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2.2.14

Heteros e homos



Clara Ferreira Alves, na «Revista» do Expresso de ontem:

«Deixa ver se percebo. Quando se trata da vida privada de um Presidente, sobretudo da vida privada que envolve actos sexuais, como por exemplo um adultério pequeno-burguês, ou um brutal adultério legitimado pelos olhos da comunidade, não podemos falar do assunto. Elegemos um senhor para se sentar, por exemplo, no trono do Eliseu e administrar os negócios da nação, e pagamos o seu séquito e os guarda-costas. Não queremos saber o uso. Se descobrimos que o dito guarda-costas tem por função oficial conduzir o Presidente numa motocicleta a um apartamento em cujo leito repousa a ilegítima ou, pormenor romântico, comprar croissants frescos na padaria quando desponta a madrugada e levá-los ao dito leito, também não podemos comentar o acto.
Nem regulá-lo. Nem condená-lo. Trata-se da vida privada e não podemos imiscuir-nos. Não devemos. (...)

Imagine-se que o dito François Hollande, serial killer de mulheres bonitas (pormenor fundamental para a absolvição geral), e as legítimas tinham filhos adoptados. Vários filhos adoptados. Adoptados da primeira mulher, da segunda, e, quiçá, de todas as que hão de vir. O consenso generalizado, sempre repugnando-se de se meter na vida privada ou meter-se na "vida das crianças", recusaria a conclusão de que Hollande é um mau pai ou um pai incompetente que sujeita os filhos a instabilidade e humilhação. O consenso generalizado lamentaria a sorte de tais filhos mas não retiraria a conclusão de que pais adúlteros não devem ter o direito a adoptar. Que diabo, nem mães. Estas coisas acontecem e são do domínio da "esfera privada". Tratando-se de homossexuais (nem precisam ser Presidentes), o caso muda de figura. O consenso generalizado detectaria mais um sinal da devassa e da deriva homossexual, veria no pormenor do croissant um nojo físico e proclamaria a incapacidade dos homossexuais para adoptarem e garantirem filhos sem trauma. Obviamente. Uns depravados. Porque, tratando-se de homossexuais, da sua saúde (caso da sida e das descriminações aberrantes) ou da sua família (caso do casamento e adopção), a sociedade bem-pensante quer, deve, tem a obrigação de imiscuir-se na vida privada, de a punir e vigiar como um crime.»
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9.11.09

A César

 
















Parece-me tão legítimo que os bispos se pronunciem sobre o casamento civil de pessoas do mesmo sexo como sobre a localização do novo aeroporto ou o possível adiamento do TGV, porque qualquer grupo de cidadãos poder opinar sobre o que bem entender – neste caso, os senhores José, Manuel ou Xpto (sem Dom) podem chamar alguns jornalistas para fazerem constar que já aceitaram como um facto consumado a decisão de o Governo legislar em determinada direcção e que não vêem essa iniciativa «como uma provocação» (!...)

Já quando emitem uma «Nota Pastoral» (como o fizeram em Fevereiro deste ano e se preparam muito provavelmente para repetir agora em Fátima), o próprio nome indica que estão a dirigir-se às suas «ovelhas». Ora, para estas, as autoridades eclesiásticas não admitem, não aceitam, nem reconhecem o casamento civil – nem homo, nem hétero. O que disseram e o que vierem a dizer, como bispos, poderá quando muito afectar ou não os homossexuais católicos.

Mas o centro da questão é outro. Apesar de todas as declarações de comiseração para com o ser humano, a conferência episcopal portuguesa continua a considerar a homossexualidade como um desvio: «Se, por vezes, ela constitui apenas uma etapa transitória no desenvolvimento da criança ou adolescente, o seu prolongamento pela idade jovem e adulta denota a existência de problemas de identidade pessoal.» Tudo o resto é subterfúgio.

21.6.09

De como não vale a pena travar o que é irreversível

















Escândalo em Inglaterra onde um pastor anglicano «uniu religiosamente» dois padres. Numa desconhecida e recôndita aldeia? Não, em Londres, nesta antiga e belíssima igreja, com grande pompa, trombetas, coros, 300 convidados e troca de alianças.

Se continuam a ser muitas as reacções quando padres gays são ordenados, não se fizeram esperar agora com esta «bênção de uma parceria civil», como lhe chamou quem oficiou a cerimónia. Mais uma acha para a fogueira: um dos elementos do casal presta serviço na Abadia de Westminster, o mítico templo de todas as coroações e de muitos casamentos reais.

(Fonte)

21.2.09

Os bispos, again











Os bispos têm todo o direito de dizer publicamente o que pensam e de comunicarem as suas directivas aos católicos. Com a nota pastoral. «Em favor do verdadeiro casamento», ontem publicada, não anunciaram nada de especialmente original em relação ao que era conhecido, mas, no meu entender, voltaram a insistir em conceitos errados e a utilizar expressões no mínimo infelizes.

1 - Falar de «tentativa de desestruturar a sociedade» é fazer um processo de intenções. Como se aqueles que defendem o casamento entre pessoas do mesmo sexo tivessem um projecto específico de destruição do que quer que seja.

2 - Dizer que «a verdade da vida humana assenta na complementaridade do homem e da mulher» é uma frase no mínimo estranha, até porque não se vislumbra uma possível definição de «verdade da vida humana».

3 - Afirmar que a homossexualidade na idade adulta «denota a existência de problemas de identidade pessoal» é uma mera opinião, posta ao serviço de convicções religiosas, o que lhe retira qualquer espécie de autoridade.

Haveria mais a dizer mas penso que nem vale a pena. Não é certamente com textos destes que os bispos alguma vez contribuirão para a construção de uma sociedade realmente «estruturada» e tolerante.

18.2.09

#cpms – «125 minutos com Fátima Campos Ferreira»

Ela não pára: 2ª feira, nos Prós & Contras, 3ª no Casino da Figueira, desta vez em melhor companhia: o cardeal Saraiva Martins. Tema? #cpms, obviamente (*).

Que disse ele? O expectável. Mas gostei desta parte: embora reconhecendo que é o Estado que elabora as suas leis, diz que «neste sector em concreto, é absolutamente necessária uma colaboração sincera, autêntica e eficaz entre o Estado e a Igreja (...) cedendo um bocadinho dos dois lados».

A Igreja estará disposta a ceder em quê? Casamento, sim, mas só para homos que também sejam bi - seria talvez uma boa sugestão. Ou para quem prometa ser homo só às segundas, quartas e sextas. Ou só para loiros. Haja deus...


(*) Sigla usada no Twitter para «Casamentos de Pessoas do Mesmo Sexo».

17.2.09

Prós & Contras no Twitter

O Prós & Contras sobre casamento de pessoas do mesmo sexo foi seguido no Twitter por dezenas, talvez centenas, de pessoas. É um sistema totalmente aberto, como é sabido, onde cada um se expõe como entende. Com um preço a pagar: o de assumir o que escreve.

Assim sendo, aqui fica, sem comentários, o que pensa Pedro Duarte, deputado da Nação, e como o exprimiu, referindo-se a Isabel Moreira (que estava na mesa, defendendo o «Sim»):















(A origem da imagem é esta. Foi-me cedida por mmbotelho.)

ADENDA:

Através de memoria virtual, tomei conhecimento das duas últimas afirmações de Pedro Duarte no Twitter:

«Alguém, ilegitimamente, twittou ontem em meu nome com conteúdos ofensivos, que lamento.
Assim, encerro hoje a minha conta no Twitter até perceber o q se passou.Obg a q/ me avisou e peço desculpa aos visados.»

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(Só pode «twitar» o próprio ou quem conheça a sua password. )