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3.8.19

E se fosse em Lisboa?



Expresso Economia, 03.08.2019
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21.6.19

Morte de Veneza…




«The mayor of Venice has urged Unesco to place the city on its world heritage site blacklist as he lambasted Italy’s transport minister for failing to endorse a plan to divert cruise ships from the busy Giudecca canal.(…) 

Luigi Brugnaro’s frustration has been brewing since a huge vessel crashed into a tourist boat on the canal in early June, injuring four people.»
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13.6.19

Santo António?



Isto do amor pelos turistas já vem de longe! Este cartaz é de 1949 e também existe uma versão em francês. (Em mandarim, será talvez em 2021.)
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23.7.18

Turismo estatal



«Hoje já não existe a "Berlin Alexanderplatz" que Alfred Doblin descreveu na sua obra magistral. Berlim está na moda mas já não há berlinenses lá e os poucos que existem intitulam-se aborígenes. Berlim é uma criação, um fantasma e os actores já não estão lá. O que seria bom é que as pessoas que foram para lá deixassem de ser espectadores e se tornassem actores. Mas essas pessoas não têm criatividade, esperam apenas ser entretidos. Lisboa, por exemplo, arrisca-se a ser como Berlim, enquanto o turismo não rumar para climas novamente seguros mais a sul. Poderemos estar a perder uma oportunidade histórica, porque não temos infra-estruturas (comboios que não estejam decrépidos, Metro e autocarros que funcionem, aeroporto que não seja apenas um entreposto de lucro para o gestor). O efeito na luz de Lisboa esgota-se. Depois da Baixa pombalina e dos Jerónimos, que há mais para ver? Faltam grandes exposições únicas que possam atrair os visitantes e outros acontecimentos que, ciclicamente, sejam marcantes. Lisboa é apenas o símbolo maior desta atracção fatal.

No meio deste número de hipnotismo transversal que não admite uma discussão séria, deparámo-nos, há uns meses, com a criação pelo Governo de um instrumento, com um orçamento total de 25 de milhões de euros para "fixar pessoas e criar empregos no interior". A bondosa ideia causa, no entanto, alguma perplexidade: quem quiser explorar uma casa numa aldeia pode colocá-la num fundo imobiliário (o Turismo Fundos, detido pelo Turismo de Portugal e por dois bancos), que a compra, e fica depois a cobrar uma renda ao promotor. Por norma, as operações poderão durar até 15 anos e no final, o promotor pode recomprar o imóvel. Ou seja, o Estado que anda a alienar imobiliário por todo o lado, volta a ser proprietário. Faz sentido? E se, passados tantos anos, o promotor não desejar adquirir novamente a casa, porque não ganhou dinheiro para isso? O Estado faz o quê? Fica com ela, criando uma nova FNAT? Ou encontrou, apenas, uma nova vocação, a de "croupier"?»

Fernando Sobral
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28.6.18

Lisboa e as alforrecas



«Há alguns dias, António Costa disse, no Porto, que: "O crescimento do turismo não pode transformar as cidades num parque de diversão para adultos." Estimulado, acrescentou mesmo que: "O essencial não é restringir o turismo, mas aumentar a oferta de habitação para quem não é turista, caso contrário os turistas deixam de vir. Eles vêm enquanto as cidades têm vida e autenticidade, que é dada por quem lá vive."

Homer Simpson ou mesmo um marciano julgariam que as frases críticas assentavam que nem uma luva à política de Fernando Medina e de Manuel Salgado em Lisboa, que deseja transformar a cidade numa sucursal da Disneylândia. As frases, sensatas, resvalam na couraça da indiferença dos dois homens que já conseguiram que a Baixa da cidade deixasse de ter lojas históricas, que os bairros populares desfilem nas marchas com marchantes que vivem na Margem Sul e que o imobiliário se tenha tornado na política oficial da edilidade, à volta da qual tudo funciona. Agora até há uma mirabolante "cidade verde", que só se vislumbra a partir de uma máquina de realidade virtual existente num gabinete pós-moderno na Praça do Município.

Medina e Salgado têm transformado Lisboa em tudo aquilo que António Costa diz que não deseja. E que destrói, a prazo, o que diferencia Lisboa de Barcelona ou do Dubai. Há aqui, claro, uma síndrome de Hyde e Jekyll no PS, sabendo que Medina deseja ser líder do mesmo. A política habitacional da CML é feita de betão e de aquisições de casas por estrangeiros ricos, servidos por arquitectos modernos à altura das circunstâncias. É uma cidade de ficção, uma Cinecittà romana onde só se realizam "western spaghetti" à moda de Salgado. A Lisboa de hoje é o fruto daquilo que Oliveira Martins já vislumbrava em 1891: "Temos a consistência das alforrecas..." Esta nova Lisboa, pretensamente moderna, é um desastre. Com a consistência de uma alforreca. Fornecida por uma loja multinacional da Baixa.»

Fernando Sobral
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2.5.18

China? Uma questão de escala




«Durante o feriado do Dia do Trabalhador, o número de turistas domésticos ascendeu aos 147 milhões, aumentando em 9,3% em comparação com o mesmo período do ano passado. Os rendimentos totais gerados pelo turismo doméstico atingiram os 87,16 bilhões de yuans, o que representa um crescimento de 10,2%»
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7.4.18

O destino de Lisboa



«Pode parecer um exercício de saudade, mas é mais de realismo. Lisboa era uma cidade típica, sem ser moderna. Décadas depois, ainda não conseguiu ser moderna, e arrisca-se a deixar de ser típica. Lisboa desinvestiu dos bairros e não investiu numa estratégia visionária que a fizesse moderna sem achincalhar o passado alfacinha e sem ignorar a riqueza cultural que a emigração lhe trouxe. A questão é que Lisboa continua sem ter direito a uma visão criativa por parte de alguém que a tente transformar naquilo que deve ser: uma cidade cosmopolita, mas agradável para viver, trabalhar e passear. Duas décadas depois da Expo'98 Lisboa definha, porque está a perder a sua alma, que o número de turistas não substitui.

A pressão imobiliária está a transformar Lisboa numa cidade sem habitantes que lhe dêem espírito. Todos os dias agentes de fundos imobiliários e de agências tocam às campainhas de casas e fotografam prédios, causando uma pressão inimaginável sobre os que resistem e ainda tentam habitar na zona mais central da capital. Face a isto, que faz a CML? Olha, impávida e serena, porque no fundo foi essa a estratégia de Manuel Salgado desde que chegou à CML. Há hoje uma Lisboa desertificada no seu centro, onde as pessoas deixaram de viver. Os serviços públicos foram saindo do centro para edifícios gigantescos e, com isso, enterrou-se todo o pequeno comércio que dele dependia e a vida própria que eles garantiam. Foram as decisões políticas que arruinaram de vez a Baixa. Sem a vida de pessoas novas, com empregos criativos, será difícil que o centro de Lisboa atraia mais turistas e gere riqueza. Riqueza intelectual, cultural e económica. Só isso permitirá uma Lisboa diferenciada e não falsa, pejada apenas de cadeias internacionais semelhantes a todas as cidades. Elas são desejáveis, mas deve haver um equilíbrio.

Lisboa precisa de ser autêntica, na sua fascinante diversidade. Não pode fingir que é cosmopolita, correndo com os sem-abrigo da Baixa, para que os turistas os não vejam. E isso tem sido feito, de forma silenciosa, fazendo com que eles vão "subindo" para outras áreas de Lisboa. Não se resolve o problema: esconde-se, tal como se faz quanto ao imobiliário, às "lojas históricas" e aos idosos corridos a pontapé das suas casas por gente sem escrúpulos. Sobre isto, a CML diz nada.

Há muito para discutir sobre Lisboa. Mas, sobretudo, a discussão deveria deixar de se centrar na Lisboa menina e moça e passar a fazer-se sobre a Lisboa adulta, culturalmente diversificada, e que é fruto de um país de serviços e não de criação de riqueza como é Portugal. Lisboa tem de ser criativa e não apenas ficar hipnotizada pela riqueza rápida que o turismo trouxe. Lisboa é o maior postal ilustrado de Portugal, basta aterrar de avião aqui, olhando a cidade banhada pelo sol, para perceber isso. Deveria ser magnífica.» 

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6.4.18

E Lisboa a parecer-se com Pequim – essa é que é essa!



Por cá, ainda dá para refilar. Mas no fim do dia...
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«"Tenho 79 anos. Nasci na casa onde sempre vivi, em Alfama. Foi preciso vir uma miúda com vinte e tal anos para me expulsar. Pois eu dali só saio morta!" Chama-se Felicidade Silva mas o seu rosto idoso e cansado não mostra o estado de alma do nome.»

26.11.17

É este o turismo que se pretende?



No Porto, um bairro inteiro foi comprado para ser convertido em alojamento local.

«A Tapada é um dos bairros das Fontaínhas, com 88 pequenas casas na escarpa dos Guindais, que no início do mês foi comprado pela empresa de investimento imobiliário Porto Baixa. Os novos donos, responsáveis por várias requalificações na baixa portuense, pretendem reabilitar as casas do bairro para as transformar em alojamento local.»
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14.11.17

Quando o turismo é (quase só) quem mais ordena



Isto não vai acabar bem. Estamos quase a chegar aos Hotéis cápsula do Japão!

«Daqui a uns anos vamos precisar de regressar a estes T0 e T1, para os reabilitar, para os fazer crescer.» 

(Público, 14.11.2017)
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5.8.17

Mais 83 hotéis???…


(Expresso, Economia de hoje.(

Pode ser que isto não acabe mal, pode ser… (Mas também pode não ser. 40% dos novos hotéis serão em Lisboa.)

E por falar em turismo, vale a pena ver ESTAS fotografias de Veneza! 
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2.8.17

Barcelona: turismo «tipo» maço de tabaco



Aeroporto de Barcelona, numa nas máquinas de Raios-X para fiscalização de bagagem, bem virado para os passageiros.

Carlos Moreira no Facebook.
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6.6.17

Não toquem na minha Alfama



«Em "Zelig", o filme de Woody Allen, o protagonista é alguém extremamente inseguro. Para conseguir passar despercebido transforma-se na pessoa que está ao seu lado.

Os turistas, já se sabe, não conseguem ser como Zelig: não se transformam em lisboetas ou portuenses para passar despercebidos. Nota-se a sua presença. Para mais quando, de um momento para o outro, os turistas se somam a cada vez mais expatriados e os centros das principais cidades portuguesas se transformam em "resorts" urbanos. O turismo é, não o duvidamos, um oxigénio precioso para a nossa economia. Uma verdadeira galinha dos ovos de ouro que cacareja no meio de um mundo inseguro. Não admira que o turismo se tenha tornado um dos motores da nossa recuperação económica. Mas, no meio da euforia, convém não voar como Ícaro e colocar os pés na terra. O turismo não pode ser a desculpa para afastar lisboetas e portuenses do centro das suas cidades. Não é a pontapé: é com preços de arrendamento que vão tornar, a curto prazo, Lisboa e Porto cidades onde só vivem turistas e expatriados. Os portugueses irão emigrar para os arredores. Mas, com os rendimentos que auferem, e o défice de transportes existente (a começar pelo lamentável metropolitano lisboeta), um dia destes não haverá quem faça os serviços no centro. Como aconteceu em Londres quando, devido a isso, polícias e enfermeiros, deixaram de querer trabalhar na cidade. Porque não era rentável.

A Marcha de Alfama deste ano coloca, de uma forma irónica, o dedo na ferida. "Não toquem na minha Alfama", original do concurso de 1950, vai voltar este ano. Não é um apelo ao fim do turismo. É um alerta. Se a cultura bairrista de zonas de Lisboa for riscada pelos interesses imobiliários reinantes, um dia destes a diferenciação e a cultura local, que atrai turistas e expatriados, evapora-se. Murcha, como os manjericos. O turismo, já o dissemos, é ouro. Não se queira inverter Midas e transformá-lo em chumbo.»