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24.10.10

As Cidades e as Praças (25)





Praça da Cultura, San Jose (2006)
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2.10.10

Premonições (óbvias)


Por conversas no Facebook, regressei ontem a um texto que eu própria escrevi, há quatro anos, depois de uma viagem à Costa Rica.

Trata-se de um país muito especial no contexto da América Latina e mantenho o que então resumi (sem ter tido a preocupação de actualizar alguns dados estatísticos), para chegar ao parágrafo final.

«O país tem quatro milhões de habitantes, é pouco maior do que metade de Portugal e cerca de um terço da sua área é protegida ecologicamente. (…)

A Costa Rica é considerada um caso de sucesso e percebe-se porquê: além do Atlântico e do Pacífico, «entalam-na» o Panamá e a Nicarágua, vizinhos não muito desejáveis. Entre guerrilhas sandinistas de um lado e Noriegas do outro, a Costa Rica mantém uma sólida democracia desde 1949. Entrou nesse ano em vigor uma constituição que atribuiu direito de voto universal aos dezoito anos (inclusive às mulheres e aos negros) e que aboliu as forças armadas. Iniciou-se assim um historial de pacifismo, especialmente significativo no contexto geoestratégico em que o país se insere. (…)

Vários indicadores revelam o sucesso de que se fala. Apenas um e dos mais significativos: o grau de literacia é muito superior ao dos vizinhos mais próximos e ultrapassa também o de Portugal: 96% versus 93,3%, com os mesmos critérios, devido a uma diferença de 5%, no caso das mulheres, a favor da Costa Rica!... Aliás, a aposta na educação desde 1949 é apontada como uma das causas do referido sucesso e faz com que, a par do turismo e da agricultura, a indústria de «microchips» e o desenvolvimento de «software» estejam já entre as principais fontes de receita. As telecomunicações são excelentes (tive cobertura de rede de telemóvel e «roaming» mesmo no meio da selva) e, num dos hotéis em que estive, paguei $12 por uma sopa mas a utilização da Internet era gratuita e ilimitada. A estabilidade política, os elevados níveis de qualificação das pessoas e o turismo atraem cada vez mais investimentos estrangeiros. O índice de pobreza terá diminuído significativamente nos últimos quinze anos e a taxa de desemprego é inferior à portuguesa.»

E chego agora ao parágrafo final que o meu interlocutor de ontem qualificou como «premonitório»:

«A Costa Rica é um país modesto. As estradas são más (péssimas, por vezes), a arquitectura de luxo não passou por ali, as povoações são aglomerados feiosos, as pessoas têm um ar muito simples. Visto a distância, Portugal parece um país de milionários, Lisboa é Paris quando recordada em S. José. Qualquer coisa está errada: ou uns vivem abaixo do que podem, ou os outros acima. De que lado estará o erro? Daqui a alguns anos, alguém verá. Eu tenho a minha opinião – oxalá me engane.»

Isto foi escrito em 2006 e, infelizmente, creio que não me terei enganado.
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8.2.10

Verde mais verde não há




A Costa Rica elegeu ontem uma mulher para presidente da República e do Governo, num país de regime presidencialista. Com um apelido simpático, representa um partido de centro-esquerda e é considerada grande defensora dos direitos das mulheres. Mas… é contra o aborto e não aprova o casamento gay...

Laura Chinchilla contou com o apoio de Óscar Arias Sánchez, que não pôde recandidatar-se por já ter cumprido dois mandatos - personagem de muito grande prestígio, que no final dos anos 80 se opôs firmemente a que os Estados Unidos utilizassem a Costa Rica como base para atacarem a guerrilha nicaraguense e que recebeu, em 1987, o Prémio Nobel da Paz por ter conseguido que alguns países da América Central (Nicarágua, Guatemala, El Salvador e Honduras) chegassem a acordo sobre um plano de paz que ele próprio elaborou.

Embora atingida pela crise em 2009, a Costa Rica é considerada um caso de sucesso e percebe-se porquê: além do Atlântico e do Pacífico, «entalam-na» o Panamá e a Nicarágua, vizinhos não muito desejáveis. Entre guerrilhas sandinistas de um lado e Noriegas do outro, mantém uma sólida democracia desde 1949, ano em que entrou em vigor uma constituição que atribuiu direito de voto universal aos dezoito anos (inclusive às mulheres e aos negros) e que aboliu as forças armadas. Iniciou-se então um historial de pacifismo, especialmente significativo no contexto geoestratégico em que o país se insere.

Com cerca de quatro milhões de habitantes, 96% de literacia e um terço da sua área protegida ecologicamente, está na moda como destino turístico - a sua principal fonte de receitas – e exporta sobretudo ananases, bananas (*), microships e desenvolvimento de software.

Em 2006, passeei por cinco das suas sete províncias, fiz cerca de 1.300 km por terra e por rio – num país VERDE e absolutamente luxuriante, onde se atinge facilmente 100% de humidade a que só as melhores máquinas fotográficas digitais resistem.

Ir a Tortuguero é uma experiência única. Por razões ecológicas, não é acessível por estrada mas apenas por rio, numa viagem de quase duas horas. Caminha-se por trilhos com vegetação tão cerrada que se ouve chover sem que a água chegue ao chão e é-se acordado a meio da noite por trovões e chuvadas monumentais e, às cinco da manhã, por simpáticos macacos roncadores. Por lá se vêem tartarugas – também verdes, na época do ano em que lá estive — a desovar na praia em noite de lua cheia.

Eu, que nem sou muito dada a excursões ecológicas, fiquei rendida a este país com muitos outros parques, vulcões, termas paradisíacas em cascatas a várias temperaturas, borboletas azuis e rãs vermelhas.

Dito isto, a Costa Rica é um país modesto. As estradas são más (péssimas, por vezes), a arquitectura de luxo não passou por ali, as povoações não são bonitas, as pessoas têm um ar muito simples. Visto a distância, Portugal parece um país de milionários, Lisboa é Paris quando recordada em S. José.

Um toque futebolístico no que seria o paraíso visual para qualquer sportinguista: foi em Tortuguero que vi, na final do campeonato do mundo de 2006, a celebérrima cabeçada de Zidane. Pareceu-me que até os macacos roncaram então com mais força!...

(*) E também plátanos, João! :-)