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4.9.19

A tabuada escondida de António Costa



«Às vezes as coisas são mais simples que aquilo que parecem. Quando Costa destronou Seguro e se candidatou a secretário-geral para o PS ser o partido mais votado, tal não aconteceu. Quem teve mais votos foi a coligação do PSD com o CDS. A essas eleições o PS concorreu com um programa, o BE e o PCP cada qual com o seu.

Se o PS tinha um programa e negociou com o PCP e o BE, tal significou que teve de haver um ajustamento entre os vários programas, como sucede em qualquer acordo. Simples. Se ao cabo da legislatura as coisas correram bem a explicação reside no facto de PS, BE, PCP e Verdes terem adaptado em parte os seus programas e funcionarem com o objetivo de cumprirem o que acordaram. Dois e dois são quatro, é da tabuada.

Não se sabe (pode imaginar-se) o que seria um governo apenas do PS, tanto mais que o lastro deste partido sozinho no governo é de má memória, até para muitos socialistas…

Desde o Congresso do PS que uma série de dirigentes daquele partido têm vindo pedir à boca cheia a maioria absoluta. Se não fosse esse o desígnio do líder certamente que não seriam tantos a pedir o fim dos “constrangimentos”.

Por outro lado, o silêncio do líder poderá significar ficar a ver o que dá esta agitação das águas. Costa é muito hábil, gosta de treinar o campo de manobra, mas (há sempre um mas) a jogada é de tentar a maioria absoluta.

De repente passou a criticar os parceiros por causa dos programas de cada um, embora no debate com Jerónimo na SIC tenha deixado elogios ao PCP, o que se insere na sua bizarra manobra de obter o que quer, dando a entender que não é bem a maioria absoluta que quer, mas se lha derem…coitadinho, tem de aceitar. Com base nos resultados dos acordos à esquerda dá ares de ter sido só o PS o obreiro do trabalho dos quatro partidos e empalma os louros.

Pedir, por vias subliminares, ao país uma maioria absoluta, dizendo que a não pretende, com a direita de gatas é o caminho para jogar à cabra cega com os eleitores.

A direita está derrotada. Fez tanto mal com o programa da troika que poucos portugueses a querem. Não tem quem seja capaz de apresentar alternativa aos acordos que deram sustento à legislatura que se mostrou bem mais estável que a de Passos/Portas/Cristas. Bem chamaram o Diabo e ele vai aparecer-lhes quatro anos depois com todo o esplendor no dia 6 de outubro por volta das 19h do tempo do meridiano de Greenwich.

Há na direita mais sábia quem queira impedir uma nova “geringonça” votando PS para este ter maioria absoluta e assim tentar evitar esse acordo com as esquerdas.

Nestas eleições o que vai ser decisivo são os votos no BE e no PCP. O PS já ganhou as eleições. Ninguém duvida dessa verdade. O que se não sabe é que votações vão ter os parceiros da “geringonça”. Se reforçarem as suas posições haverá de novo acordos. A chantagem à espanhola é manobra para encher o saco do PS e ameaçar com a instabilidade que ninguém consegue descortinar. Não houve em quatro anos.

Costa será de novo primeiro-ministro. Só falta saber se terá votos suficientes para enviar o PCP e o BE para a oposição. Essa é a questão para Costa e o PS – ter ou não ter todo o poder.»

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10.12.17

Time: personalidade do ano 2017



Ainda não tinha visto esta explicação:

«This woman was partially cropped out of the cover to symbolize "all those who could not speak out”. (…) The woman (…) is a young hospital worker from Texas who told her story anonymously to protect her family's livelihood.»
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31.12.16

Bom ano



… a quem passar por aqui. 
Peguemos em 2017 com pinças…
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27.12.16

De que será feita a incerteza política em 2017?



«À medida que 2016 chega ao fim, uma sensação de inquietação está a afectar muitos comentadores que olham para o futuro. Este ano trouxe vitórias para o Brexit e para Donald Trump. O resultado de ambas as votações foi largamente inesperado. O que nos trará 2017? A União Europeia enfrenta, três ou mesmo quatro, eleições nos seus maiores estados-membros. A Holanda, França, Alemanha, e possivelmente também a Itália, irão a votos. Os resultados de todas estas eleições estão longe de serem certos, por esta altura. Na verdade, parece que se tornou difícil prever o comportamento dos eleitores.

A investigação económica e sociológica aponta para um conjunto de diferentes factores que estão a provocar estas surpresas eleitorais. O debate é, de forma ampla, sobre se são os temas económicos tais como a desigualdade de rendimento, se são os temas culturais como a rejeição de direitos iguais para as mulheres, minorias e gays, ou se são os factores relacionados com a percepção dos cidadãos de que perderam controlo sobre o seu destino, que estão a levar as pessoas a apoiarem candidatos e causas populistas. (…)

Vendo a questão pelo lado económico, os europeus não deviam estar demasiado preocupados com as eleições do próximo ano. Afinal de contas, os países da Europa continental têm os maiores estados sociais do mundo com níveis de desigualdade comparativamente baixos. (…) Mas se pusermos mais ênfase nos aspectos culturais, e em particular na sensação de se estar a perder o controlo, então o resultado das eleições na Europa parece menos seguro. (…)

Em 2017, os eleitores darão o seu veredicto sobre o que tiverem sido as políticas dos líderes nacionais e europeus. Mas estas batalhas eleitorais irão bem para lá da imigração e da desigualdade. Os factores culturais parecem ser mais centrais do que muitos economistas gostariam de aceitar. E é nesta arena que os cidadãos e os peritos terão de se empenhar, caso queiram segurar a democracia liberal.»

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