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27.12.11

«Para sair da crise…»


No Público de ontem, uma longa entrevista a Eric Toussant, concedida durante a sua última estadia em Lisboa para participar na Convenção da «Iniciativa por uma Auditoria Cidadã à Dívida Pública».

Alguns excertos e conselho e leitura na íntegra:

«Esta é uma crise que vai durar 10 ou 15 anos, porque o problema fundamental não é a dívida pública, mas sim os bancos europeus. E não estou a falar dos pequenos bancos portugueses ou gregos. O problema é que os grandes bancos (…) estão à beira do precipício. Isso é muito pouco visível no discurso oficial. Só se fala da crise soberana, quando o problema é a crise privada dos bancos. (…)

Esses planos vão piorar a situação desses países [Grécia, Portugal e Irlanda], isso é absolutamente claro. A redução maciça das despesas públicas e do poder de compra da maioria da população vai diminuir a procura e as receitas fiscais e provocar ainda mais necessidade de o país se endividar para pagar a dívida. (…)

A auditoria é um processo promovido sobretudo por cidadãos para romper o tabu da dívida soberana, que nunca se discute nem se analisa. Até pode ser má, mas há que pagá-la, porque uma dívida paga-se sempre, quando, na realidade, tanto ao nível de um particular, de uma empresa ou de um Estado, uma dívida ilegítima, ilegal ou imoral é uma dívida nula. (…)

Há uma chantagem da troika, que dá crédito para pagar aos credores, que são eles próprios e os bancos dos países do Centro europeu, e, em contrapartida, exige austeridade. Não há dúvida: é uma dívida ilegítima.»

P.S. – Para uma melhor compreensão do pensamento de Eric Toussaint, ouvir uma longa intervenção em seis pequenos vídeos, gravada durante uma outra visita a Lisboa.
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