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11.7.17

Uma “invasão a esquadra” inventada – Relatos da Cova da Moura e de Alfragide



A notícia saiu ontem à noite: «Dezoito agentes da PSP, entre os quais um chefe, vão ser acusados dos crimes de tortura, sequestro, injúria e ofensa à integridade física qualificada, agravados pelo ódio e discriminação racial contra seis jovens da Cova da Moura, na Amadora»

Entretanto, o Observatório do Controlo e Repressão já se manifestou, mas creio que é importante recordar, com detalhe, os factos ocorridos em 6 de Fevereiro de 2015, descritos pelo dito Observatório no próprio dia:.

«Invadidos por notícias de “invasões”, deixamos aqui (embora com mais actualizações para breve) o relato dos acontecimentos vividos hoje no Bairro da Cova da Moura e na Esquadra da PSP de Alfragide:

a) No início da tarde uma patrulha da PSP da esquadra de Alfragide invadiu o Bairro da Cova da Moura, numa acção de rotina que concluiu na detenção de uma pessoa;

b) Durante a acção, o detido – apesar de não ter oferecido resistência – foi agredido violentamente, de pé e depois no chão, pelos diversos elementos da PSP presentes;

c) Perante o elevado número de testemunhas (algumas talvez armadas com telemóveis que filmam) , a PSP tratou de “limpar” as redondezas com recurso a violência física. A todos aqueles que: pela distância, por estarem à janela ou em propriedade privada e por isso distantes do cassetete , a polícia optou pelo disparo de balas de borracha;

d) Entre as vítimas das balas contam-se: mãe e filho (de apenas três anos de idade) que foram encaminhadas para o hospital, a mãe foi sujeita a uma operação cirúrgica; uma mulher atingida na face que se encontrava à janela; dois deficientes físicos; e ainda um grupo de raparigas que se encontrava no espaço público;

e) Perante o caos instalado pela PSP, quatro cidadãos do Bairro, alguns colaboradores do Moinho da Juventude, cientes do seus direitos e preocupados com a situação criada, dirigiram-se à esquadra de Alfragide para apresentar queixa dos agentes e saber informações do detido na acção de Bairro;

f) Apesar da esquadra ser um espaço público com serviço de atendimento ao cidadão, isso não impediu que os quatro fossem agredidos por vários agentes, em franca maioria, e que recorreram inclusive, e novamente, a balas de borracha;

g) Um sexto indivíduo que se encontrava no espaço público da esquadra foi agregado pela PSP aos 5 previamente detidos;

h) Dada a natureza das agressões, os seis indivíduos foram assistidos durante várias horas no hospital Amadora-Sintra, e diga-se, estavam todos irreconhecíveis, tal a brutalidade da acção policial.

Durante todo o tempo de espera e desenvolvimento da situação dos detidos, a polícia apresentou-se nervosa, talvez consciente da dimensão do ocorrido. Vários polícias fardados e à paisana cobriam vários espaços do hospital de forma desconfiada, enquanto na esquadra faziam o possível por não exteriorizar, embora de forma infrutífera, a insegurança dos seus actos. Como se o cenário não fosse estranho o suficiente, ficamos a saber que um dos polícias da esquadra de Alfragide ostenta uma tatuagem nazi. É evidente que, por tudo o descrito e pelas notícias veiculadas pela PSP aos media, vão tentar acusar este grupo de cidadãos de um crime directamente proporcional ao erro grave cometido pela corporação. Temos de estar vigilantes e atentos. Afinal quem invade quem?» 
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8.1.14

No limite da dor


@Dias Coelho

Quem ainda não deu pela existência deste novo programa da Antena 1, pode ver aqui o primeiro episódio.

Trata-se de uma série de programas com testemunhos de vários ex-presos políticos que foram torturados pela PIDE e submetidos a todo o tipo de torturas: espancamentos muito violentos, privação do sono, isolamento, chantagem emocional.
São pessoas de diferentes formações políticas: do PCP à FAP, passando pelo MRPP e pelos Católicos Progressistas.
Todos, cada um à sua maneira, queriam um país livre e melhor.
Alguns nunca prestaram declarações à polícia política, outros acabaram por falar quer em nomes de outros companheiros, quer sobre a organização a que pertenciam.
Nas conversas com Ana Aranha, estes homens e mulheres vão ao fundo dessas memórias, um exercício nem sempre fácil e por vezes doloroso.
Falam dos sofrimentos, dos medos, mas também da coragem que sentiram na época e da forma como têm vivido e convivido com esta parte do seu passado.

Sempre ao Sábado, na Antena1, às 09h08 e às 23h08.
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25.9.12

Contra a criminalização do protesto social. Texto aberto à subscrição



Têm surgido em órgãos de comunicação social diversas referências ao RDA69, ao GAIA e aos Ritmos de Resistência, que atribuem a estas associações e aos seus associados qualificativos como “radicais violentos”, “activistas anarquistas” ou “militantes perigosos”. Este conjunto de peças jornalísticas – nomeadamente as publicadas no Diário de Notícias e no Correio da Manhã - veicula várias informações falsas, com o intuito de criar um clima alarmista e permitir uma escalada repressiva contra os movimentos sociais.

Rejeitamos o processo de criminalização de indivíduos e grupos que integram o amplo movimento de contestação à austeridade e ao processo de devastação social em curso. Responsabilizamos o Governo e os defensores das imposições da troika pelas situações de violência ocorridas nas ruas das nossas cidades ao longo do último ano e meio. Confrontadas com uma resistência generalizada e uma gigantesca contestação popular, as autoridades desenvolvem uma grosseira encenação, em busca de bodes expiatórios, de maneira a encobrir o facto de se ter tornado insustentável o que ainda há pouco era apresentado como inevitável. O seu desespero é já um sinal da nossa força.

Repudiamos todas as tentativas de atribuir a uns poucos o que é da responsabilidade de todos. Somos tão radicais como os tempos que correm e o nosso único crime é a determinação com que continuaremos a resistir a todas as formas de injustiça e opressão. Violento é o desemprego e a exploração. Violenta é a miséria e a emigração forçada. Violenta é a ordem social que contestamos e a repressão que a sustenta.

Que se lixe a troika, queremos as nossas vidas.

SUBSCRITORES:

6.6.12

Para uma história social da repressão



Seminário
11 de Junho de 2012
Local: FSCH-UNL, Avenida de Berna, nº26, Edifício de I&D, Piso 4, Sala Multiusos 3,

Parece inegável o papel determinante desempenhado pela repressão no contexto dos conflitos sociais que moldaram o nosso tempo. Sem menosprezar a sua dimensão política e cultural, o objectivo deste seminário é abordar o tema a partir das formas de resistência e de acção colectiva desenvolvidas por grupos e classes sociais subalternas.

Tratar-se-á de identificar linhas de continuidade e de ruptura durante um tempo longo, atravessando regimes políticos distintos e destacando o papel do aparelho repressivo do Estado na configuração das correlações de forças entre os diversos sujeitos do conflito social ao longo do século XX. Partindo de abordagens de estudos de caso e problemáticas específicas, pretende-se aqui identificar e desenvolver elementos para uma história social da repressão. A entrada é livre e o seminário está aberto à participação de todos os interessados, dentro e fora do meio universitário.



14h-  Abertura
Ricardo Noronha (IHC/FCSH-UNL)  
Uma história de violência - Estado e conflitos sociais em Portugal no século XX


14h30   I República
Joana Dias Pereira (IHC/FCSH-UNL)
» Difusão e repressão na dinâmica de contestação política da década de 1910

Diogo Duarte (IHC/FCSH-UNL)
» Apontamentos para uma história do movimento anarquista na sua relação com Estado

15h30 Estado Novo e colónias
João Madeira (IHC/FCSH-UNL)
»Padrões repressivos e conflito social nos campos do sul, anos 50

Miguel Pérez   (IHC/FCSH-UNL)
»O movimento operário português (1968-1974)

Dalila Cabrita Mateus (IHC/FCSH-UNL)
» Repressão dos conflitos sociais nas colónias portuguesas

17h30    II República
José Nuno Matos (ICS-UL)
» 1982: da greve geral à madrugada sangrenta

João Jordão (IHC/FCSH-UNL)
» Urbanismo, território e repressão: «os bairros problemáticos»

18h30 Conferência de encerramento
Felipe Demier (Instituto Latino-Americano de Estudos Sócio-Econômicos)
» Conflitos sociais e regimes políticos no mundo contemporâneo
Com comentário de Gilberto Calil (UNIOESTE)


Organização: Grupo de Estudos do Trabalho e Conflitos Sociais do Instituto de História Contemporânea (FCSH-UNL)
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17.7.10

Alarmismo repressivo - A voz certeira da PSP


No seguimento do que aqui referi, e de um debate que entretanto teve lugar, pede-se a atenção para este importante comunicado do Sindicato da PSP. Há que travar a vaga de intimidação reinante neste momento, que, entre outras coisas, fomenta claramente o racismo: para além de declarações como as de António Capucho, registe-se que não me lembro de ver UMA única imagem em telejornais recentes, sobre incidentes em praias ou em comboios, que não seja ilustrada com imagens de negros. Matéria para reflexão...


Comunicado - Incidentes na praia do Tamariz

O Sindicato Nacional dos Oficias de Polícia (SNOP) vem manifestar o seu repúdio pelas declarações do senhor Presidente da Câmara Municipal de Cascais e outros comentadores na sequência dos incidentes na Praia do Tamariz no Estoril no dia 04 de Julho de 2010.

Com efeito, a postura adoptada por diversos intervenientes nesta polémica revelou-se alarmista e pouco rigorosa, demonstrando um total desconhecimento dos factos em si e apelando à concentração de recursos policiais num local que beneficia sistematicamente de reforço da segurança na época balnear. Em concreto, o Sr. Presidente da C.M. de Cascais com as suas declarações ajudou igualmente a aumentar o sentimento de insegurança dos cidadãos, acabando por prejudicar os interesses turísticos no respectivo concelho. Para além disso, foi possível assistir a declarações que mexeram sub-repticiamente em sentimentos de desconfiança e de discriminação para com os portugueses de origem africana, descendentes de segunda e terceira gerações, estigmatizando essas mesmas comunidades, como se se desejasse que as praias do Concelho de Cascais não fossem frequentadas por indivíduos de determinada etnia.

Em toda esta questão passou à margem da opinião pública o facto da segurança das praias e da costa marítima ser da jurisdição da Autoridade Marítima e em concreto da Polícia Marítima (sob tutela do Ministério da Defesa) e não da PSP. Parece-nos estranho que em nenhum momento o senhor Ministro da Administração Interna tenha esclarecido este facto, levando a
que, uma vez mais, a PSP assumisse o ónus de uma situação que em termos objectivos não é da sua responsabilidade. Não obstante, a PSP voltou a assumir as suas competências no quadro de segurança interna contribuindo para a garantia da segurança e ordem pública com profissionalismo e espírito de missão.

14.7.10

Debate sobre jornalismo, polícia e "bairros problemáticos"


Hoje, 14 de Julho, 22h
Chapitô
R. da Costa do Castelo 1
Lisboa

(Organizado pelo Sindicato dos Jornalistas com o apoio do Chapitô.)


«Todos os dias são noticiados um corrupio de acontecimentos: Jovens abatidos por polícias, assaltos em praias e crimes nas cidades e revoltas de jovens em bairros “guetizados” dos arredores da grande Lisboa.

Como tratam os jornalistas aquilo que acontece nos bairros sociais? Conseguem ter uma visão jornalística dos acontecimentos ou tendem a agravar a discriminação que muitos dos habitantes dos bairros pobres são sujeitos? Existe um jornalismo sobre assuntos policiais ou apenas existe um jornalismo que divulga os dados filtrados por fontes policiais? Como tratar jornalisticamente os problemas da criminalidade sem tropeçar na justificação social dos crimes ou na aceitação acrítica das acções policiais?

A conversa contará com a presença do rapper e activista LBC, do comissário Paulo Flor da PSP e do jornalista da SIC Pedro Coelho.»
...

11.7.10

Contra a repressão de alguns


Recebi há algum tempo o texto que abaixo transcrevo e não o publiquei por já estar então divulgado nalguma blogosfera.

Mas, por motivos que não vêm agora ao caso, conheci há três dias um dos protagonistas dos factos relatados – Jakilson Pereira (Hezbollah) – e ouvi várias outras histórias semelhantes a esta.

Quando alguns políticos e muitos jornalistas parecem estar interessados em criar novas versões do Arrastão que nunca existiu, é tempo de olhar para a repressão discriminatória de que são vítimas grupos específicos da nossa população.

Este tema passará a ser objecto de uma atenção especial neste blogue.


Hezbollah e LBC agredidos pela PSP 

Às 4:55 horas da madrugada de domingo 14 de Junho, no Parque Central da Amadora, um grupo de jovens, entre os quais Jakilson Pereira, 26 anos, licenciado em Educação Social, desempregado e candidato a bolsa de investigação, dirigiam-se para a Mina, Amadora.

Jakilson, que também é rapper e é mais conhecido como Hezbollah, agachou-se para apertar os atacadores dos ténis. De repente sentiu um automóvel aproximar-se dele. Levantou a cabeça e viu um homem com uma arma apontada na sua direcção que gritou “Caralho!” Assustado, Hezbollah correu na direcção do seu amigo Flávio Almada, 27 anos, estudante finalista do curso de Tradução da Universidade Lusófona, também rapper e mais conhecido como LBC, mediador sociocultural na Escola Intercultural das Profissões e do Desporto da Reboleira e formador musical de jovens inseridos no Projecto Escolhas do Moinho da Juventude e da Comissão de Moradores da Cova da Moura. LBC disse ao agressor: “Ele está desarmado!”, referindo-se ao seu amigo Hezbollah. Nesse momento, o homem disparou um tiro na direcção de Hezbollah. O homem estava fardado, era da PSP e tinha sido transportado para o local por um automóvel da PSP.

Hezbollah continuou a fugir e foi esconder-se por trás de um automóvel junto à Estação dos Correios, observando a progressão do agente da PSP que o procura de arma na mão. O agente detecta-o e corre na sua direcção. Sai outro agente do automóvel e ambos cercam Hezbollah. Agarrando-o sob ameaça da arma, começaram a pontapeá-lo. Chega um automóvel Volkswagen Golf preto, com dois polícias à paisana. Enquanto um dos agentes fardados algema Hezbollah, obrigando-o a deitar-se de barriga no chão, o outro polícia fardado volta a dar-lhe pontapés. Um dos agentes à paisana exclama: “Deixa o rapaz!”