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17.11.19

Obras do Museu Salazar suspensas



«As obras para a construção do Centro Interpretativo do Estado Novo, mais conhecido por Museu Salazar, em Santa Comba Dão, foram interrompidas há cerca de duas semanas. Isto pouco tempo depois de terem tido início, no meio de muita polémica. Os técnicos responsáveis pela reestruturação da antiga Escola-Cantina Salazar descobriram que uma parte das vigas que sustentam o telhado está podre.

“Neste momento estão já colocados 70 metros quadrados de telhas novas. Mas tivemos um percalço e fomos obrigados a parar temporariamente a obra por motivos técnicos. As vigas estão mais envelhecidas do que se julgava e vão ser substituídas por um novo material conhecido por aço leve”, conta ao Expresso João Onofre, vereador da Câmara Municipal de Santa Comba Dão.

As vigas estão em tão mau estado que um simples soprador elétrico de jardim (máquina usada para afastar as folhas no chão) fazia estremecer a estrutura, garante João Onofre.

As obras, que incidem sobretudo sobre o telhado, portas e janelas da casa, vão ficar agora oficialmente suspensas durante “algumas semanas”, para não haver derrapagem de prazos com o empreiteiro. Questionado se sabe quando é que a nova estrutura será montada, o vereador diz não ter ideia.

Ainda segundo o político social-democrata, foi necessário proteger a zona ainda sem telhado com um plástico, para que a velha Escola-Cantina Salazar não fique a céu aberto e inundada com a água da chuva. “Mas a obra é para avançar mal tudo isto seja resolvido”, garante.

João Onofre revela que esta semana, durante uma reunião de responsáveis camarários, foi aprovado um orçamento de “190 mil a 200 mil euros” destinado ao futuro Centro Interpretativo do Estado Novo.

Petições da polémica

Contactado pelo Expresso, Leonel Gouveia, presidente da Câmara de Santa Comba Dão, preferiu não fazer qualquer comentário, alegando não ter mais nada a acrescentar sobre o assunto. Mas em julho, em declarações ao Expresso, garantia que a abertura das portas do Centro Interpretativo do Estado Novo estava prevista para dali a três meses. Ou seja, sensivelmente entre outubro e novembro.

O espaço museológico está localizado na antiga Escola-Cantina Salazar, vizinha do lado da casa onde viveu o ditador e a quatro quilómetros do local onde Salazar foi sepultado. O objetivo é manter a traça original desta escola, a primeira do país a ter direito a uma cantina, em 1942: “Foi precursora da política de ação social escolar do Estado Novo”, lembrou na altura o responsável da autarquia, que explicou que numa primeira fase o museu terá duas salas de exposições temporárias, com mais conteúdos multimédia e interativos do que objetos pessoais do ditador.

Nos meses seguintes estalou a polémica. Grupos de cidadãos avançaram com petições pró e contra a construção do Centro Interpretativo do Estado Novo. Entre os detratores encontra-se um grupo de 204 presos políticos e historiadores que temem que o museu sirva para branquear a ideologia do Estado Novo e venha a ser mais um pretexto para romarias de neofascistas a Santa Comba Dão. Atualmente, a campa de Oliveira Salazar é já um local de peregrinação de saudosistas.

A autarquia emitiu um comunicado em agosto onde negava a criação de um “Museu Salazar”. Assumiu que, em conjugação com outras entidades da região, com destaque para a ADICES (Associação de Desenvolvimento Local), “tem vindo a trabalhar num projeto cultural agregador do potencial turístico da região, visando a criação de uma rede de Centros Interpretativos de História e Memória Política da Primeira República e do Estado Novo”.

Uma rede que, segundo Leonel Gouveia, visa “a promoção e o aprofundamento da democracia e do desenvolvimento integrado de um vasto território da Região Centro” e dar a conhecer a participação destes territórios na história política do século XX português. O presidente da Câmara sublinhou ainda que toda a consultoria científica e tecnológica é assegurada pela equipa do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra.

Também em agosto, a petição online “Museu de Salazar, Não!” foi encerrada, depois de terem sido recolhidas mais de 18 mil assinaturas. Os promotores — que a tinham enviado ao primeiro-ministro, António Costa, logo quando reuniu 15 mil assinaturas — aguardam agora uma resposta do Governo. Um pouco menos popular foi a petição a favor do espaço museológico em Santa Comba Dão, que se ficou nas 11 mil assinaturas.»

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26.9.19

Memória dos sítios e História: a propósito do Estado Novo e sua museologia



A questão do «Museu de Salazar» (chamem-lhe o que quiserem, será sempre isto) não está esquecida. Miriam Halpern Pereira, que foi directora do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, manifesta-se, hoje, no Público:

«É no edifício da ex-Escola-Cantina Salazar, sediada junto à antiga casa do ditador, em Vimieiro, concelho de Santa Comba Dão, que se tem vindo a propor a instalação de um centro interpretativo do Estado Novo. Mais tarde, os objectos ligados à memória pessoal do ditador seriam expostos na casa onde nasceu, facilmente transformada em lugar de romagem política. Ambos os edifícios ficam próximos, na Av. Dr. António Oliveira Salazar. (…)

Estamos bem posicionados para avançar com uma musealização do Estado Novo. A questão que se coloca é a sua topografia. Há necessidade de outra dimensão. Um museu ou centro interpretativo sobre o Estado Novo, e não sobre Salazar, não deve estar ligado a um sítio de memória. Isto conduz-me a levantar uma questão mais ampla, a necessidade de um museu de História de Portugal. Os principais países europeus têm este tipo de museu, que se encontra sediado nas suas capitais. (…)

Porventura, poderíamos também nós ter evocado criticamente a institucionalização do Estado Novo nesse ano, se tivéssemos um museu dedicado à História de Portugal. Num país com parcos recursos, não se devem multiplicar os museus históricos de âmbito nacional, cada um referente à sua época. É tempo de pensar nisso.»
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14.9.19

Santa Comba e o bom senso


«Não é de todo viável criar ali um verdadeiro Centro Interpretativo do Estado Novo. Que tipo de "espólio" podia ser levado para Santa Comba? E seria observado numa mescla em que entraria a utilização turística da figura de Salazar?

Aquele é o espaço que, por natureza, tenderá sempre a colocar em relevo os traços e comportamentos menos tenebrosos ou mais simpáticos do ser humano Salazar - todo o ser humano os tem. Ora, esses são os mais distanciados do pensamento, da vida e, acima de tudo, dos atos políticos do ditador e fascista Salazar, que impôs um regime fortemente repressivo e autocrático e colocou o país desfasado na história - veja-se os indicadores de desenvolvimento que o país tinha. (…)

Na democracia que se fez duramente contra Salazar não há lugar, nem para reabilitações, nem para avaliações pretensamente neutras da sinistra figura.»

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11.9.19

Museu de Salazar? Não, foi chumbado



O voto apresentado hoje na Assembleia da República pelo PCP, contra a «criação de um “museu” dedicado a Salazar em Santa Comba Dão», foi esta tarde aprovado com os votos do PS, PCP, BE e PEV (e abstenção de PSD e CDS). RIP?

(O texto do Voto pode ser lido AQUI.)
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7.9.19

O museu Salazar nunca existiu



«Uma coisa que agradeço é que não me contem historietas. Pois em relação à proposta do autarca de Santa Comba Dão para a criação de um “centro interpretativo” dedicado a Salazar, na terra natal do ditador, sintomaticamente a situar na cantina-escola Salazar, convenientemente sediada na avenida dr. António de Oliveira Salazar, não só nos querem contar uma historieta como, enquanto o fazem, tomam-nos por parvos.

Não faltam bons motivos para promover exercícios interpretativos do Estado Novo. Na transição para a democracia, descurou-se esta vertente, perpetuando uma certa invisibilidade da natureza ditatorial do regime, explicável pela ausência de um movimento social fascista e por uma passividade bucólica, traço marcante da sociedade. Até com uma rutura política seguida de revolução social, o país preferiu não interpretar o passado, remetendo-o para o mesmo lugar silencioso.

De certa forma, o museu Salazar, proposta que afinal nunca existiu, representa o regresso desta invisibilidade crónica do salazarismo enquanto regime repressivo e autocrático. Sintomaticamente, num artigo trôpego, o historiador Luís Reis Torgal – a quem é atribuída alguma responsabilidade científica na proposta autárquica – tentou promover uma “reflexão séria e calma” sobre o tema. E o que nos propõe (enquanto referenciava um rol de dissertações que orientou sobre os mais diversos assuntos)? Que ajudemos a autarquia a resolver o problema que é “manter em ruínas” a casa do ditador, garantindo que o que está em causa é a criação de um centro interpretativo, a partir do “espólio” de Salazar, articulando-o com outros projetos de musealização a criar na região (António José de Almeida em Penacova; Tomás da Fonseca em Mortágua; Afonso Costa em Seia e, cereja no topo do bolo, Aristides de Sousa Mendes em Carregal do Sal).

Quanto mais se sabe, pior se torna o cenário. Só uma exorbitante neutralidade axiológica e uma fúria normalizadora podem levar a que se pondere juntar, na mesma rede, republicanos insignes, figuras de cultura, democratas corajosos e referências morais absolutas com um ditador abjeto e de baixa estirpe.

Fica demonstrado que temos, como comunidade, um problema com o legado do Estado Novo. O que torna imperioso que se multipliquem centros interpretativos: nos tribunais plenários, nas antigas prisões políticas, nas fábricas, nas faculdades onde a PIDE entrou ou nas escolas onde professores foram expulsos. Em todos os lugares menos na aldeia natal do ditador.

A ideia é uma afronta à memória e, pior, adensa um espetro que paira sobre o futuro. Não sei se os historiadores de Coimbra têm dado conta, mas o regresso do fascismo não se fará de botas cardadas, com marchas militares e mecanismos repressivos como os do passado. É precisamente pela forma sonambúlica como se deixa entrever que o fascismo de hoje é assustador. Não ajudemos, por isso, a promover um voyeurismo mórbido em torno do “espólio” de um tirano.»

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5.9.19

Patrimonializar Salazar?



«A Câmara Municipal de Santa Comba Dão decidiu recuperar o seu projeto para visibilizar a figura de António de Oliveira Salazar, com a ideia de construção de um “Centro Interpretativo do Estado Novo”, na aldeia do Vimeiro, terra natal do ditador. É uma história longa, com vários capítulos, e que agora parece avançar. A iniciativa levou a um abaixo-assinado de repúdio por parte de 204 ex-presos políticos e a uma carta dirigida a António Costa, assinada por cerca de 18 mil pessoas. Ao mesmo tempo, levantaram-se vozes que entendem que o que se trata fundamentalmente é de preencher o futuro espaço memorial com a isenção histórica. A assessoria ao processo por parte do CEIS20 da UC, com o envolvimento de importantes historiadores do Estado Novo, como Luís Reis Torgal e João Paulo Avelãs Nunes, reforçaria esta perspetiva.

Acho, porém, que a questão essencial se coloca num outro plano. Desde logo, observe-se que a intenção do projeto é a de impulsionar o “potencial turístico da região”, nas palavras do próprio presidente da Câmara Municipal de Santa Comba Dão. Integrado num Roteiro de Figuras Históricas da região, trata-se no fundo de estimular as oportunidades turísticas que se abrem com o aproveitamento da figura do ditador como um ilustre “filho da terra”. Essa exploração comercial já teve outros momentos – caso da tentativa de criar uma marca de vinhos da região intitulada “Memórias de Salazar” – e nada garante que não se possa acentuar havendo um enquadramento local que objetivamente o legitime.

Basta olhar para o exemplo de Predappio, localidade onde nasceu Mussolini, transformada há anos num espaço que acolhe celebrações fascistas e ampla comercialização de merchandising sobre o Duce. Com razão se dirá que Portugal não é a Itália e que o salazarismo não foi o fascismo italiano. Mas é impossível garantir – mesmo não sendo essa a intenção dos promotores - que o espaço não venha a ser apropriado por mobilizações de timbre antidemocrático, num quadro de ascensão um pouco por todo o mundo da extrema-direita. Nem é possível desconsiderar o facto de estes lugares terem uma especial apetência para aguçar a atração nostálgica, com tudo o que isso tem de perverso para o próprio conhecimento histórico. Não se trata, portanto, de recear o saber, mas o oposto. Qualquer musealização ali será sempre sobredeterminada pela experiência emocional de andar nos espaços do ditador. É esse o seu peculiar chamariz.

Na verdade, a produção académica dedicada à relação entre memória, património e território alerta para a necessidade de se integrar a dimensão contextual na análise de memoriais, museus, monumentos ou centros interpretativos. Por outras palavras, fazer um centro interpretativo no Vimieiro não é igual a fazê-lo num outro local qualquer. A existir, o futuro centro interpretativo ficará instalado na Cantina-Escola Salazar, que se situa na Avenida Dr. António de Oliveira Salazar, e que é enquadrado por um complexo memorial que dotará de um certo sentido qualquer experiência de visita. Teremos em redor os espaços onde Salazar se fez moço, a casa de Salazar e da sua família, os seus objetos domésticos, a campa rasa destinada a atestar essa imagem de um político que soube representar-se como antipolítico, um humilde servidor da nação que só com ela se casou. Esta imagem, que Salazar e as elites propagandísticas do regime cuidadosamente criaram, é ainda hoje preservada em setores consideráveis da população. A vitória do ditador no concurso Grandes Portugueses ou os milhares que estão a assinar uma petição que brada “Museu Salazar, sim!” são pequenos e episódicos sintomas disso.

Sabe-se como a democracia portuguesa ainda lida mal com este passado. Basta pensar na constante rasura da guerra e da violência colonial – parte frequentemente esquecida desta história - ou na consideração tardia e deficiente do lugar da resistência como marca fundamental da rutura democrática. É verdade que a decadência do regime e a legitimidade pós-25 de Abril, entre outras razões, acabou por obstar ao ressurgimento de grupos abertamente salazaristas com expressão popular. Mas também é certo que permanece uma certa imagem do ditador – distante, austero, quase desconectado do que ia acontecendo por cá e nas ex-colónias – cuja manutenção é o seu paradoxal sucesso. Salazar sempre soube ficcionar-se como ausente através do que José Gil definiu como uma “retórica da invisibilidade”. Ironicamente, ele acaba por regressar novamente como presença invisível, como um nome que se retrai na designação do anunciado “Centro Interpretativo do Estado Novo”. Alavancado pelo poder local, todo o contexto que aí se estabelecerá corre o sério risco de patrimonializar a figura do ditador. E isto parece-me, no mínimo, uma má ideia.»

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3.9.19

Museu de Salazar aka «Centro Interpretativo do Estado Novo» (4)



Estou convencida de que não chegará a existir, mas João Abel Manta poderia fornecer algum material. Lá vão estes, a caminho de Santa Comba, para ajudarem a «interpretar» o Estado Novo.
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2.9.19

O dr. Salazar



«Que boa ideia, a da Câmara de Santa Comba Dão, de construir um museu em homenagem a Oliveira Salazar. Um museu que o retrate a trabalhar, sentado no seu fauteuil, com os óculos sobre o nariz e uma manta nos joelhos… a despachar, quase ininterruptamente, os assuntos da governação de um Império, cujas províncias ultramarinas jamais visitou, a partir do Palácio de São Bento, onde havia um galinheiro no jardim. D. Maria, a sua fiel governanta, ajudava a filtrar as visitas dos poucos que lhe tinham acesso directo e a quem concedeu, ao longo dos anos, grandes benesses, aquém e além-mar.

As mulheres do Povo aclamavam-no nas suas aparições públicas: Professor de Finanças Públicas, solteiro, “casado” com a Nação, católico devoto e honesto, segundo a imagem dele construída e divulgada por António Ferro. O que pensava sobre elas é conhecido: deviam conservar-se na sombra e desempenhar a nobre função de reproduzir a valorosa raça lusitana enquanto cosiam as meias do marido. Inquietavam-no, como diz num dos seus discursos, as suas ânsias de emancipação, de estudar e trabalhar fora de casa… onde nos levariam?

Poriam em causa a família cujos membros tinham um papel bem definido (sim, menina também vestia rosa, no seu pensamento e menino azul, apesar de não ter escrito sobre o tema, de tão óbvio que era à data) e cada família o seu lugar bem determinado na sociedade portuguesa. Havia generais e magalas, senhoras e sopeiras, “famílias-como-as-nossas” e “as outras” com as quais só misturávamos sangue se, “apesar de recentes fossem ricas”, numa sociedade em que não eram necessários os cem anos de hoje para se mudar de classe social: tal simplesmente não era suposto acontecer.

Arquitetonicamente a Colónia Penal do Tarrafal aberta por Decreto-lei também assinado, em 1936, pelo Senhor Presidente do Conselho, António de Oliveira Salazar, não se afasta significativamente dos campos de concentração nazis. Era um dos campos para onde o Regime enviava quem ousasse pensar de forma diferente, os “presos políticos e sociais”. Havia covas no chão onde eram interrogados os detidos quando as temperaturas atingiam mais de quarenta graus centígrados. Péssimas, diriam hoje os defensores do regresso a um regime semelhante, as condições de trabalho de quem os interrogava! Um dos médicos do campo, Esmeraldo Prata, escreveu: “o meu trabalho não é tratar pessoas, mas assinar certificados de óbito”. O Campo esteve em funcionamento várias décadas… mais do que os campos de concentração da II Guerra Mundial?

Talvez a nostalgia do regresso à ordem representada por Salazar, expressa no adágio “Deus, Pátria, Família”, seja a nostalgia da boa ordem que nos acompanhou durante os longos tempos da Santa Inquisição primeiro e, mais tarde, da PIDE … O desejo, não do regresso de Dom Sebastião e do que este simbolizou (que utilidade teria um senhor de 24 anos que não saberia o que é o Twitter e a quem teríamos de explicar, pacientemente, o funcionamento da União Europeia?), mas sim de um regime ditatorial onde cada um teria o seu lugar numa estratificação social previamente delineada por alguns e onde seria possível enviar o vizinho ou colega de trabalho que detestássemos para um novo Tarrafal, apenas porque a sua presença nos incomoda.

Ou, talvez, o desejo de celebrar um protocolo de cooperação com São Tomé e Príncipe e de retomar a pena de degredo… rezam as nossas Leis que havia lá grandes lagartos que comiam os meninos, filhos dos Judeus expulsos, mal desembarcavam… Talvez, no museu dedicado à defesa dum regime ditatorial, seja de substituir a palavra “lagartos” por “crocodilos”. Convém que os visitantes saibam, com precisão, quem comerá os próximos grupos de cidadãos indesejados e a ostracizar na sociedade portuguesa.»

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31.8.19

Museu de Salazar aka «Centro Interpretativo do Estado Novo» (3)



Estou convencida de que não chegará a existir, mas João Abel Manta poderia fornecer algum material para mostrar António a arrastar os netinhos dos seus seguidores para a sua antiga escola primária.
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30.8.19

Museu de Salazar : uma excelente ideia


@João Fazenda 

Ricardo Araújo Pereira na Visão de 22.08.2019.

«A autarquia socialista de Santa Comba Dão deseja criar um Museu de Salazar. A iniciativa revela grandeza, porque Salazar não desejaria criar uma autarquia socialista em Santa Comba Dão.

Os amores não correspondidos são sempre comoventes. No entanto, é possível que este raciocínio não esteja correcto: se soubesse que a autarquia socialista quereria criar o Museu de Salazar, talvez Salazar não tivesse nada contra autarquias socialistas. É como se costuma dizer: o ódio nasce da ignorância, e provavelmente Salazar não gostava de socialistas apenas por não os conhecer bem.

Pessoalmente, há muito que sou favorável à criação de um Museu de Salazar. Mais precisamente, desde 1928. Creio que já nessa altura Salazar merecia um museu, onde ele pudesse figurar, devidamente empalhado, para alegria de todos. E julgo, aliás, que a ideia do Museu de Salazar peca por defeito. Devia ser criada uma grande Disneylândia do fascismo, em que os visitantes pudessem encontrar diversões tais como viver duas horas nos calabouços da PIDE, frente a um inspector munido de um martelo, ou passar uma tarde na frigideira no campo de concentração do Tarrafal; onde fosse possível denunciar amigos e conhecidos (aproveitando a experiência obtida junto do botão “denunciar”, das redes sociais), vestir a farda da bufa e fazer piqueniques em que uma sardinha dá para três. Além disso, iniciativas deste tipo resolvem um problema antigo: como taxar a estupidez? Muitas vezes se lamenta: “Ah, se a estupidez pagasse imposto...” Pois bem, cobrar bilhetes para o Museu de Salazar pode ser finalmente um modo eficaz de sacar dinheiro a idiotas.

Por outro lado, a criação do Museu de Salazar gera confusão, e eu sou um velho apreciador de confusões. Por exemplo, todos os saudosistas do Estado Novo, até aqui estridentemente receosos de que o poder socialista criasse em Portugal uma Venezuela, afinal tinham razão: por causa de um socialista, Portugal passa a ser um país em que, tal como na Venezuela, se idolatram ditadores. Não deve ser fácil, para um salazarista, ver-se na posição de ter de agradecer a um socialista uma linda homenagem ao doutor Salazar.

Do lado socialista também haverá confusão, de certeza. O PS assinalou – e bem – que a escolha de André Ventura para a autarquia de Loures era significativa do posicionamento ideológico de Passos Coelho, pelo que agora irá – até aposto – assinalar que a manutenção da confiança política no autarca de Santa Comba é significativa do posicionamento ideológico de António Costa. Também deste ponto de vista, a criação de um Museu de Salazar é extremamente pedagógica.»
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Bem-vindos ao centro interpretativo do estado novo


a minha avó era analfabeta, tal como os seus quatro irmãos. teve dois filhos de pai incógnito. a minha mãe fez a terceira classe, após o que veio ainda criança para lisboa para servir numa casa. conheceu o meu pai, que era um intelectual: teve direito a completar o quarto ano. a vida dele dava um livro, que não cabe aqui. chegaram a viver seis, sete, na mesma casa com dois quartos. dividiam-se as despesas, as refeições. não se metiam em política, bastava-lhes o medo do futuro e do passado, o medo do regresso da fome, medo esse que ainda verteu para os filhos. eu, nascido em liberdade, ainda dou um beijo num pão que tenha de deitar para o lixo. não consigo evitá-lo. graças à antítese de tudo o que representava esse tempo, tenho hoje uma vida de privilégio. é escusado gastarem dinheiro em obras e campanhas. o museu já está de pé na vida de muitos (demasiados) de nós.

sejam bem-vindos ao centro interpretativo do estado novo.

Pedro Vieira no Facebook
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29.8.19

Museu de Salazar aka «Centro Interpretativo do Estado Novo» (2)



Estou convencida de que não chegará a existir, mas João Abel Manta poderia fornecer algum material para encher as paredes da escola primária do menino António, com imagens daqueles que ele tão bem tratou durante décadas. 
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28.8.19

Museu de Salazar aka «Centro Interpretativo do Estado Novo» (1)



Estou convencida de que não chegará a existir, mas João Abel Manta poderia fornecer algum material para encher as paredes da escola primária do menino António com os seus actuais seguidores.
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MUSEU de SALAZAR, NÃO! - Informações


Fui hoje contactada por um jornalista do Jornal do Centro (de Viseu, distrito a que pertence Santa Comba Dão), a propósito da Petição de que fui uma das subscritoras. 

Fica AQUI a notícia, actualizada depois das minhas declarações, bem como a gravação de excertos do que eu disse.
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27.8.19

MUSEU de SALAZAR, NÃO! - Informação sobre a Petição



Entendeu-se desactivar a petição, por ter cumprido o principal objectivo: fazer chegar ao Primeiro-Ministro o repúdio de cerca de 18 000 antifascistas, pela criação de um espaço/museu/memorial em Santa Comba Dão, na expectativa de que se pudesse travar o que, desde há meses, configurou um aberto ataque à Democracia.

Até ao momento, ainda não obtivemos qualquer reacção do Primeiro-Ministro, mas regozijamo-nos pelo eco que este abaixo-assinado teve na Comunicação Social e em muitos cidadãos de renome, que entenderam juntar a sua voz à voz destes muitos milhares de antifascistas, e em apoio dos 204 ex-presos políticos, dando-lhes assim maior visibilidade. Muito em breve, enviaremos ao Primeiro.-Ministro as quase três mil assinaturas que vieram juntar-se aos 15 mil nomes do primeiro envio.

Tudo faremos para que esta iniciativa da Câmara Municipal de Santa Comba Dão não vá adiante, mesmo que sob a capa de um Centro Interpretativo do Estado Novo, e apelamos a todos os democratas para que prossigam o combate contra este projecto de reabilitação do ditador Salazar e da sua ditadura.
Fascismo Nunca Mais!

Em 26 de Agosto de 2019

Pelos promotores da petição:

Albano Nunes
Joana Lopes
Maria do Rosário Gama
Miguel Cardina
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23.8.19

Mas há quem queira fazer...


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A ignorância é o instrumento usado pelas ditaduras para formar escravos



«EU NÃO QUERO QUE A NOSSA HISTÓRIA SEJA OCULTADA. QUERO QUE ELA SEJA ENSINADA PARA EVITAR NOVOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE E A DEMOCRACIA:

A petição contra a criação de um museu dedicado a Salazar foi já enviada ao Primeiro-Ministro com 15.000 assinaturas. No momento em que escrevo, o número já ultrapassou as 15660. [16.390, às 15:00 de 23.09]

Lamento muito que, entretanto, tenha sido organizada uma outra petição, mas para exigir a criação de um museu dedicado à figura mais sinistra da nossa História contemporânea, na sua terra natal e a partir de objetos pessoais do ditador.

Essa petição está a ser assinada por fascistas e por ignorantes, mas também, infelizmente, por democratas, e espalha a mentira de que a petição que nós assinámos se destina a encobrir uma parte da nossa História. Quem leu a nossa petição e os comentários de quem a promoveu e assinou sabe que isso é uma mentira sem vergonha. Nós sempre defendemos a criação de museus que ensinem o que foi a ditadura fascista que governou Portugal durante quase meio século, dirigida por um ditador que mandou perseguir, torturar e assassinar os seus opositores políticos e que enviou milhares de jovens para uma guerra colonial duplamente injusta: para os portugueses e para os povos colonizados.

Não há museus dedicados a Hitler, Mussolini e Franco. Há museus que expõem os seus crimes. Fazer um museu em Santa Comba é um insulto à memória de todas as mulheres e de todos os homens que foram perseguidos, torturados e assassinados.

Aos fascistas nada tenho a dizer a não ser que, se por algum equívoco, forem meus “amigos” do Facebook, que me desamiguem rapidamente. E que onde quer que estejam eu estarei no lado oposto.

Aos ignorantes que queiram deixar de o ser, aconselho a que leiam e se documentem sobre a História de Portugal do século XX. A ignorância é o instrumento usado pelas ditaduras para formar escravos.

Aos democratas, recordo o que eles têm obrigação de saber: que os defenderei sempre, se preciso for, contra as investidas de todas as modalidades de fascismos e nazismos que paulatinamente se vão organizando por essa Europa fora com o apoio político e financeiro de Trumps, Steve Bannons, Bolsonaros, Orbans, Salvinis e Le Pens, acolitados pelos pequenos criminosos locais como Mário Machado e outros.

Abílio Hernandez, professor da Universidade de Coimbra (ontem, no Facebook)
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22.8.19

15.000



MUSEU de SALAZAR, NÃO!

Por motivos de ordem técnica, o abaixo-assinado só hoje, 22.08.2019, pelas 18:30, foi enviado ao primeiro-ministro. Com uma vantagem colateral: seguiu com mais assinaturas: 15.000. 

(A Petição continua aberta AQUI e este número já foi ultrapassado.)
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21.8.19

13.200 assinaturas



A Petição MUSEU de SALAZAR, NÃO! foi dada como encerrada com 13.200 assinaturas, embora estivesse a ser acelerado o seu crescimento e pudesse vir a ter muitíssimas mais (e nem sequer tentámos contactar quem não usa internet). MAS:

1 – É MUITO URGENTE que chegue ao destinatário, já que está previsto que as obras, em Santa Comba Dão, tenham início no fim do corrente mês.

2 – Não é por haver mais ou menos uns milhares de nomes que aqueles que podem evitar o que não deve acontecer tomarão decisões, mas sim pela consciência do poder que têm para o fazer.

3 – O objectivo que tínhamos foi altamente ultrapassado pelo impacto que teve, nomeadamente nos órgãos de comunicação social, televisões incluídas. Saiu das redes sociais, chegou a muitíssimos portugueses.

Esta luta vai continuar, não desistimos e estaremos sempre prontos para combater.
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20.8.19

Petição – Museu Salazar, Não!



Fui ontem contactada telefonicamente por um jornalista do «i», jornal que dedica hoje algumas páginas ao tema. Claro que a conversa durou vários minutos, mas a minha frase que foi posta em destaque não me desagrada.

Junto a capa e um parágrafo sobre os desejos, bem elucidativos, do presidente da câmara de Santa Comba Dão.