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11.12.08

Movimento Esperança Portugal

O Movimento Esperança Portugal (MEP) já tem algum tempo de vida, mas o seu nome voltou agora à baila com a nomeação de Laurinda Alves como cabeça de lista para as eleições europeias. Gostos não se discutem, cá por mim começaram mal porque detesto a figura pública, o seu inenarrável blogue e muitas outras coisas. Consolo-me assinando por baixo o texto de um mail ontem recebido: «Sim, por favor dêem algo que fazer à rapariga - o mais longe possível do país». E dá também para a blogosfera se divertir: vão ver o que é o C.A.L.A. que vale a pena.

Adiante porque quero falar a sério. Li as 78 páginas do programa do MEP. Como acontece com todo e qualquer partido, está lá tudo, sobre todos os assuntos, com conteúdos não significativamente diferentes de todos os outros que se dizem «ao centro».

O que impressiona neste caso, da primeira à última página, é a linguagem e o que ela revela. Será provavelmente uma originalidade desejada, mas arrepia porque parece mais um Tratado sobre Virtudes destinado a escuteiros do que qualquer outra coisa - «... um projecto de matriz humanista, na sua expressão personalista», que «tem na pessoa humana o princípio, o centro e o fim de tudo» (p. 9), que quer «cultivar uma sociedade de confiança» (p 11), que acredita «mais em pontes do que em rupturas», que prefere «vitórias partilhadas a vencedores e vencidos», que se diz «famílio-cêntrico» (p. 36), sem dizer se é explicitamente contra a despenalização do aborto (mas subentende-se que sim).

Não quero deixar de transcrever os títulos das «sete prioridades da acção política» (p. 27): «Mesa com lugar para todos»; «Uma sociedade de famílias»; «Cultura de pontes»; «Desenvolvimento humano sustentável»; «Democracia mais próxima do cidadão»; «Um mundo interdependente e solidário».

Tudo se agrava (digo eu) quando é definida «uma visão integrada da Economia e do Trabalho» nos seguintes termos: «É fundamental promover uma aliança entre trabalhadores (incluindo gestores aos vários níveis), empresários, accionistas e outros actores relevantes, para se atingirem vitórias comuns» (p. 46). Harmonia, paz e amor, portanto. Começo a sentir que me tomam por parva.

Para finalizar e resumir, o MEP propõe para Portugal, no século XXI: «SER MELHOR», «em tudo, sempre e independentemente da circunstâncias». Fialmente, o admirável mundo novo!

À primeira vista não dá para levar muito a sério, mas pode vir a ter a sua importância. Há sempre um PRD no horizonte, pronto a rivalizar com D. Sebastião.

Hino do MEP: