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9.6.13

Andam todos um pouco nervosos



Em visita ao Japão, François Hollande terá afirmado que «a crise na zona euro terminou» (só contaram para ele...). Talvez espantado com a sua própria convicção, distraiu-se e confundiu chineses com japoneses, o que não é a gafe mais feliz que se possa cometer em Tóquio.



Consolemo-nos, pois: não é só o nosso bem amado presidente que é campeão de lapsos quando se dirige aos «cidadões» ou diz que não «façará» declarações. 
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27.5.13

República, democracia e política não são sinónimos



O texto de Pedro Santos Guerreiro no Negócios de hoje é excelente. Se algumas comparações e imagens mais coloridas mais não fazem do que juntar-se a tantas outras dos últimos dias, vai bem mais longe quanto ao essencial. Chamo especialmente a atenção para o primeiro parágrafo.

«País, Estado e Nação não são sinónimos. República, democracia e política não são sinónimos. Habituados à estrutura, julgamo-la eterna. Mas todas as histórias acabam – e a História acaba nunca. Para servir o Estado não basta o melhor possível – em épocas como esta, tem de ser o necessário impossível. Não é fácil nem é leve – é o Estado. Temos instituições fracas por conveniência do sistema que nelas se auto-preserva. Eis o drama. 
A qualidade das instituições é o que determina ou aniquila a prosperidade perene de um país. (...) As nossas instituições vivem num situacionismo de conservação que tem projectado Portugal para o declínio. Económico. E social. (...)

A Presidência da República é o pináculo do sistema. É uma instituição respeitada mas, hoje, o Presidente tem a popularidade mais baixa de sempre. Não foi o insulto que arrasou a reputação de Cavaco, foi a reputação do Presidente que tornou possível o insulto. (...) O insulto não é o debate político aceitável, nem das elites nem contra elas, ele tem de ser civilizado. Ao mesmo tempo, foi vestindo de cores garridas um Presidente que se percebeu que o rei vai nu. (...)

Cavaco é um homem eleito pelo povo, líder de um povo mas súbdito da Nação que esse povo é. Está longe desse povo. Banalizou o Conselho de Estado. Fazer cordão policial ao Governo não é a melhor maneira de defender as instituições, é colocar-se entre o povo e elas. (...)

As instituições estão inutilizadas pela tibieza de uns e capturadas por um sistema que assim se preserva. O sistema de justiça permanece enredado e o sistema político é intocável. O povo descrê. Quem lidera as instituições depressa alinha, desiste ou é mudado. O Estado é o seu estrado. Uma tábua. Um trampolim. Um pódio. Mas às vezes as circunstâncias mudam, fazem da tábua uma prancha num navio em alto mar e é então que os homens se revelam ou não competentes e corajosos. Portugal não é um lugar nem um grupo de pessoas. É uma Nação. Uma República. Uma democracia. Um país. Ainda é um Estado. E merece passar do declínio para a regeneração. Ainda que para isso seja necessário pôr pessoas em causa. É sempre.»  

(Daqui.) 
 Os realces são meus e o link pode só funcionar mais tarde.
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