António Guterres no Público de hoje:
«Crianças pequenas massacradas diante dos pais. Raparigas e mulheres violadas em grupo enquanto as suas famílias são torturadas e mortas. Aldeias incendiadas e arrasadas.
Nada me poderia ter preparado para os arrepiantes relatos que ouvi, no início deste mês, no Bangladesh, dos refugiados rohingya, que fogem dos massacres e da violência generalizada do estado de Rakhine, no Mianmar.
Um homem, membro desta etnia maioritariamente muçulmana, lavado em lágrimas, descreveu como mataram a tiro o filho mais velho à sua frente, como a mãe foi brutalmente assassinada e a sua casa incendiada até ficar reduzida a cinzas. Contou ainda como se refugiou numa mesquita, acabando por ser descoberto por soldados que o agrediram e queimaram o Corão.
As vítimas do que tem sido justamente qualificado de limpeza étnica sofrem uma tal angústia que o visitante não pode deixar de comover-se e indignar-se. Estas horríveis experiências desafiam a compreensão, contudo, constituem a realidade de um milhão de refugiados rohingya.
Os rohingya têm sofrido uma perseguição constante do seu próprio país, o Mianmar, e carecem dos direitos humanos mais elementares, começando pelo direito à cidadania.












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