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19.9.25

Em quem vai votar Cavaco?

 



25.10.24

𝐌r. 𝐂avaco, Good night and good luck

 


Aquele senhor que teve o país na mão durante uns dez anos escreve hoje um artigo de Opinião no Público. Não divulgo o texto, mas este excerto diz tudo. A dicotomia esquerda-direita é «uma velha divisão totalmente ultrapassada»? Ai sim? O seu partido está a cavalo no muro? Disfarça bem.


4.7.24

Se não se pode repetir 1987, as circunstâncias estão erradas

 


«Cavaco Silva escreveu mais um artigo, mas eu não vou tratar de mais um texto de Cavaco Silva. É um texto “pedagógico”, claro. Para explicar às massas ignaras o que deve fazer o país para dar um salto nos próximos 10 anos, não menos do que isso. No essencial, são generalidades bem-intencionadas que poderiam ser repetidas num discurso de Miss Mundo, com passagem pelo ISEG. Cavaco nunca governou com euro e as suas regras, nunca governou com uma Europa de 28, nunca governou com qualquer tipo de contrariedade ou constrangimento sérios.

A parte económica do artigo tem como função falar do que realmente o levou a escrever o artigo: tática partidária. No essencial, o que Cavaco tinha para dizer é que os únicos cenários políticos que tornam o salto económico provável implicam novas eleições. Confirmamos que foi por conselho seu que se definiu a estratégia de tentar repetir 1987: ir esticando a corda para ir a votos enquanto sobra dinheiro e estado de graça, responsabilizando o PS, o Chega ou os dois pela crise política e tentando conseguir uma maioria. Não é preciso fazer interpretação dos atos do primeiro-ministro, foram fontes da AD a colocarem na imprensa esta tese, talvez para condicionar o PS.

Cavaco Silva tem tão boa opinião de si mesmo que não põe a possibilidade do que fez não ser repetível. Se ele foi o melhor estadista desde a fundação de Portugal, se o país lhe deve quase tudo, se nunca se engana, raramente tem dúvidas e é preciso nascer duas vezes para ser mais sério do que ele, como raio poderiam novas circunstâncias pôr em causa a sua estratégia? Se as circunstâncias o impedem, as circunstâncias estão erradas.

Vou, no entanto, pôr uma possibilidade meramente académica: que, sendo o fenómeno do Chega muito diferente do PRD, as condições para fazer este jogo sejam muito diferentes. Pode até acontecer que Montenegro, que seguiu o conselho de falar pouco e negociar nada, lançar muito fogo de artificio e trabalhar para eleições no fim do ano, tenha perebido que as eleições europeias, que deixaram quase tudo na mesma apesar do estado de graça e do embalo da vitória nas legislativas, desaconselham aventuras. É até possível que a tenha percebido que a estratégia que António Costa usou com os partidos à esquerda do PS (o abraço do urso) seja a mais acertado. Se assim foi, nunca convencerá o seu mestre. A subtileza política é incompreensível para ele.

Cavaco Silva tem 84 anos. É natural que não compreenda um fenómeno tão disruptivo como esta nova extrema-direita, que chegou ao parlamento português já ele estava retirado. Mas falta-lhe a humildade que lhe permitiria ter dúvidas perante um novo e estranho mundo. E falta-lhe, sempre lhe faltou, generosidade para com os seus próprios pupilos. Não aguenta não deixar claro a todo o país que é ele a dar a tática a quem lhe pediu apoio. Mesmo quando isso expõe o seu partido à suspeita de desejar uma crise política. A partir deste artigo, passou a ser fácil perguntar a Montenegro: quer governar ou seguir a tática do mestre?»


30.6.24

“Padrinho” Cavaco dá a táctica: eleições ou bloco central

 


«Já não é segredo para ninguém que Cavaco Silva é o verdadeiro mentor de Luís Montenegro. É normal que o novo líder se aconselhe com o mais bem-sucedido dos dirigentes do seu partido nos últimos 40 anos. Pedro Passos Coelho ficou triste porque, ao fim de contas, foi ele que “criou” Montenegro. Mas é a vida: estrategicamente, a colagem a Passos era penalizadora junto do eleitorado pensionista. E apesar de tanto Cavaco como Passos serem os dois dirigentes de direita mais odiados pela esquerda, Cavaco esteve 20 anos no poder e deu o 13.º mês aos reformados. Passos cortou e aplicou o programa “ir além da troika” – que Luís Montenegro defendia no Parlamento enquanto chefe da bancada –, mas cuja herança agora não lhe dá jeito nenhum.

Tendo em conta esta dinâmica da relação entre Cavaco e Montenegro, é normal que se tente compreender até que ponto é que Luís Montenegro é influenciado pelos textos de Cavaco Silva e se o novo “melhor amigo” está a ajudar ou a desajudar o primeiro-ministro.

Às vezes, é possível defender duas coisas ao mesmo tempo. É raro: mas uma tentativa de ajuda pode transformar-se em desajuda e uma “desajuda” acaba surpreendentemente por resultar em benefícios para o “desajudado”.

O que disse Cavaco, no texto do Expresso, sumariamente? Que o país não se salva sem uma maioria absoluta (obtida eventualmente através de eleições antecipadas) ou com uma aliança PSD-PS, vulgo bloco central.

A segunda hipótese é uma impossibilidade total. A vacina 1983-1985 – quando o PS, que pedia uma maioria absoluta, acabou com 20% nas legislativas – transformou uma qualquer aliança PS/PSD numa espécie de “solução abominável”. Depois da cena da demissão “irrevogável” de Paulo Portas, Passos Coelho (sob a influência de Cavaco Silva) convidou o PS, então liderado por António José Seguro, para uma aliança. Foi impossível.

Independentemente de pactos esporádicos (como este pacto sobre a justiça que vem aí), em nenhuma situação o PS algum dia vai partilhar um governo com o PSD. Nem com um secretário-geral como Pedro Nuno Santos, nem sem um secretário-geral como Pedro Nuno Santos: é uma hipótese enterrada. Foi a partir da denúncia do bloco central que Cavaco construiu o seu sucesso: o PS nunca perdoará. A sua sobrevivência pode estar mesmo em causa.

Excluída a sugestão da aliança PSD/PS, restam as eleições antecipadas com maioria absoluta. É provável que Cavaco Silva esteja a preparar os portugueses para umas eleições antecipadas em 2026, na mesma linha com que Luís Montenegro esporadicamente o faz. O Governo, no fundo, não quer eleições a curto prazo porque, tal como o PS, sabe que o resultado das europeias mostrou que nenhum dos partidos centrais tem grande supremacia sobre o outro.

O Chega também não pode desejar eleições, sob o risco de perder metade da bancada, coisa que os seus 50 deputados têm bastantes razões para temer: Ventura vai revolver as entranhas e aprovar o Orçamento Montenegro dizendo que não é de Montenegro, mas do Chega, ou coisa que o valha.

O PS vai passar uns tempos a bater com a cabeça nas paredes para escolher a solução que não o cole ao Governo, mas também não permita abrir a porta a eleições antecipadas, que os seus autarcas e muita gente mais querem evitar a todo o custo. Nenhuma das decisões é fácil.

Um voto contra do PS será fácil se convencer o Chega a votar a favor do Orçamento. Mas se isso não acontecer e Ventura desatar aos tiros, recusando viabilizar o Orçamento, mesmo correndo o risco de perder metade da bancada?

Se Ventura entrar em autofagia, as eleições podem ser nefastas para os socialistas, com uma parte do eleitorado do Chega a reforçar a AD, ainda que sem a maioria absoluta pretendida por Cavaco Silva. Mas para Montenegro a saída do empate técnico daria maior legitimidade. Vai o PS contribuir para isso?

Cavaco Silva está a dar a “táctica” para 2026. E, tal como o Governo, a mostrar que a AD não tem medo de eleições. A outra conclusão do texto de Cavaco é que Montenegro será um primeiro-ministro inútil (não fará uma grande mudança no país) enquanto não tiver uma maioria absoluta ou um bloco central. A conclusão é uma evidente desajuda ao Governo que está em funções.»


18.9.23

O eterno retorno de Cavaco

 


«Quando o ainda relativamente jovem Paulo Portas garantia, como coisa definitiva, que nunca faria política na vida, declarou: “Acho injusto comparar o Dr. Cavaco ao Dr. Salazar. Injusto para o Dr. Salazar em muitas coisas. O Dr. Cavaco não é democrata nem deixa de ser. O Dr. Salazar era voluntariamente antidemocrático. Ou seja, tinha preocupações e pensamento político, o Dr. Cavaco não tem. O Dr. Salazar escrevia admiravelmente e era um cínico como não se repete na vida política portuguesa. E o Dr. Cavaco não escreve nem fala nada de especial, é mesmo muito maçador, e também não é tão cínico. Está longe desse ‘refinement’ no exercício do poder.” Perante a pergunta “então porque ganha eleições?”, o jornalista conservador respondeu: “pensões e autoestradas”.

É uso dizer-se que a esquerda nunca suportou Cavaco Silva por elitismo. A citação recorda de onde vinha esse tipo de desprezo. Justiça seja feita, foi esta direita elitista que exibiu com eficácia o lodaçal em que vivia um primeiro-ministro que se tentava apresentar com as vestes austeras do velho ditador: Dias Loureiro, Duarte Lima, Arlindo Carvalho, Costa Freire, Oliveira Costa... As capacidades de avaliação ética de quem o deveria rodear, uma das qualidades fundamentais para um líder, são mais uma vez evidentes na pessoa que escolheu para apresentar o seu livro, que até em Bruxelas conseguiu ficar mal visto por não ter cumprindo o período de nojo politicamente recomendável para se apresentar ao serviço na Goldman Sachs.

A imagem que Cavaco Silva passava de si nunca bateu certo com as suas companhias. Mas era mais do que isso. A forma como lidou com o escrutínio ao seu próprio comportamento nunca mudou. Em 2011, perante o regresso da acusação de que Oliveira Costa lhe teria vendido, fora de bolsa, ações da SLN a um euro (um mês depois eram vendidas aos clientes do BPN por 2,1) para dois anos depois lhe recomprar a 2,4 euros, garantindo, a si e à sua filha, um lucro de 147,5 mil euros e de 209,4 mil euros, respetivamente, disse: “façam as investigações que quiserem, publiquem tudo, que talvez depois de dia 23 (data das eleições) eu possa ler.” O homem que dizia que uma pensão de nove mil euros mal dava para as despesas estava-se nas tintas.

Quem diz que nunca se viveram tantos “casos e casinhos” como no governo de António Costa, ao ponto disso ser motivo para dissolução do parlamento, deveria ir aos arquivos de “O Independente”. Dará alguma vontade de rir ouvi-lo dar lições de como fazer remodelações, aliás.

Só a meio da sua segunda maioria absoluta é que Cavaco teve de lidar com uma comunicação social mais agressiva. A primeira vez que foi a votos sem que a RTP (que o governo controlava com empenho) estivesse sozinha no terreiro, nas presidenciais de 1996, perdeu. Perante as contrariedades, ou ignorava (orgulhava-se de não ler jornais), ou se enfurecia (ao Tribunal de Contas chamou “força de bloqueio”) ou, quando não havia mais a fazer, recorria à força da bastonada (estudantes, camionistas, trabalhadores, agricultores ou mesmo polícias). Para "arte de governar", já se viram métodos mais sofisticados.

A sobranceria moral de Cavaco, para quem é preciso nascer duas vezes para ser mais honesto do que ele, é tão inexplicável como a sua arrogância intelectual ou, cima de tudo isto, a convicção que pode dar lições de governação a quem o sucedeu. Não vale a pena desenvolver muito. Já me dediquei a isso quando escrevi sobre as suas políticas agrícolas ou de habitação. Ou quando, perante mais um panegírico a si mesmo, disfarçado de critica ao governo, tentei mostrar como Cavaco tortura a realidade e os números para esconder as suas próprias responsabilidades no rumo que o país seguiu.

O impacto negativo que a adesão ao euro teve na nossa economia pode dizer muito sobre o próprio euro. Mas quem acha que esta escolha foi a acertada só pode concluir que Cavaco Silva, que ocupou o poder nos primeiros dez anos de integração europeia e em boa parte da caminhada para a moeda única, não aproveitou os enormes recursos que teve para precaver o que aí vinha. Quem se lembra desse tempo sabe bem que não o fez, aliás.

A sua sorte foi, depois de ter ido fazer a rodagem do carro até à Figueira da Foz (outro mito que o mais profissional dos “não políticos” inventou sobre si mesmo), ter caído no poder quando o país foi inundado de dinheiro europeu, que gastou sem os constrangimentos atuais. Cavaco Silva não faz a mais pálida ideia do que seja governar com os limites hoje impostos e, por isso, nunca olhou a gastos quando era preciso vencer eleições. Usando, com muito mais margem, os mesmíssimos artifícios eleitoralistas que são apontados a Costa. Cavaco nunca foi o governante rigoroso e austero que se apresenta. Foi o oposto.

É por isso que não li ou vou ler as lições do professor. Já chega. Uma coisa é ler um artigo, outra é o investimento de tempo para ler um livro de Cavaco. Nisto, concordo com Portas: Cavaco é muito maçador. E não lhe reconheço, na sua experiência governativa, autoridade política e moral para ensinar outros a governar com rigor estratégico para preparar o país para o futuro.

Interessam-me, neste momento, apenas as consequências destas recorrentes investidas cavaquistas.

Dois homens verdadeiramente sérios nunca se entregaram a este eterno regresso: Ramalho Eanes e Jorge Sampaio. Mário Soares sim. Uns dirão que é o mesmo ímpeto de cidadania, outros que é a mesma tola vaidade. Mas há uma grande diferença entre os dois: como nunca antes fingira que não era político, Soares nunca se colocou no lugar intocável de oráculo da Nação. Arriscou, já com proveta idade e quando tinha um lugar no pedestal reservado ao “fundador da democracia”, uma derrota eleitoral em Presidenciais.

A prolixa produção autoelogiosa de Cavaco Silva nem sequer tem como objetivo criar problemas ao governo. Não há figura que una mais a esquerda de forma quase pavloviana. Estes episódios são balões de oxigénio para António Costa. A motivação é sempre a mesma e tem menos “refinement” político (permitam-me continuar a usar Portas como bengala) do que se pensa. Cavaco só tem um desígnio político: alimentar o seu insaciável ego. Sempre foi isto. Falar de si, elogiar-se e dar a si próprio um determinado lugar na história.

Estas aparições recorrentes, que se transformam em factos políticos graças ao vazio da oposição, são um problema para a direita. Fragmentada, longe do poder há demasiado tempo e condicionada por um racista ambicioso, está encalhada em personagens do passado – Pedro Passos Coelho e Cavaco Silva. Mas Passos ainda pode fazer alguma coisa por ela, regressando para a desforra. Uniria a direita e dividiria profundamente o país. Já Cavaco Silva faz o que sempre fez: esmagar, com a sua douta banalidade, quem à sua volta queira brilhar. E sublinhar que o PSD, centrado nas protagonistas do passado, vive numa confrangedora ausência de futuro.»

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3.6.23

Qualidades únicas

 


«Marcelo recuou ao tempo em que o antigo primeiro-ministro e Presidente da República era um “militante partidário de base” para recordar a sua “vantagem comparativa”. “Era altíssimo, chegava onde ninguém chegava e, no colar cartazes acima dos cartazes dos outros, tinha uma utilidade única.»

Expresso, 01.06.2023
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24.5.23

Vasco Pulido Valente, Público, 24.05.2013

 


Exactamente há 10 anos. VPV, tão apreciado por alguns fãs actuais de Cavaco:

«Sozinho, completamente sozinho, o dr. Cavaco Silva conseguiu arruinar a Presidência da República. A Presidência da República não tem hoje autoridade, influência ou prestígio.»
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22.5.23

- Está lá, dr. Cavaco?

 


- É só para dizer que escusa de estar preocupado, a gente amanha-se. E calce as pantufas que as noites estão frescotas.
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1.6.22

O eterno Cavaco

 


Cavaco Silva escreve hoje, no Observador, uma cínica e longa carta a António Costa, em que não faz mais do que louvar-se a si próprio e à sua governação. Está provado que não existe mesmo alguém que o ajude a gozar a sua reforma sossegada e decentemente.
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11.4.22

O amigo das cagarras

 


Este senhor escreveu hoje um longo artigo de opinião no Público. Não lhe dou palco para a divulgar, mas, pelo conteúdo, ainda não percebi se a intenção foi tornar-se líder interino do partido a que pertence enquanto não há outro, ou comentador à espera de ser convidado pela CNN.

Chega a dar notas a alguns dos actuais ministros, como fazia o seu antecessor no comentariado e sucessor em Belém e diz na avaliação do governo: «Se fosse tomado como indicador o perfil político do primeiro-ministro, com base na análise da sua atuação nos seis anos de chefia do Governo, (…) obter-se-ia um grau de coragem política muito baixo, com exceção do mercado de trabalho, em que revelou resistência às pressões da extrema-esquerda no sentido do aumento da rigidez da legislação.»

Pode-se fazer muitas críticas a António Costa como primeiro ministro – e eu faço –, mas atribuir-lhe «um grau de coragem política muito baixo», excepto quando resistiu aos seus parceiros à esquerda, parece-me não só injusto como reles. Confere: a «persona» de Cavaco Silva sempre foi pobretana e não melhora com o tempo. As Ilhas Selvagens e as cagarras têm saudades dele.
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9.10.21

Cavaco está cheio de razão

 


O «executivo anterior» foi o da Geringonça 2015-2019. Pensasse…
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9.6.21

A raça… a raça…

 



Eu sei que só amanhã é 10 DE JUNHO, mas não resisto a recordar, de véspera, esta efeméride (10.06.2008).
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