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13.8.25

Marroquinos?

 


Volksvargas no Facebook.

8.10.23

A falta atacante de Marcelo e Costa

 


«Imagine o leitor que, lá por 1998, dois países do Sudeste asiático – a Tailândia e a Malásia, por exemplo – tinham ganho a competição para organizarem o campeonato do mundo de futebol. Imagine que ambos decidiam incluir na sua candidatura conjunta um terceiro país, a Indonésia. Imagine, enfim, que a então potência ocupante de Timor-Leste projetava a construção de um grande estádio de futebol em Dili, anunciando que ali se realizaria um dos jogos desse mundial.

É legítimo perguntar: se António Costa fosse então primeiro-ministro de Portugal e Marcelo Rebelo de Sousa fosse o Presidente da República desse momento, que reação a esse plano lhes exigiria a sociedade portuguesa? A resposta é evidente: que fossem coerentes com o que fizeram o Presidente Jorge Sampaio e o primeiro-ministro António Guterres e repudiassem firmemente, em nome de um país que então se mobilizava totalmente contra a ocupação de Timor, uma tal manobra de branqueamento futebolístico da violação mais grosseira do direito internacional. Que ambos dessem voz a nada menos que a autodeterminação daquele povo irmão. O que se exigiria a Marcelo Rebelo de Sousa e a António Costa seria, portanto, que não fossem em futebóis e não se distraíssem, nem a si mesmos nem a nós, do que verdadeiramente estava em causa.

Tudo isto é ficção, sim. Mas não é só porque essa candidatura nunca existiu. É ficção por algo muito mais sério que isso: porque, menos de um quarto de século depois desse imaginado 1998, Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa tecem hinos e louvores à organização – essa sim, verdadeira – de um campeonato do mundo de futebol que envolve um Estado (Marrocos) que ocupa ilegalmente o território do Sara Ocidental, no qual anuncia que vai construir um grande estádio para a realização de um dos jogos da competição. O Presidente da República lavou a história com o discurso tradicional da direita e falou de “uma candidatura europeia, africana e sul-americana, ligando países que têm uma História em comum". E António Costa não a lavou menos, esquecendo tudo o que um socialista devia lembrar e escondendo a gravidade desta iniciativa atrás de uma assética “parceria com Espanha e Marrocos” e insistindo no estafado autocomprazimento de que “temos capacidade e provas dadas na organização de grandes eventos".

Pois sabe o que era um grande, mas mesmo grande, evento, senhor primeiro-ministro? Era o seu Governo não dar primazia nem aos negócios do futebol nem ao cinismo da realpolitik e conferir efetiva prioridade a uma política externa centrada na defesa sem cedências do direito internacional e da autodeterminação de todos (todos!) os povos, e não apenas daqueles que o vento dominante diz para defender. Sabe qual era a história comum que devia lembrar, senhor Presidente da República? Era a história que nos fez grandes quando fomos coerentes com a ligação umbilical entre a nossa revolução democrática e as lutas pela autodeterminação das ex-colónias portuguesas e fizemos do seu sucesso pilar do sucesso da nossa democracia.

Da FIFA que organizou o mais vergonhoso dos mundiais (o do Qatar), hoje provadamente envolvido numa teia de corrupção de que o Parlamento Europeu foi apenas um dos focos, não se esperaria nada em favor de critérios de decência e de legitimidade. Mas nenhum de nós é nacional de um Estado chamado FIFA. É enquanto cidadãos de uma democracia que inteligentemente vê no direito internacional uma salvaguarda contra os grandes poderes fácticos deste mundo que temos obrigação de não seguir Marcelo e Costa na sua desmemória tão conveniente e na sua complacência ativa com o poder do ocupante agora tornado parceiro. O Mundial que vem aí – e que os desavindos Marcelo e Costa se unem para elogiar – é um vexame para o país que se irmanou com a resistência timorense contra uma ocupação que os “realistas” de então (e eram tantos…) ditavam que devíamos deixar seguir. E é uma vergonha para quem apregoa, dia sim, dia sim, que não podemos ceder um milímetro aos ocupantes ilegais de territórios de outros povos.

Escrevo este texto quando estou, em Nova Iorque, a participar nos trabalhos da Comissão Especial de Políticas e Descolonização das Nações Unidas sobre a questão do Sara Ocidental. Junto-me aos tantos, de tantos países, que aqui vieram exigir que se cumpra o direito à autodeterminação do Sara Ocidental. Se a força não nos desviou desse princípio, não vão ser os negócios do futebol que o farão. Isso fica para outros.»

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16.7.23

O governo português e a última colónia africana

 


«O Saara Ocidental é a última colónia africana, ocupada ilegalmente por Marrocos desde 1975. Os saarauís lutam pela independência há décadas e a ONU tem inúmeras resoluções em que afirma o direito à autodeterminação, além de uma missão no terreno, desde 1991, para um referendo no Saara Ocidental. Apesar da flagrante ilegitimidade da atual situação à luz do direito internacional, Marrocos continua a rejeitar qualquer possibilidade de decisão democrática que não seja a integração do território, com mais ou menos matizes de autonomia, na soberania do país ocupante. Dois factos recentes agravaram este intolerável cenário.

Primeiro, a mudança de posição do governo espanhol - e também do português - sobre os direitos dos saarauís a decidirem sobre o seu território. A potência ocupante inventou uma “Iniciativa Marroquina para a negociação de um estatuto de autonomia para a região do Saara”, na qual considera diversas modalidades de integração em Marrocos, mas reitera a negação frontal da autodeterminação nos termos das resoluções da ONU. Que o Governo espanhol tenha cedido a tal proposta, saudando-a, é grave e provocou aliás fissuras significativas no executivo daquele país.

Tanto ou mais mais grave é o governo português ter também manifestado apoio ao plano marroquino, considerando-o uma “proposta realista, séria e credível”. Tal posição está em flagrante contradição com o património histórico e diplomático de Portugal num outro caso cujo paralelismo é cristalino: Timor. Tal como a Indonésia ocupou o território depois da retirada de Portugal, assim fez Marrocos com o Saara Ocidental, depois de o estado espanhol ter abdicado do estatuto de “potência administrante”.

Em polémica recente num outro jornal, o representante de Marrocos em Portugal bem se esforçou por tentar afastar as óbvias semelhanças dos dois casos. Sem sucesso. Portugal, que se bateu por um processo referendário em que a autodeterminação de Timor era uma das hipóteses em cima da mesa, não pode agora legitimar, de forma totalmente incoerente, uma proposta de referendo no Saara em que as duas únicas hipóteses são ficar sob ocupação ou ficar sob ocupação, ao arrepio do direito internacional.

O segundo facto grave é que Portugal seja parte de uma candidatura ao Campeonato do Mundo em 2030 que envolve Espanha e Marrocos e na qual se prevê a realização de jogos em território ocupado, num grande estádio que está a ser construído por Marrocos em Dakhla, cidade do Saara Ocidental. O uso de territórios ocupados para um evento desportivo viola várias normas do direito internacional e torna o nosso país cúmplice daquela operação colonial.

Em 2021, o Tribunal Geral de Justiça da UE anulou os acordos de pesca da UE com Marrocos por incluir os territórios ocupados do Saara sem consultar os seus legítimos representantes. Em 2022, o Conselho de Segurança da ONU exortou Marrocos e os representantes saarauís a retomarem “as negociações sob os auspícios do secretário-geral”, com vista a “uma solução política justa, duradoura e mutuamente aceitável que permita a autodeterminação do povo do Sara Ocidental”. Guterres, que lutou por Timor, não se esqueceu da importância da persistência e da coerência dos valores nestas matérias. O governo português, pelos vistos, abdicou deles em nome de um campeonato.»

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29.7.20

Templos, Mesquitas e outros que tais (8)



Mesquita Hassan II, Casablanca, Marrocos, 2017.

A sua construção teve início em 1986, devia durar três anos a tempo de comemorar o 60º aniversário do rei Hassan II, mas acabou por ser inaugurada apenas em 1993. É a maior mesquita em funcionamento no país e o minarete tem 210 metros de altura. Chegou a ocupar 1.400 trabalhadores durante o dia e 1.100 no turno da noite, para além de 10.000 artesãos que trabalharam com mármore, granito, madeira, mosaicos, estuque e outros materiais para elaborar tectos, pavimentos, colunas, etc.

Trata-se de uma obra grandiosa e altamente sofisticada, com resistência sísmica, tecto que se abre automaticamente, soalho aquecido e portas eléctricas – Hassan II pretendeu que fosse o que de mais grandioso alguma vez tivesse sido construído em Marrocos e não olhou a custos (cerca de 585 milhões de euros), pelo que foi altamente criticado.


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7.10.17

Casablanca



Já estou em Lisboa, mas antes de aterrar completamente «mantenho-me» ainda em Marrocos.

Casablanca vive no nosso imaginário inseparável de Humphrey Bogart e de Ingrid Bergman, embora eles nunca lá tenham posto os pés pelo menos para serem filmados. É uma cidade feia e suja, mas sem dúvida que merece uma paragem para se visitar, demoradamente, a magnífica Mesquita Hassan II, inaugurada em 1993 – a segunda maior do mundo depois da de Meca. Tirei dezenas de fotografias, ficam aqui algumas. 






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6.10.17

Volubilis



Volubilis foi uma importante cidade romana de Marrocos, com 42 hectares, completamente arrasada pelo «nosso» terramoto de 1755 (chegou aqui e a vários outros locais por que passei). Se grande parte ainda se encontra enterrada, outra está já reconstruída pelos franceses e foi declarada Património da Humanidade pela UNESCO em 1997. Foi por lá que comecei o dia de hoje. E valeu a pena.
(Já estou em Rabat, amanhã será Casablanca… e o regresso.) 




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5.10.17

Fez



Hoje foi dia de andar por Fez, com uns simpáticos 38º, começando pela parte nova de onde destaco as belas janelas do bairro judeu. Seguiu-se, durante umas três horas, a peregrinação pela Medina de El Bali, a parte velha da cidade. Dizem—me que tem 9.400 ruas e becos (e quem sou eu para duvidar..), num percurso absolutamente labiríntico. Felizmente que burros já não podem circular ou a aventura, única mas incontornável, teria sido ainda maior. Vê-se de tudo, desde uma bela madrassa a uma mesquita e vende--se este mundo e o outro, em lojas ou na rua, onde o colorido não falta. 







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4.10.17

Marrocos – Pegadas portuguesas

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Ontem andei por Essaquira (ex-Mogador Portuguesa) e vi alguns vestígios dos nossos antepassados, mais ou menos escondidos e em muito mau estado.

Não foi o caso hoje, em EL JADIDA (ex-MAZAGÃO), o último local que abandonámos (e arrasámos), em Marrocos, por vota de 1770, a mando do Marquês de Pombal. Notável é uma grande cisterna (de 1514) que resistiu porque só foi descoberta mais tarde pelos franceses. Mas há muito mais que recorda as características do bairro: escudo português, nomes de ruas, de cafés, etc., etc. 





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3.10.17

Em Marrocos, algures à beira de uma estrada



Vacas voadoras não há por aqui, mas vi hoje cabras a treparem a árvores para se alimentarem.

(Qualquer comparação com factos políticos recentes é puramente involuntária...)
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2.10.17

Marraquexe (3)



Minarete da Mesquita da Koutubia – o ex-libris da cidade.
Teria muito mais a mostrar de Marrarquexe, tempo é que não tenho. A noite será curta, amanhã muito cedo rumo a outras paragens.



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Marraquexe (2)

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Ruas e ruas assim. Com multidões de turistas e de vendedores de bugigangas demasiado pegajosos para meu gosto. Mas não se pode ter tudo. 



Marraquexe (1) – Um outro mundo aí ao virar da esquina



Palácio Bahia (1894) – Claustros, salões, tecto pintados à mão, quatro casas para as mulheres legítimas e um número indefinido para as concubinas, etc, etc.






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1.10.17

Dia de eleições, mas…



Já votei e vou daqui a pouco dar uma vista de olhos a Marrocos. A partir de Marraquexe, saberei esta noite as «gordas» dos resultados das autárquicas. Não há-de ser nada, vai tudo correr bem, o povo é sereno. 
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