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1.3.19

Cavaco: Calimero foi, Calimero morrerá




«A comunicação social nunca gostou muito de mim, ou quase nada, porque eu tinha determinados princípios de que não me afastava no relacionamento com a comunicação social.»
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8.10.18

Marcelo e Cavaco




A ideia que tenho é que Marcelo, que deve acordar cedo já que dorme pouco, salta da cama e pensa o seguinte: como é que vou hoje atirar-me a Cavaco?
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29.9.18

A chazada marcelista



Daniel Oliveira no Expresso diário de 28.09.2018:

«Aníbal Cavaco Silva aguentou dois anos calado. Ou pelo menos sem opinar sobre o mandato do seu sucessor. Mas, com a direita passista e mediática (redundância) em fúria com a saída da procuradora, transformada contra a sua vontade em Passionaria do justicialismo, ele não aguentou. Achou que estava ali um chamamento. E se Passos saltou do seu túmulo político, Cavaco saiu do seu jazigo. Para dizer, esperando que o país estremecesse: “Sou levado a pensar que esta decisão política de não recondução de Joana Marques Vidal é talvez a mais estranha tomada no mandato do Governo que geralmente é reconhecido como geringonça”.

Este regresso dos mortos-vivos não teve nada a ver com António Costa ou com Joana Marques Vidal. O alvo era apenas um: o homem que lhes tirou o palco à direita. Mas nenhum teve a coragem de o nomear. Porque os dois sabem que Marcelo Rebelo de Sousa é, continua a ser, muitíssimo mais popular à direita do que qualquer um deles. Tentaram, por isso, fazer uma tabelinha: criticando Costa, de quem os seus eleitores não gostam, acertavam em Marcelo, associando-o ao primeiro-ministro.

Só que Marcelo sabe mais a dormir do que Cavaco e Passos a jogar crapô. Em vez de se fazer de morto, esperando que a bala lhe passasse ao lado, pôs-se à frente dela e gritou o óbvio, para quem conhece a Constituição da República (artigo 133º): “A nomeação da procuradora-geral da República foi uma decisão minha e de mais ninguém. Portanto, o que me está a dizer é que o Presidente Cavaco Silva, no fundo, disse que era a mais estranha decisão do meu mandato”. Poucas vezes se viu, na política nacional, tamanho ricochete. Foi só o verdadeiro visado de um ataque dizer ao sonso que era ele o visado do ataque. A extraordinária popularidade de Marcelo e a extraordinária impopularidade de Cavaco tratam do resto.

Depois de explicar ao antigo Presidente que “quem nomeia a procuradora são os Presidentes, não os Governos”, Marcelo fechou a conversa com uma chazada: “Entendo que, desde que tenho estas funções, não devo comentar nem ex-Presidentes, nem amanhã quando deixar de o ser, futuros Presidentes. Por uma questão de cortesia e de sentido de Estado.” Há quem julgue que ter sentido de Estado é não tirar selfies e fazer um ar sisudo. Mas a falta de sentido de Estado de Cavaco é uma constante da sua vida. Desde momentos graves, como aquele em que, perante a possibilidade de nomear um Governo que não desejava, insultou um quinto dos eleitores portugueses (que votaram BE e PCP), aos mais pequenos, quando foi espalhando piscinas pelos palácios por onde passou, como se fossem casas suas. Ou quando publicou nos seus diários diálogos recentes com políticos no ativo, traindo o dever de reserva que lhe era exigido. Totalmente alheio ao espírito democrático e republicano, Cavaco nunca percebeu que era ele que passava pelos cargos, não eram os cargos que passavam por ele.

A vida política de Cavaco Silva acabou sem qualquer dignidade, com níveis de impopularidade nunca conhecidos por um Presidente eleito, distante do seu povo e contentando-se em representar uma fação política. Como o homem que raramente se engana e nunca tem dúvidas, que para ser tão sério como ele seria preciso nascer duas vezes, tem sobre si uma imagem deformada pela vaidade e pela soberba, acredita ter sobre os portugueses um poder que há muito perdeu. Cavaco Silva julga que os portugueses olham para si e veem o mesmo que ele vê quando se olha o espelho. Estava à espera do momento certo para dar a ferroada ao Presidente que o fez esquecido em poucos dias. Julgou que quando falasse o país pararia, Costa tremeria, Marcelo se esconderia. Não percebeu, nunca perceberá, que um ataque seu não beliscaria o Presidente. Que uma das razões para Marcelo ser popular é ter vindo depois de Cavaco. É não ser Cavaco. É ser o oposto de Cavaco. Com o ataque sonso que fez e a severa chazada que recebeu, apenas deu ao Presidente, depois de uma decisão politicamente difícil, mais umas vitaminas. Se aparecem reticências em relação a Marcelo, o melhor que lhe pode acontecer é o país lembrar-se que antes era Cavaco.»
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27.9.18

Cavaco: não conseguiu ficar calado




Claro que o cidadão Aníbal Cavaco Silva tem toda a liberdade de se exprimir lá em casa, na rua, ou nos corredores de alguma conferência. Mas não perdia nada em ficar calado, sobretudo para evitar dizer disparates. Alguém imagina Ramalho Eanes ou Jorge Sampaio em tristes figuras como esta?
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25.5.18

A múmia saiu do sarcófago e falou




«Como cidadão, sem responsabilidades políticas, o que posso fazer para manifestar a minha discordância é fazer uso do meu direito ao voto contra aquelas que votarem a favor da eutanásia.» – diz ele.

Será que o PCP pode ter esperança de receber o voto deste ex-PR?
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10.9.17

Cavaco, a realidade e o pio



«“A realidade acaba sempre por derrotar a ideologia, e isso projeta-se com uma força tal contra a retórica daqueles que no Governo querem realizar a revolução socialista que eles acabam por perder o pio. Ou fingem apenas que piam, mas são pios que não têm qualquer credibilidade porque não são mais do que jogadas partidárias.” Quem se surpreendeu com o Cavaco da Universidade de Verão do PSD deveria recordar que foi disto, e deste mesmo tom de arruaça, que se fez a maioria das suas intervenções públicas destes longos, muito longos, 21 anos de cargos políticos, especialmente os dez em que foi primeiro-ministro. Além da muita gente que ainda acredita que este tenha sido o mais institucional dos Presidentes, é o próprio Cavaco que parece andar há décadas a autoconvencer-se de que é, e foi, um homem "ponderado e sensato, com equilíbrio e racionalidade", que "não pode deixar-se arrastar por pulsões emocionais ou afetar pelas tensões" (prefácio a Roteiros VII, 2013).

O homem que de si próprio se atreveu a dizer que “para serem mais honestos do que eu tinham que nascer duas vezes” (campanha presidencial de 2011) descascou ressabiadamemte na "verborreia frenética" do atual Presidente da República sem sequer ter a frontalidade de o nomear. Cavaco — falando retroativamente de si — entende “a palavra presidencial" como "devendo ser escassa", tanto quanto a de um "Presidente Júpiter, um Deus de palavra rara no seu Olimpo” — mas, no mesmo dia e à mesma hora, descreve como "pios" a intervenção política do PCP e do BE, que, segundo ele, defendem a saída do euro, ou define como não menos que "revolução socialista" o programa "daqueles que [estão] no Governo", pelo que se deduz que se tratem dos próprios socialistas. Reformistas tão moderados como Centeno são, afinal, revolucionários, e dos mais radicais!

Valia a pena perguntarmo-nos por que se junta Cavaco àqueles que, à direita, parecem queixar-se de que PCP e BE tenham deixado de "piar". Um dia, na Autoeuropa, na PT ou na Função Pública, os comunistas são "irresponsáveis" e "extremistas"; no outro, perderam o pio. Mas quero focar-me nestes "pios" de Cavaco feitos de manipulação deliberada dos termos com que se descreve a realidade, e sobretudo com que se descreve o adversário, as suas intenções e a sua intervenção.

Já o escrevi aqui: ninguém desde a queda de Salazar encarnou melhor do que Cavaco o que é, bem lá no fundo, a direita portuguesa, por mais Marcelos, Paulos Portas, Durões e Passos que apareçam. Cavaco voltou a enunciar o essencial da sua visão do mundo: a de que a realidade é de direita (conservadora nos valores; hierárquica e desigualitária na ordem social e política; na economia, liberal nas intenções e corporativista na prática), a esquerda é que é ideológica, e a ideologia (isto é, o que Cavaco e a direita acham que ela é) é feita de “delírio e ignorância”, como voltou ele a dizer há dias. Esta é, aliás, uma das suas obsessões recorrentes sobre a natureza da mudança social em geral, e a da Revolução Portuguesa de 1974-76 em particular: para Cavaco, aquele não foi mais do que um período de "loucura política" (Autobiografia, vol. I, 2002) e "loucura ideológica", como dizia ele em 1987 sobre os movimentos sociais no Sul. É por confundir a sua própria ideologia com a realidade que a direita acha, mais do que "loucura", inútil tentar mudá-la porque ela "acaba sempre por derrotar a ideologia".

Claro que, para Cavaco, ideológico não foi o devastador "ajuste" austeritário que Passos e a troika fizeram, apesar de confrontado com uma realidade que confirmava o seu fracasso (aumento exponencial da dívida). Pelo contrário, tratou-se da necessária correção de "desequilíbrios traduzidos na vulgar expressão 'Portugal vive acima das suas possibilidades'"; se o não fizesse, "Portugal deixaria de ser um Estado que honra os seus compromissos". Com o seu próprio povo? Não: com "os Estados, as organizações internacionais" e os "investidores" (Prefácio, ...). Ideologia, isto? Não: simplesmente moral. Opor-se a privatizações ou cortes arbitrários nos salários, da mesma forma que denunciar o racismo ou o sexismo, isso é que é ideológico!»

Manuel Loff

3.9.17

Saiba o que verdadeiramente quis dizer o ex-Presidente



 Caro Marcelo 

«Antes de mais tenho de lhe manifestar a minha mais prenhe gratidão por se ter lembrado de mim para o ajudar a descodificar o discurso do professor Aníbal Cavaco Silva na Universidade de Verão, sublinhando os meus profundos conhecimentos nesta matéria. É verdade que domino a ciência dos signos, criada por Ferdinand Saussure (embora muitos pensem que os signos nasceram por obra e graça da senhora dona Maya) e o conceito do panóptico, engendrado por Michel Foucault (que ao contrário do que muitos julgam, não está ligado a nenhuma multióptica), características que me permitem perceber as estranhas narrativas do ex-Presidente da República.

Investido destes predicados posso garantir-lhe, professor Marcelo, que os analistas políticos estão profundamente enganados na conclusão de que o discurso do professor Cavaco tinha indirectas para a sua pessoa e também para o primeiro-ministro Costa.

Antes de mais porque o professor Cavaco, enquanto teve funções políticas, destacou-se sempre pela natureza cristalina das suas mensagens. Basta lembrar a questão do tabu, a melhor maneira de comunicar é não dizer nada, ou a boca cheia de bolo-rei, que lá no fundo significava que ele estava a mastigar as ideias antes de as verbalizar. E depois porque os alvos eram nitidamente outros, como lhe comprovarei de seguida.

Por exemplo, quando disse, invocando Emmanuel Macron, que "em França não passa pela cabeça de ninguém um Presidente telefonar a um jornalista para lhe passar uma notícia", no fundo ele estava a atirar-se ao seu ex-assessor, Fernando Lima, que telefonou a um jornalista a inventar escutas telefónicas ao Presidente Cavaco e fez o trabalho tão mal feito que acabou por ser descoberto. Uma outra leitura, decorrente desta (aposto que Vasco Pulido Valente é da mesma opinião), é a de que um Presidente não deve telefonar a jornalistas, mas sim mandar terceiros ligar, para nunca sair chamuscado da coisa.

Já quando se referiu à bazófia do ex-ministro grego das Finanças, Yanis Varoufakis, ou da forma como o primeiro-ministro, Alexis Tsipras, "pôs a ideologia na gaveta", o que o professor Cavaco fez foi resgatar a honra portuguesa perdida naquela final do Euro 2004, em Lisboa, contra a selecção grega. Não nos deixaram ganhar, pimba, levaram com um terceiro resgate. Afinal, a vingança é um prato que se serve frio.

Já a referência aos que "querem realizar a revolução socialista" e "acabam por perder o pio ou fingem apenas que piam", embora o professor Cavaco tenha referido explicitamente o Governo na sua aula, esta evocação tratou-se de apenas uma manobra astuta para camuflar o verdadeiro destinatário da mensagem, dom Duarte Pio de Bragança, o qual persiste em ser rei, mas manda os outros piarem por ele.

Esta é a verdade verdadeira da aula dada pelo professor Cavaco na Universidade de Verão do PSD. E se o professor Marcelo por acaso tiver dúvidas desta leitura (o que acho que não acontecerá porque eu próprio não tenho dúvidas e raramente me engano), peça uma segunda opinião à Maria João Avillez, a terceira analista política portuguesa mais astuta, apenas ultrapassada por este insigne que sou eu e pelo inefável arquitecto José António Saraiva.

Por isso, vá por mim professor Marcelo, o professor Cavaco não piou para si.

Um amplexo deste seu,

Virgolino Faneca»

31.8.17

Cavaco na berlinda



Via A Criada Malcriada no Facebook
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Cavaco - O tempora o mores!



1993, Cavaco em Salzburgo, pago pela Nestlé e criticado por Paulo Portas em O Independente.

«Na notícia do Indepente, escrita por Paulo Portas, pode ainda ler-se que “nós pagámos o Falcon e a Nestlé pagou o resto - os bilhetes para o festival, a estadia na suite presidencial do melhor hotel da cidade e um passeio para ver as vistas. Tudo confirmado pela multinacional. (...) Foi assim que pela primeira vez um primeiro-ministro português se deslocou ao estrangeiro a convite de uma empresa privada."

"O homem que confunde Thomas Mann com Thomas More está no seu legítimo direito quando faz alguma coisa para se cultivar. (…) Seja qual for a importância da causa, o cidadão Aníbal Cavaco Silva não pode obrigar quem paga impostos a financiar-lhe despesas de elevação espiritual (…)”

"O PSD agarra[-se] ao Estado como a lapa à rocha. Se o dr. Cavaco o tentar arrancar de lá, fica sem unhas."

"Quem olhar a elite política reconhecerá semelhanças com A Mala de Cartão. É de admitir que Linda de Suza tenha primos e mais primos no poder e na oposição."

"É um erro acreditar que são bons os que nasceram assim e maus os que nasceram assado. Pelo contrário, os mais elevados critérios de apreciação de um político são os factos do seu carácter e da sua dignidade."»
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