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26.6.18

Argélia abandona migrantes no deserto do Sahara




«Mais de 13 mil migrantes foram abandonados no deserto do Sara pelas autoridades argelinas, nos últimos 14 meses. Debaixo de temperaturas que rondam os 50 graus centígrados, militares obrigam as pessoas a andar, sem direito a água, nem comida, São empurrados para fora do país em direção ao Niger, por um caminho de 15 quilómetros, onde nem todos chegam até ao fim. (…)

As deportações massivas da Argélia começaram a aumentar desde outubro de 2017, quando a União Europeia pressionou os países do Norte de África para impedirem os migrantes de chegarem ao Mediterrâneo. Ao contário do Níger, a Argélia não recebeu qualquer apoio financeiro do grupo comunitário para gerir a atual crise migartória, apesar de, entre 2014 e 2017, ter recebido cerca de 95 milhões de euros da União Europeia em ajuda humanitária. (…)

A Organização Internacional para as Migração estima que por cada vida perdida no Mediterrâneo haja dois migrantes que ficaram no deserto. No Saara, desde 2014, poderão já ter morrido mais de 30 mil pessoas.» 

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18.2.11

Adiantando leituras


É já para amanhã que está convocada mais uma manifestação na Argélia, depois de uma outra, relativamente frágil e fortemente reprimida. No turbilhão de acontecimentos simultâneos em tantos países, tendemos a considerá-los todos mais ou menos iguais, ou pelo menos todos «árabes», o que está longe de corresponder à realidade.

No caso argelino, há uma composição étnica complexa que introduz variantes específicas: não existem apenas árabes, mas também berberes com uma longa tradição de lutas ela afirmação da identidade, o que está longe de facilitar lutas e unidades.

Talvez porque é o único de todos estes países que conheci minimamente, durante uma estadia razoável, e porque não estive só em Argel mas também na Cabília e vi as diferenças, sou especialmente sensível a este caso e aconselho a leitura de um texto publicado ontem no Buala.

«Os falantes da língua berbere ou tamazight representam um quarto a um terço da população argelina. Desde a independência do país, o árabe sucedeu ao francês como língua oficial. A política linguística argelina traduz-se por uma arabização massiva da administração e do ensino. É então em Cabília, região nordeste da Argélia, que se encontra o maior movimento de luta contra este fenómeno político-religioso. Sobretudo desde 1977, altura da criação da Universidade de Tizi-Ouzou, que esta região tem sido palco de troca ideológica, etnográfica e cultural mas também de repressão e controle por parte das autoridades oficiais do estado.

Um dos movimentos mais marcantes da afirmação da identidade amazigh na Argélia foi a “Primavera berbere” que marca o primeiro movimento popular espontâneo e abre caminho a outros movimentos que pretendem pôr em causa o regime argelino, até então nunca contestado, desde a independência do país em 1962. A Primavera berbere ocorre a partir de Março em Cabília e seguidamente, em Argel.

Para além do plano político, esta luta tinha objectivos sociais no sentido de encorajar uma geração de intelectuais a comprometerem-se num combate democrático e no plano cultural. O objectivo era quebrar o tabu linguístico e cultural, o que claramente traduz a vontade de pôr em causa a arabização intensa de toda a máquina administrativa em detrimento do berbere. Esta tomada de consciência identitária chegou a Marrocos onde estes eventos são comemorados. A Primavera Berbere é celebrada anualmente.»

(Continua aqui.)


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