Cristina)