6.4.24

Outros mundos

 


Mercado flutuante no Vietname.

Daqui.
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Conselho bem útil nos tempos que correm

 

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06.04.2011 – Troika: recordações amargas

 

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As guerras culturais são um alimento da direita radical

 


«A primeira medida do Governo Montenegro foi mudar o símbolo da República que tinha sido feito por Eduardo Aires para o Governo Costa, por um anterior da “República Portuguesa” com as peças todas, a esfera armilar, os castelos, as quinas, etc.. A claque comunicacional mais inteligente do Governo veio com todo o seu afã dizer que nada disto “era importante” e que se estava a discutir “irrelevâncias” em vez das “coisas importantes”. Ou seja, queriam matar o assunto, o mais depressa possível, para começarem a fazer loas ao Governo.

Mas a decisão é mais importante do que possa parecer, para que seja conveniente minimizar. Ao escolher fazer isto em primeiro lugar, o Governo quis dar um sinal, um sinal de ruptura, um sinal ao Chega, um sinal sobre o local onde se quer colocar. E sinais e símbolos são muito mais eficazes e empáticos do que medidas governamentais, para dizer ao que se vem ou para onde se vai.

Esse sinal é um elemento de algo que a direita radical tem usado com eficácia contra o centro e a esquerda, uma “guerra cultural”. A direita portuguesa que vive muito da ignorância, e não tem espessura intelectual e cultural, aliás como muita da esquerda, precisa destes sinais para forjar uma identidade de combate, que tem um efeito de radicalização, arregimentação e distracção. Estas três palavras – radicalização, arregimentação e distracção – vão ser a chave de muita coisa. A autodesignação de “governo de combate” tem muito a ver com este programa de acção.

O peso da ignorância é muito grande nesta discussão, em que é interessante ver monárquicos (há na AD, não?), reaccionários, nacionalistas, saudosistas da fé e do império terçarem armas pela bandeira jacobina que desde a República é a portuguesa. Eu vivo bem com a nossa bandeira (e o hino também), não participo e sou crítico de qualquer revisão do passado “fracturante”, sei bem o que significa tudo o que está na bandeira, mas … se, num acto governamental como este, se faz vir ao de cima o que lá está para ir para a “guerra”, então vamos para a guerra. Não há para mim nenhum problema em aceitar a nossa bandeira verde-rubra com a tralha histórica no centro (e escolhi a palavra “tralha” para a guerra…), nem a interpretação legítima do Eduardo Aires que mantém a identidade nacional, reduzindo essa parte da bandeira a uma cor. Mas, quando se pretende colocar uma contra a outra, eu tenho de falar da tralha central. E não me esqueço da hipocrisia dos patriotas do futebol, única altura em que os portugueses andam de bandeirinha ao pescoço, mesmo que tenha pagodes em vez dos castelos.

Eu não me excito com o combate da nossa esquerda “fracturante”, que acho muitas vezes espelhar com o da direita radical, que quer eliminar fatias importantes da história portuguesa à luz das “guerras culturais” actuais. Sim, a nossa bandeira remete para a história dos “descobrimentos”, que foi uma aventura comercial, imperial e depois colonial e racista, e até antes disso para a chamada “reconquista”, que foi uma guerra de poder e território contra o islão combatente dos primeiros séculos da Hégira.

Está lá tudo na bandeira, porque a bandeira é um condensado histórico, mas uma coisa é lá estar, outra coisa é querer moldar o presente a uma visão épica da história nacional, que incorpore na nossa identidade nacional o império e a colonização, logo o olhar para os estrangeiros como os “outros”, e logo uma história impoluta feita de “descobrimentos” assépticos, motivados apenas pela curiosidade e pelo interesse científico, a “dar novos mundos ao mundo” sem mortos, violências e opressão racista. Aí os nossos novos nacionalistas da bandeirinha deviam ler mais Fernão Mendes Pinto e a História Trágico-Marítima, mas as modernices curriculares deixaram isso para trás.

O Chega, que sabe muito bem aquilo em que o Governo se meteu, quer mais, e o mais é o corolário natural do sinal primeiro do Governo: quer que nas escolas se ensine a vulgata do nacionalismo na versão Estado Novo e, valha a verdade, da I República. Como nos EUA, os “trumpistas” querem apagar a escravatura, interpretar a guerra civil como uma luta pelos “direitos dos estados”, e querer, em nome da luta contra o “wokismo”, considerar que são os brancos a identidade da América e retomar a bandeira da Confederação.

Eu considero-me um patriota, à luz de um dos grandes momentos do patriotismo nacional que é a fala que Camões coloca na voz forte do Velho do Restelo, e sinto-me “português” na minha língua, nos meus poemas e romances na grande tradição cultural portuguesa, nas paisagens da minha terra, e nos bons e maus momentos da minha história. Eu sei que nem tudo é bom e exemplar, mas foi o que foi no tempo que foi. De todo, o que não preciso é de colar o meu patriotismo à esfera armilar, nem às quinas, nem aos castelos, nem aos pagodes e bater no peito a gritar Portugal.»

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5.4.24

Regressam os vasos

 


Vaso "Écailles" azul turquesa, de vidro opalescente, 1932.
René Lalique.


Daqui.
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05.04.1976 - Repressão policial na Praça Tiananmen

 


Bem antes de 1989, em 5 de Abril de 1976, a célebre praça de Pequim foi palco de uma forte repressão policial, para impedir comemorações em honra de Zhou Enlai que morrera poucos meses antes.

Em Cisnes Selvagens, Jung Chang refere assim os incidentes:

«A 8 de Janeiro de 1976, faleceu o primeiro-ministro Zhou Enlai. Para mim e para muitos outros chineses, Zhou representara um governo relativamente liberal e são de espírito que se esforçava por fazer o país funcionar. Nos anos negros da revolução Cultural, Zhou tinha sido a nossa única e débil esperança. (…)
[Na Primavera] Em Beijing, centenas de milhares de cidadãos reuniram-se na Praça de Tiananmen durante dias seguidos, para honrar Zhou com coroas de flores especialmente preparadas, leitura de versos apaixonados e discursos. Através de simbolismos e numa linguagem que, apesar de codificada, toda a gente compreendia, deram largas ao seu ódio contra o Bando dos Quatro, e até contra Mao. Os protestos foram esmagados na noite de 5 de Abril, quando a polícia atacou a multidão, prendendo centenas de pessoas. Mao e o Bando dos quatro chamaram a este movimento “um levantamento contra-revolucionário do tipo húngaro”».

13 anos mais tarde, foi o que se sabe.

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Nova Ministra da Saúde?

 



«Ana Paula Martins, nova ministra da Saúde, foi responsável pelo encerramento, até hoje, da obstetrícia do Santa Maria, caso que levou a um conflito com os médicos e favoreceu o privado, como Catarina Martins aqui desmascara. Uma agenda escondida com o rabo de fora.
O Bloco não desiste do SNS, sabemos o que a ministra fez no verão passado.»
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É uma caverna portuguesa com certeza

 

João Fazenda

«Tal como muitos velhos da sua geração, a minha avó tinha uma solução para todos os problemas do mundo, que consistia em obrigar os vagabundos a pegar numa enxada. “Vagabundos” era a designação de todos os habitantes do planeta, com a excepção de mim e dela. Às vezes, só dela. Outras pessoas costumam fazer uma proposta ligeiramente diferente: isto só vai lá se os vagabundos pegarem numa G3. A ideia não é formulada nestes termos, claro. O que se diz é que o serviço militar obrigatório tem propriedades medicinais, uma vez que incute nos mancebos um sentido cívico superior ao que teriam se não passassem pela experiência edificante de viver alguns meses numa caserna. De acordo com esta perspectiva, o serviço militar obrigatório não serve para suprir uma necessidade do Estado, é um modo de completar a formação dos jovens. Trata-se de um benefício para o cidadão, que se transforma naquilo que se costuma designar por “um homenzinho”. As próprias forças armadas são entendidas como uma espécie de escuteiros profissionais, cujo objectivo é proporcionar aos recrutas uma temporada agradável, de alegre camaradagem e são convívio.

Os úteis ensinamentos transmitidos vão desde o “respeito pelo Outro”, sobretudo quando o Outro ocupa um lugar superior na hierarquia militar, até “saber fazer a cama”, actividade para a qual parece haver uma falta de talento grave entre as novas gerações. Como sempre, as opiniões dividem-se: umas pessoas são a favor do serviço militar obrigatório, outras são contra. A minha posição, como creio que também vem sendo hábito, é de invulgar sensatez: sou contra e a favor. Sou contra o facto de o Estado obrigar os jovens a prestar apenas serviço militar obrigatório; sou a favor de que os obrigue a prestar vários serviços obrigatórios. Não creio que haja razão para que limitemos o serviço obrigatório a actividades tuteladas pelo Ministério da Defesa. Reconheço que Portugal lida com um problema de escassez de militares, mas não é menos verdade que nos outros ministérios também existem áreas em que o país tem falta de efectivos. Sou a favor de um serviço educativo obrigatório, em que os jovens são destacados para trabalhar nas escolas (uma tarefa muitas vezes mais violenta e perigosa do que a recruta no exército). Sou a favor do serviço médico obrigatório, para colmatar a falta de profissionais de saúde. Sou sobretudo a favor de um serviço obrigatório nas áreas em que todos os dias ouço mais queixas acerca da escassez de bons profissionais: a canalização, a instalação eléctrica, a realização de pequenos consertos. E sou, evidentemente, a favor do serviço agrícola obrigatório, para que os jovens cidadãos tenham oportunidade de, cumprindo finalmente o sonho da minha avó, pegar numa enxada.»

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Logotipos? Este

 

4.4.24

Samarcanda – inesgotável

 


Mosaicos vitrificados azuis e caligrafia qu'ranica na cúpula da Mesquita Bibi-Khanym, Samarcanda, Uzbequistão.

Daqui.
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Um pouco mais de azul (6)

 



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04.04.1914 – Marguerite Duras

 


Marguerite Duras nasceu há 108 anos em Saigão, actual Ho Chi Minh. Foi uma das grandes escritoras do século XX francês, também realizadora e guionista de filmes, para além de resistente durante a Segunda Guerra Mundial como membro do Partido Comunista Francês.

É vasta a sua obra no domínio da literatura, de início identificada com a corrente do nouveau roman, mas destaco dois livros que nunca esquecerei: L'Amant (1984) e antes, bem antes, Moderato Cantabile de 1958.

Esta última obra viria a ser adaptada para cinema por Peter Brook, em 1960, e quem o viu terá certamente retido as interpretações de Jeanne Moreau e de Jean-Paul Belmondo. Inesquecível também, o guião que Marguerite Duras escreveu para que Alain Resnais realizasse Hiroshima mon amour. E quando há meia dúzia de anos fui ao Japão, e me passeei pelo local que foi vítima de uma das maiores tragédias da humanidade, não me saía da cabeça: «Tu n'as rien vu à Hiroshima!»




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Martin Luther King

 


HE HAD A DREAM

04.04.1968 - deixou-nos há 56 anos.
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A arrogância não é exclusiva das maiorias

 

Jaime Silva

«1. O primeiro-ministro não parece ter aprendido grande coisa com a eleição do presidente da Assembleia da República, na semana passada. Não percebeu que governar com o apoio de apenas um terço dos deputados não é a mesma coisa que governar com 40% ou com uma maioria. Não percebeu que para governar vai ter de ceder ou prescindir de parte do seu poder, como cedeu e prescindiu por estes dias quando concordou que o PS elegesse um presidente da AR para uma presumível segunda metade da legislatura. Não percebeu que o seu discurso de tomada de posse, com tantas certezas, tantas exigências e tanto desdém pelos seus potenciais interlocutores só podia ser interpretado de duas maneiras: como um sinal de arrogância, ou como um gesto de provocação.

O sistema político e partidário vive um tempo novo para o qual nem há muita reflexão nem grande experiência, o que propicia erros e incompreensões. A racionalidade nas escolhas é mais frágil. A intransigência mais perigosa. As certezas menos plausíveis. A menos que o elefante no hemiciclo, o Chega, seja convidado a participar no poder, a governabilidade só será possível através de um bloco central informal, ora aberto ao compromisso, ora irredutível na defesa que cada parte fizer dos valores que partilhou com o eleitorado. Não estamos em guerra para que haja necessidade de uniões sagradas, mas não podemos estar em paz e sossego quando a ingovernabilidade ameaça o país.

O contexto implica uma revisão dos códigos e dos discursos na relação entre o poder e oposição. Dizer, como Pedro Nuno Santos disse, que chumbará um orçamento sem fazer a mínima ideia do que vai ser o orçamento, é entrar num niilismo que leva à degradação da confiança dos cidadãos na política – nesta quarta-feira, foi mais cauteloso no que disse sobre o futuro. Ao dizer que o PS está condenado a ser “oposição democrática” ou “bloqueio democrático”, Luís Montenegro segue os mesmos propósitos. Ambos querem encostar os seus adversários políticos à parede. Exibem músculo, tentam revelar convicção e seguem a tradição do debate zelosamente codificada pelo jornalismo político: o diálogo é testemunho de fraqueza e o compromisso ausência de programa.

Como se sabe que nem um nem outro são estúpidos ou suicidas, pode-se prever que haverá entendimento depois do azedume, como aconteceu com a escolha do presidente da AR. Mas também se sabe que cada palavra, cada aviso e a cada ameaça feita agora deixa marcas para o futuro. Por isso, o discurso de Luís Montenegro foi perigoso e desnecessário. Ganhou pela ousadia e a ambição de querer mudar e transformar, perdeu por basear esses desígnios na miragem de um Governo forte e de uma oposição fraca que a realidade do parlamento contesta.

Se, como o próprio pediu, os tempos exigem “humildade”, não pode pretender ser um primeiro-ministro plenipotenciário. Em democracia, ganha-se e perde-se por um voto, mas a expressão da vontade soberana do povo manifestada em eleições pode ser clara e inequívoca ou, como é o caso, tímida e relativa. Uma “vitória mínima”, como diz Marcelo, implica uma margem de manobra mínima para governar. Dizer com tanta assertividade que o programa da AD em matérias fracturantes como a baixa de IRC de 21 para 15% é para cumprir implica uma vontade ou um desejo cuja concretização não depende da AD ou de Montenegro. Implica, sim, um voto favorável do Chega ou obriga o PS a desdizer-se, a engolir sapos e a hipotecar a sua própria credibilidade. O PS, obviamente, não o fará, até por humildade.

Acreditar que, por viabilizar o Programa do Governo, o PS se deve comprometer a viabilizar a governação, destapa uma artimanha. Uma espécie de coacção, cristalizada na teoria dos cheques em branco ou na dicotomia oposição/bloqueio, como se o exercício legítimo e responsável da oposição não pudesse (e devesse) contemplar o bloqueio. Acreditar que o PS estará disposto a engolir políticas que o seu ideário contesta e o seu programa recusa em nome da “transformação” que a AD propõe pode ser do domínio da fé, não do bom senso ou da razão. Se, como sugere Montenegro, o PS for o parceiro preferido para viabilizar a governação, tem de respeitar as suas “linhas vermelhas”. Aquelas em que uma abstenção não basta, em que é forçoso votar contra.

Se o Governo quer envolver com sinceridade o PS numa relação construtiva, tem de conceder-lhe autonomia estratégica. Impondo-lhe regras, estabelecendo-lhe os princípios de conduta ou prescrevendo-lhe uma moral política baseada nas suas próprias interpretações e interesses, Montenegro não está a ser “humilde”, nem aberto ao compromisso. Não se negoceia cerceando a liberdade de os outros escolherem os termos, os limites ou o alcance da negociação. Ao transformar o discurso de investidura numa exposição do programa de Governo que mantém ipsis verbis o contrato apresentado pela AD aos eleitores, Luís Montenegro pensa em si, ignorando os outros. Ou muda, ou acaba nos braços do Chega, ou cai mais tarde ou mais cedo.

2. Haverá quem considere que, depois de indigitado, Montenegro tem o dever de ser ambicioso, de fazer prova dos caminhos que propôs para “transformar o país”. Pode-se até aceitar que o pior que o primeiro-ministro podia fazer era estrear-se numa pose titubeante ou céptica, a atitude que Marcelo Rebelo de Sousa parece preferir, como ficou claro no seu discurso. Aceitar estas leituras, porém, é insistir num paradigma da política que hoje não existe. Sobreviver numa ecologia difícil é a primeira missão do Governo. O que não se consegue irritando os predadores com poder para determinar o destino da espécie.

Montenegro conseguiu nomear um Governo com uma qualidade global muito acima das expectativas e parece apostar numa estratégia de combate político contra o tempo. Falou, e bem, sobre desafios estruturais em áreas como a água ou a demografia. Começou a seduzir o eleitorado do Chega com acções contra a corrupção ou nas políticas de imigração. Prometeu menos impostos, mais salários, mais serviços públicos e por aí adiante. Tudo isto seria legítimo de o tivesse feito com a preocupação de manter uma relação aberta e equilibrada com os socialistas.

Fez o contrário: tratou o PS como um apêndice, uma entidade derrotada que tem de se sujeitar à submissão. Legitimou o discurso duro e intransigente de Pedro Nuno Santos. Mais do que incentivar uma clivagem, Luís Montenegro fomentou a hostilidade. Se valoriza mesmo a “humildade”, deve começar por usá-la no seu próprio caminho.»

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3.4.24

Vasos azuis

 


Arte Nova, vaso de vidro azul iridescente com aplicações prateadas em forma de papoilas.
Loetz.

Daqui.
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Catarina Martins numa Europa dos povos

 


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Salgueiro Maia morreu num 3 de Abril

 


Alfredo Cunha no Facebook:
 
«Há 50 anos, no tempo em que éramos imortais e felizes!!!! Salgueiro Maia. Sempre.
Lisboa 25-04-1974, Largo do Carmo.»
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Prioridades governamentais

 


Depois da mudança dos símbolos na página do novo governo, como primeiríssima actividade do mesmo, regressarão as célebres capas dos livros da Primária?
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Novo governo: quando a equipa exibe o jogo

 


«O primeiro sinal do PSD, logo no primeiro dia desta legislatura, foi o de dar primazia a um compromisso com o Chega, assumindo que existe uma maioria de direita. Uma entrevista recente de Hugo Soares à SIC Notícias esvaziou, aliás, a ideia de que os contactos com o Chega foram semelhantes aos que existiram com o PS. O novo líder parlamentar do PSD confirmou a existência de um compromisso que o Chega teria traído, acusação que nunca fez aos socialistas. E mesmo depois de ter sido salvo pelo PS e de não contar com o voto da extrema-direita em Aguiar-Branco, o PSD não faltou com um único voto a Pacheco Amorim. Nenhuma porta foi fechada.

Mas, desde que o Partido Socialista viabilizou a eleição do novo Presidente da Assembleia da República, esse gesto de boa-vontade tem sido aproveitado para o tentar amarrar à sustentação do governo. Na entrevista referida, Hugo Soares até sublinhou que o acordo firmado com o PS foi para a legislatura e que isso obrigaria o PS a garantir a estabilidade, incluindo já a passagem de orçamentos de Estado neste pacote. Ontem, Luís Montenegro fez o mesmo, dizendo que quem, cumprindo um compromisso eleitoral, não inviabiliza a passagem do programa do governo tem de garantir a legislatura.

São, logo à partida, dois avisos para a má-fé com que o novo governo se relacionará com entendimentos pontuais, tentando a todo o custo entregar a liderança da oposição ao Chega – o maior favor que lhe pode ser feito, como se percebeu pelas declarações exultantes de Ventura depois do discurso de tomada de posse. Esta tentativa de amarrar o PS não exibe uma vontade de aproximação, mas de montar armadilhas pelo caminho.

Tenho ouvido e lido análises ao novo governo centradas no seu perfil mais político ou mais técnico, mais partidário ou mais independente. Como sublinhou Pacheco Pereira, elas têm a curiosidade de considerarem positivo – a proximidade ao líder ou a experiência partidária – o que em governos do PS era tido como negativo. O que tem faltado é uma análise programática destas escolhas, que nos deviam dizer que convergências o PSD teria de fazer, se quisesse ser consequente.

O +Liberdade, um think-tank politicamente liderada pelo deputado Carlos Guimarães Pinto e generosamente financiado para servir de braço propagandístico da IL (e pessoas que, estando noutros partidos, lhe têm proximidade ideológica), teve a amabilidade de fazer o trabalho por mim, destacando quatro ministros centrais que são membros desta laboratório de ideias ultraliberal: Fernando Alexandre, diretor não executivo do +Liberdade (com Guimarães Pinto e Cecília Meireles) e novo ministro da Educação; Rita Júdice, a surpreendente ministra da Justiça espacializada em negócios imobiliários; Pedro Reis, ministro da Economia; e António Leitão Amaro, figura central no PSD e no novo executivo, muito próximo de Montenegro.

Independentemente de alguns ministros terem sido nomeadas para cargos técnicos pelo governo anterior (o que desmente a ideia de que só se era promovido com cartão socialista), basta acompanhar as suas posições políticas e programáticas para perceber a sua natureza ideológica. Basta revisitar os escritos de Miranda Sarmento (várias vezes citados por António Costa em debates); conhecer as posições de Ana Paula Martins sobre a reforma do SNS iniciada por Fernando Araújo; rever as intervenções de Paulo Rangel sobre alguns governos aliados de Portugal (numa manifestação contra Sánchez, em Madrid, por exemplo); ler a doutrina sobre direito laboral da nova ministra do Trabalho e Segurança Social (o nome de Maria Rosário Ramalho foi mal recebido pelas centrais sindicais); ou recordar do papel de Miguel Pinto Luz na privatização da TAP à 25ª hora e na concessão da ANA (desfeita pelo Tribunal de Contas) que limita a escolha da localização novo aeroporto (assuntos caros ao líder do PS) para perceber que este governo não foi pensado para convergir com o Partido Socialista. Pelo contrário.

Nos setores mais sensíveis, o fosso com PS e com Pedro Nuno Santos, que Montenegro, ao bom jeito da IL, chamou de “gonçalvista”, é evidente. Não está em causa a competência de cada pessoa. Está em causa o facto deste não ser apenas um governo fortemente político, mas marcadamente ideológico. É uma opção legitima. Só não se pode pedir aos socialistas para jogar um jogo quando se selecionou uma equipa para outro.

Já aqui defendi que o PS deve estar disponível para entendimentos com todos os partidos democráticos (e não apenas com o PSD) em matérias de regime, afastando o Chega de qualquer intervenção que tenha a ver com política de imigração, para as minorias, de segurança, de política criminal ou para alterações constitucionais. A oposição de André Ventura à nova ministra da Administração Interna facilita essa opção, aliás. Curiosamente, é sobre a corrupção que Montenegro está disponível para falar com todos, incluindo o Chega, sem neste tema dar preferência ao PS, é sobre a corrupção – prevê-se um festival de populismo.

Coisa diferente é a política económica, social e relacionada com os serviços públicos. Aí, é o PSD que tem de fazer escolhas. A composição deste governo e o discurso de ontem indiciam uma política virada à direita. É legitimo. Existe uma maioria parlamentar de direita. Mas é uma escolha que deveria ter consequências.

O programa dirá se se confirma a decisão do PSD governar como se tivesse maioria absoluta. O discurso de Montenegro assim o indica. E se assim é, o PSD deveria ter em conta uma maior proximidade ao Chega nas propostas para o SNS, política fiscal e Escola Pública do que ao PS. E são essas políticas, e não as de regime, que mais contam para o Orçamento de Estado. Se o programa e o governo é à direita, é à direita que os entendimentos se deveriam fazer. Não se pode governar à direita, havendo uma maioria de direita, e exigir que o suporte dessa política seja a esquerda. Isso não é defender entendimentos ao centro, é defender uma armadilha que leve um partido a abandonar todas as suas posições em favor das de outro. Não foi só a AD que só teve 29%, foi o seu programa.

Quem tivesse dúvidas sobre tudo o que aqui escrevo, bastaria ter ouvido o discurso de tomada de posse de Luís Montenegro. A mensagem foi simples: a AD apresenta o seu programa, incluindo as reformas que defende (e que tiveram 29% dos votos) sem mudar uma linha, e exige que o PS o aprove. Para além do início da marcha-atrás em relação às promessas que fez às corporações, Montenegro tinha uma coisa para transmitir: quis enconstar o PS à parede logo no primeiro dia, mostrando indisponibilidade para cedências. Não está realmente disponível para negociações. Só vitimização. Luís Montenegro exigiu responsabilidade e humildade a todos. Só as dispensou para si.»

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2.4.24

Santuários

 


Santuário principal (Rajagopuram) do Templo Sri Ranganathaswamy. Tamil Nadu, Índia.

Daqui.
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02.04.2024, 18h - Já está!

 

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SMO?

 


De: Jovens do Bloco no Facebook

A ler: Serviço Militar Obrigatório, para que te quero?
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02.04.1976 – Há 48 anos, uma Constituição

 


Naquele 2 de Abril, os deputados da Assembleia Constituinte, eleitos em 25 de Abril de 1975, deram por concluída a elaboração da Constituição. Esta foi então aprovada com os votos a favor dos partidos representados no Parlamento, com a excepção dos 16 deputados do CDS que votaram contra.

Dois vídeos, um deles com o momento da votação da CRP, AQUI.
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O regresso do militarismo

 


«A Europa vive duas ameaças latentes. Nada garante que o expansionismo russo se fique pela Ucrânia, e que Vladimir Putin não alimente a intenção de novas invasões, e uma eventual eleição de Donald Trump teria como consequência uma maior desprotecção europeia, por implicar uma desvalorização da NATO.

A adesão da Finlândia e da Suécia à aliança militar é um bom indicador de como ambos desconfiam do vizinho russo nesta conjuntura pós-invasão da Ucrânia, a ponto de o segundo ter abandonado a sua famosa neutralidade, imaculada desde 1814. Não parece que exista outra defesa possível perante as tentações imperiais do autocrata do Kremlin.

Esta guerra que se abateu sobre a Europa não tem desfecho à vista, nem duração previsível. O ambiente de guerra e de corrida ao armamento está definitivamente instalado. A indústria agradece.

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, foi o primeiro a dizê-lo sem equívocos, por achar que a Rússia não se ficará pela Ucrânia, como também não se contentou com a Crimeia: “Se queremos a paz, temos de nos preparar para a guerra.” O primeiro-ministro polaco Donald Tusk não tem dúvidas de que “estamos numa época de pré-guerra”, considera que não está a ser exagerado quando o afirma e que isso “é cada dia mais evidente”.

A ministra espanhola da Defesa, Margarita Robles, também já referiu que a Europa tem de estar consciente de que o perigo da guerra está muito próximo: “Não é uma pura hipótese, é real.”

O contexto é propício ao discurso belicista, ao aumento da despesa com a Defesa, para cumprir a meta do investimento dos 2% do PIB no quadro da NATO, e ao aumento dos efectivos. A realidade muda de país para país e é certo que quanto maior foi a proximidade da Rússia maior será a necessidade de protecção e a atmosfera de pré-guerra.

Os finlandeses, suecos ou polacos, que aumentaram os gastos militares até 3,9% do PIB, têm razões para se inquietarem. Têm razões para sempre se terem preocupado com a sua autonomia de Defesa ou com a manutenção do serviço militar obrigatório (SMO) como condição para assegurar um número de elementos razoável.

A Europa desperta agora para o pesadelo de ter de investir mais recursos financeiros no armamento e de exigir aos seus cidadãos que defendam o país na eventualidade de uma guerra. Algo absolutamente impensável até há pouco tempo. Os europeus habituaram-se ao guarda-chuva dos EUA e Trump pode fechá-lo, com consequências estrondosas.

O quadro é favorável a que os militares insistam no retrocesso que seria para Portugal voltar a aplicar o serviço militar obrigatório, porque a profissionalização não dotou as forças armadas com o número necessário de elementos. É verdade que vários países europeus têm vindo a reintroduzir o serviço militar obrigatório por aquela razão, mas estão a fazê-lo de uma forma mais adaptada aos tempos actuais, acrescentando-lhe uma componente cívica.

O SMO acabou em Portugal porque tinha deixado de fazer qualquer sentido uma experiência de caserna, que se pauta pelo machismo, pela ausência de aprendizagem relevante e por recrutas vexatórias que, em algumas forças especiais, raiam o sadismo, como o atestam as mortes de instruendos nos cursos dos Comandos, e porque os tempos eram de paz.

Encerrado o capítulo da guerra colonial, o serviço militar ficou circunscrito a quem não tinha cunha que lhe permitisse escapar. Não é necessário passar nove meses numa caserna para aprender a fazer uma cama, engraxar botas ou valorizar a disciplina. Sim, é verdade que as Forças Armadas têm um problema de atracção e de retenção de efectivos. Mas têm-no porque a profissionalização militar não é uma carreia atractiva. Nunca foi. O estado em que se encontram as Forças Armadas é proporcional à importância atribuída por sucessivos governos. O país teve outras prioridades mais óbvias nas últimas décadas.

Forças Armadas alimentadas por conscritos podem ser mais numerosas, mas isso não garante que sejam mais competentes. Os militares querem lançar o debate, neste cenário de pré-guerra e de compromisso de aumento da Defesa, em vésperas da tomada de posse de um novo governo.

O tema não foi discutido durante a última campanha para as legislativas e está muito longe de ser consensual entre as forças partidárias. Sim, podemos ter essa discussão, mas há, todavia, outras coisas a fazer no imediato, como aumentar salários, prolongar contratos, reconhecer a equivalência de certificação de cursos, melhorar a integração no mercado de trabalho e tudo o mais que dignifique a carreira militar. Não se trata de preparar a guerra, mas de melhorar a Defesa, no âmbito de uma maior autonomia europeia.»

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1.4.24

Política de habitação

 


Hotel para pássaros en Amesterdão.

Daqui.
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Não esquecer os bombeiros

 

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28 anos sem Mário Viegas

 


Mário Viegas nasceu em 1948 e morreu, muito novo, em 1 de Abril de 1996.

Fundou companhias de teatro, actuou em vários países, participou em mais de quinze filmes e em duas séries televisivas inesquecíveis: «Palavras Ditas» (1984) e «Palavras Vivas» (1991).

Clicar AQUI para ouvir a sua leitura do Manifesto Anti-Dantas de Almada Negreiros, o Manifesto Anti-Cavaco, lançado por Mário Viegas durante a campanha eleitoral para as legislativas de 1995, em que foi candidato independente na lista da UDP. (Candidatou-se também à Presidência da República.) E A Nêspera, claro.
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Mendes e Portas serão as novas “conversas em família”?

 


«Um estudo tratou de mostrar que o comentário político nas televisões foi dominado, no ano de 2023, pela direita. Isto apesar de haver, nesse período, uma maioria parlamentar de esquerda. Arrisco-me a dizer, sem dados para além da minha observação, que a situação se agravou durante a campanha eleitoral, como é verificável em painéis de comentário em que as áreas próximas da AD, que se ficou pelos 29%, estiveram sobrerrepresentadas.

O resultado da coligação de direita (o pior de sempre, apesar da vitória, na soma entre o PSD e o CDS) ajuda, apesar de tudo, a relativizar a influência dos comentadores. Mas, ainda assim, pela pressão que o comentário crescentemente exercer sobre os espaços noticiosos e de debate político, e se queremos preservar a credibilidade dos órgãos informativos, não devemos deixar de ser exigentes. Não se trata de defender uma representação partidária. As televisões não são reproduções do parlamento. Trata-se de cumprir mínimos de pluralismo político.

Não preciso de me dedicar a especulações sobre o peso relativo de cada um. Chega-me falar de uma originalidade portuguesa: dois ex-líderes dos partidos que se juntaram numa mesma coligação têm o monopólio do comentário sem contraditório em canais abertos generalistas. Espaços que garantem, à partida e de longe, maior audiência. De tal forma poderosos que já ajudaram a eleger um Presidente (também ex-líder do PSD) e têm outro na calha para o mesmo projeto.

Não fazendo grande esforço para disfarçar a função política dos seus espaços exclusivos, Luís Marques Mendes e Paulo Portas não hesitaram em participar diretamente na campanha eleitoral das últimas eleições, saltando da cadeira de analistas para o palanque de comícios e, de novo, para a cadeira de analistas. Nada contra. Os comentadores não têm de ser neutros. Grave é que duas pessoas empenhadas na campanha da mesma força política tenham mantido este monopólio nas televisões portuguesas.

Já referi esta anomalia várias vezes por achar que isto merecia um debate antes de 10 de março. Mas, a partir da tomada de posse do próximo governo, a coisa passa a ser mais problemática. Porque, com o exclusivo da opinião sem contraditório em canal generalista aberto dada a dois apoiantes deste governo, que militantemente se empenharam na sua eleição, está em causa, pela desproporção de espaço dado ao poder e à oposição, a independência da comunicação social perante o poder executivo.

Ontem foi apenas mais um momento do que nos espera. A avaliação que Marques Mendes fez da composição do novo governo seria mais objetiva se fosse feita por Luís Montenegro. Tudo superlativo, magnífico, cheio de talentos, qualidade. Ou extraordinariamente óbvio ou positivamente surpreendente. O ex-lider do PSD conseguiu falar de todos os novos ministros sem encontrar uma única dúvida sobre qualquer qualidade de qualquer uma das escolhas. Provavelmente o melhor governo de sempre. Foram largos minutos de puro tempo de antena do novo poder, sem qualquer coisa que se assemelhe a uma análise. Digno de uma "conversa em família". É isto que teremos nos próximos meses?

O que já era uma aberração em qualquer país democrático passa a ser um prolongamento da estratégia política do poder executivo. A comunicação social também está sujeita ao escrutínio democrático. Ou acaba com estes espaços, ou cria espaços equivalentes em impacto para figuras independentes do governo, incluindo políticos próximos da oposição (que corresponde a 70% dos eleitores), ou pode ser confundida com a comunicação social (pública e privada) que conhecemos nas chamadas “democracias iliberais”.»

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31.3.24

Páscoa rima com ovos

 


Ovos da Páscoa Imperial: exemplares da colecção de ovos de Páscoa elaborados por Fabergé, especificamente para a família imperial russa, entre 1885 e 1917.
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Para mais tarde verificar

 

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Onde está Marcelo?

 

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A ação e o programa

 


«Os populismos de direita são, por definição, anti-intelectuais: tanto Trump como Bolsonaro se orgulham de não ler livros e desprezam toda a produção académica, que identificam como sede principal do feminismo, das políticas identitárias, do igualitarismo e do wokismo.

A extrema-direita, pelo contrário, tornou-se marcadamente teórica, tendo alguns dos seus ideólogos escrito obras que sintetizam os seus pontos de vista, recorrendo estilisticamente à forma académica. Durante os últimos 40 anos — nos quais os valores progressistas foram dominantes no Ocidente — a extrema-direita teve de se limitar a ter ideias, já que a ação era inviável. Os seus intelectuais, com tempo e demora, dedicaram-se a identificar as raízes profundas do mal-estar e a lançar uma série de eixos teóricos em torno dos quais agir.

Joakim Andersen, autor sueco, militante da extrema-direita, publicou em 2017 Ressurgir das Ruínas: A Direita do Século XXI, em si mesmo um título sugestivo, em que clarifica a relação da extrema-direita com o populismo: "Vivemos anos agitados, marcados por vitórias populistas e derrotas globalistas. Esta tendência deverá manter-se nos próximos anos. A direita populista e nacionalista — a verdadeira direita — continuará a obter vitórias políticas e os globalistas liberais sofrerão novas derrotas nos próximos anos. É evidente que entrámos num novo paradigma".

Evidente é, também, que os populismos são o braço armado do quadro teórico da direita radical. Andersen incita à luta: “Em termos de metapolítica, teremos de continuar a esmagar os últimos vestígios do politicamente correto e continuar a construir as nossas próprias plataformas de notícias, debate, política e socialização. Vamos intensificar os nossos esforços e tornar-nos ainda mais profissionais." É importante ler estes autores porque permite dar nome ao que os partidos populistas estão realmente a fazer: a sabotagem à democracia é atividade metapolítica; e ao desejo de participar no sistema que condenam chamam-lhe profissionalização.

Entretanto, transversal a todo o livro está a ideia da desvirilização: "Os homens europeus não estão propriamente a tornar-se cada vez mais masculinos, mas, pelo contrário, estão a ser sucessivamente despojados das qualidades necessárias para proteger as suas sociedades, as suas mulheres e os seus filhos". Para o autor, a cultura ocidental está esfrangalhada, basta ligar a rádio para “ouvir vozes de rapazes efeminados e gritos de mulheres passivo-agressivas”. Mas, não vá o leitor despistar-se, o autor esclarece que “em caso algum a noção de ‘virilidade’ deve ser confundida com ‘machismo’ ou com a estúpida ideia de ‘privilégio social masculino’. A virilidade de um povo é uma condição para a sua manutenção na história. (...) Na luta pela sobrevivência, o sentimento de se ser superior e de ter razão é indispensável para agir e ter sucesso”. Credo, que antigo.

Guillaume Faye, teórico político francês e membro destacado da Nova Direita francesa, publica em 2011 Por que Lutamos: Manifesto da Resistência Europeia, em que resume bem a questão central: "Os europeus foram poderosos enquanto se mantiveram ingenuamente etnocêntricos. Quando começaram a interrogar-se sobre 'o valor do Outro', o declínio instalou-se." (...) Lembrem-se que os nossos adversários já perderam. Só ainda não pararam de respirar." A ver vamos.

Seja como for, o futuro próximo não vai ser bonito. Teremos de agir com a mesma determinação unida que derrotou a onda fascista que emergiu nos anos 30. Uma nova Frente Popular, que una todas as forças que valorizam o Outro.»

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