É com algum temor e grande perplexidade que vejo que se fala, aparentemente a sério, da hipótese de Santana Lopes se candidatar à Presidência da República, que nem está muito mal colocado em algumas sondagens que vão sendo publicadas e que corre o boato de que é a opção preferida por Passos Coelho.
Temor porque creio que os eleitores portugueses são capazes de quase tudo quando postos diante de uma urna, perplexidade porque começo a acreditar que 10 anos sejam o suficiente para apagar da memória dos portugueses a coboiada que foi o período de quatro ou cinco meses, na segunda metade de 2004, em que tivemos Santana Lopes como primeiro-ministro. Repito: coboiada – não há outro termo mais adequado para qualificar aquele período!
Nós resistimos aos mouros, aos espanhóis, aos franceses, ao escorbuto nas naus, a 1755, a décadas de ditadura, aos últimos anos de um (des)governo inacreditável, mas não aguentaríamos Santana em Belém, nem que Chopin ressuscitasse e compusesse os tais concertos para violino. Esperemos – esperemos mesmo -– não vir a ter saudades dos dois mandatos de Cavaco Silva.
Deixemos o menino guerreiro em paz,
please...
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