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17.4.25

17.04.1975 – Camboja: os Khmer Vermelho tomam Phnom Penh



 

Foi há 50 anos que a capital do Camboja, Phnom Penh, foi tomada pelo Khmer Vermelho. Seguiram-se quatro anos de terror, num processo brutal que tinha como objectivo a criação de uma sociedade comunista puramente agrária e do qual resultou um genocídio que eliminou 20 a 25% da população (cerca de dois milhões de pessoas, embora não haja números exactos). Uma das consequências absolutamente impressionante e visível, mesmo para o turista desprevenido, é que o Camboja é hoje um país quase sem velhos: a grande maioria dos que teriam actualmente cerca de 70 anos, ou mais, desapareceu.

Estive lá em 2009 e, por muitos ou poucos anos que ainda viva, nunca esquecerei um dos mais célebres killing fields, situado nos arredores de Phnom Pehn, onde se encontra o Museu do Genocídio de Tuol Sleng. Numa antiga escola transformada em prisão e nos terrenos que a rodeiam, terão sido torturadas e assassinadas cerca de 10.000 pessoas – homens, mulheres e muitas crianças –, como testemunham largas centenas de fotografias expostas em grandes painéis. É um museu muito simples, impressionante pobre, mas terrível.

Há muita literatura sobre este período negro de uma parte importante do sudoeste asiático, há um grande filme (The Killing Fields, Terra Sangrenta, em português) e muitos pequenos vídeos como estes, precisamente sobre o museu de Tuol Sleng.




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30.7.24

Não temos cá disto (7)

 


Templo Ta Prohm, Siem Reap, Camboja, 2009.

Ta Prohm faz parte do complexo de templos construídos na zona de Angkor, a antiga capital do Império khmer entre os séculos IX e XV, e pesquisas recentes concluíram que poderá ter ocupado 3.000 km² e tido uma população de 500.000 habitantes («a maior cidade pré-industrial do mundo»). Nela foram encontradas ruínas de mais de 1.000 templos.

Ao contrário da maioria dos templos de Angkor, Ta Prohm foi deixado sem ser reconstruído, ficando envolvido nas árvores que, ao longo do tempo, se foram entrelaçando com a pedra, o que o tornou uma das grandes atracções do conjunto. (Houve alguma intervenção em 2013, sobretudo para o defender dos turistas, mas foi assim que o vi.)

17.4.24

17.04.1975 – Camboja: os Khmer Vermelho tomam Phnom Penh

 


Foi há 49 anos que a capital do Camboja, Phnom Penh, foi tomada pelo Khmer Vermelho. Seguiram-se quatro anos de terror, num processo brutal que tinha como objectivo a criação de uma sociedade comunista puramente agrária e do qual resultou um genocídio que eliminou 20 a 25% da população (cerca de dois milhões de pessoas, embora não haja números exactos). Uma das consequências absolutamente impressionante e visível, mesmo para o turista desprevenido, é que o Camboja é hoje um país quase sem velhos: a grande maioria dos que teriam actualmente cerca de 70 anos, ou mais, desapareceu. 

Estive lá em 2009 e, por muitos ou poucos anos que ainda viva, nunca esquecerei um dos mais célebres killing fields, situado nos arredores de Phnom Pehn, onde se encontra o Museu do Genocídio de Tuol Sleng. Numa antiga escola transformada em prisão e nos terrenos que a rodeiam, terão sido torturadas e assassinadas cerca de 10.000 pessoas – homens, mulheres e muitas crianças –, como testemunham largas centenas de fotografias expostas em grandes painéis. É um museu muito simples, impressionante pobre, mas terrível.

Há muita literatura sobre este período negro de uma parte importante do sudoeste asiático, há um grande filme (The Killing Fields, Terra Sangrenta, em português). Para ver dois pequenos vídeos impressionantes clicar AQUI.
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16.4.23

17.04.1975 – Camboja: o Khmer Vermelho toma Phnom Penh



 

Foi há 48 anos que a capital do Camboja, Phnom Penh, foi tomada pelo Khmer Vermelho. Seguiram-se quatro anos de terror, num processo brutal que tinha como objectivo a criação de uma sociedade comunista puramente agrária e do qual resultou um genocídio que eliminou 20 a 25% da população (cerca de dois milhões de pessoas, embora não haja números exactos). Uma das consequências absolutamente impressionante e visível, mesmo para o turista desprevenido, é que o Camboja é hoje um país quase sem velhos: a grande maioria dos que teriam actualmente cerca de 70 anos, ou mais, desapareceu.

Estive lá em 2009 e, por muitos ou poucos anos que ainda viva, nunca esquecerei um dos mais célebres killing fields, situado nos arredores de Phnom Pehn, onde se encontra o Museu do Genocídio de Tuol Sleng. Numa antiga escola transformada em prisão e nos terrenos que a rodeiam, terão sido torturadas e assassinadas cerca de 10.000 pessoas – homens, mulheres e muitas crianças –, como testemunham largas centenas de fotografias expostas em grandes painéis. É um museu muito simples, impressionante pobre, mas terrível.

Há muita literatura sobre este período negro de uma parte importante do sudoeste asiático, há um grande filme (The Killing Fields, Terra Sangrenta, em português) e muitos pequenos vídeos como estes, precisamente sobre o museu de Tuol Sleng.




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18.4.22

17.04.1975 – Camboja: os Khmer Vermelho tomam Phnom Penh

 


Foi no dia 17 de Abril de 1975 que a capital do Camboja, Phnom Penh, foi tomada pelo Khmer Vermelho. Seguiram-se quatro anos de terror, num processo brutal que tinha como objectivo a criação de uma sociedade comunista puramente agrária e do qual resultou um genocídio que eliminou 20 a 25% da população (cerca de dois milhões de pessoas, embora não haja números exactos). Uma das consequências absolutamente impressionante e visível, mesmo para o turista desprevenido, é que o Camboja é hoje um país quase sem velhos: a grande maioria dos que teriam actualmente cerca de 70 anos, ou mais, desapareceu.

Estive lá em 2009 e, por muitos ou poucos anos que ainda viva, nunca esquecerei um dos mais célebres «killing fields», situado nos arredores de Phnom Pehn, onde se encontra o Museu do Genocídio de Tuol Sleng.

Para continuar a ler e ver dois pequenos vídeos impressionantes clicar AQUI.
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17.4.21

17.04.1975 – Camboja: os Khmer Vermelho tomam Phnom Penh


 

Foi no dia 17 de Abril de 1975 que a capital do Camboja, Phnom Penh, foi tomada pelo Khmer Vermelho. Seguiram-se quatro anos de terror, num processo brutal que tinha como objectivo a criação de uma sociedade comunista puramente agrária e do qual resultou um genocídio que eliminou 20 a 25% da população (cerca de dois milhões de pessoas, embora não haja números exactos). Uma das consequências absolutamente impressionante e visível, mesmo para o turista desprevenido, é que o Camboja é hoje um país quase sem velhos: a grande maioria dos que teriam actualmente cerca de 70 anos, ou mais, desapareceu.

Estive lá em 2009 e, por muitos ou poucos anos que ainda viva, nunca esquecerei um dos mais célebres killing fields, situado nos arredores de Phnom Pehn, onde se encontra o Museu do Genocídio de Tuol Sleng. Numa antiga escola transformada em prisão e nos terrenos que a rodeiam, terão sido torturadas e assassinadas cerca de 10.000 pessoas – homens, mulheres e muitas crianças –, como testemunham largas centenas de fotografias expostas em grandes painéis. É um museu muito simples, impressionante pobre, mas terrível.

Há muita literatura sobre este período negro de uma parte importante do sudoeste asiático, há um grande filme (The Killing Fields, Terra Sangrenta, em português) e muitos pequenos vídeos como estes, precisamente sobre o museu de Tuol Sleng.




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31.7.20

Templos, Mesquitas e outros que tais (10)



Ta Prohm, Siem Reap, Camboja, 2009.

Ta Prohm faz parte do complexo de templos construídos na zona de Angkor, a antiga capital do Império khmer entre os séculos IX e XV e pesquisas recentes concluíram que poderá ter ocupado 3.000 km² e tido uma população de 500.000 habitantes («a maior cidade pré-industrial do mundo»). Nela foram encontradas ruínas de mais de 1.000 templos.
Ao contrário da maioria dos templos de Angkor, Ta Prohm foi deixado sem ser reconstruído, ficando envolvido nas árvores que, ao longo do tempo, se foram entrelaçando com a pedra, o que o tornou uma das grandes atracções do conjunto. (Terá havido alguma reconstrução recentemente, mas foi assim que o vi.)


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28.7.17

Templos budistas e não só (6)



Angkor Wat. Siem Reap, Camboja (2009).

Angkor Wat é o maior dos templos de Angkor, primeiro hindu e depois budista, expoente máximo da arquitetura Khmer, um dos tesouros arqueológicos mais importantes do mundo.
Angkor foi capital do Império Khmer entre os séculos IX e XV e pesquisas recentes concluíram que poderá ter ocupado 3.000 km² e tido uma população de 500.000 habitantes («a maior cidade pré-industrial do mundo»). Nela foram encontradas ruínas de mais de 1.000 templos. Por lá andei uns dias e não vi mais do que uma pequeníssima parte – com um calor tórrido e húmido como nunca experimentei em mais alguma parte do mundo… 




17.4.17

17.04.1975 – No Camboja, os Khmer Vermelho tomam Phnom Penh



Foi no dia 17 de Abril de 1975 que a capital do Camboja, Phnom Penh, foi tomada pelo Khmer Vermelho. Seguiram-se quatro anos de terror, num processo brutal que tinha como objectivo a criação de uma sociedade comunista puramente agrária e do qual resultou um genocídio que eliminou 20 a 25% da população (cerca de dois milhões de pessoas, embora não haja números exactos). Uma das consequências absolutamente impressionante e visível, mesmo para o turista desprevenido, é que o Camboja é hoje um país quase sem velhos: a grande maioria dos que teriam actualmente cerca de 65 anos, ou mais, desapareceu.

Estive lá em 2009 e, por muitos ou poucos anos que ainda viva, nunca esquecerei um dos mais célebres killing fields, situado nos arredores de Phnom Pehn, onde se encontra o Museu do Genocídio de Tuol Sleng. Numa antiga escola transformada em prisão e nos terrenos que a rodeiam, terão sido torturadas e assassinadas cerca de 10.000 pessoas – homens, mulheres e muitas crianças –, como testemunham largas centenas de fotografias expostas em grandes painéis. É um museu muito simples, impressionante pobre, mas terrível.

Há muita literatura sobre este período negro de uma parte importante do sudoeste asiático, há um grande filme (The Killing Fields, Terra Sangrenta, em português) e muitos pequenos vídeos como estes, precisamente sobre o museu de Tuol Sleng.





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17.4.15

Camboja. Há 40 anos, o Khmer Vermelho



Foi no dia 17 de Abril de 1975 que a capital do Camboja, Phnom Penh, foi tomada pelo Khmer Vermelho . Seguiram-se quatro anos de terror, num processo brutal que tinha como objectivo a criação de uma sociedade comunista puramente agrária e do qual resultou um genocídio que eliminou 20 a 25% da população (cerca de dois milhões de pessoas, embora não haja números exactos). Uma das consequências absolutamente impressionante e visível, mesmo para o turista desprevenido, é que o Camboja é hoje um país quase sem velhos: a grande maioria dos que teriam actualmente cerca de 65 anos, ou mais, desapareceu.

Estive lá em 2009 e, por muitos ou poucos anos que ainda viva, nunca esquecerei um dos mais célebres killing fields, situado nos arredores de Phnom Pehn, onde se encontra o Museu do Genocídio de Tuol Sleng. Numa antiga escola transformada em prisão e nos terrenos que a rodeiam, terão sido torturadas e assassinadas cerca de 10.000 pessoas – homens, mulheres e muitas crianças –, como testemunham largas centenas de fotografias expostas em grandes painéis. É um museu muito simples, impressionante pobre, mas terrível.

Há muita literatura sobre este período negro de uma parte importante do sudoeste asiático, há um grande filme (The Killing Fields, Terra Sangrenta, em português) e muitos pequenos vídeos como estes, precisamente sobre o museu de Tuol Sleng.





A ler: um testemunho impressionante de Denise Affonço, filha de pai francês, de ascendência vagamente portuguesa, e de mãe vietnamita.

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Mas não foram só os killing Ffields que me impressionaram, como então escrevi: Do outro lado do mesmo mundo
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4.11.14

Foi você que pediu um mundo cão?



Nunca consigo ficar indiferente quando leio notícias sobre as condições de vida e de trabalho no Camboja, um dos países em que estive e que mais me impressionaram, pelo seu terrível passado político ainda bem recente e, actualmente, pela conturbada presença nos meandros da globalização.

Leio hoje que as autoridades daquele país «resgatam» as prostitutas, obrigando-as a trabalhar em fábricas. Mais concretamente, forçam-nas a escolher entre ficar presas e receber formação relacionada com a indústria têxtil, para depois trabalharem 6 dias por semana, por cerca de 60 euros por mês, em péssimas condições, em multinacionais como a H&M.

Vale a pena gastar 12 minutos para ver o vídeo.




Quem não aprecia comprar roupa decente e muito barata na H&M que levante o braço. E nem estou a sugerir com isto qualquer tipo de boicote – tentar esvaziar o mar com um dedal já deu o que tinha a dar.

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7.4.14

Turismo «poucochinho»

Abri a Revista do Expresso do passado Sábado e tive um sobressalto de esperança quando vi que a crónica de Clara Ferreira Alves (CFA) era sobre «Um dia da vida no Camboja» e, ainda mais, ao perceber que ela tinha estado em Tonlé Sap: finalmente, alguém ia certamente partilhar o verdadeiro murro no estômago, que foi, para mim, passar umas horas naquele que é o maior lago de água doce do Sudoeste Asiático, onde vivem milhares de pessoas numa situação de miséria quase inimaginável.

Em barracas, sobre estacas ou flutuantes, acumulam-se famílias cheias de filhos e até de animais, sem quaisquer condições de higiene, com esperança de vida abaixo dos cinquenta anos. Já descrevi várias vezes, neste blogue, que vi pessoas beberem a água poluidíssima do lago (e é com ela que se cozinha e que se toma banho), um curral flutuante amarrado a uma casa com quatro porcos lá dentro, crianças, mais ou menos esfarrapadas, que saltam de tudo o que é buraco e que, frequentemente, caem à água e se afogam. Devo dizer que estas imagens ficaram entre as piores que guardo das muitas viagens que já fiz e que voltei a terra com um sentimento de compaixão e de revolta indescritíveis, pelo horror que vi num país terrível, já tão castigado pela sua História, paupérrimo e quase sem velhos, já que 20 a 25% da população desapareceu em consequência da acção dos Khmers Vermelhos, em apenas quatro anos.

Erro meu quanto ao texto de CFA. Ela diz que «nunca devia ter feito esta viagem» (a Tonlé Sap), não por ter de lá saído impressionada como eu, e como vários amigos que comigo viajavam, mas porque o motor do barco onde a levaram não pegou, porque «o rio é tão estreito que os barcos roçam uns nos outros ou marram, arrancando-se pedaços» e porque teve de «desatar aos berros» até conseguir saltar para um outro barco, onde um russo se transformou em seu salvador até que conseguisse chegar a terra firme. Tudo isto porque tinha decidido armar em esperta (digo eu...) ao fazer a viagem sem aceitar um guia ou integrar um grupo e só depois ter sabido que «há esquemas variados para turistas solitários, sem guia e sem tour oficial. Na estação seca, os turistas são escassos e a fome aumenta». E de que maneira... 

A frieza pura e dura. De uma das nossas mais reputadas cronistas, da qual eu esperava que não se limitasse a fazer este tipo de turismo – tão pequeno, tão «poucochinho». (*)



(*) O texto de CRA pode ser lido aqui.
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14.9.12

Um dia seremos todos cambojanos



Numa visita a uma fábrica de chocolates em Vila do Conde, que não foi para ele atribulada porque entrou pelas traseiras e não pela entrada principal onde o esperavam manifestantes, Passos Coelho fez hoje um discurso de cerca de meia hora. 

Entre outros temas abordados, terá afirmado que as medidas agora anunciadas são necessárias porque, segundo o Jornal de Negócios, «aqueles com quem competimos têm custos mais baixos, nomeadamente custos do trabalho». Não que seja novidade, mas fica claramente expresso que o empobrecimento do povo português é instrumental, ou seja, que não é apenas uma consequência lamentável da necessidade de reequilibrar défices, mas um desígnio desejado para nos tornar competitivos.

Quando os nossos filhos ou os nossos netos tiverem salários e horários de trabalho semelhantes aos do Cambodja (mesmo que, entretanto, estes melhorem um pouco), então, sim, Portugal estará pronto a reocupar um lugar decente no mundo. 

Não há como exemplos concretos para se perceber do que se fala e quem me conhece sabe que o Cambodja é, para mim, um terrível símbolo de miséria, desde que lá estive há três anos. A maior das «sortes» era então conseguir um lugar em fábricas, muitas delas deslocalizadas da Europa, com salários absolutamente miseráveis, sem limites de horários, durante 364 dias por ano (descanso só no dia de Ano Novo).  

Sei que houve progressos desde então, mas, em números de 2012, vejo hoje que, naquele país, o salário médio mensal na construção civil é 80 dólares, que o de um motorista é 88,4 e o de um funcionário público administrativo 118.

Vamos a caminho, um dia seremos todos cambojanos.
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27.5.12

Cambodja: exploração de crianças



Já escrevi, nem sei quantas vezes, como o Cambodja me impressionou e nunca mais me saiu da cabeça e das entranhas, desde que, in loco, tomei consciência do drama histórico deste país até quase ao fim do século passado e da pobreza em que ainda vive. 

Hoje leio que, apesar da paz dos últimos tempos e dos dois milhões turistas que por lá passam por ano, as histórias escabrosas continuam. 

Na esperança de que os filhos recebam uma educação de «estilo ocidental», muitos pais, muito pobres, entregam os filhos a orfanatos que viram a sua população mais do que duplicar na última década, apesar dos progressos da economia do país. 70% desses órfãos têm pelo menos um dos pais vivo. 

Se muitos turistas, impressionados pelo que vêem, ficam no país para ajudarem como voluntários nesses orfanatos e em escolas, descobre-se agora que algumas das organizações que enquadram esses voluntários e planificam o seu trabalho exploram as próprias crianças. A maldade humana parece não ter limites. 

Tudo explicado aqui: notícia e vídeo. 
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6.9.11

Nunca esquecer os horrores do século XX


Morreu Vann Nath, um dos sete cambojanos que sobreviveu a S21, a terrível prisão cambojana nos killing fields, em Tuol Sleng, nos arredores de Phnom Penh. E escapou à morte porque sabia pintar e Pol Pot apreciava os seus desenhos…

Há hoje notícias detalhadas sobre a sua vida em toda a imprensa mundial, mas vale a pena ouvir esta conversa que teve com Jorge Semprún, sobrevivente de um outro genocídio:



Por mais que se leia, será sempre difícil realizar o horror que aconteceu naquela antiga escola primária, hoje transformada em Museu do Genocídio, e onde estão expostas algumas das obras de Vann Nath. Estive lá há pouco mais de dois anos e não esqueci o murro no estômago daquela manhã de Abril de 2009.

O Cambodja passou a ser para mim, desde então, uma das piores realidades da nossa história recente: para além de extremamente pobre, um país que perdeu 20 a 25% da população (cerca de dois milhões de pessoas, embora não haja números exactos), em apenas quatro anos – enquanto nós por cá vivíamos o PREC e os anos que se seguiram, ou seja há relativamente pouco tempo. E uma terra quase sem velhos, já que a grande maioria dos que teriam actualmente mais de 60 anos desapareceu.

Há muita literatura sobre este período negro de uma parte importante do sudoeste asiático, há um grande filme (The Killing Fields, Terra Sangrenta, em português) e muitos pequenos vídeos.



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19.7.11

As sestas


1 - Estava eu no Cambodja, há pouco mais de dois anos, quando soube que o governo da Dinamarca ia aprovar o direito a uma sesta de vinte minutos por dia para alguns grupos de trabalhadores, como uma experiência teste a ser eventualmente alargada a todo o país. Por cá, ninguém reagiu.

Mas eu recebi a notícia como um verdadeiro murro no estômago, certamente maior do que aquele que Pedro Passos Coelho sentiu, na semana passada, já nem sei porquê. Eu tinha andado esse dia por Tonlé Sap, o maior lago de água doce do Sudoeste asiático, onde vivem, em barracas flutuantes, milhares de pessoas (e cães, gatos e até porcos…), em situações degradantes quase inimagináveis. Guardei, aliás, do Cambodja, algumas das mais marcantes imagens de miséria, que me foi dado ver. 

Escrevi então: «Será possível, viável, um mundo em que se possa dormir a sesta sem que outros (aqui) trabalhem 364 dias por ano, nem se sabe quantas horas por dia? »

2 - Em Julho de 2011, chegou a vez de uma confederação de sindicatos alemães pedir o mesmo direito à sesta. Pela blogosfera, no Facebook e em comentários dos jornais, levantou-se um clamor contra a senhora Merkel e seus súbditos. Porque, entretanto, passámos para cambojanos da Europa.

3 – Num qualquer mês de 20??, veremos os alemães indignados porque os operários da Foxconn já interrompem o fabrico de iPhones para uma pausa pós-prandial?

Impossível? Pouco provável? Ora…
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8.6.11

Nazis e Khmers Vermelhos

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Para que a memória não se apague, é importante o testemunho dos sobreviventes. Desde ontem, um destes dois calou-se.



Jorge Semprún e Vann Nath.
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2.6.11

Quando a Terra for kitsch


Estas imagens – e algumas outras que podem ser vistas aqui – são da autoria de Chris Morin, um arquitecto que se interessa por urbanismo e que é também fotógrafo e realizador de cinema.

Imaginou a Terra depois de o homem dela desaparecer, a partir de fotografias que serão então possíveis. Quando a natureza retomar os seus direitos, «delicadamente», com uma força tranquila, sem guerras nem cataclismos.

Porquê esta ideia? Pelo choque que teve ao visitar Angkor, no Cambodja.

As fotos que se seguem foram tiradas por mim, há dois anos. Há oito séculos, quando por cá se era governado por Sanchos e Afonsos, Angkor ainda era a sede do grande Império Khmer.
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